22 de abril de 1500 – foi ai que começou tudo para o Brasil.


Realmente, Cabral não imaginaria naquele dia, que tanta coisa decorresse de sua viagem. Estavam ali na Bahia doze embarcações, das treze originais e a marujada se desdobrava nas fainas de bordo, feitas com cautela, pelo total desconhecimento do local e de suas águas.
Para ele tudo decorrera de uma deliberação do Rei D. Manuel I, que o mandara liderar aquela frota, não apenas por ser filho de Fernão Cabral, alcaide-mor de Belmonte, mas em especial pelos laços de amizade e confiança mútua, que os ligavam ao monarca.
Ainda estavam frescas na sua memória a missa, realizada no Mosteiro de Belém, presidida pelo bispo de Ceuta, D. Diogo de Ortiz, em pessoa, onde este benzeu uma bandeira com as armas do Reino e a entregou em suas mãos, despedindo-se o rei do fidalgo e dos restantes capitães. Estavam então todos os presentes de luto, pois se muitos partiam, bem poucos retornavam à pátria.
A 9 de Março de 1500 zarpou a grande frota do Restelo, com o objetivo formal de novamente tentar atar relações comerciais com os portos índicos de Calecute, Cananor e Sofala, uma vez que Vasco da Gama havia sido na primeira tentativa ridicularizado pelos governantes locais dadas as péssimas condições, em que os portugueses se encontravam no seu desembarque.
Pelo dia 14 do mesmo mês já se encontrava a frota nas Canárias e no dia 22 chegava a Cabo Verde. No dia seguinte desapareceu misteriosamente o navio de Vasco de Ataíde (o 13.°).
No dia 22 de Abril, de modo, que não se sabe com certeza, se foi acidental ou já premeditado, avistou-se “terra chã, com grandes arvoredos”. Ao grande monte, Cabral batizou de Monte Pascoal e à terra deu o nome de Ilha de Vera Cruz, hoje no Estado brasileiro da Bahia.
Aproveitando os ventos alísios, a esquadra bordejou a costa baiana em direção ao norte à procura de uma enseada, achada afinal pouco antes do pôr-do-sol do dia 24 de abril, em local que viria a ser chamado Baía Cabrália. Ali permaneceram até 02 de maio, quando rumaram para as Índias, cumprindo finalmente seu objetivo formal de viagem, deixando dois degredados e dois grumetes que desertaram.
Mal sabia o almirante, que no aspecto diplomático, a sua viagem iria se mostrar um grande fracasso, sendo que Portugal ainda demoraria mais algumas décadas até conseguir uma relação comercial com aqueles portos indianos.
Tais, em poucas linhas, a grande viagem para a terra ignota, que parecia ser uma ilha, mas que era na realidade parte de um imenso continente. Dela decorreram 509 anos até hoje. E tudo aquilo que Cabral não pudera imaginar veio aqui a acontecer, sendo nós hoje o resultado de inumeráveis lutas, com grandes vitórias e poucas derrotas, todas esquecidas em livros empoeirados. Mas, se muitos não souberam, ou não quiseram saber, eu as guardei em suas linhas gerais e ora aqui, ora ali, as relembro. A começar pela imagem aqui reproduzida, que é a mesma das notas de um mil cruzeiros, que circularam nos anos sessenta do século passado e que eram impressas na América do Norte na empresa American Bank Note Company.

Fonte:
Wikipédia, a enciclopédia livre
http://pt.wikipedia.org/wiki/Descoberta_do_Brasil
Acesso em: 22/04/2009.

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Comentário de João Lima em 23 abril 2009 às 7:18


Querida colega e amiga Luciana Goyaz:
Pude após aquele meu sucinto comentário ler com mais vagar as citações feitas por você, em suas bem alinhavadas palavras, que achei muito pertinentes, tanto que ali obtive detalhes que desconhecia da velha estória.
Por isto, quero compartilhar com você algumas outras informações que tenho e peço sua licença para tal, e ainda sua indulgência pela extensão delas, pois as mesmas fogem do episódio propriamente dito do descobrimento e ainda se alongaram.
Quem era Cabral? Era um fidalgo e um chefe militar, não um marujo ou navegante. A navegação da frota era cuidada por profissionais de origem italiana, especialmente contratados. Ali ele figurava como um diplomata e comandante militar, incumbido da suprema direção da expedição essencialmente política e comercial.
Quando da arribada e estadia brasileira, um dos navios, que levava as provisões extras foi descarregado, sendo elas divididas entre os restantes. Já vazio seu comandante recebeu ordem para retornar a terra lusa dando conta da boa nova do descobrimento e ainda levar toda a correspondência elaborada para o reino. Não apenas Caminha escreveu para o rei, mas tanto Cabral, como todos os comandantes o fizeram. Afinal, o monarca estava longe e era bom ser lembrado por ele, satisfazendo sua natural curiosidade. Na sua missiva, Caminha aproveitou e fez um pedido de graça para um de seus familiares, que fora apenado criminalmente.
Todas as cartas chegaram ao real destinatário, mas delas só a de Caminha sobreviveu e figura hoje como a certidão de nascimento do Brasil. O que houve? Pensa-se, que elas foram perdidas quando do terremoto e voraz incêndio, que assolou Lisboa, em 1755, e que destruiu dentre muitos bens o precioso Arquivo Real com seus documentos relativos à exploração oceânica e muitos outros textos antigos.
Após os navios desferrarem, a expedição prosseguiu e os lusos desembarcaram na Índia, mas ali por razões outras entraram em conflito bélico com os autóctones. Caminha, como outros se armou e foi ao combate, nele perecendo. Após muitas aventuras e mesmo bastante desfalcada em navios e homens, a frota de Cabral voltou dessa primeira viagem abarrotada com especiarias – canela, gengibre e, principalmente, pimenta. Financeiramente, o almirante conseguiu com isso o saldo mais positivo da missão. Na verdade, o valor da quantidade de especiarias transportadas foi suficiente para pagar três vezes o custo da viagem, que fora toda financiado por prestamistas e onzenários judeus.
Mesmo assim e posteriormente Cabral perdeu as boas graças reais, caindo em conseqüência no olvido da história. Para sua sorte ele era a cabeça de sua família (herdara todos os bens desta por morte do irmão mais velho) e ainda se casara com uma jovem, que vinha da família mais rica de Portugal. Era abastado e deve ter vivido muito bem com seus recursos, mesmo sem os favores reais!
E o pedido de Caminha ao rei. Este nada fizera ao receber a carta, mas sabendo depois que o letrado caíra combatendo pela causa real se apiedou do desastrado genro dele, Jorge de Osório e o beneficiou revogando o seu exílio.
Acho que a História olvida quase sempre o lado pessoal de seus principais atores, limitando-se ao papel por eles desempenhado nos momentos por ela retratados. E depois os defenestra sem cerimônias! Como não sou historiador, mas apenas um amador e um diletante, que a aprecia, busco ainda este “plus”, que espero tenha contentado a sua forte curiosidade intelectual, a qual tanto aprecio. Recomendando em especial a sua atenção a imagem de toda a expedição, que é muita expressiva pelas grandes distâncias percorridas em precárias embarcações de madeira e com propulsão à vela.

Fonte:
Veja na História
http://veja.abril.com.br/historia/descobrimento/pedro-alvares-cabral.shtml
Acesso em: 22/04/2009.
Comentário de João Lima em 22 abril 2009 às 18:45
Luciana:

Pois é minha cara amiga, com seu texto voce mostrou que não apenas ornamenta, mas também ilustra e muito bem!

grande abraço.

João

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