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Não é nada fácil ser historiador no Brasil. Além de pouco reconhecimento e do mercado de trabalho que não remunera tão bem, o senso comum pouco conhece o que é, de fato, o trabalho do historiador. Para a maioria das pessoas, nossa vida é reconstruir o passado, lembrar datas e "lembrar para não esquecer". Para "eles", nós gostamos é do gasto, do empoeirado. Professores em busca de atenção de seus alunos.

No fundo, somos um pouco disso tudo, mas nosso ofício vai além desse "tudo".

Em 2009, eu espero que a História e os Historiadores sejam valorizados de uma outra maneira. Eu espero que a nossa disciplina não seja vista apenas como um moeda contra o esquecimento, pois isso é entendê-la apenas em sua superfície. Aguardo (não sem uma ponta de ansiedade) que os historiadores consigam se libertar dos seus vícios, dos seus medos, em outras palavras, e por mais paradoxal que possa parecer, do próprio passado. Sim, pois se há um mal que aflige nossos colegas de trabalho ainda hoje são as dicotomias, as ideologias, as promessas e as palavras de ordem de um tempo em que nosso mundo era dividido entre "bons" e "maus", "capitalistas" e "socialistas", "ocidente" e "oriente" etc. Nosso agarramos a tudo isso ainda. E nós dá medo pensar que podemos estar errados. Por isso, quero uma história (e seus historiadores) que não tenha tantos débitos, tantos pactos de silêncio. Com isso, porém, não estimo dizer que acredito em uma História sem ideologia, a-crítica ou não-reflexiva. Pelo contrário, é essa história que eu quero, mas que ela seja capaz de suportar duvidar de tudo em que a sustenta, pois o compromisso maior do historiador é ser honesto e profissional com ele mesmo.

Em 2009, desejo que os historiadores compreendam que a democracia precisa se reinventar. Desejo que eles entendam que nenhuma ditadura, de esquerda ou de direita, pode ser nem ao menos razoável. Desejo que não se permita um torturador socialista somente porque houve e há um torturador capitalista. Desejo um mundo em que no Natal, um povo já oprimido por bombas e ataques de um Estado agressivo não irrompa com outros que queiram desejar, como eu. Quem quer ter sua existência garantida, precisa garantir a existência do outro.

Enfim, em 2009 espero que juntos possamos repensar a História e nós mesmos na construção desta. O passado é patrimônio imaterial que perseguimos a todo custo, cujas motivações diferem de um historiador para outro. Lá no fundo, sabemos que é essa imaterial que edifica nossas crenças, valores. Por isso, amigos, desejo isso tudo. É um desejo de quem quer bem uma das profissões mais bonitas.

Foto: "Jules et Jim" (François Truffaut, 1962)

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Maxsuel Andrade Soares Comentário de Maxsuel Andrade Soares em 12 setembro 2009 às 17:04
De fato caro Bruno Leal. Repensar é nescessário para reconceituarmos a importância/função dos historiadores em nosso meio.
A profissão de historiador surgiu na Antiga Grécia com os primeiros relatos de viagens e durante muito tempo o historiador limitou-se a ser um mero cronista ou narrador, centrando os seus relatos, essencialmente, nos factos e nas datas dos acontecimentos.
Actualmente, o historiador procura não apenas narrar o passado, mas também compreender tudo aquilo que se liga à evolução dos acontecimentos históricos. A história é encarada como a problematização de determinada realidade, isto é, existe por parte do historiador um interesse sobre o "como" e o "porquê" dos acontecimentos. Assim, os historiadores pesquisam e analisam os acontecimentos e as actividades do passado das sociedades humanas, tendo sempre presente a preocupação de interpretar as informações que recolhem. Para isso utilizam muitas fontes de informação (escritas e não escritas), nomeadamente jornais, revistas, livros, diários, cartas, gravações, fotografias, entrevistas ou filmes.
Tradicionalmente, os historiadores têm desenvolvido as suas funções a um nível mais académico, uma vez que o seu trabalho tem consistido, sobretudo, na realização de estudos e trabalhos de investigação de natureza mais teórica. Procedem à selecção de um certo número de factos relativos à época em estudo e constituem com eles conjuntos de explicações que estão inter-relacionadas e são coerentes entre si, comparando-as com outros acontecimentos da época e descrevendo as informações obtidas de forma lógica. Este trabalho apresenta muitas vezes sérias dificuldades, pois se decifrar o que aconteceu já é complicado, estabelecer os motivos que fizeram com que acontecesse é-o ainda mais. Quando efectuam trabalho de investigação, os historiadores baseiam-se frequentemente em textos de outros autores ou especialistas. Por isso têm de confirmar a autenticidade, data e proveniência desses textos (crítica externa), avaliar a competência do autor (crítica de credibilidade) e interpretar esses textos com o intuito de avaliar a importância do seu testemunho (crítica interna).
Mais recentemente, o trabalho dos historiadores passou a contemplar também uma actuação mais prática que passa pela prevenção em áreas como a conservação do património. Por exemplo, quando integrados numa autarquia, os historiadores fazem o levantamento do património que existe, do que deve ser preservado e do que deve ser recuperado, procedendo a vistorias e estudos da zona em causa. Posteriormente, elaboram relatórios com pareceres relativos à futura intervenção, que entram em linha de conta com os aspectos históricos do objecto sobre o qual se vai intervir.
Espero também que um dia possamos sermos reconhecido devidamente nossa importancia/função. Já que sabemos que nunca houve rupturas definitivas com o passado, mas sim, sempre uma continuidade.
Abraços.

Cinehistória

ABRAÇO PARTIDO

Ariel (Daniel Hendler) é um jovem de vinte e poucos anos, que largou a faculdade e ainda vive às custas da mãe (Adriana Aizemberg). Sua vida gira basicamente em torno de dois locais: a loja de lingeries de sua mãe e o cybercafe local, onde costuma encontrar sua namorada.

Ariel sempre estranhou o fato de nem sua mãe nem seu irmão falarem sobre seu pai, que nos anos 70 partiu para lutar na Guerra do Yom Kippur, em Israel, e nunca mais retornou. Com a crise econômica instalada na Argentina, que força o fechamento de várias lojas tradicionais no bairro onde está a loja de sua mãe, os amigos de Ariel sonham em conseguir a cidadania européia e partir do país em busca de emprego. Ariel também tem este sonho, mas cada vez mais alimenta o desejo de conhecer seu pai e também a verdade sobre seu afastamento da família.

"El Abrazo Partido", filme argentino de 2004 fez bastante sucesso aqui no Brasil. No fundo, sua trama gira em torno de Ariel, que não consegue aceitar o fato do pai tê-lo abandonado para ir lutar na guerra do Yom-Kippur. Essa rejeição à figura paterna também fica explícita no pouco conhecimento que Ariel tem do judaísmo. Face à crise que se abate sobre a economia de seu país, Ariel decide batalhar pelo passaporte polonês (seus avós eram poloneses) e, dessa forma, ter a possibilidade de entrar na Europa e viver com um seguro-desemprego.

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  • Julio Santana Medina
  • José Tadeu Prado Aguiar
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  • ARIADNE DA SILVA ROCHA
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