Armstrong levou vida discreta e distante da mídia

Com a morte de Neil Armstrong, 82, o programa espacial americano recebe mais um lembrete de que suas glórias estão cada vez mais no passado que no futuro. E, possivelmente, os EUA perderam um dos que mais se preocupavam com isso.

Embora estivesse oficialmente afastado havia décadas do dia a dia da Nasa, Armstrong jamais deixou de se importar com o que acontecia por lá.

Quando do recente cancelamento do Projeto Constellation, que pretendia levar homens à Lua mais uma vez depois das históricas missões Apollo das quais Neil foi o máximo protagonista, o ex-astronauta manifestou diversas vezes, através de cartas publicadas na imprensa, seu temor pelos rumos do programa.

Foi o presidente Barack Obama que decidiu cancelar os ambiciosos – e subfinanciados – planos lunares, em favor de uma estratégia que privilegiasse os então incipientes esforços de transporte espacial comercial.

Mas é evidente que a principal contribuição de Armstrong ao mundo – e não só aos EUA – foi o “pequeno passo para um homem, um gigantesco salto para a humanidade”, dado ao pé da escada do módulo lunar Eagle, da missão Apollo 11, em 20 de julho de 1969.

Apesar da frase eloquente – que Armstrong jura ter sido pensada durante o trajeto para a Lua, sem combinação prévia com a Nasa -, o comandante da mais famosa missão espacial da história era um sujeito frio e profissional.

Nunca se vangloriou de sua primazia e, como declarou sua família após sua morte, foi um “heroi americano relutante, que sempre acreditou estar apenas fazendo seu trabalho”.

Divulgação/Nasa
Morreu aos 82 anos o astronauta Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na lua
O astronauta Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na lua, em foto tirada pelo seu colega Edwin “Buzz” Aldrin

Desafio que exigia muito mais antigamente do que poderia cobrar agora de um piloto de espaçonave prestes a pousar na Lua. Os computadores a bordo das naves Apollo, por exemplo, tinham menos poder computacional que qualquer celular chinfrim de hoje. Durante o pouso da Apollo 11, eles “travaram” e boa parte do procedimento teve de ser feito “no visual”.

Armstrong lidou com isso com a frieza de um aviador e astronauta experiente, que já havia passado por apertos no espaço. Ironicamente, essa característica dele também foi o que lhe garantiu o nome na história.

Além de ser o mais preparado para pilotar a descida do módulo lunar pela primeira vez (Armstrong precisou desviar de última hora de uma região acidentada do solo lunar e realizou a alunissagem com apenas 25 segundos de combustível remanescente), seu espírito prático também impediu que seu colega Buzz Aldrin fosse o primeiro a marcar pegadas no satélite natural da Terra.

Buzz estava muito mais ansioso para ser o primeiro, mas, pela configuração do módulo lunar, Armstrong é que ficava mais perto da escotilha e uma inversão de posições seria complicada demais para que caprichos individuais pudessem ditá-la.

Assim como Yuri Gagarin (por parte dos russos), Armstrong foi escolhido a dedo pelo governo americano para representar seu país como símbolo máximo de seu programa espacial.

Competente, discreto e conduzindo uma vida longe da mídia, Armstrong quase terminou seus dias sem deixar uma biografia autorizada – coube ao historiador James Hansen, da Universidade Auburn, em Alabama, convencê-lo de que o texto do livro privilegiaria os aspectos técnicos de suas contribuições ao mundo para que Neil concordasse. A obra, “First Man”, foi publicada em 2005. Mas, dois anos antes, os direitos de adaptá-la para o cinema já haviam sido comprados por Clint Eastwood.

Exibições: 7

Tags: 11, 1969, Apollo, EUA, Lua

Comentar

Você precisa ser um membro de Cafe Historia para adicionar comentários!

Entrar em Cafe Historia

LINKS PATROCINADOS

Conteúdo da Semana

O historiador Fábio Koifman (UFRRJ) conta ao Café História como transformou mais de sete mil documentos em uma pesquisa histórica bem sucedida e conversa sobre outros assuntos, como a sua relação com os arquivos no Brasil

Links Patrocinados

Cine História

Somos tão jovens

Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.

Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

Enquete História

Você acredita que João Goulart foi assassinado por agentes da ditadura militar?

Sim
Não
Talvez


Resultado Parcial
Comentar esta Enquete
Recomendar esta Enquete

Em nossa enquete anterior, perguntamos: de 0 a 5, que nota você daria para a edição da ANPU regional (2012)? 638 pessoas votaram na enquete. O resultado foi o seguinte: 0 (27,90%), 5 (22,24%), 3 (16,14%), 4 (15,05%), 2 (7,99%) e 1 (7,68%).

Parceiros


NOSSOS OUTROS PROJETOS

Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

© 2013   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }