Oito dias após a chegada da Corte Portuguesa à Bahia, a assinatura da Carta Régia, em 28 de janeiro de 1808, decretou a abertura dos portos brasileiros ao comércio exterior. A Data marcou o fim de 300 anos de colonialismo e lançou bases para o processo de independência do Brasil.



Como parte das comemorações pelo Bicentenário da abertura dos portos às nações amigas – em 28 de janeiro de 1808 – o último domingo, dia 27, foi marcado pelo desfile naval de 17 navios de guerra e diversas aeronaves da Marinha do Brasil e um navio da Marinha Mercante que percorreram as praias das zonas oeste e sul do Rio.



O desfile teve ínício às 11h, na Praia da Barra da Tijuca. As embarcações da Marinha passaram pelas praias de São Conrado, Leblon, Ipanema, Arpoador, Copacabana e Leme. Nas alturas dos fortes de Copacabana e do Leme, e da Fortaleza de Santa Cruz, os navios foram saudados por tiros de canhões do Exército Brasileiro.



Quem esteve presente no evento foi o ministro da Integração Nacional, Pedro Brito, e afirmou que além dos 200 anos da abertura dos portos, a criação da Secretaria Especial dos Portos deve ser comemorada por sinalizar a importância estratégica dos portos para o País. "Este ano, vamos comemorar o fluxo comercial internacional de US$ 300 bilhões. E 90% passa pelos portos", ressaltou.



Vale aqui realizarmos um retrocesso na história. Com a vinda da Família Real ao Brasil, ocorreu uma reviravolta nas relações entre a Metrópole e a Colônia. Logo ao chegar, no dia 28 de janeiro de 1808, Dom João decretou a abertura dos portos do Brasil às nações amigas. A Inglaterra foi a principal beneficiária dessa medida. Tal ato findou trezentos anos de sistema colonial. O Rio de Janeiro tornou-se o porto de entrada dos produtos manufaturados ingleses.



As conseqüências políticas e sociais do Tratado de 1808 levariam a um Brasil independente. As portas fechadas durante trezentos anos estavam abertas e a Colônia ficou fora do controle da Metrópole. Foi instalada uma burocracia modelada nas instituições portuguesas. Nenhum dos ministros nomeados havia nascido na Colônia e nenhum brasileiro foi escolhido para o Conselho de Estado. Os coloniais estavam excluídos da participação desses cargos administrativos.



Entre 1808 e 1810, a Inglaterra exerceu fortes pressões para assegurar direitos preferenciais na América portuguesa – um porto na ilha de Santa Catarina, súditos britânicos isentos da Inquisição e redução das taxas de importação. As mercadorias portuguesas passaram a ter uma taxa de importação de 16% ad valorem.



Em 1810, foi assinado o Tratado de Comércio e Navegação com o objetivo de consolidar e fortalecer a “antiga amizade”, o comércio e a navegação mútua de ambos os países, além de garantir que os súditos de uma nação permanecessem ou comerciassem no outro porto, e taxas de 15% sobre a mercadoria inglesa (a Inglaterra ficou com uma tarifa mais baixa do que a própria Colônia).



Todos os tratados foram considerados em vigor, inclusive o de Methuen para os vinhos portugueses e lã inglesa, além da liberdade de entrada e saída de navios britânicos de guerra nos portos do Brasil mesmo em tempo de paz.



Segundo o historiador Boris Fausto, com o Tratado de 1810 a vantagem inglesa tornou-se imensa. Portugal não tinha como competir em preço e variedade com os produtos ingleses. Junto com o acordo, foi assinado o Tratado de Aliança e Amizade em que a Coroa portuguesa se limitava a restringir o tráfico de escravos aos territórios sob seu domínio.



Alan Manchester, em sua obra “Preeminência Inglesa no Brasil”, admite que durante esse período a colônia recebeu alguns benefícios a partir desses acordos, como por exemplo: o crescimento econômico do Brasil foi estimulado devido ao influxo de capital dos empreendimentos britânicos.



Na verdade, o principal interesse dos ingleses no comércio brasileiro sempre foi vender mais do que comprar, a balança comercial era sempre favorável para a Inglaterra, ou seja, o Brasil era um importante mercado para as manufaturas inglesas, porém, uma fonte secundária para a importação britânica.



Segundo Manchester, “os privilégios desfrutados pela Inglaterra em Portugal durante séculos foram transferidos para o Brasil e a Inglaterra assegurou para si uma posição especial na colônia. As relações comerciais entre Inglaterra e Portugal, de 1808 a 1821, constituíram o passo intermediário para a transferência da centenária influência da Inglaterra sobre a vida econômica portuguesa para o Estado independente do Brasil”.



Por Fabíola Ortiz


Sobre os 200 anos da vinda da Corte Portuguesa:


http://www.200anosaberturadosportos.com.br/index.htm

Exibições: 3410

Comentar

Você precisa ser um membro de Cafe Historia para adicionar comentários!

Entrar em Cafe Historia

Comentário de Bruno Leal em 29 janeiro 2008 às 16:57
É curioso notar como as datas comemorativas - no Brasil e no mundo - ganham cada vez mais importância. O historiador Pierre Norá falava em "Lugares de Memória" para se referir a fatos ou acontecimentos que deixaram de ser tradição para se transformarem em obrigação. Sou menos pessimista do que Norá, ms há certa razão no que ele diz.

Acho bacana o movimento de lembrança histórica da abertura dos portos, mas é sempre bom pensar nos usos dessa memória, o que o texto d Fábiola trata muito bem.

Parabéns, Fabíola! Continue postando suas matérias sobre História! Muito bacana!

bjs!

Links Patrocinados

Cine História

Sobrevivente

Chega aos cinemas o filme islandês "Sobrevivente", de Baltasar Kormákur. 

Sinopse: Durante o inverno de 1984, um barco pesqueiro naufraga no Atlântico Norte, nas proximidades da Islândia. Os tripulantes tentam sobreviver, mas as águas geladas impedem que essa tarefa seja facilmente concluída, restando apenas Gulli (Ólafur Darri Ólafsson), um homem bom, de fé, querido por todos, e com uma vontade de viver inacreditável. Após nadar por cerca de seis horas e enfrentar vários percalços, ele consegue contato com a civilização. Após a incrível experiência vivida, Gulli terá ainda que viver com a dor da perda dos amigos e, pior, a incredulidade de todos, que não entendem ele ter sobrevivido a uma situação tão extrema e insistem em fazer testes para saber como isso pode ter acontecido. Baseado em fatos reais.

documento histórico

Guerra do Paraguai: Prédios paraguaios após a Guerra do Paraguai s.l., [186-]. Arquivo Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão. Fonte: Arquivo Nacional

Conteúdo da semana

Leituras da escravidão: O mini-documentário 'Leituras da Escravidão' aborda a escravidão na província do Paraná através do relato de estudantes de História da Universidade Federal do Paraná, que pesquisam o tema em processos judiciais do século XIX no Arquivo Público do Paraná

Parceiros


Fotos

Carregando...
  • Adicionar fotos
  • Exibir todos

Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

© 2014   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }