Vicente Freitas
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Sobre mim
VICENTE FREITAS de Araújo, jornalista e escritor cearense, nasceu na cidade de Bela Cruz, Ribeira do Acaraú. Dedica-se à literatura e às artes plásticas, distinguindo-se como historiador, cronista e caricaturista. Depois de estudar em algumas escolas de sua cidade natal, mudou-se para Fortaleza, passando então a conviver com um grupo de escritores e poetas, frequentadores da casa de Juvenal Galeno. Licenciado em História e Geografia, pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, UVA. É autor dos livros: Almanaque poético de uma cidade do interior (1999); Nicodemos Araújo, uma antologia (2000); O carpinteiro das letras (2007); Bela Cruz – famílias endogâmicas (2010); Bela Cruz – biografia do município (2011). Participou de várias antologias brasileiras: Poetas brasileiros de hoje, Shogun Arte Editora, RJ (1992); Contos e poemas do Brasil, Litteris Editora, RJ (1997); Os melhores da literatura, Litteris Editora, RJ (1998); Anuário de escritores, Litteris Editora, RJ (1999); Sonhos e expectativas, Scortecci Editora, SP (1999); Encontro com a palavra, Scortecci Editora, SP (2000); Seleção de poetas noctívagos, Scortecci Editora, SP (2001); As melhores poesias do século, Litteris Editora, RJ (2002); Três milênios de poesia e prosa, Fortaleza (2003). É verbete da Enciclopédia da literatura brasileira contemporânea, (volumes VII e IX, de Reis de Souza); Dicionário biobibliográfico de escritores brasileiros contemporâneos (1998), de Adrião Neto; Novo dicionário biobibliográfico de escritores brasileiros 2000, Litteris Editora, RJ (2001); Enciclopédia de literatura brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa, MinC/ABL/Global Editora (2001). Em 1996, o Conselho Editorial da Revista Brasília, outorgou-lhe a Medalha do Mérito Cultural, pelos relevantes serviços prestados à cultura do país e por sua participação nas iniciativas literárias do Grupo Brasília de Comunicação. Em 1999, recebeu Medalha de Bronze, no Rio de Janeiro, por sua classificação em terceiro lugar, no II Festival Nacional Literário, promovido pela ABRACE. Foi um dos finalistas do prêmio nacional de poesia Menotti del Picchia (2000) e do internacional Von Breysky (2001).
Atividade profissional
Historiador, Professor, Pesquisador, Jornalista
Formação
Graduado
Estado
Ceará
Cidade
Bela Cruz
Site \ twitter \ blog
http://meadiciona.com/vicentefreitas

Clero, nobreza e povo de Sobral

Esta resenha é espaço por demais diminuto para colocar a grandeza de Lustosa da Costa, o cronista, o jornalista e o romancista, e dizer da sua vida e da sua obra, e falar do primor e do encanto de sua prosa. Só agora chega-me às mãos o exemplar do seu belo livro Clero, nobreza e povo de Sobral, acompanhado de generosa dedicatória que fica creditada à sua indulgente bondade. 

 

Lustosa é colunista do "Diário do Nordeste", em Brasília. Foi Editor Chefe de "Unitário" e "Correio do Ceará". Em fins de 1974 passou a residir na Capital da República onde militou, por muitos anos, na sucursal de "O Estado de São Paulo" e escreveu crônicas no "Correio Braziliense". Em 2000 elegeu-se para a Academia Brasiliense de Letras e ganhou o Prêmio Ideal de Literatura, com o livro de crônicas "Rache o Procópio". Lançou em 2002, na Embaixada do Brasil em Lisboa, a edição portuguesa de seu romance "Vida, paixão e morte de Etelvino Soares", versão romanceada da atormentada trajetória do jornalista Deolindo Barreto. 

 

A obra de Lustosa da Costa representa um marco da nossa tradição literária moderna e a seu respeito já se manifestou a crítica favoravelmente, me parecendo justo destacar o que escreveu o poeta e ensaísta José Alcides Pinto: "O material com que trabalha é o mesmo da ficção – a ficção de vanguarda, a de um Gabriel Garcia Márquez, por exemplo, ou de outros grandes vultos da literatura latino-americana. A caracterização dos personagens é perfeita, e em seu registro história e memorialística se juntam numa grandeza meridional e abrangente". 

 

Sobre sua obra ensaios e artigos importantes vêm sendo publicados no correr do tempo, tais aqueles redigidos por Evaristo Linhares, Moreira Campos, Adelto Gonçalves e Paulo Elpídio de Menezes Neto. Segundo Milton Dias, "Lustosa da Costa se inscreve na lista dos melhores cronistas brasileiros – nome respeitado, estimado, admirado; frequentador diário da imprensa conseguiu um público numeroso e atento que corre ao jornal diariamente, fiel à sua colaboração de todo dia". 

 

Acabo de ler seu livro e chego à conclusão de que ele – sobralense a valer nestas crônicas, feitas da mesma composição de seu rincão à beira do Acaraú – se nos apresenta o mais cáustico demolidor de fatuidades e carunchadas reputações, e – o incrível – faz tudo isso envolvido do mais puro senso de humor. Sua capacidade de encadear figuras e fatos em sucessão é o mérito maior do criador de tantos personagens divertidos, às vezes, turbulentos, que lembram as excentricidades dos heróis cômicos de Dickens. Não que seus personagens de carne e osso fossem cômicos – mas que assim nos são apresentados – na recriação fabulosa do cronista que une a psicologia ao estilo numa gota de tinta, com veneno e luz, caricatura da vida urbana-cotidiana da pequena cidade de Sobral, do início do século passado. 

 

Sobral é cidade de filhos ilustres – ou que se tornaram interessantes mesmo depois da morte. Terra do filósofo Visconde de Sabóia, Domingos Olímpio, Padre Ibiapina, Dom Jerônimo, Dom José Lourenço, Dom José Tupinambá da Frota, Vicente Loiola, José Sabóia, Cordeiro de Andrade, Deolindo Barreto, que veio de Crateús para viver, lutar e morrer ali. Uma galeria interminável de padres, políticos, jornalistas, escritores e poetas de boa cepa. E tudo começou com uma fazenda de nome Caiçara, de propriedade do Capitão Antônio Rodrigues Magalhães, cujo nome está ligado à história da cidade pela doação feita ao patrimônio da Matriz. 

 

Ao redor da Igreja surgiram as primeiras casas da povoação, quase sempre de tijolos – cobertas de telhas – pertencentes a pessoas de boa linhagem, das quais descende grande parte das famílias sobralenses. Depois do Capitão Antônio Rodrigues Magalhães, outros sesmeiros vieram ali se estabelecer – Manoel Madeira de Matos, Manoel Vaz de Carrasco, pai das sete irmãs, progenitoras das principais famílias do Vale do Acaraú [estabelecido no atual município de Bela Cruz], Jerônimo Machado Freire, Capitão-mor José de Xerez Furna Uchoa, [estabelecido em Bela Cruz, depois em Sobral], Antônio Alves Linhares, Capitão-mor José de Araújo Costa, meu pentavô, português [estabelecido também em Bela Cruz, casado com d. Brites de Vasconcelos, uma das sete irmãs], Ignácio Gomes Parente, Gonçalo Ferreira da Ponte e, logo em seguida, os Frotas, os Coelhos, os Holandas Cavalcantes, os Rodrigues Limas, os Ferreiras Gomes, os Mendes Vasconcelos, os Paulas Pessoas, os Ximenes de Aragão e tantos outros que adquiriram sesmarias no Vale do Acaraú. Vieram das capitanias de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e até mesmo de Portugal. E ali ficaram encantados ou encantoados com as águas do Rio Conoribon, Conoribo, Coruybe, Rio dos Torrões Pretos, Rio das Garças, segundo as diversas denominações que lhe deram seus primitivos habitantes. E foi ali, à beira do rio, que nasceram [viveram suas proezas e escaramuças] as personagens do livro de Lustosa da Costa. 

 

Ao encerrar essa desataviada prosa, quero dizer ao ilustre escritor que tive muito prazer em escrevê-la, assim como também experimentei ao ler o seu livro. E o prazer maior é fechá-la com chave de ouro, lembrando o impávido jornalista Deolindo Barreto: "Conte-se o caso como o caso foi, o cão é cão e o boi é boi". 

 

Vicente Freitas

http://bibliotecalustosadacosta.blog.uol.com.br

 

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Às 20:52 em 6 março 2013, Fernando Araujo Farias disse...

Caro primo Vicente.

Envaidece-me tê-lo por amigo no nosso Café História, uma página quase exclusiva aos que tratam de História. Fique na certeza de que, juntos, muito podemos aditar à Historiografia, não só do Alto, Médio e Baixo Acaraú, mas igualmente aos estudos genealógicos daqueles que, pioneiramente colonizaram e povoaram esta imensa gleba do nosso Siará Grande.

O abraço amigo do velho primo,

Fernando Araújo Farias. 

Às 16:20 em 18 agosto 2011, João Roberto Laque disse...
Olá Vicente:
Também sou jornalista e lido com a História.
A propósito, tenho uma dica interessante:
Um personagem ímpar da história recente do Brasil está fazendo 80 anos.
De presente, ele ganhou uma biografia e está na edição eletrônica da revista Caros Amigos deste mês.
Saiba mais sobre a louca vida de Pedro Lobo de Oliveira acessando:
www.pedroeoslobos.blogspot.com
Às 22:05 em 26 junho 2011, Emanuelle Dalle Vedove disse...
olá. Obrigada por ter me adicionado!
 
 
 

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