Pedra de Ingá-PB
É IMPOSSÍVEL UMA UNIFICAÇÃO ORTOGRÁFICA COM OS DEMAIS PAÍSES DE "LÍNGUA PORTUGUESA"!
Corrigir a injustiça histórica secular para com a cultura ameríndia brasílica, origem da formação nacional e espírito latente de insubmissão à dominação estrangeira, deve ser o objetivo de todos aqueles que lidam com a Educação e Cultura deste país e que tenham um pouco de amor ao verde e amarelo.

Devemos propiciar aos milhões de brasileiros que diariamente expressam-se na língua tupi, a oportunidade de saberem o significado dessas palavras e, sabendo-o, terem condições de conhecer a história da grande nação Tupi, fato que gerará o inevitável espírito nacionalista e a responsabilidade em sua preservação.

A conseqüência imediata desta providência será a expansão para além das nossas fronteiras da verdadeira epopéia da estruturação brasileira, permitindo ainda que as demais nações, por intermédio dos milhares de turistas que pisam o território nacional, saibam, em seu próprio idioma, o significado dos nomes e palavras tão comuns nos logradouros públicos, locais e cidades mundialmente famosas, e, cujos nomes em língua Tupi, até a presente data, não têm tradução literal e significação, uma vez que os próprios brasileiros não o sabem.

E apenas para informação, longe de ser alguma língua morta e sem origem, o tupi ou nhengatú possui uma gramática expositiva dividida em quatro partes exatamente como a língua portuguesa: Fonologia — Morfologia — Taxonomia e Sintaxe.

Estamos diante, portanto, de uma prova que os milhares de nomes toponímicos que descrevem e definem lugares, cidades, praças, ruas, produtos, objetos ou fenômenos da terra, não foram jogados ao vento "por um caboclo brejeiro qualquer" como quer a explicação até hoje passada nas escolas do país, mas sim, fazem parte do aspecto topográfico local, traduzido pelo idioma brasílico, genuíno irmão lingüístico do português.

Se observarmos apenas algumas das palavras que falamos diariamente, já teremos uma pequena idéia da nossa ignorância e a conseqüente responsabilidade para com o futuro:
Jacarepaguá: lagoa dos jacarés
Andaraí: rio dos morcegos
Aracaju: cajueiro das araras
Tijuca: brejo, lamaçal
Pará: mar
Maracujá: comida preparada em cuia
Paraná: rio que é grande como o mar
Paraguai: rio dos papagaios
Pirapora: peixe que salta
Pindorama: país das palmeiras
Bauru: cesto de frutas
Sergipe: rio dos siris
Pindamonhangaba: fábrica de anzóis
Goiás: gente da mesma raça
Sorocaba: terra rasgada
Curitiba: lugar de muito pinhão
Morumbi: mosca verde, varejeira
Pacaembu: riacho das pacas
Ceará: o canto da jandaia
Carioca: casa de branco
Anhangabaú: rio dos malefícios do diabo
Ipanema: rio sem peixe
Uberaba: água clara, cristalina
Pindaíba: vara de pescar

Estas são apenas algumas das milhares de palavras do idioma tupi faladas e escritas diariamente e que, identificando locais e cidades nacional e internacionalmente conhecidas, fazem parte do nosso vocabulário diário, porém as suas traduções ou significados são desconhecidos por todos.

Os padres jesuítas José de Anchieta e Nóbrega dedicaram suas vidas aos estudos e codificação da língua tupi-guarani, seus usos, costumes, história e origem antropológica desta grande nação cujo sangue corre em nossas veias, direta ou indiretamente.

Centenas de outros jesuítas sucederam aos pioneiros na continuidade deste trabalho, legando-nos verdadeiros tratados acerca de tal assunto, vez que, já àquela época, previam a necessidade das futuras gerações acerca do conhecimento da língua brasílica que faria parte da nossa existência como nação.

Mas a leviandade, o preconceito e o racismo de alguns "intelectualóides de beira de jardim" que se revezaram durante anos no controle da educação e cultura, desprezaria por completo o trabalho destes jesuítas, preferindo dar cunho oficial aos anglicanismos, galicismos e estrangeirismos que corroem o nosso idioma e alteram o nosso comportamento.

De tal maneira desafiaram o conceito de nação que hoje, nas faculdades, ninguém sabe gramática portuguesa e muito menos gramática tupi-guarani. E só para exemplificar aí vai um texto que prova a importância da cultura indígena na nossa vida:
"Aí, o presidente Fernando Henrique Cardoso saiu do palácio às margens do Lago do Paranoá, observou uma Siriema que ciscava no palácio do Jaburu, chegou ao seu gabinete sendo recebido pelo mordomo Peri, lembrou a um assessor sobre as comemorações da Batalha do Humaitá, convocou o ministro do Itamaraty e o governador de Goiás, que visitava seu colega no palácio do Buriti, e, uma vez juntos, tomaram um suco de maracujá, comentaram sobre as reformas do estádio do Maracanã e as recentes obras no vale do Anhangabaú, riram de um antigo comentário do Barão de Itararé sobre obras públicas, e, abrindo uma agenda de pele de jacaré, passaram, a decidir sobre o carvão de Criciúma, os suínos de Chapecó e a safra de arroz de Unaí."

– Viram, falaram, beberam e escreveram em tupi e não se deram conta disto. O embaraço maior seria se tivessem que traduzir todas estas palavras para o chanceler francês que visitava o Brasil.

E já que é assim, por que não inserir em todas as placas de ruas, praças, avenidas, estradas, rodovias, monumentos e locais cujos nomes sejam originalmente em língua tupi, o significado em português, o qual, via de regra, poderá ser traduzido para qualquer idioma estrangeiro?

— E por que não explicar nas escolas primárias e secundárias esta fusão da língua portuguesa com a língua tupi-guarani e seus fenômenos toponímicos e gramaticais usados no cotidiano desde a tenra idade?

— Achamos esta saída ideal para um problema que tem gerado situações embaraçosas para brasileiros no exterior, quando alguém pergunta o significado da palavra Ipanema ou, dentro do seu próprio país, quando um filho ou uma filha pergunta:
"... papai, o que quer dizer carioca?"

— Diante do desconhecimento total por parte dos brasileiros acerca desta cultura e herança, corremos os risco de permitir que as gerações futuras pensem que tais palavras, hábitos e costumes, fazem parte da cultura e língua portuguesa, porém, sem significado e explicação. É o máximo!

E, caso algum especialista em educação e cultura ache que é possível viver sem esta influência lingüística, poderá começar por retirar todas as palavras da língua tupi do nosso vocabulário. Inicialmente:
• Terá que trocar o nome de dez estados e sete capitais brasileiras, cujos nomes são em tupi.
• Depois trocar os nomes de centenas de municípios, milhões de ruas, praças, avenidas, estradas, rodovias e localidades topográficas cujos nomes também são originários da língua tupi.
• E finalmente, terá que mudar milhares de nomes próprios e palavras comuns do nosso dia-a-dia, as quais são verbetes da língua tupi.
Aí verá que a comunicação e a locomoção se tornarão impossíveis.

E já que esta terra era propriedade de uma raça tão importante que mesmo dizimada nos legou um tratado lingüístico e antropológico de beleza impar, nada melhor do que repetir a célebre frase de Aimberê, o cacique-comandante da Confederação dos Tamoios no Rio de Janeiro:

"Nhandê coive ore retama!" — Esta terra, é nossa !


— E é, por esta razão que me considero um legítimo Tupinambá...porque no Brasil, TODO DIA, É DIA DE ÍNDIO!

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Nota: Segundo Eduardo de Almeida Navarro, professor do Departamento de Letras da USP e autor do livro "Método Moderno de Tupi Antigo" (Editora Global), existem mais de 10 mil tupinismos no nosso idioma e mais de 50 mil batismos geográficos no Brasil na língua tupi.

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