Em maio de 1941, com a Inglaterra praticamente derrotada pela Alemanha de Adolf Hitler, o primeiro-ministro Winston Churchill recebeu para um almoço políticos e o embaixador sueco Bjorn Prytz. Este quis saber "como a Grã-Bretanha poderia continuar enfrentando tamanha fúria".
Alguns ficaram constrangidos, menos Churchill. Sorrindo, contou uma historinha:
"Era uma vez dois sapos. O Sapo Otimista e o Sapo Pessimista. Uma noite, os dois sapos saíram pulando na floresta atraídos pelo cheiro de leite fresco que vinha de uma leiteria. Eles pularam a janela da leiteria e caíram direto dentro de um latão de leite".
Churchill tomou um gole de conhaque, soltou uma baforada de seu charuto e concluiu:
"As laterais do latão eram íngremes demais. O Sapo Pessimista logo desistiu e afundou. Mas o Sapo Otimista ganhou coragem e começou a nadar e a se debater, esperando conseguir sair de alguma forma. Ele não sabia como, mas não desistiria sem lutar. Ele se agitou por toda a noite e pela manhã — ah, que alegria! — ele estava flutuando em uma rodela de manteiga!"
Ao perceber que a turma, a sua, ficara satisfeita, Churchill fumou mais uma vez e concluiu: "Eu sou o Sapo Otimista". Fisicamente, Churchill parecia um sapão.
A história está contada no competente A Missão Secreta de Rudolf Hess — O Estranho Vôo do Vice de Hitler e o Segredo Mais Bem Guardado da Espionagem Britânica (Record, 2007, 361 páginas), do historiador galês Martin Allen.
Allen mostra que Hitler tentou a paz com a Inglaterra, mas não com Churchill, que queria destrui-lo a qualquer custo. Percebendo a insegurança de Hitler, que vencia a guerra com relativa facilidade, o serviço de espionagem inglês montou a Operação Srs. HHHH (Hitler, Hess, Haushofer, Hoare, Halifax). Essa operação, habilmente articulada, sugeriu a Hitler que havia uma dissidência na Inglaterra, liderada por lorde Halifax e pelo embaixador Samuel Hoare. Essa dissidência estaria disposta a destituir Churchill e negociar a paz.
Hitler caiu direitinho e enviou vários emissários para conversar sobre a paz, sobretudo com Samuel Hoare. Como as negociações não saíam do lugar, Hitler decidiu enviar à Inglaterra uma ponte mais alta na hierarquia do governo nazista, o vice-Führer Rudolf Hess, o que surpreendeu os ingleses, que esperavam Ernst Bohle, uma figura menor.
Embora não fosse néscio (era mau político, sugere Allen), Hitler caiu no canto de sereia dos ingleses. O motivo? Em 1941, Hitler governava um império, que incluía Áustria, Polônia, Tchecoslováquia e França, e precisava do petróleo da Rússia e do trigo da Ucrânia. Isso do ponto de vista da economia. Do ponto de vista político, um de seus projetos, desde o início, era dominar a Rússia e destruir o bolchevismo.
Para enfrentar a Rússia, Hitler trabalhou diplomaticamente para retirar a Inglaterra da guerra, para não ter de lutar em duas frentes. O líder nazista avaliava que, sem a batalha no Ocidente, a Rússia seria presa fácil. Por isso, caiu no canto de sereia da espionagem inglesa.
Hess foi para a Inglaterra negociar com emissários de lorde Halifax, o suposto dissidente, por intermédio do duque de Kent. Mas não havia dissidência alguma. O alemão acabou preso de 1941 a 1987, quando morreu, aos 93 anos. A tacada de Churchill deu certo. Jogou a furiosa Alemanha em cima dos russos e ganhou a guerra. Sem o front russo, provavelmente a Inglaterra teria se rendido ao nazismo. No fim da guerra, Ióssif Stálin disse a Churchill que percebera sua “armação”. Seu informante era o inglês Kim Philby, o amigo do escritor Graham Greene, autor do romance O Terceiro Homem.
Por que os ingleses esconderam o segredo de Hess por tanto tempo? Allen avalia que, ao jogar os nazistas sobre a União Soviética, Churchill, de certa forma, contribuiu para a morte de 20 milhões de russos. Por que Churchill era anticomunista ferrenho? Mais provavelmente porque não havia outra saída à mão. De qualquer modo, admite Allen, um dos projetos prioritários de Hitler era atacar a Rússia. Paradoxalmente, para vencer a guerra durante certo período, contou com os préstimos de Stálin, um de seus grandes fornecedores de petróleo e alimentos.,
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Comentário de Jose Luiz Beheregaray Jr em 25 junho 2012 às 16:49 Apesar de estudar esse tema a mais de 20 anos, quanto mais eu estudo, mais eu descubro que não sei nada .
Muito bom, Amanda! parabéns!
Comentário de Amanda Schmidt em 22 junho 2012 às 9:26 verdade Maurício, infelizmente a população civil nunca irá saber sobre tudo o que aconteceu na Segunda Guerra Mundial. A História sempre é deturpada por interesses políticos, militares, etc... um jeito de omitir ou modificar a verdade.
Comentário de Mauricio AC em 22 junho 2012 às 9:02 tantos os Aliados como o Eixo omitiram informações valiosas sobre a Segunda Guerra Mundial. Existem interesses políticos e militares para não divulgar tudo para o público civil. Algumas informações só serão divulgadas depois de 2045 (100 anos do termino da 2GM).
O texto de Amanda Schmidt, nossa Companheira de Aventuras de Café, cumpre sua tarefa. Até mesmo o Bruno - considerando que precisa ser onisciente pra dar conta de tantas postagens - dá o ar da graça.
Polemizar é preciso.
Remeto-me ao texto do jornalista pernambucano Nelson Sampaio Júnior, "Quem Foi, Afinal, Rudolf Hess"?, também membro de CH, que deixou seu testemunho sobre o mesmo assunto em 30/08/2010.
Seu texto traz uma Bibliografia Respeitável:
http://pt.metapedia.org/wiki/Rudolf_Hess
http://www.grandesguerras.com.br/artigos/text01.php?art_id=34
A Farsa de Churchill, Louis Kilzer
Cinco Dias em Londres, John Lukacs
A Era dos Extremos, Eric Hobsbawn
Para os interessados, consultem http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/quem-foi-afinal-rudolf-...
Respondendo à pergunta de Bruno, trata-se de Historiador polêmico britânico, nascido em 1958.
Parece ter dedicado sua obra à pesquisa de elementos esclarecedores dos bastidores da política nacional-socialista e de seus líderes:
Resta-me acrescentar alguma informação sobre o autor e sua obra que colhi na Internet:
Na noite de 11 de maio de 1941, enquanto se desenrolavam graves embates da Segunda Guerra Mundial, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Winston Churchill, passava um agradável fim de semana com amigos e assessores na propriedade de Ditchley Park, em Oxfordshire. Dois anos antes, a Polônia e quase toda a Europa Ocidental haviam tombado diante dos ataques germânicos. A Rússia ainda estava fora do conflito, e os Estados Unidos insistiam numa posição de neutralidade. Assim, o Império Britânico combatia as forças do Eixo praticamente sozinho e, mesmo com um acúmulo de derrotas, não parecia disposto a ceder.
Após o jantar, o telefone soou, e o secretário particular do primeiro-ministro não tardou em lhe passar o conteúdo da mensagem. Em síntese, naquela noite, um piloto alemão que saltara de pára-quedas na Escócia insistia em dizer a seus captores que era Rudolf Hess, o vice do Reich alemão, amigo íntimo de Adolf Hitler. Churchill, que dificilmente se deixava espantar, desta vez ficara atônito: Rudolf Hess está na Escócia?
Em "A Missão Secreta de Rudolf Hess", o historiador Martin Allen apresenta a versão definitiva deste misterioso episódio da Segunda Guerra Mundial. Pesquisando em farta e nova documentação e dispondo de testemunhos de personagens ligados ao episódio, ele revela que a inusitada ação de Hess foi na verdade fruto de um engenhoso ardil perpetrado pelos serviços de inteligência britânicos para iludir os alemães e ganhar tempo. Allen descreve passo a passo a montagem da armadilha, que contou com a colaboração de personagens em Londres, Berna, Lisboa, Madri e Berlim. Ele sustenta que Hitler foi levado a acreditar na existência de um grupo de políticos dissidentes, membros da alta esfera da elite britânica, inclinados a derrubar Churchill e fazer a paz com a Alemanha. Sua aposta em tal possibilidade levou-o não só a permitir que Hess fizesse seu vôo clandestino como também reforçou sua disposição em precipitar o ataque contra a União Soviética.
A versão de Allen para este episódio desfaz de uma vez por todas a crença de que Rudolf Hess seria um louco que teria agido isoladamente. Churchill, por sua vez, deixa de ser o personagem pego de surpresa, já que estaria a par de toda a trama desde o início. Certamente sua surpresa foi apenas a da descoberta de que o emissário alemão se tratava de ninguém menos que Rudolf Hess em pessoa.
A Missão Secreta de Rudolf Hess - O Estranho voo do vice de Hitler eo segredo mais bem guardado da espionagem britânica - Martin Allen
http://www.politicaparapoliticos.com.br/resenha_detalhe.php?id=246
http://www.record.com.br/autor_sobre.asp?id_autor=4938
http://www.lecturalia.com/autor/14284/martin-allen
Comentário de Bruno Leal em 19 junho 2012 às 10:24 Esse título tem cara de livro sensacionalista, não?
O autor é historiador?
Palmas!
És fantástica na divulgação de aspectos vários da Alemanha nazista.
Aqui te superas. O episódio mais controverso do III Reich - a "fuga" de Rudolf Hess - pra Londres.
E o desnudas.
Parabéns!
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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