Aquivo Café com Prosa | As Cidades de Freud | Giancarlo Ricci

As Cidades de Freud

GIANCARLO RICCI


Por Bruno Leal

“O passado do viajante muda de acordo com o itinerário realizado, não o passado recente ao qual cada dia que passa acrescenta um dia, mas um passado mais remoto. Ao chegar a uma nova cidade, o viajante reencontra um passado que não lembrava existir: a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos”. A passagem de Ítalo Calvino em “As Cidades Invisíveis" serve perfeitamente para caracterizar a viagem que o escritor italiano Giancarlo Ricci nos proporciona com a leitura com seu "As Cidades de Fredu", publicado em 2005 pela Jorge Zahar Editor.

Nascido em 1950, Ricci é psicanalista e membro da Fundação Européia para a Psicanálise. Especialista em Freud, o autor elaborou um livro que acompanha as viagens do pai da psicanálise ao longo de sua vida. O itinerário começa em 1856 na cidadezinha de Freibergeg, onde Freud nasceu, na Morávia ocidental, a pouco mais de duzentos quilômetros de distancia de Viena, e termina na Londres de 1938, cidade-exílio do pensador.A proposta de Riccié evidenciar como Freud testemunhou e sobretudo forjou a modernidade, deixando para trás o século XIX e interrogando o mal-estar de nossa época.

Apesar de uma pretensa fobia de viagens, Sigmund Freud foi um viajante assíduo, atento observador de paisagens exteriores e interiores. Ao todo, o livro relata a passagem de Freud por mais de quarenta cidades ao redotr do mundo. A relação entre espaço e a mente está presente em cada parada na medida que a geografia assemelha-se à psicanálise no sentido de que ambos são estudos que seguem “rastros”, lugares e distâncias. A psicanálise é como um cidade sem fronteiras.

"As Cidades de Freud" ajudam o leitor a compreender um pouco melhor o contexto de produção das principais obras de Freud, bem como os discursos que influenciam as teorias e conceitos de Freud. A passagem por Atenas (1904) é uma das que mais chamam a atenção. Freud escreve: "Quando, na tarde seguinte à chegada a Atenas, encontrei-me na Acrópole abraçando a paisagem com o olhar, veio-me de repente este estranho pensamento: 'Então tudo isso existe mesmo, exatamente como aprendemos na escola?!'". Em Viena (1894/1898) a relação entre obra e espaço fica ainda mais evidente. Em seu "A interpretação dos sonhos" narra um sonho que teve durante sua estadia junto de sua esposa Martha. "Estávamos na janela de nosso quarto na Riva degli Schiavoni e e olhávamos a laguna azul, na qual notava-se naquele dia um movimento maior que o usual. Navios ingleses eram esperados e precisavam ser recebidos com solenidade. De repente, minha mulher gritou, alegre como uma menina: 'Olhe, o navio de guerra inglês!'No sonho essas mesmas palavras me assustam". No livro de Freud, Freud explica cada objeto do sonho, fazendo relações que vão desde o luto até a morte.

Enfim, se o leitor do Café história deseja viajar nas palavras, "As Cidades de Freud" é mais do que a oportunidade perfeita. É o livro que faz conhecer o mundo sem sair do lugar. Pegue o livro e boa viagem!

Páginas: 219

Preço encontrado: R$ 42,00

Editora: Jorge Zahar Editor

Exibições: 355

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Comentário de Josefa Jaira Amorim Silva em 27 abril 2013 às 13:08

Fiquei curiosa assim que tiver a oportunidade comprar esse livro  para mim que so conheso o mundo atraves da tv sera realmente uma viagem

café história acadêmico

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