Água, o “Ouro Azul” do nosso século - Paulo Montoia Brasil - História
(...)
Segundo o tupinólogo Frederico Edelweiss, a palavra mar era pará na língua dos Tupis e Paraná (variação de paraná) na língua dos Guaranis, ambas nomes de nossos estados. Como variações ligadas a mar e água temos ainda Paraíba, Paranapanema, Paranaguá; Pernambuco é variação de Paranã-mbuca (o furo por onde entra a água, alusão aos recifes), Piauí (rio de piaus, um tipo de peixe); o nome da Serra da Mantiqueira, que forma o Vale do Paraíba, vem de Amantykyra (gotas de chuva), indicação de montanhas sempre úmidas. Os tupis chamavam a água de rios de Yg, de onde nasceu a palavra amazônica igarapé (da língua posterior, o nheengatu) e também Iguape.

Ao longo dos séculos do Brasil colônia, a água foi e é fator decisivo para a fundação das cidades, para a agricultura, para desbravamento do país como meio de transporte. É também marcante na saúde pública, ligada à proliferação de mosquitos e de doenças como a malária, a febre amarela, a dengue, a esquistossomose.

A partir do Segundo Império, com D. Pedro II, as águas passaram a ter um papel-chave no país, após o desenvolvimento de métodos para produção de eletricidade por geradores. Em 1883, entrou em operação no Brasil a primeira usina hidrelétrica brasileira, localizada no Ribeirão do Inferno, afluente do rio Jequitinhonha, na cidade de Diamantina (MG).

A década de 1940, marca o início da construção de uma série de usinas hidrelétricas, o que tornou o Brasil um dos maiores produtores de energia renovável do mundo, junto com o Canadá. (...)

O Brasil já possui a maior represa hidrelétrica do mundo, Itaipu (PR), além de outras entre as maiores, como Ilha Solteira (SP), Tucuruí (PA) e Balbina (AM).

A Usina Hidrelétrica de Itaipu, a maior em operação no mundo, é um empreendimento binacional desenvolvido pelo Brasil e pelo Paraguai no Rio Paraná.

Apesar de gerarem energia e freqüentemente garantir água para uso na agricultura, as represas provocam danos ambientais, deslocam populações de aldeias indígenas e de cidades inteiras. Além disso, as florestas submersas produzem gases que agravam o efeito estufa.

Calcula-se que 850 mil pessoas já foram deslocadas e perderam suas casas e terras no Brasil em razão da construção de represas hidrelétricas, o que deu origem à criação de um Movimento dos Atingidos por Barragens.

Em 1982, a criação artificial da represa de Itaipu fez submergir todo o Parque Nacional de Sete Quedas, no Rio Paraná, na cidade de Guaíra (PR), um dos pontos turísticos mais visitados do país, junto com as Cachoeiras de Foz do Iguaçu.

As cachoeiras de Sete Quedas haviam sido formadas há 8 mil anos, estendiam-se por um cânion de 70 metros de largura e, em alguns pontos, possuíam 170 metros de profundidade. Sobre as gargantas de pedra, havia pontes penseis para os visitantes. Elas foram submersas em 2 de setembro daquele ano e a transmissão de seu desaparecimento, pela tevê, causou comoção no público.


Para a construção da Hidrelétrica Itaipu, foi preciso inundar o Parque Nacional das Sete Quedas, um dos mais bonitos cartões-postais do Brasil, o que causou indignação não só de ambientalistas como da população em geral. Das Sete Quedas, hoje, guardamos as fotos de lembrança e o “recorde” de termos o maior complexo de cachoeiras inundados do mundo, segundo o livro Guiness.

Exibições: 2302

Tags: 7, Hidrelétrica, Itaipu, Usina, quedas

Comentar

Você precisa ser um membro de Cafe Historia para adicionar comentários!

Entrar em Cafe Historia

Links Patrocinados

Cine História

Sobrevivente

Chega aos cinemas o filme islandês "Sobrevivente", de Baltasar Kormákur. 

Sinopse: Durante o inverno de 1984, um barco pesqueiro naufraga no Atlântico Norte, nas proximidades da Islândia. Os tripulantes tentam sobreviver, mas as águas geladas impedem que essa tarefa seja facilmente concluída, restando apenas Gulli (Ólafur Darri Ólafsson), um homem bom, de fé, querido por todos, e com uma vontade de viver inacreditável. Após nadar por cerca de seis horas e enfrentar vários percalços, ele consegue contato com a civilização. Após a incrível experiência vivida, Gulli terá ainda que viver com a dor da perda dos amigos e, pior, a incredulidade de todos, que não entendem ele ter sobrevivido a uma situação tão extrema e insistem em fazer testes para saber como isso pode ter acontecido. Baseado em fatos reais.

documento histórico

Guerra do Paraguai: Prédios paraguaios após a Guerra do Paraguai s.l., [186-]. Arquivo Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão. Fonte: Arquivo Nacional

Conteúdo da semana

Leituras da escravidão: O mini-documentário 'Leituras da Escravidão' aborda a escravidão na província do Paraná através do relato de estudantes de História da Universidade Federal do Paraná, que pesquisam o tema em processos judiciais do século XIX no Arquivo Público do Paraná

Parceiros


Fotos

Carregando...
  • Adicionar fotos
  • Exibir todos

Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

© 2014   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }