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DÉBORA MARTINS

A problematização do “Fator Deus” para José Saramago

Revisitando a obra e a vida de Saramago faz-se oportuno colocar em pauta algumas questões. Com uma espontaneidade ímpar este autor faz uma explanação acerca dos acontecimentos encadeados por atitudes da humanidade. Na chamativa, o autor envolve o leitor para caminharem juntos na disposição de presenciar as descrições de ocorrências intituladas “Algures”. Nesta apresentação, Saramago põe o leitor atual em períodos distintos, para focalizar em detalhes o imaginário não visto pela ótica presencial, mas pela captação de informação. Assim o leitor consegue de forma reflexiva visualizar as cenas em questão.

Os dados são categóricos e falam por sim mesmos. Os “Algures” são espaços estritamente escolhidas pelo autor para divulgar o ser humano e seus impulsos reacionários. O artigo se inicia com uma indignação do autor pelas tragédias desnecessárias e pela discrepância dos fundamentalistas justificarem que as ações errôneas são em nome de Deus.

Os “Algures” na Índia são apresentados por Saramago, com a presença de um oficial britânico com a sua artilharia se preparando para atirar, e logo a seguir, um campo sanguinário com corpos decepados como se a vida humana não tivesse importância alguma.

“Algures” em Angola, dois soldados portugueses erguem um negro quase morto e separam sua cabeça de uma forma natural, expondo a cabeça em um pau, “ato de vanglória”. Esta atitude serve de divertimento para os soldados, pois o negro era um “guerrilheiro”.

Em Israel, no mesmo momento que soldados israelitas imobilizavam um palestino, um outro militar martelava os ossos da mão de um palestino por este estar a jogar pedra.

Estados Unidos da América do Norte, data 11 de setembro: “Algures” jamais esquecido, dois aviões são lançados contra as torres gêmeas e no mesmo estilo, o terceiro avião se adentra no edifício do Pentágono. Ficaram milhares de mortos soterrados nos escombros, sem direito a um velório digno sendo que suas essências pairavam no ar, pois tudo retornou ao nada.

As cenas repetitivas apresentadas demonstram a ação de homens passivos aos ditames de seu líder espiritual. Trata-se de ações humanas pensadas e articuladas por uma mente reacionária. Fica a pergunta: Por que esse absurdo que os leva a raciocinar de tal forma ao ponto de achar que t em algo divino a lhes ordenar a cometer tragédias tão opostas à “vida”? Que monstruoso DEUS é esse que coloca seus filhos em um combate mortal, no qual vence o melhor ou o mais esperto?

Para Saramago, Deus, esse ser inexistente, é inocente de haver criado um universo inteiro para colocar nele seres capazes de cometer crimes para logo vir justificar-se dizendo que são celebrações do seu poder e da sua glória e, portanto, permanece alheio a todos esses atos justificados por sua vontade, cujo resultado é o amontoado de corpos como troféus para a passagem ao paraíso repleto de gratificações.

A problematização é o “Fator Deus”, que está presente na mente fanática de seus adeptos, os quais criam uma visão destorcida da realidade, que os faz cometer as maiores atrocidades em nome do divino, como se estivessem num campo de batalha e fossem soldados lutando por seu país e por uma causa justa. Para o autor, essa é uma criação m ental de uma entidade superior a ditar regras de condutas, e é igual em todos os homens seja qual for a religião que professem. Tudo isso tem intoxicado a mente humana e aberto as portas à intolerância mais sórdida.

O autor no seu artigo nos convida a ficar alerta a esse “fator Deus”, numa atitude de desconfiança para não cairmos na armadilha dos inimigos imaginários criados pelas mentes que se sustentam nos arcabouços da fé, ao traduzir erroneamente textos que por eles são denominados sagrados, inserindo-os em atos de lealdade a seu ser supremo. A partir daí condenam e destroem quem a eles se contrapõem numa atitude contra a liberdade humana de escolher o que quer para si e para sua vida.

Tags: deus, fanatismo, fator, religião, terrorismo

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Cinehistória

SYLVIA

A história do filme conta a história de Sylvia Plath (Gwyneth Paltrow), uma das mais famosas novelistas da literatura norte-americana. Nascida em Boston durante a Grande Depressão, Sylvia ainda jovem tentou cometer suicídio, na casa de sua mãe. Ela viaja à Inglaterra para estudar em Cambridge e lá conhece o jovem poeta Ted Hughes (Daniel Craig), por quem se apaixona e vive um longo romance.

O filme, lançado em 2003, não é mais uma daquelas histórias de amor entre dois escritores. É um retrato, um tanto envernizado, de parte da trajetória de uma mulher obcecada pelas palavras e pela morte.

Se fosse preciso destacar uma única razão para assistir a este filme, ficaria com a óbvia: esta é uma das poucas oportunidades que se tem para conhecer melhor a intrigante e controversa personalidade de Sylvia Plath. Uma mulher que marcou cada uma das suas três décadas de vida com encontros com a morte. Uma mulher que se definia como Lady Lazarus, em constante renascimento. Uma mulher que tentava preservar os filhos, mas que não tinha o menor apego à própria vida.

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