LENALDA LIMA CAMPOS
Uma enfermeira capelense no Teatro de Operações na Itália
LUIZ RICARDO LEITE DOS SANTOS
O mês de agosto de 1945 marcou o regressou dos nossos combatentes da Segunda Guerra Mundial. O dia 18 foi uma data que entrou para história. Há 64 anos, a praça Fausto Cardoso ficou pequena diante da multidão que ansiosamente aguardava a comitiva de recepção, formada por militares e civis. Estes traziam de Lagarto, uma pessoa muito especial, Lenalda Lima Campos.
Ao leitor, este parece ser um nome comum. Entretanto, a coragem o distingue da maioria das pessoas. Lenalda, nascida em Capela no dia 09 de março de 1922, inscreveu-se no curso de Voluntária Socorrista na Cruz Vermelha do Brasil, em Aracaju. Apresentou-se como voluntária para a FEB, recebendo instruções no Exército no estado da Bahia. Após os primeiros contatos com a vida militar, Lenalda Campos partiu para o Rio Grande do Norte em busca de capacitação. Chegando lá, dirigiu-se para a base aérea de Parnamirim, na cidade de Natal, onde fez o curso de especialização de Enfermagem em Transporte Aéreo, recebendo a patente de tenente-enfermeira. A delicadeza dá lugar à força e determinação das mulheres brasileiras ansiosas para cumprirem com seu dever cívico. As enfermeiras, neste momento, são a representação do orgulho feminino estampado em todas as mulheres desse imenso país.
De todas as corajosas enfermeiras que foram voluntárias, 67 ao todo, apenas três eram sergipanas, Jane Simões, Isabel Novais e Lenalda Campos, sendo que das seis que eram especialistas no transporte aéreo de feridos, Lenalda era uma delas.
O objetivo deste texto é homenagear todas as mulheres brasileiras que tiveram a coragem de ajudar aos feridos do maior evento bélico do século XX, principalmente porque temos o hábito de esquecer de citar, nos acontecimentos históricos, alguns personagens importantes. Neste caso, as enfermeiras merecem todo o nosso aplauso.
Um bom exemplo, da valorização do papel da mulher, foi dado pelo governo britânico, que, ao fim da guerra, ergueu um monumento em homenagem às mulheres que lutaram bravamente por um ideal, a ajuda ao próximo. A Inglaterra sobre valorizar a memória daquelas que correram o risco para salvar vidas, com um marco que sempre lembrará as pessoas que passarem por aquele local, da importância da participação feminina naquele conflito. Aqui no Brasil a coisa foi um pouco diferente. Houve homenagens por toda a parte, mas poucas pessoas, hoje em dia, sabem do papel que as nossas enfermeiras desempenharam naquela época. Por isso, acreditamos que homenageando a Lenalda, estamos também prestando um agradecimento a todas aquelas que tiveram a coragem de participar da 2ª Guerra Mundial.
Em seu discurso de agradecimento, Lenalda pronunciou as seguintes palavras: Brasileiros: o que essa tremenda guerra representou para a gloriosa F.E.B. poderá ser dito neste verso de Olavo Bilac: “Foi uma porta de ouro para a glória”. Eu vos agradeço esta homenagem com um abraço fraternal e com o VIVA O BRASIL!
Lenalda Lima Campos, em função do seu gesto de desprendimento e coragem, não em matar, não em vencer uma batalha, mas, sobretudo, em lutar pela vida, deve ser (re)conhecida por todos os estudantes, pelas “autoridades”, enfim pela sociedade, como uma mulher que deu o exemplo e, por isso, deve ser lembrada como uma grande heroína, uma mulher a frente do seu tempo, que rompeu a veia do preconceito, sobretudo, por viver em um período onde o homem era quem ditava as regras sociais.
Lenalda faleceu no ano de 2005, na cidade do Rio de Janeiro onde residia.