Estados Unidos da América – Séc. XIX - XX(Resumão)

Os primeiros anos do século XIX foram marcados pela expansão territorial. Em 30 de abril de 1803, os Esta-dos Unidos compraram a Louisiana à França por 15 milhões de dólares, mais do que duplicando o território do país. As terras indígenas foram sendo apropriadas pelos brancos. Doze estados, entre 1791 e 1845, jun-taram-se aos 13 iniciais: Vermont (1791), Kentucky (1792), Tennessee (1796), Ohio (1803), Louisiana (1812), Indiana (1816), Mississippi (1817), Illinois (1818), Alabama (1819), Maine (1820), Missouri (1821) e Flórida (1845). Este último foi comprado em 1819, por cinco milhões de dólares, à Espanha, após ter sido invadido por tropas comandadas pelo general Andrew Jackson em 1812.
Doutrina Monroe. A guerra contra o Reino Unido ampliou e solidificou a consciência nacional dos Estados Unidos, criou forte oposição ao colonialismo europeu e lançou as bases de um dos princípios bási-cos da política externa daquele país: a América é área sob proteção e controle dos Estados Unidos.
Data dessa época, durante o governo James Monroe, o surgimento da doutrina que leva seu nome, segundo a qual os Estados Unidos não admitiriam nenhuma a-gressão externa a qualquer país do continente. O slo-gan "as Américas para os americanos" propiciou equí-vocos políticos, militares e econômicos que se prolon-gariam até o final do século XX. Considerando qual-quer tentativa de intervenção européia no continente como um ato hostil aos Estados Unidos, a doutrina Monroe dirigia-se principalmente contra a Espanha, então uma potência imperialista, e a quem a Santa Aliança e outras monarquias européias tentavam aju-dar. Contando com a cobertura da marinha britânica, a doutrina Monroe se impôs, sobretudo porque, ao reco-nhecer a independência dos países sul-americanos, automaticamente o Reino Unido obtinha clientes para seus produtos, e não a Espanha.
Guerra contra o México. O território do Texas, embora pertencente ao México, fora povoado por colonos ori-ginários dos Estados Unidos, que em 1836 proclama-ram a república do Texas, após derrotar as tropas comandadas pelo general Antonio López de Santa An-na, na batalha de San Jacinto. A seguir, solicitaram ao presidente Jackson reconhecimento e anexação ao território americano, obtendo apenas o primeiro. No governo de James Know (1845), o Texas passou a integrar a federação, o que tornou inevitável a guerra contra o México.
Os Estados Unidos atuavam movidos pela crença no "destino manifesto", a qual justificava, sem maiores explicações, a expansão territorial. Mas, em tese, esta se fazia em nome da necessidade de estender aos demais países o sistema de governo americano. A ideologia justificava o processo de absorção de terras e serviu de base às ações militares e políticas que repetiam, com precisão, a ação imperialista européia à época.
Em abril de 1846 iniciou-se a guerra contra o México, que durou até setembro de 1847 e culminou com a ocupação da capital mexicana pelo general Winfield Scott. Pelo Tratado de Guadalupe-Hidalgo (2 de feve-reiro de 1848), firmado pelo general Santa Anna, o México foi obrigado a ceder metade de seu território - dois milhões de quilômetros quadrados - perdendo as regiões a sudoeste das montanhas Rochosas, incluindo os atuais estados da Califórnia, Novo México, Utah e Arizona. Em contrapartida, os Estados Unidos indeni-zaram o México em 15 milhões de dólares. O rio Gran-de passou a ser a fronteira entre os dois países.
Logo após a absorção da Califórnia, em 1848, desco-briram-se veios de ouro naquela região, o que provo-cou a célebre gold rush (corrida do ouro), que não só atraiu milhares de pessoas como provocou o povoa-mento de áreas limítrofes, com intensa afluência de imigrantes europeus e asiáticos.
Guerra de secessão. A atividade econômica bipartia-se entre o norte industrializado e anti-escravocrata e o sul, baseado na monocultura (algo-dão, fumo, arroz, cana-de-açúcar, todas a exigir mui-tos braços) e na mão-de-obra escrava. A expansão para o oeste só fez acentuar essa oposição. O debate, por parte dos novos estados, sobre aceitarem ou não a escravatura, tornou-se um tópico econômico e político que mobilizou todo o país. A eleição, em 1860, pelo Partido Republicano Nacional, de Abraham Lincoln, conhecido e combativo abolicionista, materializou a ruptura entre ambas as facções. A Carolina do Sul (escravocrata) separou-se da União em dezembro de 1860. Os estados do sul (Carolina do Sul, Flórida, Louisiana, Mississippi, Alabama, Texas e Geórgia) uni-ram-se sob a bandeira da Confederação dos Estados da América. Jefferson Davis assumiu a presidência da confederação, que estabeleceu a capital em Richmond, Virgínia. A União reagiu e em 12 de abril de 1810 co-meçou a guerra: o sul, sob o comando do general Pierre Toutant de Beauregard, atacou os nortistas do forte Summer. Três dias depois, Lincoln declarou guer-ra aos sulistas, tendo como principal objetivo não a questão da escravatura, mas a manutenção da unida-de do país. Os estados de Kentucky, Delaware, Mar-yland e Missouri declararam-se neutros. Virgínia, Ar-kansas, Tennessee e Carolina do Norte uniram-se aos confederados.
Como parte do esforço para manter coesas as forças que apoiavam a União, Lincoln baixou decreto (mais tarde incorporado à constituição como a 13ª emenda) libertando os escravos. A 14ª emenda estendeu os direitos civis a todas as pessoas nascidas nos Estados Unidos ou naturalizadas. Essa norma incluía os negros, antes considerados coisas. A 15ª emenda, que implan-tou o sufrágio universal, viria mais tarde, com Ulysses Grant.
A guerra de secessão é considerada, após as guerras napoleônicas, a mais importante do século XIX, em face do volume de homens e armamentos nela envol-vidos. O sul inicialmente teve a iniciativa e conquistou vitórias, mas o poderio industrial do norte e suas re-servas humanas acabaram por reverter a situação. As batalhas de Shiloh, Vicksburg e Gettysburg foram de-cisivas para a vitória da União. A rendição dos exérci-tos sulistas, sob o comando do general Robert Lee, ao general Ulysses Grant ocorreu em Appomattox (9 de abril de 1865). Lincoln foi reeleito e, seis dias após a rendição, em 15 de abril, o ator John Wilkes Booth o assassinou, no teatro Ford, em Washington.
Reconstrução e crescimento econômico. A guerra de secessão deixou 600.000 mortos e esfacelou a econo-mia sulista ou confederada. A libertação dos escravos, em meio ao conflito, causou séria crise social, já que eles estavam despreparados para exercer trabalhos que não fossem manuais. Os escravocratas, grandes proprietários rurais, organizaram-se para combater a abolição, o que gerou inúmeros conflitos armados, saques e perseguições a negros e seus defensores. Nessa época surgiram organizações secretas racistas, como a temível Ku Klux Klan, e muitas vezes peque-nos conflitos resultavam em linchamentos de negros.
Eleito presidente em 1868, Ulysses Grant deu início aos planos de reconstrução econômica e reconciliação política e social do país, cuja face fora mudada pela guerra civil. Antes dela, a fraqueza do poder central gerava sérios problemas estruturais. A maior parte das funções governamentais - educação, saúde, transporte e segurança pública - era exercida por autoridades estaduais ou municipais. O que mantinha o país unido era um débil sentimento de lealdade ao governo em Washington, a umas poucas instituições nacionais, como as igrejas e os partidos políticos, e à memória comum dos fundadores da nação. Com a vitória da União, os laços da unidade nacional reforçaram-se substancialmente.
O processo de reconstrução do sul perdurou até por volta de 1900, comandado inicialmente por governa-dores militares indicados pelo governo federal. Embora a recuperação econômica tenha sido prejudicada por calamidades naturais, foi eficiente o bastante para sanar com o tempo as feridas deixadas pela guerra. O sul recuperou-se, mas sem perder sua característica essencialmente agrícola. O país em nenhum momento interrompeu o processo de expansão territorial, e em 1867 o Alasca foi comprado à Rússia por 7,5 milhões de dólares. O esforço de guerra ao longo de quatro anos deu extraordinário impulso à vocação industrial do norte, estabelecendo as bases para que o país se tornasse no início do século XX uma potência emer-gente. Os Estados Unidos passaram de importadores a exportadores de bens de capital e a agentes financei-ros internacionais. As ferrovias estendiam-se sem pa-rar, e no final do século XIX já havia quatro linhas transcontinentais. O capitalismo afirmava-se, tendo John Pierpont Morgan e David Rockefeller como para-digmas. O governo federal iniciou um processo de saneamento, com o fim de eliminar a corrupção e o nepotismo que imperavam. Nove milhões de imigran-tes, na maioria europeus, entraram no país nas duas últimas décadas do século.
Durante o governo de William McKinley (assassinado em 1901), os Estados Unidos, em abril de 1898, decla-raram guerra à Espanha, então em decadência como nação colonialista. Os espanhóis perderam as Filipinas, Cuba, Porto Rico e as ilhas Guam, recebendo em troca uma indenização de vinte milhões de dólares. O arqui-pélago do Havaí foi incorporado aos Estados Unidos como território.
A razão para a guerra foi a necessidade de serem res-guardados os interesses americanos na região do Ca-ribe. A extensão da guerra ao Pacífico (Filipinas, so-bretudo) deveu-se à intenção de intensificar a partici-pação no mercado asiático, principalmente China e Japão. Com este último, os Estados Unidos haviam estabelecido relações em 1854, com o Tratado de Ka-nagawa.
Início do século XX. Em 1901, o vice-presidente Theodore Roosevelt assumiu o governo em razão do assassinato do presidente William McKinley. Roosevelt interveio na questão do Panamá, então ter-ritório colombiano. Visto que o governo dessa repúbli-ca sul-americana negava-se a conceder autorização para a abertura do canal, as tropas americanas, apro-veitando uma revolta popular, intervieram e a região se tornou independente. A autorização para a abertura do canal foi imediatamente concedida pela nova repú-blica.
Roosevelt intensificou a oposição aos abusos cometi-dos pelos trustes (cartéis) que dominavam a economia do país, embora desde o governo de Benjamin Harri-son (1888-1892) existisse a Sherman Anti-Trust Act (lei antitruste).
A doutrina Monroe foi aplicada à exaustão por Roose-velt: os Estados Unidos intervieram no México, Nicará-gua, Honduras, Haiti, República Dominicana. Credita-se a Theodore Roosevelt a criação do "corolário" do "destino manifesto" dos Estados Unidos, pelo qual lhes era permitido intervir na política interna de qualquer país do continente, a fim de evitar ações de potências européias. No rastro dessa política veio a "diplomacia do dólar", nada mais do que financiamentos ou em-préstimos a fundo perdido em troca de favores políti-cos e comerciais.
O governo de Woodrow Wilson procurou amenizar esse espírito intervencionista, embora tenha interferi-do na guerra civil mexicana. Coube a Wilson estender à mulher o direito de votar e ser votada. A "lei seca" (Prohibition) - proibição de fabricação e consumo de bebidas alcoólicas - foi promulgada em seu período presidencial.
O fato mais marcante do governo de Wilson foi a en-trada dos Estados Unidos na primeira guerra mundial (6 de abril de 1917), por causa do afundamento de navios americanos por submarinos alemães. O objeti-vo, do ponto de vista geopolítico, era manter o equilí-brio de poder na Europa, isto é, evitar a supremacia de uma potência sobre as demais. As forças america-nas somavam dois milhões de homens, sob o comando do general John Joseph Pershing. A decisiva participa-ção no final da guerra e o enfraquecimento europeu levaram os Estados Unidos ao primeiro plano político e econômico, e o país passou a ser um dos quatro gran-des do mundo, ao lado da França, Itália e Reino Unido. O Japão detinha a liderança no Oriente.
Wilson apresentou, em seu programa de 14 pontos, projeto de criação da Liga das Nações. Entretanto, com a derrota do democrata James Cox na eleição de 1920, o partido de Wilson passou o poder ao republi-cano Warren Harding, de tendência conservadora e isolacionista. Os Estados Unidos assinaram a paz em separado com a Alemanha, recusaram-se a ratificar o Tratado de Versalhes (da rendição alemã) e ficaram fora da Liga das Nações. O governo Harding também criou limitações à entrada de imigrantes não europeus.
Depressão e New Deal. O republicano Herbert Hoover venceu a eleição de 1928. No ano seguinte eclodiu a crise na "sexta-feira negra", 24 de outubro de 1929, quando a bolsa de Nova York des-pencou, em conseqüência de desastres econômicos que arrasaram a ordem capitalista. A depressão pro-vocada pelo crash (quebra) da bolsa causou o desem-prego de 17 milhões de pessoas e a queda generaliza-da da produção. Tal situação perdurou até 1932, quando foi eleito o democrata Franklin Delano Roose-velt, que implantou o plano de reconstrução econômi-ca conhecido como New Deal (novo acordo). O plano baseava-se na forte atuação do estado na economia mediante a desvalorização do dólar, ampliação das obras públicas, como o gigantesco projeto da Tennes-see Valley Authority (Autarquia do Vale do Tennesse-e), limitação de excedentes agrícolas e industriais, programas de financiamento a fazendeiros e rigoroso controle da atividade creditícia e financeira, cuja indis-ciplina foi uma das principais causas da crise. A re-construção do país foi coordenada pela National Reco-very Administration (Administração de Recuperação Nacional).
A tensão mundial (intervenção japonesa na China, 1932; intervenção italiana na Etiópia, 1935; guerra civil na Espanha, 1936; intervenção da Alemanha na Áustria, 1938) provocou uma corrida às armas, ex-pandindo o setor bélico da indústria e, concomitante-mente, injetando capitais na economia americana. Com o objetivo de manter e ampliar mercados e me-lhorar o perfil imperialista e intervencionista dos Esta-dos Unidos, Roosevelt lançou a "política da boa vizi-nhança", dirigida à América Latina, com substanciais melhoras em relação ao cenário anterior. Os países latino-americanos passaram a ter igualdade jurídica, intervenções eram repudiadas, os governos legitima-mente eleitos seriam reconhecidos.
Segunda guerra mundial. A invasão da Polônia pela Alemanha, em 1º de setembro de 1939, determinou o início da segunda guerra mundial. Os Estados Unidos mantiveram-se oficialmente neutros até o ataque japonês, de surpresa, à base de Pearl Harbour, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, que destruiu boa parte da Marinha americana e provocou uma comoção nacional. Quatro dias depois os Estados Unidos declararam guerra ao Eixo (Japão, Alemanha, Itália).
Além da tendência ao isolacionismo, própria da cultura política do país, a posição neutra amparava-se numa lei que obrigava a pagamento à vista no caso de venda de equipamento e material bélico. Apenas em 1941 Roosevelt conseguiu revogá-la, o que permitiu ajuda ilimitada às forças militares britânicas.
Declarada a guerra, as primeiras vitórias no Pacífico foram dos japoneses, que conquistaram as Filipinas, Guam e Wake. A impressionante capacidade de adap-tação do parque industrial americano fez com que, em pouco tempo, decuplicasse a fabricação de muni-ções, navios, aviões, carros de combate e outros ar-mamentos leves e pesados, enquanto os centros de recrutamento e treinamento recebiam milhares de cidadãos. Mais de 15 milhões de homens e mulheres foram mobilizados pelas forças armadas e milhões de pessoas, inclusive donas-de-casa, mudaram de ativi-dade, para trabalhar nas fábricas. A produção industri-al americana quase dobrou entre 1939 e 1945. No fim da guerra, os Estados Unidos tinham produzido 6.500 belonaves, 296.400 aviões e 86.330 tanques. A corri-da armamentista impulsionou a pesquisa científica, fazendo surgir instrumentos como o sonar e o radar, e determinou o início da utilização de uma nova e pode-rosa fonte de energia, a atômica.
Os países aliados assumiram a iniciativa da guerra. Em 14 de março de 1943, os exércitos inglês e americano venceram as forças ítalo-germânicas no norte da Áfri-ca. Em junho de 1944 as forças aliadas desembarca-ram na Normandia, enquanto as tropas soviéticas a-vançavam no setor oriental. A Alemanha se rendeu em 7 de maio de 1945 e o Japão em 2 de setembro, após o lançamento de bombas atômicas em Hiroxima e Nagasaki, nos dias 6 e 9 de agosto. Na ocasião, morto Roosevelt, assumira o poder o vice-presidente Harry Truman.
Segunda metade do século XX. Com o final da guerra surgiu uma nova configuração geopolí-tica no mundo. Os grandes vencedores, Estados Uni-dos e União Soviética, emergiram como as duas su-perpotências mundiais. A Conferência de Potsdam, que reuniu Truman, Stalin e Churchill (depois Clement Attlee), decidiu o destino das potências derrotadas; em 24 de outubro de 1945 instalou-se a Organização das Nações Unidas (ONU). Logo tornaram-se ostensi-vas as desavenças entre os aliados, surgindo os pri-meiros sinais do que seria a "guerra fria", cristalização do conflito entre Estados Unidos e União Soviética ou, ainda, do capitalismo versus comunismo.
A Doutrina Truman, divulgada em 11 de março de 1947, estabeleceu novo sistema de alianças bilaterais e multilaterais, sob a liderança dos Estados Unidos. Surgiu o Plano Marshall, assim denominado devido a seu principal arquiteto, o secretário de Estado George Marshall, e destinado à recuperação econômica da Europa ocidental e do Japão.
A política de alianças fez surgir a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a SEATO (Organiza-ção do Tratado do Sudeste Asiático). Os Estados Uni-dos substituíram o Reino Unido, minado pela guerra, como sustentáculo econômico e militar do mundo oci-dental.
A guerra fria dividiu o mundo em dois blocos. Em ju-nho de 1948, a União Soviética determinou o bloqueio de Berlim e os Estados Unidos responderam com a ponte aérea que durou até o fim do bloqueio, em se-tembro de 1949. O episódio culminou com a divisão da Alemanha, então juridicamente um país ocupado pelos quatro grandes (Estados Unidos, União Soviética, França, Reino Unido): surgiram a República Federal da Alemanha e a República Democrática Alemã, a primei-ra ligada à aliança ocidental e a segunda aos países socialistas da Europa oriental.
Em 1º de outubro de 1949 foi proclamada a República Popular da China, com apoio soviético. Os americanos ficaram ao lado do regime de Formosa (Taiwan). Em 1950 começou a guerra da Coréia. Os Estados Unidos apoiaram a Coréia do Sul, os soviéticos a do Norte.
Internamente, a guerra fria provocou nos Estados Unidos um fenômeno que misturava oportunismo polí-tico e exploração da histeria coletiva face ao comu-nismo: o macartismo, encabeçado pelo senador Jose-ph McCarthy, que desencadeou verdadeira caça às bruxas, isto é, a comunistas, filocomunistas ou sim-plesmente indivíduos denunciados sem qualquer base concreta. McCarthy acabou desacreditado, mas um de seus principais aliados, Richard Nixon, chegaria mais tarde à presidência.
Em 1952, o republicano Dwight Eisenhower, coman-dante supremo das forças aliadas na Europa, elegeu-se presidente e no ano seguinte acabou a guerra da Coréia, sem que o sangrento conflito tivesse sido deci-dido pelas armas. O secretário de Estado John Foster Dulles articulou vários tratados e alianças. Os Estados Unidos continuavam a prosperar e eram a indiscutível potência do mundo capitalista, embora a questão raci-al provocasse periódicas tensões e agitações, sobretu-do nos estados do sul. O grande líder negro pela inte-gração pacífica, o pastor Martin Luther King, acabaria assassinado em 1968.
Em 4 de outubro de 1957 os soviéticos colocaram em órbita o primeiro satélite artificial. Em abril de 1961 lançaram o primeiro homem em órbita em volta da Terra. A comoção que tais fatos provocaram nos Esta-dos Unidos levou à criação da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço). O gigantesco es-forço deu certo: em 1969 o primeiro homem a pisar na lua foi o americano Neil Armstrong. Ainda no governo Eisenhower, em 1959, a União admitiu dois novos estados, Alasca e Havaí.
Eisenhower governou durante dois mandatos e foi substituído, em 1960, pelo democrata John Kennedy, criador da Aliança para o Progresso (1961), programa assistencial à América Latina, destinado a combater o antiamericanismo decorrente da vitória da revolução cubana. A Aliança teve efêmera duração e mínimos efeitos, o mesmo ocorrendo com outro projeto inte-gracionista, o Corpo de Voluntários da Paz (Peace Corps). Em abril de 1961, malogrou a tentativa de exilados anticastristas, apoiados pelo governo Ken-nedy, de invadir Cuba, pela baía dos Porcos. Não fo-ram bem-sucedidos. Em outubro de 1962, depois de anunciar a instalação, pelos soviéticos, de bases de mísseis em Cuba, Kennedy determinou o bloqueio naval da ilha, conseguindo que as bases fossem des-montadas. No mesmo ano a OEA (Organização dos Estados Americanos) votou pela exclusão de Cuba. Kennedy também lançou o projeto Nova Fronteira, destinado a revigorar a economia e melhorar a ima-gem externa dos Estados Unidos.
Assassinado Kennedy em 1963, assumiu o vice-presidente Lyndon Johnson, que logo anunciou o pro-jeto Great Society (Grande Sociedade), uma forma de reconstruir o New Deal de Franklin D. Roosevelt. Além disso, comprometeu decisivamente os Estados Unidos na guerra do Vietnam. Seu sucessor, Richard Nixon, assumiu em 1969 e não pôde impedir a derrota ameri-cana no Vietnam, consumada em abril de 1975. A guerra do Vietnam foi um dos fatos mais traumáticos da história dos Estados Unidos e dividiu o país. A opo-sição à guerra atingiu o clímax no inverno de 1967-1968, quando as baixas aumentavam e a vitória mili-tar começava a ficar cada vez mais distante. A partir daí as manifestações de rua se sucederam, culminan-do com violentos distúrbios em Chicago. O conflito criou um profundo fosso entre "pombos" (pacifistas) e "falcões" (belicistas) e essa animosidade entre duas parcelas da população iria perdurar nos anos seguin-tes, como parte da crise social. O vice-presidente de Nixon, Spiro Agnew, foi obrigado a renunciar em outu-bro de 1973, por sonegação do imposto de renda. O próprio Nixon acabou forçado a renunciar, em agosto de 1974, devido ao escândalo político de Watergate, em que a imprensa desempenhou um papel investiga-tório decisivo. Seu sucessor, Gerald Ford, anistiou-o de todos os crimes federais.
Em janeiro de 1977 Jimmy Carter sucedeu a Ford na Casa Branca e destacou-se pela ênfase dada à política de proteção aos direitos humanos e aos esforços para obter a paz no Oriente Médio entre árabes e judeus. O acordo de Camp David, por ele patrocinado, foi um importante passo rumo ao entendimento, ao fazer cessar as hostilidades entre Egito e Israel.
O governo Carter decidiu pela devolução da zona do canal do Panamá, marcada para 1999, e reconheceu o governo chinês, rompendo ao mesmo tempo com Formosa. Iranianos invadiram a embaixada americana em Teerã, fazendo 54 reféns. Uma tentativa de salvá-los redundou em fracasso.
A opinião pública reagiu elegendo, em 1980, o republi-cano Ronald Reagan, ex-ator de cinema e ex-governador da Califórnia, em cujo primeiro dia de go-verno os reféns foram libertados. Reagan convocou uma "revolução conservadora" e foi reeleito por ampla margem em 1984. Reagan levou a efeito uma política interna baseada na liberalização da economia e no controle da inflação, bem como uma política externa tendente a recuperar o prestígio dos Estados Unidos. Criou o programa estratégico de defesa conhecido como "guerra nas estrelas", oficialmente intitulado Iniciativa de Defesa Estratégica (Strategic Defense Iniciative), posteriormente abandonado.
Reagan estabeleceu boas relações com a União Sovié-tica e a China, prosseguindo os esforços de presiden-tes anteriores. O presidente esteve envolvido no obs-curo episódio conhecido como "Irangate", intrincado negócio ligado a armas, dinheiro e reféns, tendo como cenário o Irã, a Nicarágua e os "contras", opositores da revolução nicaragüense. O escândalo resultou na condenação de alguns acusados.
Na eleição presidencial de 1988 foi eleito o republicano George Bush, ex-embaixador na China e ex-diretor da CIA (Agência Central de Informações). Em seu gover-no houve um recrudescimento da crise econômica, a dívida interna aumentou e adotou-se uma agressiva política externa, em especial quanto à Líbia, o Iraque e a Síria. Repetindo uma atitude de Reagan, que optara pela ocupação da ilha de Granada, em dezembro de 1989 Bush ordenou a intervenção militar no Panamá, a fim de depor o dirigente Manuel Antonio Noriega. In-terveio também, com recursos financeiros, humanos e armamentos, nos negócios internos da Nicarágua. Em começos de 1991, tropas americanas lideraram uma força internacional que expulsou o Exército iraquiano do território do Kuwait, invadido em agosto do ano anterior.
Em 1992 foi eleito o democrata Bill Clinton, que no ano seguinte promoveu na Casa Branca um fato de grande significado histórico: o reconhecimento do Es-tado de Israel por parte da Organização para a Liber-tação da Palestina (OLP) e, por parte de Israel, o re-conhecimento de que a OLP era o único porta-voz do povo palestino. No plano interno, defrontou-se com a persistência da recessão. Na área externa, ocupou militarmente o Haiti em 1994, para reinstaurar o pre-sidente deposto.

Exibições: 31367

Comentar

Você precisa ser um membro de Cafe Historia para adicionar comentários!

Entrar em Cafe Historia

Comentário de rosangela ribeiro de oliveira em 22 maio 2010 às 17:39
muito boas as explicações...bem facil de
acimilar,bjs
Comentário de Ana Flávia em 27 outubro 2008 às 8:07
Ótiiimooo!!!! Otimas informações !ótima maneira de explicar..Ameei

Links Patrocinados

Cine História

O Homem mais procurado

Acaba de chegar aos cinemas o filme "O Homem mais procurado", dirigido por Anton Corbjin ("Um Homem Misterioso" e "Controle - A História de Ian Curtis"). O filme traz Philip Seymour Hoffman ( em seu último papel), Rachel McAdams e William Defoe.  

Sinopse: Depois de ser brutalmente torturado, um imigrante de origem chechena e russa faz uma viagem à comunidade islâmica de Hamburgo, tentando resgatar a grande herança que seu pai teria lhe deixado. A chegada deste homem desperta a curiosidade das polícias secretas alemã e americana, que passam a acompanhar seus passos. Enquanto a investigação avança, todos fazem a mesma pergunta sobre o imigrante: seria ele apenas uma vítima ou um extremista com um plano muito bem elaborado?

café história acadêmico

Líbano e Egito: Leia na íntegra a dissertação "Alguns aspectos sobre o processo da democratização dos sistemas políticos no mundo árabe: Egito e Líbano como modelos de estudo", do pesquisador Younus Khalifa Haddood. O trabalho foi desenvolvido no Programa de Pòs-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Dissertação defendida em 2007. Clique aqui.

EVENTO EM DESTAQUE

Parceiros


Fotos

Carregando...
  • Adicionar fotos
  • Exibir todos

Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

© 2014   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }