Cafe Historia

A Sua Rede Social de História - Inscreva-se! É rápido e gratuito!

Não é nada fácil ser historiador no Brasil. Além de pouco reconhecimento e do mercado de trabalho que não remunera tão bem, o senso comum pouco conhece o que é, de fato, o trabalho do historiador. Para a maioria das pessoas, nossa vida é reconstruir o passado, lembrar datas e "lembrar para não esquecer". Para "eles", nós gostamos é do gasto, do empoeirado. Professores em busca de atenção de seus alunos.

No fundo, somos um pouco disso tudo, mas nosso ofício vai além desse "tudo".

Em 2009, eu espero que a História e os Historiadores sejam valorizados de uma outra maneira. Eu espero que a nossa disciplina não seja vista apenas como um moeda contra o esquecimento, pois isso é entendê-la apenas em sua superfície. Aguardo (não sem uma ponta de ansiedade) que os historiadores consigam se libertar dos seus vícios, dos seus medos, em outras palavras, e por mais paradoxal que possa parecer, do próprio passado. Sim, pois se há um mal que aflige nossos colegas de trabalho ainda hoje são as dicotomias, as ideologias, as promessas e as palavras de ordem de um tempo em que nosso mundo era dividido entre "bons" e "maus", "capitalistas" e "socialistas", "ocidente" e "oriente" etc. Nosso agarramos a tudo isso ainda. E nós dá medo pensar que podemos estar errados. Por isso, quero uma história (e seus historiadores) que não tenha tantos débitos, tantos pactos de silêncio. Com isso, porém, não estimo dizer que acredito em uma História sem ideologia, a-crítica ou não-reflexiva. Pelo contrário, é essa história que eu quero, mas que ela seja capaz de suportar duvidar de tudo em que a sustenta, pois o compromisso maior do historiador é ser honesto e profissional com ele mesmo.

Em 2009, desejo que os historiadores compreendam que a democracia precisa se reinventar. Desejo que eles entendam que nenhuma ditadura, de esquerda ou de direita, pode ser nem ao menos razoável. Desejo que não se permita um torturador socialista somente porque houve e há um torturador capitalista. Desejo um mundo em que no Natal, um povo já oprimido por bombas e ataques de um Estado agressivo não irrompa com outros que queiram desejar, como eu. Quem quer ter sua existência garantida, precisa garantir a existência do outro.

Enfim, em 2009 espero que juntos possamos repensar a História e nós mesmos na construção desta. O passado é patrimônio imaterial que perseguimos a todo custo, cujas motivações diferem de um historiador para outro. Lá no fundo, sabemos que é essa imaterial que edifica nossas crenças, valores. Por isso, amigos, desejo isso tudo. É um desejo de quem quer bem uma das profissões mais bonitas.

Foto: "Jules et Jim" (François Truffaut, 1962)

Compartilhar 

Adicione um comentário

Você precisa ser um membro de Cafe Historia para adicionar comentários!

Entrar nesta rede social

1 Comentário

Maxsuel Andrade Soares Comentário de Maxsuel Andrade Soares em 12 setembro 2009 às 17:04
De fato caro Bruno Leal. Repensar é nescessário para reconceituarmos a importância/função dos historiadores em nosso meio.
A profissão de historiador surgiu na Antiga Grécia com os primeiros relatos de viagens e durante muito tempo o historiador limitou-se a ser um mero cronista ou narrador, centrando os seus relatos, essencialmente, nos factos e nas datas dos acontecimentos.
Actualmente, o historiador procura não apenas narrar o passado, mas também compreender tudo aquilo que se liga à evolução dos acontecimentos históricos. A história é encarada como a problematização de determinada realidade, isto é, existe por parte do historiador um interesse sobre o "como" e o "porquê" dos acontecimentos. Assim, os historiadores pesquisam e analisam os acontecimentos e as actividades do passado das sociedades humanas, tendo sempre presente a preocupação de interpretar as informações que recolhem. Para isso utilizam muitas fontes de informação (escritas e não escritas), nomeadamente jornais, revistas, livros, diários, cartas, gravações, fotografias, entrevistas ou filmes.
Tradicionalmente, os historiadores têm desenvolvido as suas funções a um nível mais académico, uma vez que o seu trabalho tem consistido, sobretudo, na realização de estudos e trabalhos de investigação de natureza mais teórica. Procedem à selecção de um certo número de factos relativos à época em estudo e constituem com eles conjuntos de explicações que estão inter-relacionadas e são coerentes entre si, comparando-as com outros acontecimentos da época e descrevendo as informações obtidas de forma lógica. Este trabalho apresenta muitas vezes sérias dificuldades, pois se decifrar o que aconteceu já é complicado, estabelecer os motivos que fizeram com que acontecesse é-o ainda mais. Quando efectuam trabalho de investigação, os historiadores baseiam-se frequentemente em textos de outros autores ou especialistas. Por isso têm de confirmar a autenticidade, data e proveniência desses textos (crítica externa), avaliar a competência do autor (crítica de credibilidade) e interpretar esses textos com o intuito de avaliar a importância do seu testemunho (crítica interna).
Mais recentemente, o trabalho dos historiadores passou a contemplar também uma actuação mais prática que passa pela prevenção em áreas como a conservação do património. Por exemplo, quando integrados numa autarquia, os historiadores fazem o levantamento do património que existe, do que deve ser preservado e do que deve ser recuperado, procedendo a vistorias e estudos da zona em causa. Posteriormente, elaboram relatórios com pareceres relativos à futura intervenção, que entram em linha de conta com os aspectos históricos do objecto sobre o qual se vai intervir.
Espero também que um dia possamos sermos reconhecido devidamente nossa importancia/função. Já que sabemos que nunca houve rupturas definitivas com o passado, mas sim, sempre uma continuidade.
Abraços.

Cinehistória

SANGUE NEGRO

Virada do século XIX para o século XX, na fronteira da Califórnia. Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um mineiro de minas de prata derrotado, que divide seu tempo com a tarefa de ser pai solteiro. Um dia ele descobre a existência de uma pequena cidade no oeste onde um mar de petróleo está transbordando do solo. Daniel decide partir para o local com seu filho, H.W. (Dillon Freasier). O nome da cidade é Little Boston, sendo que a única diversão do local é a igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano). Daniel e H.W. se arriscam e logo encontram um poço de petróleo, que lhes traz riqueza mas também uma série de conflitos.

Livremente inspirado no romance "Oil!", escrito em 1927 por Upton Sinclair (1878-1968), Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007) foi muito bem aceito pela crítica, sendo comparado, inclusive, com o clássico "Cidadão Kane". Dirigido por Paul Thomas Anderson, um dos mais cultuados diretores americanos dos últimos anos. Trata-se de um filme épico, que discute temas como poder, fé, família e o paradoxo de ter tudo e nada, ao mesmo tempo.

Membros

  • Jaqueline Alves Silva
  • inajara barbosa Paulo
  • Rodrigo Nogueira de Souza Júnior
  • Kenia Freitas
  • Patricia dos Altos
  • sthenio de sousa everton
  • LUANDARA JUNGLES DA SILVA
  • Edilson Nunes dos Santos Junior
  • Dilma Nunes
  • Jaisson Teixeira Lino
  • Ronaldo São Romão Sanches
  • Cláudia Maria Calmon Arruda
  • Ricardo viana
  • Heitor A. Ribeiro de Andrade
  • Francisco Maerle Pinto Araújo

Eventos

Badge

Carregando...

© 2009   Criado por Bruno Leal no Ning.   Crie Sua Rede Social

Badges  |  Relatar um incidente  |  Privacidade  |  Termos de serviço

Entrar no bate-papo