Diálogo entre o Bem e o Mal
Bem (normal) Mal (negrito)
- Como vai meu irmão?
- Mal e não poderia estar melhor.
- É eu sei, sinto isso e apesar de estar forte estou em poucas pessoas.
- É claro, essas atitudes que você inspira as pessoas a fazerem, ninguém cai mais nessa!
- Mas esse é o meu papel, sei que é difícil, e p’ra ser sincero aqueles que me aceitam, mesmo que pensem em você, em última, instância, optam por mim...
- Tem um cigarro? (interrompendo o Bem).
- Não.
- Esse papo vai longe!
- mas você sabe que se não fosse eu você não existiria.
- E se não fosse eu, você! Não existiria.
- E se não fosse agente o que seria do homem?
- Está vendo, você sempre preocupado com os outros. Eu por exemplo, não estou nem aí p’ra ninguém, e o que dá audiência na televisão? Tenho até meu jogo bélico, a guerra. E você vez ou outra é mencionado no esporte, como é mesmo... fair play, quem reina sou eu.
- É? Mas quem reproduz o homem é o amor.
- Estupro!
- O carinho materno?
- dinheiro.
- Felicidade?
- Hum!... Deixe-me ver... Dinheiro.
- Essa não! Assim não dá! (indignado).
- Algum palavrão a dizer?
- Não é porque estou indignado que tenho que xingar.
- Mas tente, alivia, e quando uma criança aprende até alegra, - O que a mamãe é? Puta. E o papai? Corno. Que coisa mais linda! – (encenando)
- Olha se não te conhecesse até te acompanharia, mas esse seu poder, sua gloria, tudo especulação, é! É isso mesmo, atrás dessa cara de mau...
-Blá, blá, blá, blá. Olha eu não obrigo ninguém a me usar.
- Você mente!
- Eu existo é para ser usado.
- Você engana, você é tão fraco que uma pessoa em sã consciência, só te usa depois de muita provocação. Quanto à audiência na televisão, você já deixou algum telespectador opinar na programação, nem na guerra te querem.
- Mas eu tenho dinheiro e faço o que quero, têm um cigarro aí?
- Já te disse que não! Eu não fumo. (irritado).
(Mal tirando um cigarro do bolso, faz gesto oferecendo um cigarro para o Bem)
- vai um palavrão ai!? (mal acende um cigarro)
- Já é a segunda vez que me pede um cigarro e digo que não tenho ai você tira um do bolso e acende! Você é um canalha! (já se alterando)
- Calma! (em tom irônico) Olha, assim agente vai acabar nos murros, se bem que hoje em dia tem as armas, é bem menos trabalhoso.
- Sabe, eu não sei por que estou conversando com você.
- Eu sei. Porque não tem nada melhor para fazer, aí vem com essa tal diplomacia.
- É claro, meu caro, temos que conversar para resolver nossas diferenças, chegar a um entendimento...
- Aahhhh! (bocejando) O quê mesmo que você disse?
- Olha, você se aproveita das situações, fala que eu me preocupo com os outros e você fica nessa solidão. Todos os outros sentimentos que nascem de você só querem o seu lugar. Enquanto os meus me divulgam.
- Tal o pai, tal o filho. Isso é para ficar pior, evolucionismo, bons tempos quando tudo era caos, aí veio a luz e estragou o paraíso. Se eu não uso da persuasão onde estaríamos? Eu digo nos dois, eim?
- Não se esqueça que somos abstração. Evolucionismo! Até parece! Confesse que tens medo de ser esquecido, e que eu saia do coração e passe a habitar a razão humana.
- Razão humana! Ora não me faça rir, que eu não gosto, desde quando o homem tem razão? Tu bem sabes que o homem inventa suas próprias razões, para ele nada é absoluto tudo é relativo. O que esperas de um ser que se deixa confundir? E nisso você têm culpa.
- Eu!!?
- É. Você alimenta suas emoções.
- É muito fácil colocar a culpa nos outros e manipular a verdade. Colocando duvidas fazendo com que não acreditem uns nos outros, em seus irmãos.
- Toda mentira têm um pouco de verdade, você não a defende tanto.
- isso por si só já é uma mentira, como pode uma mentira ser composta, mesmo que só com um pouco, de verdade?
Continua...