Nazismo ou NacionalSocialismo, terminologia e aspectos doutrinários

O Partido Nazista foi fundado na Baviera pelo ferroviário Anton Drexler com o nome de "Partido Operário Alemão" (Deutsche Arbeiter Partei), Hitler compareceu a uma das reuniões como espião militar. Em 1920 Hitler já era dirigente e mudou-lhe o nome para "Partido Operário Alemão Nacional-Socialista" (National-Sozialistiche Deutsch Arbeiter Partei). Como os socialistas eram popularmente chamados SOZI, os nacional-socialistas passaram a ser chamados de NAZI.

 

Por volta de 1923, o austríaco Adolf Hitler unindo as tendências raciais e militaristas às realizações sociais, fundou o Nazismo que fica conhecido como o genocídio dos povos pela doutrina nazista, ditos inferiores.  Estreitamente nacionalistas, os adeptos tinham por divisa "Um Povo, Um Império, Um Chefe". Eram persuadidos sobre a supremacia da raça germânica e decididos a estender o território alemão em nome da teoria do espaço vital. Adolf Hitler foi o Líder e Chanceler do império (IIIº Reich). Nascido na Áustria, foi para a Alemanha em 1918. No início da 1º Guerra Mundial, Hitler alistou-se no exército bávaro, e recebeu a Cruz de Ferro, sua primeira condecoração por bravura. Regressando a Munique depois da guerra, aderiu ao Partido dos Trabalhadores Alemães, que em breve se reorganizou, debaixo da sua liderança como Partido dos Trabalhadores Alemães Socialistas.

 
O nazismo teve bases ideológicas no antropocentrismo, territotorialismo e eugenia. As idéias alemãs racistas se originaram do trabalho do Conde de Gobineau - "Ensaio Sobre a Desigualdade das Raças Humanas" - publicado em 1854. Antes, portanto, das idéias darwinistas terem sido divulgadas e do termo “eugenia” (nascer bem) ter sido criado. O Conde de Gobineau esteve no Brasil, onde coletou dados. Neste ensaio foi feita a proposta da superioridade da "raça ariana", posteriormente levada ao extremo pelos teóricos do nazismo Günther e Rosenberg nos anos de 1920 a 1937.

Glossário de termos nazistas

AKTION (ALEMÃO): Operação envolvendo uma assembléia em massa, deportação e os assassinatos dos judeus pelos nazistas durante o Holocausto.

ALIADOS: As nações lutam contra a Alemanha nazi, Itália e Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Eram principalmente os Estados Unidos, Reino Unido e a União Soviética.

ALIANÇA LUSO-BRITÂNICA: Aliança entre Portugal e a Inglaterra que vem já de 1386 quando D. João I se casou com D. Filipa de Lencastre

ANSCHLUSS (ALEMÃO): Anexação da Áustria pela Alemanha em 13 de Março de 1938.

ANTI-SEMITISMO: Sentimentos e ações racistas em relação aos judeus.

AUSCHWITZ: (em polonês Oswiecim). Campo de concentração e de extermínio em Silésia superior, (localidade polonesa em que havia 4 campos de concentração), na Polônia a 37 milhas a este de Cracóvia. Estabelecido em 1940 com campo de concentração, tornou-se um campo de extermínio perto de 1942. Consistia em três secções; Auschwitz 1º, o campo principal; Auschwitz 3º (Momowitz), o campo de trabalhos, também conhecido por Buna. Auschwitz teve numerosos sub-campos. Os prisioneiros, na maior parte judeus, eram mortos em câmara de gás, outros submetidos a cruéis experimentos médicos. Agora, o governo polonês mantém ali um museu do Holocausto.

BELZEC: Um dos seis campos de extermínio na Polônia. Originalmente estabelecido em 1940 como um campo para o trabalho forçado dos judeus, os alemães começaram a construção de um campo de extermínio em Belzec em 1 de Novembro de 1941. Quando cessaram as operações em Janeiro de 1943 havia mais de 600 mil de pessoas mortas.

CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO: Imediatamente a seguir à sua ascensão ao poder em 30 de Janeiro de 1933, os nazis estabeleceram campos de concentração para prender todos os inimigos do regime como, por exemplo, comunistas, socialistas, monárquicos, etc. No começo de 1938 os judeus eram alvos de internamento apenas se opusessem ao regime nazi. Só a partir do início da guerra é que passaram a ser internados devido à sua raça. Os primeiros três campos de concentração estabilizados foram Dachau (Perto de Munique), Buchenwald (perto de Weimar) e Sachsenhausen (perto de Berlim)

CAMPOS DE EXTERMÍNIO: Campos nazis que matavam em massa os judeus e outros (ciganos, russos, prisioneiros de guerra, prisioneiros doentes). Eram conhecidos como campos de morte Auschwitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Majdanek, Sobibor e Trebelinka. Todos estavam localizados na Polônia ocupada.

CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS: Documento que funda a ONU e onde estão escritos os seus objetivos: evitar a guerra, defender os Direitos do Homem, fazer respeitar os Tratados internacionais e promover o desenvolvimento.

CHAMBERLAIN, NEVILLE (1869-1940): Primeiro ministro inglês de 1937-1940. Ele concluiu o acordo de Munique em 1938 com Adolf Hitler. Enganou-se ao acreditar que traria a "Paz no nosso tempo".

CHELMNO: O campo de extermínio estabelecido depois de 1941 em Warthegau a oeste da Polônia, 47 milhas a este de Lodz, foi o 1º campo onde execuções massa foram feitas por meio de gás. No total 320 mil pessoas foram exterminadas em Chelmno.

CHURCHILL, WINSTON (1875-1965): Primeiro ministro britânico, 1940-1945. Sucedeu a Chamberlain em 10 de Maio de 1940, na altura em que Hitler conquistou a Europa ocidental. Churchill foi um dos muitos poucos ocidentais que reconheceu a ameaça que Hitler era para a Europa. Opôs-se fortemente à política pacifista de Chamberlain.

CIGANOS: Nômades, que se acredita terem origem no Noroeste da Índia. Dali teriam emigrado para a Pérsia no século XIV. Os primeiros ciganos apareceram na Europa do Este no séc. XV. No séc. XVI tiveram que fugir da Europa, onde eram perseguidos como Judeus. Os Ciganos foram também vitimas de genocídio pelos nazis. Acreditava-se que 500.000 foram perseguidos durante o Holocausto.

CONFERÊNCIA DE EVIAN (6 DE JULHO DE 1938): Conferência convocada pelo presidente americano Franklin D. Roosevelt em Julho de 1938 para discutir o problema dos refugiados judeus. 32 países encontraram-se em Evian-les-Bains, França. Não obteve grandes resultados porque a maior parte dos países ocidentais foi relutante em aceitar judeus refugiados.

CONFERÊNCIA DE MUNIQUE: Setembro de 1838. Estiveram presentes Chamberlain pela Inglaterra, Deladier pela França, Mussolini pela Itália e Hitler pela Alemanha. Depois da anexação da Áustria e de outras violações ao Tratado de Versalhes e para evitar a guerra a todo o custo, a Inglaterra e a França aceitam que o país dos sudetas passe a pertencer à Alemanha em troca da promessa de Hitler que não irá invadir mais nenhum território. Em Março de 1939 Hitler invade o resto da Checoslováquia e a 1 de Setembro de 1939 irá invadir a Polônia e iniciar a 2ª Guerra Mundial.

CONFERÊNCIA DE WANNSEE (20 DE JANEIRO DE 1942): Conferência perto de Berlim onde se discutiu e a coordenou a Solução Final para os judeus. Nele participaram muitos dos responsáveis nazis, incluindo Reinhard Heydrich e Adolf Eichmann.

DISTINTIVOS JUDEUS: Era o sinal distintivo que os Judeus eram obrigados a usar na Alemanha e nos países ocupados pelos nazistas na sua roupa em local bem visível: a estrela amarela de David (6 pontas).

EICHMANN (1906-1962): Tenente-Coronel das SS pertencente também à "Ponte Judaica" da Gestapo. Eichimann participou na Conferência de Wannsee (20 de Janeiro de 1942). Ele contribuiu para a implementação da "solução final" uma organização para transporte de judeus para os campos de morte, nascidos na Europa. Foi preso no fim da 2º guerra Mundial na zona alemã controlada pelos americanos, mas escapou pelos esgotos e desapareceu. Em 11 de 1960, membros do serviço secreto de Israel descobriram o seu paradeiro e raptaram-no, transferindo-o ilegalmente da Argentina para Israel. Eichmann foi julgado em Jerusalém (entre Abril e Dezembro de 1961) e foi condenado à morte. Foi executado em 31 de Maio de 1962.

EINSATZGRUPPEN (ALEMÃO): Batalhões móveis de SS armados que se deslocavam às várias localidades prender judeus que depois transportavam para locais isolados. Aí eram abertas valas e os judeus eram fuzilados e enterrados. Em algumas aldeias e vilas as pessoas eram mesmo mortas nas suas casas.

EIXO: As potências originais do eixo incluíam a Alemanha nazi, Itália e o Japão que assinaram o pacto em Berlim em 27 de Setembro de 1940. Foram seguidas pela Bulgária, Croácia, Hungria e Eslováquia.

ESTADO NOVO: Regime de ditadura de Salazar que começou com a aprovação da Constituição de 1933. Estavam proibidos os partidos, os sindicatos, foi imposta a Censura e criada uma polícia para perseguir aqueles que discordavam de Salazar- a PVDE

GENOCÍDIO: Assassínio premeditado de uma raça, grupo religioso ou cultural. Na Alemanha nazi é associado à solução final.

GESTAPO: (Geheime Staatspolizei - Polícia Secreta do Estado) Polícia política alemã, distinguiu-se tal como as SS na perseguição, deportação e execução dos opositores aos nazis e genocídio dos judeus.

GUETTOS: Bairros de judeus de algumas cidades que foram completamente isolados do exterior através de muros. Os judeus não podiam sair daqui e eram abandonados à fome e à doença. Aquele que ficou mais famoso foi o Gueto de Varsóvia que chegou a revoltar-se contra os nazistas quando se soube que havia um plano de extermínio dos judeus do gueto.

GUETTO DE VARSÓVIA: Estabilizado em Novembro de 1940, o gueto, separava através de uma parede a zona onde os judeus eram obrigados a viver completamente separados do resto da população da cidade em condições de grande fome e miséria. Perdeu perto de 500 000 Judeus. Quase 45 000 Judeus morreram em 1941, devido ao trabalho forçado, não haver sanitários, devido isso também ocasionando fome e doenças.
De 19 de Abril até 16 de Maio de 1943, os alemães comandados pelo general Jurgem Stroop, tentaram arrasar o gueto e deportar os sobreviventes para Treblinka depois da revolta do gueto chefiada por Mordecai Anielewicz.

GÖERING: Braço direito de Hitler, foi o chefe da Luftwaffe (Força Aérea Alemã), criou a Gestapo e foi um dos principais responsáveis pelo genocídio dos judeus. Condenado à forca pelo Tribunal de Nuremberg por Crimes Contra a Humanidade viria a suicidar-se com uma cápsula de cianeto horas antes da execução

HANS, FRANK (1900-1946): Governador geral da Polônia ocupada de 1939 a 1945, membro do partido Nazi desde o início e advogado pessoal de Hitler, afirmou "a Polônia irá ser tratado como uma colônia. Os Polacos irão tornar-se escravos do império da grande Alemanha". Em 1942, mais de 85% dos Judeus na Polônia foram transportados para os campos de extermínio. Frank foi julgado em Nuremberg e condenado e executado em 1946.

HEYDRICH: Foi incumbido por Himmler de organizar e executar a "solução final". Criou o Plano de extermínio, organizou os guetos, supervisionou os Einsatzgrouppen e dirigiu a ação de genocídio nos campos de concentração. Foi assassinado em 4 de Junho de 1942 pela Resistência checoslovaca. Himmler substitui-o na direção da execução da "solução final"

IIIº REICH: Inicialmente era a designação para uma Alemanha em expansão que incluía todas as pessoas que falavam Alemão. A partir do início da IIª Guerra Mundial inclui a conquista do Leste Europeu da França e de alguns países do Norte da Europa.

HESS, RUDOLF(1894-1987): Deputado e associado de Hitler desde os primeiros tempos dos movimentos nazistas e um dos nazistas mais próximos do Fuhrer. Em 10 de Maio de 1941, foi sozinho para Inglaterra onde ele foi preso. A sua prisão numa se esclareceu uma vez que foi ele próprio que viajou de avião para a Inglaterra, na altura em guerra com a Alemanha. Provavelmente queria persuadir os Ingleses a fazerem as pazes com Hitler logo depois de ele ter invadido a União Soviética. Hitler declarou-o maluco. Depois da guerra, Hess foi mandado para o Tribunal de Nuremberg. Foi condenado a prisão perpétua. Foi o único prisioneiro na prisão de Spandau até se ter aparentemente ter suicidado em 1987.

HIMMLER: Um dos maiores responsáveis nazistas pelo Holocausto.Tornou-se chefe dos "Camisas Negras" em 1929 que mais tarde darão origem às SS. Também chefiou a Gestapo e administrou os campos de concentração durante a 2ª Guerra Mundial. Suicidou-se após ter sido capturado no final da 2ª Guerra Mundial

HITLER, ADOLF: Líder e Chanceler do império (IIIº Reich). Nascido na Áustria, foi para a Alemanha em 1918. No início da 1º Guerra Mundial, Hitler alistou-se no exército bávaro, e recebeu a Cruz de Ferro, 1º condecoração por bravura. Regressando a Munique depois da guerra, aderiu ao Partido dos Trabalhadores Alemães, que em breve se reorganizou, debaixo da sua liderança como Partido dos Trabalhadores Alemães Socialistas (NSDAP). Em Novembro de 1923, tentou sem sucesso um golpe de Estado sem sucesso conhecido como o "Putch de Munique" e que levaria à sua prisão durante 9 meses onde escreverá o programa do futuro Partido Nazi e que publicou com o título de "A Minha Luta" ("Mein Kampf")

HOLOCAUSTO: genocídio de mais de 6 milhões de Judeus pelos nazistas e os seus seguidores na Europa entre 1933-1945. Outros indivíduos e grupos eram perseguidos e sofriam gravemente durante este período, mas somente os judeus foram marcados para a total da aniquilação. O termo "Holocausto" significa, todo + queimado , sacrifício pelas chamas, o que dá um significado religioso à morte dos judeus. A palavra Shoah, que significa "o desastre", é o moderno hebraico equivalente.

JUDENRAT (plural – JUDENRATE) (ALEMÃO): Na origem da palavra significava Conselho dos Judeus representados em comunidades. Na Alemanha nazi passou a designar o conjunto de guetos onde eram aplicadas as instruções dos nazistas.

JUDENREIN (ALEMÃO): "Limpeza dos judeus” e também zonas onde os Judeus terão sido assassinados um a um ou deportados.

KAPO (ALEMÃO): Prisioneiro de vigilância dum grupo de pessoas que vivem em campos de concentração nazistas.

KRISTALLNACHT (ALEMÃO): Noite dos Cristais Quebrados. As perseguições feitas pelos Nazis em 9 e 10 de Novembro de 1938. Em toda a Alemanha e Áustria, sinagogas e outros locais judeus foram queimadas, zonas históricas eram destruídas e o conteúdo das casas despejado na rua. Aproximadamente 35000 judeus foram levados para campos de concentração. A razão apresentada para esta ação foi o assassinato de Ernst Vom Rath em Paris atribuído à comunidade judaica da cidade.

LEIS DE NUREMBERG: Duas leis anti-judaicas foram decretadas em Setembro de 1935. A primeira chamou-se "Lei da Cidadania" tirou aos judeus alemães a cidadania alemã. A Segunda chamava-se "Lei da Proteção da Honra e Sangue Alemão" e proibia os casamentos dos Judeus com não Judeus, proibia o emprego de Judeus na Alemanha e proibia os Judeus de exibirem a bandeira Alemã entre outras medidas.
Muitas outras medidas foram tomadas com o mesmo objetivo de afastar os Judeus de todas as classes sociais da política, da vida social vida econômica alemã.
As leis de Nuremberg estabeleceram cuidadosamente definições sobre quem era ou não judeu através das linhas de sangue. Deste modo muitos Alemães "misturados" eram considerados "Mischlinge", sofrendo também da discriminação do anti-semitismo se tinham os avôs Judeus.

LIDICE: Exploração mineira numa vila checa. Foi aí que Reinhard Heydrich foi assassinado. Então, os nazis "liquidaram" a vila em 1942. O alvo deles eram os homens. Deportavam as mulheres e as crianças para os campos de concentração, arrasaram a vila e as redondezas, e retiraram o nome da terra dos mapas. Depois da 2º Guerra Mundial, a nova vila é uma povoação perto do sitio do velho Lidice, que agora é o Parque Nacional e Memorial.

LODZ: Cidade a Este da Polônia (chamada Litzmannstadt pelos nazis) onde o primeiro e maior gueto é criado em Abril de 1940. Em Setembro de 1941, a população do gueto era de 144 000 judeus numa área de 1,62 milhas (estatística de 5,8 pessoas por quarto). Em Outubro de 1941 da Alemanha, da Áustria, e do protetorado da Boêmia e Moravia eram enviados judeus para o gueto de Lodz. Muitos destes deportados foram levados entre Junho de 1942 e Julho de 1944 para Chelmno, campo de extermínio. Entre Agosto e Setembro de 1944 o gueto é liquidado e cerca de 60 000 Judeus sobreviventes foram levados para Auschwitz.

MAUTHAUSEM: O campo para homens abre em Agosto de 1938 perto de Linz no norte da Áustria "Mauthausem" foi classificado pelos SS (Serviços Secretos) como um campo de extrema severidade. As condições eram brutais. Aproximadamente cerca de 125 000 prisioneiros das varias nacionalidades foram postos a trabalhar ou foram torturados até à morte no campo de concentração antes da libertação pelas tropas americanas chegadas em 1945.

MAJ DANEK: Campo de assassínio em massa no oeste da Polônia. Foi o primeiro campo laboratório. Foi transformado num centro de gaseamento para os judeus. Mag Danek foi libertado por Exército Vermelho da União Soviética em Julho de 1944. Aí cerca de 250000 homens, mulheres e crianças perderam as suas vidas.

MEIN KAMPF (Alemão): Escrito depois do fracasso do "Putsch" de 1923 por Hitler enquanto esteve preso. Neste livro Hitler apresenta as suas ideias, a sua fé e planos para o futuro germânico, as suas ideias sobre política estrangeira e sobre as raças. Aí já afirma que os Alemães, pertencentes a uma raça superior (Ariana), têm o direito em viver numa área do este (Lebens Raum) que é habitado por Eslavos inferiores. Acusava os Judeus de ser a fonte de todos os males juntamente com os comunistas.

MENGUELE, JOSEF (1911-1978?): Oficial das SS e psicólogo austríaco. Tornou-se famoso pelas suas experiências pseudo-médicas, especialmente em gêmeos judeus e em ciganos. Selecionava os recém-chegados ao Campo de Concentração, separando aqueles que eram considerados aptos para o trabalho dos que não estavam, por serem muito fracos, muito velhos, crianças ou mulheres grávidas. Sendo enviados diretamente para as câmaras de gás, ou sujeitos às suas experiências que consistiam em amputação de membros ou órgãos, injeções de vírus e outros produtos, etc. As roupas destes judeus e ciganos, eram apanhadas para revenda na Alemanha.
Depois da guerra ele esteve algum tempo no hospital internacional britânico, mas desapareceu através de um caminho debaixo de terra e fugiu para a Argentina e mais tarde para o Paraguai onde se tornou cidadão em 1959. Foi preso pela Interpol de Israel ajudada por agentes e Simon Wiesenthal. Em1986 o corpo foi fundado em Embu, Brasil.

MUSSOLINI: Ditador italiano no poder desde 1922 e chefe do Partido Nacional Fascista que fundou em 1921. Foi na Itália que nasceu o fascismo. Criou os "Camisas Negras", milícias armadas que batiam nos trabalhadores, sindicalistas e comunistas. Impôs o culto do chefe (Duce), o Partido Único, proibiu os sindicatos e substitui-os por corporações, criou uma polícia política para perseguir os opositores e invadiu a Etiópia em 1935 e foi aliado de Hitler durante a 2ª Guerra Mundial. Viria a ser assassinado no final da guerra em 1945.

ONU: Organização das Nações Unidas. Depois da 2ª Guerra Mundial voltou a sentir-se a necessidade de uma organização que substituísse a SDN que havia fracassado. Depois de fundada numa Conferência em S. Francisco a ONU e assinada a Carta das Nações estabeleceu a sua sede em Nova York. Os seus objetivos são: evitar a guerra, defender os Direitos do Homem, fazer respeitar os Tratados internacionais e promover o desenvolvimento.

PAÍSES JUSTOS DE ENTRE AS NAÇÕES: Palavra aplicada àqueles que auxiliaram os judeus durante o Holocausto.

PARTISANS: Grupos irregulares de guerrilheiros que secretamente lutavam contra os nazis durante a guerra, muitas vezes atrás de linha do inimigo.
Durante a Segunda Guerra Mundial esta palavra foi usada para designar R resistência nas regiões ocupadas pelos nazis.

PROTOCOLOS DE ELDERS SIÃO: O principal documento de propaganda anti-semita, atribuindo aos judeus uma conspiração para dominarem os países em que viviam. Ganhou grande popularidade depois da 1º Guerra Mundial e foi traduzido para muitas línguas, encorajando o anti-semitismo, em França, Alemanha, Grã Bretanha e Estados Unidos.

PVDE: Polícia de Vigilância e Defesa do Estado. Nome da polícia criada por Salazar para perseguir e prender aqueles que eram contra a sua política. Depois da 2ª Guerra Mundial e do triunfo das democracias muda de nome para PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado) e, em 1968 quando Marcelo Caetano sucedeu a Salazar passou a chamar-se DGS (Direção Geral de Segurança).

RAÇA ARIANA: "Ariana" era originalmente o apelido dado às pessoas que falavam qualquer língua indo-européia. Os nazistas, contudo aplicaram o termo às pessoas do norte da Europa que consideravam superiores. O objetivo era evitar o que eles consideravam os "bastardos da raça alemã" e preservar a pureza do sangue europeu. Segundo a Bíblia Jafé, terceiro filho de Noé, depois de Sem e de Cam, é antepassado dos indo-europeus. Estabeleceu a tribo de Jafé.

 

RESISTÊNCIA: era composta por mais de cem mil membros que dificultavam a dominação nazista. Ataques de surpresa e sabotagens eram meios da luta dos integrantes, o rádio constituia o principal veículo de contato com os aliados, mensagens eram levadas ao ar pela Rádio BBC de Londres, em código, em forma de melodia, de poema, de frase solta de propaganda...
Na Europa Ocidental, a Resistência salvava pilotos, enviava informações militares para a Inglaterra e sabotava instalações. Os Resistentes noruegueses explodiram o estoque alemão de água pesada, nescessário à pesquisa atômica. Os dinamarqueses sabotavam ferrovias. Os gregos dinamitaram um viaduto, interrompendo o abastecimento das tropas alemãs no norte da África. Os poloneses interferiam nas remessas de abastecimento para os nazistas na frente oriental. As montanhas e florestas da Iugoslávia constituiam um terreno excelente para a guerra de guerrilha, o exército iugoslavo de resistência era comandado por Josip Broz (1892 - 1980), mais conhecido por Tito, o qual organizou uma força de combate disciplinada, a qual conseguiu libertar a Iugoslávia do domínio nazista.

 
SA (Abreviatura de STURMABTEILUNG): Tropas de Tempestade em alemão. As tropas SA (Seções de Assalto) eram uma força militarizada do partido inicial Nazi e que vestia uma farda castanha. Dedicavam-se a atacar os comunistas, sindicalistas, judeus, etc.

SALAZAR: Ditador português no poder entre 1932 e 1968, altura em que sofreu uma queda que o deixou incapaz. Professor universitário em Coimbra, foi convidado para Ministro das Finanças em 1928, mas regressou a Coimbra por não lhe ter sido dado o poder que desejava. Em 1932 é convidado para 1º Ministro. Em 1933 aprova a Constituição e começa o Estado Novo.

SDN: Sociedade das Nações. Organização criada sob proposta do presidente Wilson dos EUA. Surgiu em 1919 com sede em Genebra e era constituída inicialmente por 13 países vencedores da guerra (os EUA não aderiram) 13 Estados neutrais. Os seus objetivos eram evitar novas guerras, fazer respeitar os Tratados internacionais e promover a cooperação entre os países.

SELEÇÃO: Palavra usada para designar o processo de escolha de vitimas para as câmaras de gás, nos campos nazis. Processo para separar os que vão ser mortos daqueles que são considerados aptos para o trabalho (ver Mengele). Os judeus eram inspecionados e separados em duas filas quando chegavam aos campos de concentração. Os da fila da esquerda eram mortos e os da fila da direita iam trabalhar como escravos até já não poderem mais.

SINAGOGAS: Templos dos judeus

SIONISMO: Sião que é o sinônimo de Jerusalém, terra de Israel (terra prometida aos Judeus por Moisés). Sionismo é o movimento judaico iniciado no séc. XIX e que pretendia criar um país para os judeus que, desde o séc. I haviam ficado sem pátria

SOBIBOR: Campo de extermínio no oeste da Polônia. Sobibor, aberto em Maio de 1942 e fechado um dia antes da rebelião dos prisioneiros Judeus em 14 de Outubro de 1943. Pelo menos de 250 000 Judeus foram aí mortos.

SOCIEDADE DAS NAÇÕES: Também conhecida como SDN. Organização criada depois da 1ª Guerra Mundial com o objetivo de evitar uma nova guerra mundial e a violência nas relações entre países. Com sede em Genebra era composta no início por 32 países vencedores da guerra e 13 Estados Neutrais. Outros países viriam a aderir e outros a sair como a Alemanha, a Itália e o Japão. Os Estados Unidos nunca fizeram parte. Vai fracassar completamente com o início da 2ª Guerra Mundial em 1939.

SOLUÇÃO FINAL: Nome secreto para o plano de destruição dos Judeus da Europa a – "Solução final para a questão Judaica". No início de Dezembro de 1941, os judeus foram capturados e enviados para os campos de extermínio no Este. O programa foi ilusoriamente apresentado aos judeus e à população alemã como "A nova colonização no Este", fazendo crer que aqueles que iam para os campos de concentração iam apenas emigrar.

SS: Abreviatura usualmente escrita contra dois brilhantes símbolos de Schutzstaffel (Defesa Protetora Unida). Originalmente organizada para guarda pessoal de Hitler (Secções de Segurança), as SS foram transformadas numa organização gigante, por Heinrich Himmler. Apesar das SS lutarem no campo de batalha foi também a organização que, por ser um serviço informações, foi a maior responsável pela execução do plano de levar a Europa Judia à destruição.

TEREZIN, THERESIENSTADT (Alemão): Em funcionamento antes de 1942, ao lado de Praga, como um modelo de gueto, como uma vila judia, governada e defendida pela SS. Certos grupos foram imediatamente excluídos: inválidos, companheiros de casamento de raças diferentes e suas crianças e judeus. Grandes barracas serviam de dormitórios para os habitantes, havia também oficinas, enfermarias e casas comunais.
Os nazistas usavam Terezin para enganar a população. Toleravam a vida cultural (teatro, musica, conferencia e arte). Isto se destinava a ser mostrado aos oficiais da Cruz Vermelha Internacional para dar a ilusão de que todos os judeus eram tratados assim e não havia campos com escravatura e assassínio em massa. Terezin, contudo era só uma passagem para o campo de extermínio. Cerca de 88 000 foram deportados para morrerem nos campos no Leste da Europa. Em Abril de 1945 só 17 000 Judeus estavam Terezim. Em 8 de Maio de 1945, Terezim foi libertado por Exército Vermelho da União Soviética

TRATADO DE VERSALHES: Tratado de Paz assinado entre os países vencedores da 1ª Guerra Mundial e a Alemanha. Foi considerado pelos alemães um "Diktat" ou seja muito injusto. Retirou as colônias à Alemanha e retirou-lhe território na Europa. Impediu-a de ter um exército normal e obrigou-a a pagar pesadas indenizações aos países vencedores. Hitler chegou ao poder prometendo "rasgar" o Tratado de Versalhes e vingar os alemães.

TREBLINKA: Campo de extermínio no nordeste da Polônia. Estabilizado em Maio de 1942 ao longo de um caminho de ferro. 870 000 pessoas foram lá assassinadas. Em 1943 os nazis destruíram todo o campo e trataram de esconder os traços desse crime.

TRIBUNAL DE NUREMBERG: Muito antes do final da guerra os aliados começaram a recolher provas de crimes cometidos pelos dirigentes nazistas. Depois da guerra foi escolhida a cidade de Nuremberg para julgar estes casos por ter sido aí que durante o período nazi que se faziam os Congressos do Partido Nazi e por ter sido aí que se criaram as Leis de Nuremberg. Pela primeira vez foi criada a categoria jurídica de "Crimes contra a Humanidade" para designar os crimes de genocídio contra os judeus e ciganos. O Tribunal começou a funcionar a 20 de Novembro de 1945 e julgou 22 réus.

WIESENTHAL, SIMON (1908-): Famoso sobrevivente judeu ao Holocausto sobrevivente que dedicou o resto da sua a vida à investigação e recolha de provas contra os criminosos nazis. Destacou-se também na localização e perseguição de muitos dos criminosos nazis que fugiram depois da derrota da Alemanha na II Guerra Mundial.

WILHELM, FRICK (1877-1946): Nazi e burocrata dedicado. Foi designado ministro do interior em 1933 sendo responsável pela lei Nazi racial. Em 1946 foi capturado na Noruega, condenado e executado.
Fonte: http://www.eb23-diogo-cao.rcts.pt/Trabalhos/nonio/xx/glos.htm#varsovia

 

 

Do Holocausto Nazista à Nova Eugenia no Século XXI -  Dra. Andrea Guerra

O nazismo teve bases ideológicas no antropocentrismo, territotorialismo e eugenia. A eugenia foi derrotada pelo argumento da genética mendeliana. Em 1864, Gregor Mendel . Gregor Johann Mendel (Heizendorf, 20 de Julho de 1822 — Brno, 6 de Janeiro de 1884)[1] foi um monge agostiniano, botânico e meteorologista austríaco.
Nasceu na região de Troppau (hoje chamada Opava), na Silésia, que então pertencia à Áustria, e viria a ser batizado a 22 de Julho, que muitas vezes se confunde com a sua data de nascimento, vindo de uma família de humildes camponeses.) estabeleceu pela primeira vez os padrões de hereditariedade de algumas características existentes em ervilheiras, mostrando que obedeciam a regras estatísticas simples.

 
Já na Grécia antiga, Platão descrevia, em República, a sociedade humana se aperfeiçoando por processos seletivos (sem falar que em Esparta já se praticava a eugenia frente aos recém-nascidos, já que não existiam pré-natais, abortivos eficientes, eutanásia e afins), já conhecidos na época. Modernamente, uma das primeiras descrições sobre a eugenia foram feitas pelo cientista inglês Francis Galton. Também os homens pré-historicos já selecionavam e faziam cruzamento entre animais, plantas, etc.


O nazismo desenvolveu várias teorias a respeito de raças. Afirmavam poder estipular cientificamente uma hierarquia estrita entre "raças humanas"; no topo, estava a "raça nórdica", e em seguida, as "raças inferiores". Na parte inferior desta hierarquia estavam as raças "parasíticas", ou "Untermenschen" ("subumanos"), os quais eram percebidos como perigosos para a sociedade. Os mais baixos de todos na política racial da Alemanha Nazista eram os africanos, ciganos e judeus. Ciganos e judeus eram eventualmente considerados Lebensunwertes Leben ("vida indigna de viver").

 
O racismo científico era ensinado nas maiores universidades da Europa e dos Estados Unidos através da década de 1930. ) Como lei, a eugenia nasceu nos Estados Unidos, em 1907. (Fonte: várias fontes da wikipedia)

O líder do movimento eugenista dos EUA foi Charles Davenport, que dirigia o laboratório de biologia do Brooklin Institute of Arts and Science, em Long Island, instalado em Cold Spring Harbor. Em 1903, obteve da Carnegie Institution o estabelecimento de uma Estação Biológica Experimental no local, onde a eugenia seria abordada como ciência genuína. Fonte:artigo Drª Andrea guerra . Andréa Trevas Maciel Guerra, médica geneticista, é professora titular do Departamento de Genética Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.


Com o tempo, a eugenia passou a ser vista como ciência prestigiosa e conceito médico legítimo, disseminada por meio de livros didáticos e instituições. (Idem: fontes Wikipedia)
A revelação das atrocidades nazistas desacreditou a eugenia científica e eticamente, e fez com que a palavra desaparecesse abruptamente do uso. (idem) No entanto, a eugenia não desapareceu, mas se refugiou em muitos casos sob o rótulo “genética humana”.

 

O laboratório de Cold Spring Harbor é dirigido hoje por um dos descobridores da estrutura de dupla hélice do DNA, o geneticista James Watson, que vem propagando idéias claramente eugênicas. Avanços científicos vêm sendo direcionados à identificação de “indesejáveis”, como a utilização de exames que detectam doenças genéticas por companhias de seguro e planos de saúde e o uso de bancos de DNA no controle de imigração. - Artigo da Dra. Andrea Guerra

 

Engenharia Genética: Significados ocultos - Dra. Alejandra Rotania

Na década de 1980, a história e conceito de eugenismo foram amplamente discutidos como avançados conhecimentos sobre genética. Empreendimentos, como o Projeto Genoma Humano, fez com que a alteração efetiva da espécie humana parecesse possível novamente (como ocorreu com teoria da evolução de Darwin em 1860, juntamente com a redescoberta de leis de Mendel no início do século XX). A diferença no início do século XXI foi a atitude cautelosa da sociedade em relação ao eugenismo, que tinha se tornado um lema a ser temido e não apoiado, principalmente depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Higienismo e eugenia sao discursos que andam bem juntos! ( e de várias fontes: da wikipedia )
Na agricultura, os procedimentos transgênicos foram pensados em função de melhorar a relação da produção com a natureza. Para aumentar o lucro, garantir a qualidade e evitar riscos, os proprietários das grandes corporações biotecnológicas decidiram “melhorar” a natureza no sentido de evitar pragas e os obstáculos do desenvolvimento natural. Em primeiro lugar foram os agrotóxicos, logo os transgênicos, sem maiores análises e preocupações com os efeitos sobre o meio ambiente e a saúde humana. (Fonte: Alejandra Rotania, é mestre em Ciências Sociais, doutora em engenharia de produção e coordenadora executiva de projetos e programas do Ser Mulher – Centro de Estudos e Ação da Mulher.
Engenharia Genética: Significados ocultos
Por Alejandra Rotania
10/02/2006.


EUGENIA - Prof. José Roberto Goldim
Ao longo da história da humanidade, vários povos, tais como os gregos, celtas, fueginos (indigenas sul-americanos), eliminavam as pessoas deficientes, as mal-formadas ou as muito doentes.
O termo Eugenia foi criado por Francis Galton (1822-1911), que o definiu como:
O estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja fisica ou mentalmente.

 
Galton publicou, em 1865, um livro "Hereditary Talent and Genius" onde defende a idéia de que a inteligência é predominantemente herdada e não fruto da ação ambiental. Parte destas conclusões ele obteve estudando 177 biografias, muitas de sua própria família.
Galton era parente de Charles Darwin (1809-1882). Erasmus Darwin era avô de ambos, porém com esposas diferentes, Darwin descendeu da primeira, por parte de pai, e Galton da segunda, por parte de mãe. Darwin havia publicado "A Origem das Espécies" em 1858.

 
No seu livro, Galton propunha que "as forças cegas da seleção natural, como agente propulsor do progresso, devem ser substituidas por uma seleção consciente e os homens devem usar todos os conhecimentos adquiridos pelo estudo e o processo da evolução nos tempos passados, a fim de promover o progresso físico e moral no futuro".
O argentino José Ingenieros publicou, em 1900, um texto, posteriormente divulgado como um livro, denominado "La simulación en la lucha por la vida". Neste texto incluem-se algumas considerações eugênicas, tais como:
"Por acaso, os homens do futuro, educando seus sentimentos dentro de uma moral que reflita os verdadeiros interesses da espécie, possam tender até uma medicina superior, seletiva; o cálculo sereno desvanecería uma falsa educação sentimental, que contribui para a conservação dos degenerados, com sérios prejuízos para a espécie".
Em 1908, foi fundada a "Eugenics Society" em Londres, primeira organização a defender estas idéias de forma organizada e ostensiva. Um de seus líderes era Leonard Darwin (1850-1943), oitavo dos dez filhos de Charles Darwin. Ele era militar e engenheiro. Em vários países europeus (Alemanha, França, Dinamarca, Tchecoslováquia, Hungria, Áustria, Bélgica, Suiça e União Soviética, dentre outros) e americanos (Estados Unidos, Brasil, Argentina, Perú) proliferaram sociedades semelhantes.

 
Segundo Oliveira, a Sociedade Paulista de Eugenia, foi a primeira do Brasil, tendo sido fundada em 1918.
Na edição de 1920, Ingenieros ressaltou, em nota de rodapé, que as suas opiniões haviam sido confirmadas pela rápida difusão das idéias eugenistas em diferentes partes do mundo. 
O 1o. Congresso Brasileiro de Eugenismo foi realizado no Rio de Janeiro, em 1929. Um dos temas abordado era "O Problema Eugênico da Migração". O Boletim de Eugenismo propunha a exclusão de todas as imigrações não-brancas. Em março de 1931 foi criada a Comissão Central de Eugenismo, sendo o seu presidente Renato Kehl e o Prof. Belisário Pena um dos membros da diretoria. Os objetivos desta Comissão eram os seguintes:

1. manter o interesse do estudo de questões eugenistas no país;
2. difundir o ideal de regeneração física, psíquica e moral do homem;
3. prestigiar e auxiliar as iniciativas científicas ou humanitárias de caráter eugenista que sejam dignas de consideração.

 
Em vários países foram propostas políticas de "higiene ou profilaxia social", com o intuito de impedir a procriação de pessoas portadoras de doenças tidas como hereditárias e até mesmo de eliminar os portadores de problemas físicos ou mentais incapacitantes.
Jiménez de Asúa defendeu a idéia de que as políticas alemã, italiana e espanhola nesta área não eram eugenistas, mas sim "racismo" oriundo do nacional-socialismo alemão. Vale lembrar que as idéias alemãs se originaram do trabalho do Conde de Gobineau - "Ensaio Sobre a Desigualdade das Raças Humanas" - publicado em 1854. Antes, portanto, das idéias darwinistas terem sido divulgadas e do termo Eugenia ter sido criado. O Conde de Gobineau esteve no Brasil, onde coletou dados. Neste ensaio foi feita a proposta da superioridade da "raça ariana", posteriormente levada ao extremo pelos teóricos do nazismo Günther e Rosenberg nos anos de 1920 a 1937.

Outro autor alemão, Gauch, afirmava que havia menos diferenças anatômicas e histológicas entre o homem e os animais, do que as verificadas entre um nórdico (ariano) e as demais "raças". Isto acabou sendo objeto de legislação em 1935, através das " Leis de Nuremberg", que proibiam o casamento e o contato sexual de alemães com judeus, o casamento de pessoas com transtornos mentais, doenças contagiosas ou hereditárias. Para casar era preciso obter um certificado de saúde. Em 1933 já haviam sido publicadas as leis que propunham a esterilização de pessoas com problemas hereditários e a castração dos delinquentes sexuais.


Jiménez de Asúa propunha que a Eugenia deveria se ocupar de três grandes grupos de problemas: a obtenção de uma descendência saudável (profilaxia), a consecução de matrimônios eugênicos (realização) e a paternidade e maternidade consciente (perfeição).
• A profilaxia seria obtida através de ações tais como: combate às doenças venéreas, prostituição e pela caracterização do delito de contágio venéreo.
• A realização ocorreria através da casais eugênicos e do reconhecimento médico pré-matrimonial.
• A perfeição proporia meios para que fosse possível a limitação da natalidade, os meios anticoncepcionais, a esterilização, o aborto e a eutanásia.


Com o desenvolvimento das modernas técnicas de diagnóstico genético, do debate sobre os temas do aborto, da eutanásia e da repercussão da epidemia de AIDS, muitas destas idéias são discutidas com base em pressupostos eugênicos, sem que este referencial seja explicitamente referido.
Jiménes de Asúa L. Libertad para amar y derecho a morir. Buenos Aires: Losada, 1942:25-45.
Ingenieros J. La simulación en la lucha por la vida. 12ed. Buenos Aires: Schenone, 1920:166.
Oliveira R. Étique et medicine au Bresil. Villeneuve DÁscq (France):Septentrion, 1997:90-95.
Fonte: http://www.ufrgs.br/bioetica/eugenia.htm


Artigo
Do Holocausto Nazista à Nova Eugenia no Século XXI
Por Andréa Guerra
10/02/2006
Embora a produção da bomba atômica seja sempre lembrada como exemplo da ciência a serviço da destruição, há outro igualmente relevante: o desenvolvimento das teorias eugênicas e seu aproveitamento por movimentos raciais, culminando no Holocausto nazista na Segunda Guerra Mundial.

A maioria dos geneticistas do século XXI, quando a genética é assunto rotineiro na mídia, pouco ou nada sabe sobre a história da eugenia. Conhecê-la, porém, é fundamental em face de situações concretas da atualidade, como fertilização in vitro, diagnósticos pré-natal e pré-implantação, aborto terapêutico e clonagem reprodutiva. Em vista das preocupações sobre a emergência de uma nova eugenia, é importante rever o passado e aprender com os erros cometidos.

O movimento eugênico
Quando em The origin of species, de 1859, Darwin propôs que a seleção natural fosse o processo de sobrevivência a governar a maioria dos seres vivos, importantes pensadores passaram a destilar suas idéias num conceito novo – o darwinismo social.
Esse conceito, de que na luta pela sobrevivência muitos seres humanos eram não só menos valiosos, mas destinados a desaparecer, culminou em uma nova ideologia de melhoria da raça humana por meio da ciência. Por trás dessa ideologia estava sir Francis J. Galton, cujo nome é associado ao surgimento da genética humana e da eugenia.

Convencido de que era a natureza, não o ambiente, quem determinava as habilidades humanas, Galton dedicou sua carreira científica à melhoria da humanidade por meio de casamentos seletivos. No livro Inquiries into human faculty and its development, de 1883, criou um termo para designar essa nova ciência: eugenia (bem nascer).
No início do século XX, quando as teorias de Darwin eram amplamente aceitas na Inglaterra, havia grande preocupação quanto à “degeneração biológica” do país, pois o declínio na taxa de nascimentos era muito maior nas classes alta e média do que na classe baixa. Para muitos parecia lógico que a qualidade da população pudesse ser aprimorada por proibição de uniões indesejáveis e promoção da união de parceiros bem-nascidos. Foi necessário, apenas, que homens como Galton popularizassem a eugenia e justificassem suas conclusões com argumentos científicos aparentemente sólidos.
As propostas de Galton ficaram conhecidas como “eugenia positiva”. Nos EUA, porém, elas foram modificadas, na direção da chamada “eugenia negativa”, de eliminação das futuras gerações de “geneticamente incapazes” – enfermos, racialmente indesejados e economicamente empobrecidos –, por meio de proibição marital, esterilização compulsória, eutanásia passiva e, em última análise, extermínio.

Como salienta Edwin Black no livro A guerra contra os fracos, “os EUA estavam prontos para a eugenia antes que a eugenia estivesse pronta para os EUA”. O aumento no número de imigrantes no final do século XIX levou o grupo dominante no país, os protestantes cujos ancestrais eram oriundos do norte da Europa, a buscar motivos para exclusão. Encontraram terreno fértil na pseudociência da eugenia.

Os eugenistas usaram os últimos conhecimentos científicos para “provar” que a hereditariedade tinha papel-chave em gerar patologias sociais e doença. Os imigrantes tornaram-se alvos fáceis de defensores dessa nova “ciência”, que empregaram os achados do movimento eugênico para construir a imagem dos imigrantes como pessoas deformadas, doentes e depravadas, encontrando eco em seus contemporâneos nas ciências sociais e na biologia, entre os quais a eugenia propagou-se como algo considerado perfeitamente lógico.
O racismo dos primeiros eugenistas norte-americanos não era contra não-brancos, mas contra não-nórdicos, e as doutrinas de pureza e supremacia raciais eram elaboradas por figuras públicas cultas e respeitadas. Quando as teorias de Mendel chegaram aos EUA, esses pensadores influentes acrescentaram um verniz científico ao ódio racial e social.

O líder do movimento eugenista dos EUA foi Charles Davenport, que dirigia o laboratório de biologia do Brooklin Institute of Arts and Science, em Long Island, instalado em Cold Spring Harbor. Em 1903, obteve da Carnegie Institution o estabelecimento de uma Estação Biológica Experimental no local, onde a eugenia seria abordada como ciência genuína. Em seguida, juntou-se aos criadores de animais e especialistas em sementes da American Breeders Association, muitos deles convencidos de que o conhecimento mendeliano sobre gado e plantas era aplicável a seres humanos.

O próximo passo de Davenport foi identificar os que deveriam ser impedidos de se reproduzir. Em 1909 criou o Eugenics Record Office para registrar os antecedentes genéticos dos norte-americanos e pressionar por legislação que permitisse a prevenção obrigatória de linhagens indesejáveis. Para isso, o grupo concluiu que o melhor método seria a esterilização, e o estado de Indiana foi a primeira jurisdição do mundo a introduzir lei de esterilização coercitiva, logo seguido por vários outros estados. Desde o início, porém, o uso de câmaras de gás estava entre as estratégias discutidas para eliminação daqueles considerados indignos de viver.

Com o tempo, a eugenia passou a ser vista como ciência prestigiosa e conceito médico legítimo, disseminada por meio de livros didáticos e instituições de instrução eugenista. No primeiro Congresso Internacional de Eugenia, em 1912, líderes de delegações dos EUA e países europeus formaram o Comitê Internacional de Eugenia, que, posteriormente, deu origem à Federação Internacional de Organizações Eugenistas, cuja agenda política e científica era dominada pelos EUA, para onde eugenistas estrangeiros viajavam para períodos de treinamento em Cold Spring Harbor.

Na Alemanha, a eugenia norte-americana inspirou nacionalistas defensores da supremacia racial, entre os quais Hitler, que nunca se afastou das doutrinas eugenistas de identificação, segregação, esterilização, eutanásia e extermínio em massa dos indesejáveis, e legitimou seu ódio fanático pelos judeus envolvendo-o numa fachada médica e pseudocientífica.
Não houve apenas extermínio em massa de judeus e outros grupos étnicos. Em julho de 1933, foi decretada lei de esterilização compulsória de diversas categorias de “defeituosos” e, com o início da Segunda Guerra Mundial, os alemães considerados mentalmente deficientes passaram a ser mortos em câmaras de gás. Médicos nazistas realizavam experimentos em prisioneiros nos campos de concentração, e, em Auschwitz, Mengele dedicou-se ao estudo de gêmeos para investigar a contribuição genética ao desenvolvimento de características normais e patológicas – de 1.500 pares de gêmeos submetidos a suas experiências, menos de 200 sobreviveram.
 

A nova eugenia do século XXI
A revelação das atrocidades nazistas desacreditou a eugenia científica e eticamente, e fez com que a palavra desaparecesse abruptamente do uso. No entanto, a eugenia não desapareceu, mas se refugiou em muitos casos sob o rótulo “genética humana”. O laboratório de Cold Spring Harbor é dirigido hoje por um dos descobridores da estrutura de dupla hélice do DNA, o geneticista James Watson, que vem propagando idéias claramente eugênicas. Avanços científicos vêm sendo direcionados à identificação de “indesejáveis”, como a utilização de exames que detectam doenças genéticas por companhias de seguro e planos de saúde e o uso de bancos de DNA no controle de imigração.

À medida que diminui o número de filhos por casal, pressiona-se para que sejam cada vez mais perfeitos. Técnicas de diagnóstico pré-natal permitem detectar bebês com problemas genéticos, e embora a decisão sobre aborto terapêutico seja pessoal, difunde-se o conceito de que é cruel não levar em conta a qualidade de vida e que interrompê-la pode ser um ato de amor. Os pais também são levados a priorizar a qualidade de suas próprias vidas. Como saber, porém, o que faz com que a vida não mereça ser vivida ou não mereça ser cuidada?


Fertilização in vitro
Num futuro próximo, se a eugenia for além dos abortos terapêuticos para de fato projetar bebês que se beneficiem de todos os avanços da genética, provavelmente não fará sentido que a concepção ocorra da maneira tradicional, mas sim em clínicas de fertilização in vitro.

No final de sua vida, Galton escreveu um romance chamado Kantsaywhere, em que descrevia uma utopia eugênica. Após o exame de suas características genéticas, os habitantes de Kantsaywhere com material genético inferior eram destinados ao celibato em colônias de trabalho. Os que recebiam um “certificado de segunda classe” podiam se reproduzir “com reservas” e os bem qualificados eram encorajados a casar entre si. Em 1997, o filme Gattaca esboçava uma versão moderna de um paraíso eugênico em que a procriação ocorria por fertilização in vitro e só eram implantados embriões sem defeitos genéticos. Como salienta o geneticista Nicholas Gillham, Kantsaywhere e Gattaca são lugares semelhantes e as questões éticas levantadas são as mesmas – a diferença está em um século de avanços tecnológicos.
Andréa Trevas Maciel Guerra, médica geneticista, é professora titular do Departamento de Genética Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.
Fonte: http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=8&id=44

 

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Comentário de Bruno Leal em 31 março 2012 às 10:12

Bacana!

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