A elite cearense
A elite cearense sempre será um excelente tema de discussão onde a controvérsia e as contendas estarão presentes, sem duvidas essa elite é responsável por melhorias estruturais na urbe, mas por outro lado ela também nunca responderá pelos seus próprios atos, principalmente se tais atitudes estiverem contra suas vontades e desígnios. A sociedade patriarcal muito forte no espaço territorial cearense foi uma base alicerçada desde os primórdios tempos de colônia, no período do império essa sociedade articulava de diversas formas para manter-se no topo de todas as configurações de dominação das classes inferiores (os pobres). Quando nosso país começou com o processo de transformações, principalmente políticas e econômicas, a elite cearense estava presente e atuante, tínhamos personalidades políticas e empresariais em boa parte dos estados brasileiros, e esses por sua vez tinham deixado familiares em solo cearense, assim sempre que o nordeste entrava em pauta os filhos do Ceará defendiam os recursos para a “terrinha”, pois sabiam que seriam beneficiados direto ou indiretamente.
Na dissertação de mestrado do professor George Menezes, foi possível entendermos como a elite cearense em meio a todas as distancias que existiam da capital do país, organizou e reorganizou desconstruindo e construindo uma identidade política e econômica que posteriormente se elevaria a posição de uma das elites mais influentes do todo território nacional. George Menezes nos fala principalmente da “composição social da nata política” onde a oração dessa elite estava mudando do “eu para o nós”, porém sem deixar de lado os interesses pertencentes ao seu pequeno grupo social, e, sobretudo na década de 1870 ele identifica as principais mudanças da sociedade política – econômica que passa por diversas crises:
(...) um refluxo da agricultura de exportação (algodão) e da pecuária, seguido a tendência da economia brasileira, que passa por uma crise (1820-1840), devido à concorrência internacional. No caso do Ceará, ainda temos que contar com a seca (1824-1826) e com a Confederação do Equador (1824), que reforçam os problemas locais.
Todas essas mudanças vão impulsionar as articulações da elite para manter a preponderância sobre todas as outras classes sociais.
Com a cidade de Fortaleza se consolidando como principal cidade da província destacando a cotonicultura como principal meio de crescimento econômico das elites, que se instalavam no centro de Fortaleza, pois o porto da cidade era o caminho que passava a matéria-prima e era na cidade que ficava boa parte do lucro dessa atividade. Mesmo depois das altas e baixas do algodão, o comercio local era totalmente independente e já segurava a elite com força, pois a esses se juntaram os estrangeiros que tornaram mais forte o comercio local e conseqüente à elite se juntara aos “senhores do progresso” para mais uma vez garantir seu lugar no topo da cadeia social e diz:
“A posição assumida pela Boris Frères na economia cearense revela uma faceta extremamente interessante: a complementariedade de seus interesses com a elite local”
Então a elite da cidade acompanha todas as transformações mundiais traçando sempre a seu favor uma linha de contínuo desenvolvimento, seja na economia ou na política, sempre marcavam seu território idealizando para eles a melhor “fatia do bolo”, compondo estratégias que levassem ao poder da província, mas sem deixar de fazer com que os menos favorecidos ficassem sempre submissos. Ao longo desses artifícios de alteração, no convívio com a história real das elites, vão se relacionando com seu dia-a-dia e fazendo idéia do vivido numa realidade em constante mudança, desde a economia até os hábitos sociais e o traçado da cidade. Estas articulações tornavam amplas cada vez mais e de maneira abreviada durante toda segunda metade do século XIX.
Blog de Jose eliton de lima dantas
Postado em 19 setembro 2009 às 20:36
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Postado em 17 dezembro 2008 às 19:04
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Postado em 16 dezembro 2008 às 15:24
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