A incoerência Católica aos pés do “martirizado” Padre Cícero

1889, no interior do Ceará mais precisamente em Juazeiro um pequeno povoado no meio do sertão o Padre Cícero Romão Batista realizava a missa como sempre na pequena Igreja da localidade. Mas um fato mudaria para sempre o curso de vida do pequeno povoado assim como a vida do Padre Cícero Romão Batista. A hóstia dada à beata Maria de Araújo teria supostamente se transformado em sangue. Tal acontecimento teria ocorrido nos dois próximos dois anos com o boato de que Jesus Cristo realizara milagres em Juazeiro, motivo pelo qual o pequeno povoado se transformou em local de peregrinação e devoção assim como o Padre Cícero Romão Batista se tornou o inimigo sertanejo temido e odiado pela Igreja Católica Romana. Portanto o Padim Ciço foi alvo de acusações por parte da Igreja Católica que entendia que o santíssimo teria juntado com a beata Maria de Araújo forjado os milagres e pregavam um catolicismo popular e místico em detrimento do poder oficial de Roma. Então para o Vaticano o Padim Ciço não passava de um aproveitador que tentava tirar proveito do milagre para alavancar o povoado de Juazeiro e sua fama pessoal (tal afirmação ganhou mais veracidade com a elevação de Juazeiro para vila como a vida política do Padre Cícero). Tais acontecimentos perduraram por toda a vida do Padre. Como conseqüência dos falsos milagres o Padim Ciço foi proibido de realizar missas, sacramentos, batizados e excomungado pelo Tribunal do Santo Ofício. Mas tais decisões não abalaram a fama e prestígio social que havia conquistado. Milhares de pessoas peregrinavam até o Juazeiro para ter o privilégio de ver o santo e abençoado Padre que tinha o dom de proferir milagres e de conversar como o próprio Cristo.

Padre Cícero morreu como inimigo do Vaticano e do Catolicismo oficial. Entretanto a incoerência que sempre acompanhou a humanidade, religiões e seitas se fizeram presente neste fato. Padim Ciço carinhosamente chamado assim pelo povo humilde faleceu rico. Tinha em posse grandes áreas agrícolas, prédios, gado e etc, fruto do trabalho e ignorância do povo segundo a Igreja Católica. Durante toda sua vida devido a seu gênio forte enfrentou de frente a Diocese do Crato assim como o Vaticano afirmando serem os milagres do Juazeiro sendo verdadeiros. Pois bem. A mesma Igreja que acusou, chegou a conclusão que o Padre era mentiroso, aproveitador de inocentes e demais “honras” o procurou em seu leito de morte para que o Padre Cícero em seu testamento deixasse todos seus bens(que eram muitos) para a Diocese do Crato. Incoerência, não é mesmo?

Além do mais em pleno século XXI a cidade Juazeiro do Norte atrai dois milhões de fiéis todos os anos, aliás, a figura de Padre Cícero que atrai esta multidão. Então pensaríamos: Portanto a Igreja Católica condena a peregrinação? Errado. Atualmente ela apóia esta epopéia rumo ao cariri cearense. Mesmo após 70 anos de sua morte a figura folclórica do Padre Cícero atrai milhões de fiéis todos os anos alavancando assim o comércio da região e reforça a força da religião católica. Mas o que fez o Vaticano mudar de idéia sobre o antigo Padre excomungado?

Segundo o autor Lira Neto que escreveu o livro: “Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão a intenção da Igreja Católica é reerguer o seu poder no Brasil, pois a cada ano que passa tem perdido milhares de fiéis para as Igrejas Evangélicas. Portanto a peregrinação a Juazeiro no Norte é apoiada. Desde que o atual Papa Bento XVI era Chefe do Tribunal do Santo Ofício o processo sobre o Padre Cícero foi reaberto e é estudado hoje para que seja revista a pena decretada a ele para que possa ser elevado a categoria de Santo. Logo Padre Cícero é vacina contra os evangélicos e o Vaticano incoerente destes os tempos da Inquisição.

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