
Sobre uma elevação calcária o Castelo de Moura contempla a vastidão da região do Ardila e do Guadiana. E foi antigo vigia e senhor desta fértil região da margem esquerda do Guadiana, tão ardorosamente disputada muito antes já da invasão islamita. A arqueologia tem revelado marcas de ocupações vindas de tempos imemoriais. A situação estratégica de Moura não seria desprezada pelos Romanos, que fizeram do velho castro importante cidade, a Nova Civitas Arucitana, levantando fortificações de que subsistem troços de muralhas, etc. … Do domínio Alano e Visigodo não se conhecem documentos.
Os Muçulmanos, ocupantes de Moura por mais de 400 anos, deixaram inúmeras memórias nas obras militares, apesar das constantes mutilações causadas por conquistas, e reconquistas, e remodelações, e mais desgraças. Romântica lenda conta como a alcaidessa do castelo, a linda moura Saluquia, filha de Abu-Assam, grande senhor do Alentejo islâmico, esperava a chegada do noivo Brafma, para as bodas. Viu aproximar-se uma cavalgada e mandou abrir as portas do castelo, sem adivinhar que Brafma e a sua comitiva tinham sido mortas numa emboscada que lhes armaram os irmãos Pedro e Álvaro Rodrigues mais um grupo de homens de armas. Vestidos com a roupa dos mouros, os cristãos entraram e tomaram o castelo. Saluquia lançou-se do eirado da torre.
Contam versões diferentes os historiadores. Atribuem a reconquista de Moura a Geraldo Sem Pavor, após a tomada de Évora (1165). Dado o costume muçulmano de levantar complexas defesas às portas dos castelos, Geraldo achava mais prático assaltá-los de surpresa e de noite, encostando escadas de madeira às muralhas e subindo.
Não estaria Moura muito tempo em mãos cristãs. Era tão importante a sua posse que no Castelo alternavam-se com certa frequência bandeiras de muçulmanos, portugueses e, depois, castelhanos.
Texto de Júlio Gil, in Os mais belos castelos e fortalezas de Portugal
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