Krishnamurti Góes dos Anjos
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Sobre mim
Escritor e pesquisador de temas relacionados a História
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Pesquisador
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Graduando
Estado
Bahia
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Salvador

NOTÍCIAS SOBRE UM ROMANCE PREMIADO

 

Amigos do CAFÉ HISTÓRIA. Compartilho a notícia abaixo e envio para aqueles se interessarem. Meu último livro o Romance O Touro do Rebanho - Memória da Sedição dos Alfaiates de 1798 na Bahia onde se deduz as elementares razões para a pena de enforcamento e esquartejamento de quatro pobres homens do povo, proferida por uma corte de magistrados devassa e corrupta. Editado pela Chiado Editora de Lisboa, foi o vencedor do prêmio Internacional José de Alencar da União Brasileira de Escritores/RJ em 2014.

Baseando-se em documentos reais nunca publicados, a obra (que me tomou oito anos de pesquisas no Brasil e em Portugal), mostra como a Relação da Bahia, concebida para ser a mais alta corte que se poderia recorrer no Brasil, e que julgou os réus acusados da sedição de 1798, chega ao final do século XVIII em um estado de corrupção moral tamanha, que recebeu viva repreensão do próprio Conselho Ultramarino de Lisboa. Prova a existência de um plano do chefe da Divisão das Armadas Navais da República Francesa para o apoio militar que aquela nação daria à Conjuração Baiana e finalmente, aponta para os fortes indícios da participação de elementos ligados à Conjuração mineira de 1789, na conjuração baiana, sugerindo articulações políticas entre esses movimentos pela Independência do Brasil. 365p Impresso em Lisboa. R$ 40,00 (com frete incluso- em todo o Brasil), e devidamente autografado. 

LADRÃO QUE ROUBA LADRÃO

A PATIFARIA NA VENDA DE 934 ESCRAVOS ROUBADOS EM SALVADOR EM 1806

Com o fito de proporcionar uma perspectiva de compreensão mais abrangente deste repulsivo episódio pouco estudado pela historiografia e que está inserido em uma delicada conjuntura do início do século XIX, teceremos algumas considerações preliminares à um ofício datado de 23 de maio de 1806, e assinado por João Saldanha de Mello e Torres (1773-1809)  6º conde da Ponte e governador da província da Bahia de então.

O século XIX desponta com o dissabor da humanidade européia que ao invés de emergir de séculos de obscurantismo e ignorância para uma nova era iluminada pela razão, a ciência e o respeito à humanidade, mergulhava em um clima de apreensões e incertezas em decorrências das guerras napoleônicas (1799-1815), pós revolução francesa (1789) que afinal, constituíam-se no grande tabuleiro de disputa da hegemonia das grandes potências européias da época, Inglaterra, França, e respectivos aliados de ocasião.

            Portugal a princípio manteve-se numa posição de expectativa perante os sucessos da revolução. Posteriormente, em uma das coligações contra a França, conjugou seus interesses com os da Espanha participando da desastrosa campanha do Rossilhão (1793), que além de pesadas baixas em suas tropas, levaria a coroa ao endividamento do erário pela emissão de empréstimos, resultando num período de humilhantes dependências.

            No decorrer do tempo, a tradicional política portuguesa de neutralidade acabou por ser atropelada pelos conflitos que se generalizavam em meio a acordos secretos entre estados, duplicidade de apoios, e toda sorte de trapalhadas.

            O calvário da política externa portuguesa oscilava entre duas vias-crúcis: os ingleses por um lado exigindo ajuda na guerra naval e a manutenção dos privilégios de comércio e navegação, por outro os franceses, aliados dos espanhóis (aliados a certa altura do desenrolar dos conflitos), forcejando pelo fim das vantagens concedidas à Inglaterra e, adotando vários atos de hostilidade – entre eles o apressamento de navios no atlântico – sem, contudo, admitir formalmente a guerra. Eis resumidamente o cenário que se desenhava no início do ano de 1806.

Agora sim, com a palavra, o conde da Ponte:

 “– Ilmº e Exmº. Sr. – Talvez que V. Ex. não tenha ainda acabado de ler o ofício que lhe dirigi à saída da esquadra Francesa, comandada pelo contra-almirante Willaumés, quando neste sou obrigado novamente a dar parte a V.Ex., para que ponha na presença de Sua Alteza Real, que no dia 28 de abril passado se avistou e entrou neste porto a divisão francesa de uma nau de 74, (número de canhões de que era provida)  2 fragatas de 44, e 3 corvetas, comandadas pelo capitão de mar e guerra L´Hermitte, que saíram de l´Orient no mês de outubro, e tem cruzado efetivamente as costas da d´África, fazendo muitas, e importantes presas; esta pequena divisão tem causado maior incômodo, e motivado maiores questões [...] logo veio à terra um oficial saudar-me da parte de seu comandante, e anunciar a sua visita no dia seguinte a horas que eu fixasse, que foi a do meio dia.

Nesta primeira entrevista do dia 29 me fez o comandante duas representações; 1ª que trazia dois navios que pertenciam ao império, e que pela pouca gente que tinha, não podia continuar a sua expedição, conservando-os na divisão, requerendo-me em nome de S.M. o vendê-los neste porto”.  O conde da Ponte após consultar a legislação pertinente ao caso, respondeu ao comandante da esquadra que era “inteiramente contrário às leis portuguesas o consentimento da venda de presas, feitas a uma nação nossa aliada (Inglaterra), e que posto que ele me asseverava que estavam a serviço do império, contudo eu não podia considerar senão como presas, e mesmo que não o fossem, nas nossas colônias não era permitida a venda de embarcações estrangeiras”.

A segunda representação feita pelo comandante francês: “que tinha pretos, cuja venda lhe era indispensável para poder suprir as grandes despesas, que era obrigado a fornecer à divisão, que havia mais de 6 meses não tinha refrescado em porto algum”. Bom, aí a coisa  mudava de figura. O conde respondeu que “a lei o permitia, visto ser fazenda pertencente àquelas embarcações, que precisando de socorros, não tinham dinheiros com que satisfizessem as suas despesas, não me competindo a averiguação de onde eram provenientes tais efeitos”.  Mas com uma ressalva: “pagariam direitos dobrados, e que nessa conformidade eu lhe mandaria a bordo negociantes capazes de tratarem esta negociação”, ao que o comandante francês cedeu “com alguma repugnância sobre a venda das embarcações, e se dispõe à venda dos escravos, observando contudo, que devemos só ficar sujeitos aos direitos simples, pretendendo esta distinção para navios de guerra”.

Afinal, o governador “convenceu” três negociantes “que foram Antonio da Silva Lisboa, que constituí caixa da negociação, por ser negociante inteligente das línguas, prático dos costumes mercantis em toda a Europa, e ornado de qualidades que o distinguem da classe dos simples negociantes. Francisco Dias Coelho e Manoel José de Mello”. O cálculo da venda dos escravos: Eram 934 escravos, e importou a sua venda em 56:040$000 (lê-se cinqüenta e seis contos e quarenta mil réis), por ser cada um deles ajustado por 60$000 rs”.    

Os comerciantes nativos ao longo de suas bem sucedidas carreiras buscavam o reconhecimento da sociedade, vivendo os ritos da nobreza, almejando títulos honoríficos, galgando o status de nobres coloniais. Não parece exagero afirmar que a ligação entre os traficantes (leia-se comerciantes que muitos o eram), visava atender não só aos interesses do grupo mercantil como também da elite administrativa, da qual alguns faziam parte. Devido à altíssima rentabilidade de seus empreendimentos, podiam oferecer ao “governo provincial” oportunidades de negócios e vultosos empréstimos nunca saldados. Ademais acrescento que a corrupção também tem uma história, e a fronteira entre as ações julgadas lícitas ou ilícitas sempre se deslocaram ao sabor das conveniências. Pouco antes da visita dessa esquadra francesa, outras duas, uma inglesa e outra francesa aportaram em Salvador, e valeram-se dos comerciantes, com “a quantia precisa, que seria emprestada com o prêmio de 20%[...] passando-se letras sobre o tesouro do império”.

 Katia Mattoso empreendeu estudo da flutuação do preço médio dos escravos no período, obtendo os seguintes dados: Ano de 1800 preço médio de 150$000 rs. e em 1810 atinge R$ 175$000 rs. Ou seja, lucro líquido por cabeça de mais de 150%.

E ainda outra surpresa desagradabilíssima para o conde da Ponte: “No dia 1º me constou pelo provedor da casa da moeda, que o comissário [dos franceses] fazia diligencias para fundir barras de ouro que traziam, e lhe foi respondido pelo mesmo provedor, que qualquer negociação com estrangeiros só se tratava por ordens, e disposição do governo”.

Até que afinal, mesmo sem terem os franceses partido, o ofício é enviado à Lisboa com a seguinte conclusão: “No dia 20 começou com efeito o mau tempo que esperava e receava, e no dia 21 veio o comandante a palácio quase assegurar-me, que no sábado se fazia à vela, e como nesse mesmo dia deve partir este navio, concluo este ofício até o dia de hoje, devendo instruir a V.Ex. do mais que ocorrer até esse dia, pelo primeiro navio que seguir viagem, logo que esta divisão tiver saído. Deus guarde a V.Ex., 23 de maio de 1806 – Ilmº e Exmº. Sr. Visconde de Anadia. – Conde da ponte”.

Primeiro roubaram as vidas de 934 seres humanos arrancados à força de suas terras na África. Em seguida essa “fazenda pertencentes às embarcações” é furtada aos traficantes por franceses – não é crível que navios de guerra andassem superlotados de escravos como simples moeda de troca – para afinal serem vendidos em uma transação espúria que favorecia, sobretudo aos homens de negócio da Bahia, ressalvado claro “a segurança dos reais direitos portugueses, que, a 20$000 rs. por cabeça, excedem a quantia de 18:000$000 rs., o ficarem pagos sem risco da fazenda, e vexame do povo os gêneros, de que indispensavelmente deviam ser supridos, e o aumento dos braços para agricultura da colônia, por menor preço à favor dos lavradores, e sempre com vantagem para os negociantes, que compraram,”. Uma patifaria. É o termo que melhor se ajusta ao episódio.

“Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”, é frase atribuída a Sir Francis Drake (1541-1596), um grande pirata – ladrão -  a serviço dos ingleses. Infelizmente ainda pesa desonestamente e globalmente no inconsciente coletivo esta máxima da estupidez humana, sobretudo dos menos éticos, e dá margem a uma atualíssima e triste paráfrase do dito do pirata: ladrão que rouba ladrão tem tido ao longo do tempo, uma infinidade de seguidores.

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Às 12:10 em 28 setembro 2015, Gaze Aidar disse...

Amigo Krishnamurti, gostei do seu blog, sensacional...

Às 12:08 em 28 setembro 2015, Gaze Aidar disse...

Eu acho que historiar assunto esgotado e desgastante, seria melhor algo inovador que aproxima o homem com a nova mudança social seja continental ou global.

Às 18:56 em 16 agosto 2015, horacio menezes gomes disse...

Boa noite! Gostaria, de saber o que vc acha  de eu fazer minha iniciação científica sobre a historiografia brasileira.Abordar sobre os historiadores do século XX, no que se trata do assunto: Democracia Racial. Seria legal? O que vc acha como historiador? Ou você poderia me indicar algum assunto voltado para historiografia brasileira. Agradecido pela atenção. Horácio Menezes 

Às 22:58 em 9 março 2015, SERGIO ROBERTO disse...

Krishnamurti, eu ja te adicionei como amigo, será um prazer ter a sua amizade

 
 
 

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