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Você diz que é ruim meu português,
Eu lhe digo: é verdade seu doutor!
Mas mereço respeito, sim senhor,
Pois meus versos são feitos com honradez
Como disse um poeta, certa vez:
Mesmo errado no escrito, eu reintero:
No sentido é que eu boto todo esmero
Pra que seja entendido no que diz,
Pois, poeta eu o sou porque Deus quis,
E doutor, eu não sou porque não quero!
Oliveira do Cordel
© Direitos Reservados
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Lembranças
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Lembras-se de umas sandálias
Que um dia eu quis te dá?
Comprei-as e estão guardadas
Até que o dia chegar
Pois eu seu que nesse dia
Para nossa alegria
Em teus pés eu vou calçar
Oliveira do Cordel
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O PARTO DA PUTA
Valdemar de Angenor
Cabra decente e honesto
Preservava tais valores
Por ser verdade eu atesto
Mas teve um dia cão
E foi parar na prisão
Por causa de um belo gesto
Quando correu a noticia
Da prisão de Valdemar
Foi tamanha a confusão
Ninguém quis acreditar
Como um homem tão bondoso
Educado e caridoso
Na cadeia foi parar
O Dr. Plínio Sampaio
Ao saber do ocorrido
Ficou tão boquiaberto
E sentiu-se aborrecido
Também não acreditou
Na noticia que chegou
De Valdemar recolhido
Partiu pra delegacia
Ia o caso advogar
E ao chegar lá no Distrito
Do caso foi se inteirar
Indagou ao Delegado
Do que tinha se passado
Com o amigo Valdemar
O sargento Bastião
Delegado da antiga
Relatou ao Dr. Plínio
Que o caso ele investiga
Ia escutar o réu
E que todo esse escarcéu
Foi o parto da rapariga
Dr. Plínio então pediu
Pra falar com Valdemar
O sargento o autorizou
Mandou um cabo o levar
E chegando lá na cela
Vai olhando com cautela
E não quis acreditar
Seu amigo Valdemar
Tava todo estropiado
A roupa toda rasgada
Num corpo todo inchado
Plínio o cumprimentou
Valdemar balbuciou
Apenas, um obrigado.
Me relati o acontecido:
Foi o Dr. lhe falando.
Valdemar disse: pois não.
Ignorância... Engano...
Foi por desentendimento
Desse soldado jumento
Que eu entrei pelo cano
Eu estava passeando
Lá na Praça da Matriz
Quando vi um alvoroço
Bem perto do chafariz
Escutei alguém dizendo
Que ali tava ocorrendo
O parto de uma meretriz
O povo muito assustado
Sem saber o que fazer
Uns dizendo: gente: acode!
“Vamu” a puta socorrer!
Pois então, fui ajuda,
Naquela hora e lugar
A vinda de novo ser.
Uma criança sadia
Mas carente de ajuda
Aquela pobre mulher
Pedido que alguém lhe acuda
Então resolvi lhe dar
Uns panos pra se limpar
E umas fraldas pra muda
Fui até o armazém
E logo, um lençol comprei,
Mais um pacote de fraudas
No bebe, também pensei,
Mas naquela confusão
Eu corri na contramão
Quando o soldado encontrei
Ele me viu com o pacote
E porque eu tava correndo
Segurou na minha mão
E foi me repreendendo
E daí me perguntou
Para onde é que vou
O que quero e o que pretendo
Eu então lhe respondi,
De certo, modo gentil.
Que ia ajudar alguém
Mas ele ficou hostil
Então eu disse: esse pacote
E o lençol é um dote
E vai pra puta que pariu.
E nisso não vi mais nada
Com a pancada que levei
Ainda tentei levantar
Mas, em pensamento, eu sei.
E essa calça cagada,
E a minha cabeça inchada
Só senti quando acordei.
Oliveira do Cordel
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Não é seca que atrasa meu nordeste
Pois pra seca também há solução
Na verdade o que falta é instrução
Sem alguém duvidar que faça um teste
Falta d´água só serve como veste
Ao poder que impera e é veterano
É por isso que afirmo e não me engano
Educando e mostrando a verdade
No Brasil não terá desigualdade
Nos dez pés do Martelo Alagoano
Oliveira do Cordel
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Um anu na sombra do avelóz,
Um riacho, de seco, pede água,
E ao som de um chocalho, que é só mágoa
Uma cabra, de sede, perde a voz.
Sobre um sol causticante e tão feroz,
O calango veloz, hoje rasteja
Sobre o som de um hino na igreja
Numa prece pra chuva que falseia...
Só quem é inspirado paisageia
Vislumbrando a paisagem sertaneja.
Oliveira do Cordel
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A Memória que me contam - 2013
Entrou em cartaz o novo filme da diretora brasileira, Lúcia Murat, o drama "A Memória que me contam".
A ex-guerrilhera Ana (Simone Spoladore), ícone do movimento de esquerda, é o último elo entre um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar no Brasil. Com a iminente morte da amiga, eles se reencontram na sala de espera de um hospital. Entre eles está Irene (Irene Ravache), uma diretora de cinema que sente-se perdida diante da iminente morte da amiga e que precisa ainda lidar com a inesperada prisão de Paolo (Franco Nero), seu marido, acusado de ter matado duas pessoas em um atentado terrorista ocorrido décadas atrás na Itália.
© 2013 Criado por Bruno Leal.
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