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Arquivo Café com Prosa | Cadernos à vista: Escola, Memória e Cultura Escrita | Ana Crustina Mignot (Coord.)

Cadernos à Vista: Escola, Memória e Cultura Escrita

Ana Crystina Mignot (Org.)

Eles não servem apenas para registrar os conteúdos estudados em sala de aula. Guardam também a memória de um tempo em que crescer é um desafio em meio a tantas brincadeiras. O recado da paquera, o ensaio da poesia, um desenho inacabado, o telefone do amigo, as preocupações de uma época e até mesmo as marcas de correção de uma professora nunca esquecida. Assim são os cadernos escolares: um verdadeiro baú de memórias.

Foi pensando nesses verdadeiros arquivos privilegiados que a EdUERJ produziu e acaba de lançar “Cadernos à Vista: Escola, Memória e Cultura Escrita”. Organizado pela professora Ana Crystina Mignot (UERJ), o livro traz uma coletânea de artigos de vários pesquisadores em educação e História da Educação, e que buscam, através de suas pesquisas e investigações, discutir a preservação da memória e história da educação no Brasil.

Durante muito tempo, os cadernos escolares foram vistos apenas como “tranqueiras” de um passado remoto, destinados ao lixo ou a uma gaveta esquecida dentro do armário. “Cadernos à vista”, entretanto, vem desfazer esta imagem, mostrando que os cadernos escolares são importantes fontes de investigação histórica, objetos que nos revelam não só as marcas de escolarização ou as metodologias de ensino-aprendizagem de um tempo, mas também um pouco da história das disciplinas, da natureza das instituições de ensino e a sua relação coma política e cultura de diferentes épocas.

A vivência dentro da sala de aula

Segundo Mignot, em seu artigo de introdução, a valorização dos cadernos escolares dentro da historiografia da educação é recente, reflexo da “ampliação da noção de documento”. A preocupação estaria especialmente em “examinar o vivido na sala de aula”. E é exatamente isso o que os artigos do livro tentam recuperar.

No artigo “Cadernos escolares: memória e discurso em marcas de correção”, um dos mais interessantes do livro, a pedagoga e doutoranda em Memória Social, Isa Lopes (membro do Café História), analisa os “registros escritos”, os “sinais gráficos” e as “imagens” que diversos professores deixaram ao longo do tempo nos cadernos de seus alunos. Isa trabalha com uma coleção de cadernos escolares da 1ª fase do ensino fundamental, formada por 45 exemplares entre 1951 e 2003.

Foto: Sala de aula da Escola Técnica Darcy Vargas (RJ) em 1968.

No decorrer de sua pesquisa, a autora identificou que algumas dessas marcas mantêm certa regularidade ao longo do tempo, o que sugere que tal prática é apropriada pelos professores nos cursos de formação, em suas lembranças pessoais ou no exercício da profissão a partir da interação com outros professores. Mas não é só isso. Essas marcas de correção – carimbos, estrelinhas, recadinhos, vistos, cores de caneta... – estão ligadas aos conceitos de identidade e diferença; portanto, às relações de poder e a hierarquia das relações entre quem ensina e quem aprende. Em um dos exemplos do artigo, Isa discute os famosos “v” de “visto”. Dos 45 cadernos da coleção, 30 apresentam o mesmo sinal gráfico. A análise da autora surpreende:

“Simbolicamente, isso se assemelha ao panopticon de Foucault: o professor assume uma atitude de vigilância sobre todas as atividades realizadas por todos os alunos, ‘vê a tudo e a todos’ e, por meio dessa representação, assinala o posicionamento hierárquico das relações institucionais. A família, por meio dessas marcas de correção, também controla as ações do professor, já que elas informam aos pais que ele acompanha o percurso do aluno sistematicamente. O panopticon se inverte: a comunidade vigia a atividade docente ao olhar para os indicadores de correção e, desse modo, verifica se o professor vem acompanhando cada um dos alunos em todas as atividades”.

O livro traz ainda outros artigos muito bem escritos e que trazem leituras que, assim como a de Isa Lopes, surpreendem o leitor. São discutidos diversos temas, em investigações que vão desde a subjetividade dos cadernos escolares do Instituto de Educação do Rio de Janeiro ou do Colégio Pedro II no artigo de Mirian Paura Sabrosa Zippin Grinspun (UERJ) ao “conteúdo emocional” de cadernos escolares do franquismo, da professora da Universidade Nacional de Educação a Distância de Madri (UNED), Kira Mahamud Ângulo.

Ao todo, são 15 artigos reunidos em um livro, cujo projeto gráfico se destaca por sua beleza e preocupação com a leitura. Suas dimensões (180x216mm) lembram a de um caderno. A capa simula uma profusão de cores vivas e dispersas, tal como são as nossas memórias. A leitura do livro é muito agradável, o que é ajudado pelas páginas anti-reflexo e pelos textos e imagens muito bem relacionadas. Ler este “livro sobre cadernos” é viajar na própria lembrança dos tempos de escola, experimentar uma vez mais a emoção de um primeiro dia de aula ou de uma bronca por causa de um exercício mal feito. O livro nos lembra, principalmente, que aqueles velhos cadernos desbotados que por algum motivo ainda guardamos no fundo do armário, mais do que uma “tranqueira” são parte essencial do arquivo que fazemos de nossa própria vida.

Preço encontrado: R$ 40,00

Editora: EdUERJ (2008)

Páginas: 272

Exibições: 1787

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