
Realmente, Cabral não imaginaria naquele dia, que tanta coisa decorresse de sua viagem. Estavam ali na Bahia doze embarcações, das treze originais e a marujada se desdobrava nas fainas de bordo, feitas com cautela, pelo total desconhecimento do local e de suas águas.
Para ele tudo decorrera de uma deliberação do Rei D. Manuel I, que o mandara liderar aquela frota, não apenas por ser filho de Fernão Cabral, alcaide-mor de Belmonte, mas em especial pelos laços de amizade e confiança mútua, que os ligavam ao monarca.
Ainda estavam frescas na sua memória a missa, realizada no Mosteiro de Belém, presidida pelo bispo de Ceuta, D. Diogo de Ortiz, em pessoa, onde este benzeu uma bandeira com as armas do Reino e a entregou em suas mãos, despedindo-se o rei do fidalgo e dos restantes capitães. Estavam então todos os presentes de luto, pois se muitos partiam, bem poucos retornavam à pátria.
A 9 de Março de 1500 zarpou a grande frota do Restelo, com o objetivo formal de novamente tentar atar relações comerciais com os portos índicos de Calecute, Cananor e Sofala, uma vez que Vasco da Gama havia sido na primeira tentativa ridicularizado pelos governantes locais dadas as péssimas condições, em que os portugueses se encontravam no seu desembarque.
Pelo dia 14 do mesmo mês já se encontrava a frota nas Canárias e no dia 22 chegava a Cabo Verde. No dia seguinte desapareceu misteriosamente o navio de Vasco de Ataíde (o 13.°).
No dia 22 de Abril, de modo, que não se sabe com certeza, se foi acidental ou já premeditado, avistou-se “terra chã, com grandes arvoredos”. Ao grande monte, Cabral batizou de Monte Pascoal e à terra deu o nome de Ilha de Vera Cruz, hoje no Estado brasileiro da Bahia.
Aproveitando os ventos alísios, a esquadra bordejou a costa baiana em direção ao norte à procura de uma enseada, achada afinal pouco antes do pôr-do-sol do dia 24 de abril, em local que viria a ser chamado Baía Cabrália. Ali permaneceram até 02 de maio, quando rumaram para as Índias, cumprindo finalmente seu objetivo formal de viagem, deixando dois degredados e dois grumetes que desertaram.
Mal sabia o almirante, que no aspecto diplomático, a sua viagem iria se mostrar um grande fracasso, sendo que Portugal ainda demoraria mais algumas décadas até conseguir uma relação comercial com aqueles portos indianos.
Tais, em poucas linhas, a grande viagem para a terra ignota, que parecia ser uma ilha, mas que era na realidade parte de um imenso continente. Dela decorreram 509 anos até hoje. E tudo aquilo que Cabral não pudera imaginar veio aqui a acontecer, sendo nós hoje o resultado de inumeráveis lutas, com grandes vitórias e poucas derrotas, todas esquecidas em livros empoeirados. Mas, se muitos não souberam, ou não quiseram saber, eu as guardei em suas linhas gerais e ora aqui, ora ali, as relembro. A começar pela imagem aqui reproduzida, que é a mesma das notas de um mil cruzeiros, que circularam nos anos sessenta do século passado e que eram impressas na América do Norte na empresa American Bank Note Company.
Fonte:
Wikipédia, a enciclopédia livre
http://pt.wikipedia.org/wiki/Descoberta_do_Brasil
Acesso em: 22/04/2009.
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