
Em 1614, com seis anos de idade, Antônio Vieira vem com a família para o Brasil, destinado à Bahia. Aí, em 1623, no Colégio dos Jesuítas em Salvador, tirou o grau de Mestre em Artes, e entrou no noviciado da Companhia de Jesus com 15 anos. Para afasta-lo da ingerência da família, que não aceitava sua vocação religiosa, Vieira foi transferido para a aldeia do Espírito Santo e lá teve contato pela primeira vae com um povoado indígena, a partir do que tomou consciência da grandiosa missão jesuítica da catequese
Seu talento para a escrita e para a oratória foi logo observado e, em 1626, com apenas 18 anos, foi encarregado de redigir a carta anua. Descreveu os horrores da chegada da armada holandesa. Ao participar desse grave episodio, Vieira viu despertar seu interesse pelos mais altos assuntos do reino. Antes de fazer todos os votos na companhia, em 1634, Vieira já pregava na Bahia, atividade que o tornaria célebre.
Pregava a favor da escravidão africana, aconselhando os negros para que se conformassem com o cativeiro, pois deles seria o reino dos céus, enquanto admoestava os senhores para que tratassem de maneira cristã os cativos. Contraste jesuíta: defesa da escravidão africana X oposição ao cativeiro indígena
No sermão de 20 de janeiro de 1634, dia de São Sebastião, Vieira esboçaria sua face “sebastianista”. Pregando em plena vigência da dominação castelhana (1580-1640), Vieira parecia estimular a esperança de que o rei e a independência do reino fossem recuperados.
A proximidade com o monarca (D. João IV) e o poder que junto a ele granjeou alçaram Vieira ao mundo das cortes e a missões diplomáticas travando contatos com comunidades jesuíticas da Holanda. Reivindicava o perdão geral para os judaizantes portugueses, defendendo a acolhida dos judeus foragidos. Defendeu o caráter profético das trovas, (considerada a bíblia do sebastianismo, espera messiânica de um rei encoberto para a fundação do quinto império do mundo) atribuída ao sapateiro Bandarra, possível cristão-novo processado pelo santo oficio no século XVI. Era favorável a um acordo com os holandeses, o que lhe valeria a acusação de traidor pelos seus numerosos inimigos.
Em 1661 foi expulso do Maranhão e Grão-Pará em razoes das pressões dos senhores locais, defensores implacáveis da escravidão dos nativos. Nesta altura já havia sido processado pelo santo ofício pelo conteúdo de sua carta ao bispo do Japão, com odor de judaísmo e por abusar das sagradas escrituras. Em 1665 foi recolhido ao cárcere e em 1667 condenado a perda de voz ativa e passiva. Também foi processado pela história do futuro, onde levaria as ultimas conseqüências seu projeto messiânico de implantação do quinto império Em 1681 volta ao Brasil, definitivamente. Faleceu com 89 anos, no Colégio em que estudara e começara sua extraordinária vida de intelectual, de pregador e de cidadão do mundo.