Cafe Historia

A Sua Rede Social de História - Inscreva-se! É rápido e gratuito!

Falar sobre o passado, discutir momentos importantes que marcaram nossa civilização, nossas culturas e sociedades sem duvida são elementos que nos levaram a optar pela carreira de historiador. Mas é verdade também que para todos nós, em algum momento de nossa vida, houve um professor de história que veio validar essa escolha.

Comigo não foi diferente. Além do encantamento de discussões sobre tempo, memória e cultura oferecidas pelos estudos históricos , tive professores sensacionais que me fizeram ter certeza de minha escolha. E estou falando de professores do Ensino Fundamental e Médio.

Hoje, já depois de algum tempo de formado em História, continuo guardando esses professores em um lugar muito importante do coração. Suas lições e conhecimentos foram deveras valiosos. Mas hoje tenho um dever ético de ser crítico em relação ao ensino de história. E por isso, preciso admitir que hoje eu preciso ser um professor muito diferente dos professores de História que eu tive.

Meus antigos mestres (e sei que muitos novos mestres seguem o mesmo caminho) tinham uma visão dogmática da História. Sempre tinham na ponta da língua a resposta para "o que é História". Sempre souberam muito rapidamente me dizer quem tinha razão e quem não tinha nas "lutas históricas". Eles sempre diziam que o mundo é muito mais amplo do que um mundo divido entre "bons" em "maus". Mas quando ensinavam história era quase sempre por meio dessa divisão. Mas esse "engajamento" era o que fascinava a todos. Inclusive a mim. Eu confundia história com ativismo, assim como eles. Eu confundia "gostar de história" com "ser indignado", com eles. Para mim, bem como para eles, aprender história era aprender mais sobre as injustiças e a partir desse conhecimento começar revoluções.

Há alguns anos eu penso História de forma diferente. Tenho muito mais dúvidas sobre aquelas falas quase decoradas. Tenho dúvidas sobre a dicotomia do pensamento. Não sei responder ao certo o que é História. Se sei de algo é que História não é partido, ideologia, agressividade ou potência de combate social. História - e isso posso dizer sem medo de errar - é para mim uma grande diversão, uma forma de reflexão que faço sobre mim mesmo, meus colegas e minha sociedade. Olhar para o passado não explica meu presente. Mas me ajuda a compreender as rupturas e continuidades do tempo. Me ajuda a compreender as diferenças e semelhanças entre os homens, me ajuda a compreender acima de tudo um pouco mais do gênero humano. Hoje não vejo mais a História como processo, mas como uma experiência social que engendra alguns processos, os quais sempre temos que desconfiar, pois embora eles tenham alguma ordem e lógica, também são suscetíveis àquilo que nos faz humanos: a contingência.

Pensar "História" tão diferente de meus antigos mestres não me faz triste ou querer apagar essas referências. Mas pelo contrário: penso que é um dever meu enquanto ex-aluno.

Compartilhar 

Adicione um comentário

Você precisa ser um membro de Cafe Historia para adicionar comentários!

Entrar nesta rede social

Claudia Lessa Comentário de Claudia Lessa em 2 julho 2009 às 22:24
Não sou historiadora nem professora. Sinceramente ainda não descobri "o que quero ser quando crescer", e até esse dia chegar, vou amargando meus dias como assistente administrativo. Descobri este site ontem, justamente procurando por um professor de História que tive, que ocupa "um lugar muito importante do coração".
Ah coração... Se eu tivesse ouvido o meu coração, teria cursado História, e no mínimo, teria mais conhecimento sobre acontecimentos que ajudam "a compreender as rupturas e continuidades do tempo."
Kell Dacosta Comentário de Kell Dacosta em 14 janeiro 2009 às 12:51
Olá Bruno, boa tarde!!!
Li sua consideração a respeito de história, e ... como se parece com os pensamentos atuais... Pois já é tempo deste trabalho engessado, decorado, ser repensado, onde se sabe o começo e o fim, onde os ditos maus e os bons estão sempre em lados opostos, numa competição sem fim, onde ao meu vir, todos saem perdendo. Entretanto, ainda precisamos recorrer a alguns métodos, afim de atingir nossos objetivos: monografia, dissertações, teses...
Se bem que quando escolhi história, e isto foi lá pelo ensino médio, estava em mente, fazer parte de alguma movimentação social e até mudar a sociedade. Porém, quando entrei no curso, já tendo passado por outros caminhos e com isto adquirido algumas marcas, percebi algo que estava bem óbvio e poucos percebem: somos nós de forma individual que devemos mudar. Não é o mundo que muda, quem tem esta função somos nós que o construimos e portanto, temos o poder de destruir ou desconstruir, para quem curte os eufemismos.
E quanto a contingencia... Somos prática constante disto.

Abrajos
Marcelo Angra Comentário de Marcelo Angra em 21 dezembro 2008 às 23:19
Estou certo de que nossas mentalidades (como educadores) não trabalham em favor de uma irresponsabilidade científica (ao menos a grande maioria de nós...), portanto, as palavras de Bruno são de um grande valor. Apesar de termos sido educados com esmero, carinho e paciência inesquecíveis, temos que reconhecer a nossa grande responsabilidade em ensinar história hoje. E, Bruno, a palavra CONTINGÊNCIA foi magníficamente bem escolhida por você! É isso aí mesmo! Abraços.
Domitila Madureira Comentário de Domitila Madureira em 21 dezembro 2008 às 20:23
Muito bem, Bruno, continue ousando. "Toda unanimidade é burra" (N. Rodrigues). Receba meu cordial abraço.
Maria do Socorro Pinheiro Moura Comentário de Maria do Socorro Pinheiro Moura em 21 dezembro 2008 às 14:02
Bruno, compartilho um pouco de suas idéias sobre o que seja História. De uma coisa hoje tenho convicção: considero história uma disciplina das mais importantes. Quem não tem nenhum embasamento sobre a história enquanto disciplina tem um conhecimento deficiente. Estudar história, fazer diferenças sobre as teorias, posições ideológicas de historiadores, metodologias, etc, etc, não é uma coisa simples. Escrever história é uma grande responsabilidade. Ao me ver. Gostaria de ter mais tempo pra tentar ser uma historiadora de fato e me aprofundar nessas questões. É função dos historiadores lutar pelo espaço que a história deve ter para melhor formação dos indivíduos e do povo em geral.

Cinehistória

ABRAÇO PARTIDO

Ariel (Daniel Hendler) é um jovem de vinte e poucos anos, que largou a faculdade e ainda vive às custas da mãe (Adriana Aizemberg). Sua vida gira basicamente em torno de dois locais: a loja de lingeries de sua mãe e o cybercafe local, onde costuma encontrar sua namorada.

Ariel sempre estranhou o fato de nem sua mãe nem seu irmão falarem sobre seu pai, que nos anos 70 partiu para lutar na Guerra do Yom Kippur, em Israel, e nunca mais retornou. Com a crise econômica instalada na Argentina, que força o fechamento de várias lojas tradicionais no bairro onde está a loja de sua mãe, os amigos de Ariel sonham em conseguir a cidadania européia e partir do país em busca de emprego. Ariel também tem este sonho, mas cada vez mais alimenta o desejo de conhecer seu pai e também a verdade sobre seu afastamento da família.

"El Abrazo Partido", filme argentino de 2004 fez bastante sucesso aqui no Brasil. No fundo, sua trama gira em torno de Ariel, que não consegue aceitar o fato do pai tê-lo abandonado para ir lutar na guerra do Yom-Kippur. Essa rejeição à figura paterna também fica explícita no pouco conhecimento que Ariel tem do judaísmo. Face à crise que se abate sobre a economia de seu país, Ariel decide batalhar pelo passaporte polonês (seus avós eram poloneses) e, dessa forma, ter a possibilidade de entrar na Europa e viver com um seguro-desemprego.

Membros

  • José Leandro
  • Sill Scaroni
  • Julio Santana Medina
  • José Tadeu Prado Aguiar
  • Anne Priscila de Oliveira Eloy
  • barbara bezerra lima
  • Carolina Teixeira
  • cristiane de souza
  • ARIADNE DA SILVA ROCHA
  • GISELE cOSTA
  • Bianca Botelho
  • patricia cerqueira cavalcante
  • JOÃO ARTUR
  • elizete de almeida tavares
  • Fernanda de Souza Ramos

Eventos

Badge

Carregando...

© 2010   Criado por Bruno Leal no Ning.   Crie Sua Rede Social

Badges  |  Relatar um incidente  |  Privacidade  |  Termos de serviço

Entrar no bate-papo