DISCURSO: MESTRADO, UMA OPORTUNIDADE PARA TODOS
*Francielle Rodrigues
Diante das transformações que a sociedade contemporânea tem vivenciado ultimamente, faz-se necessário uma política educacional continuada, visto que, com o aparecimento das inovações tecnológicas como por exemplo, introdução das novas linguagens e abordagens na comunicação, seja no campo visual ou escrita, resta ao profissional de diferentes áreas do conhecimento, a persistência de uma Educação que lhe permita dar continuidade em nível de mestrado.
Assim, projetos acadêmicos voltados para oportunizar maior numero de profissionais da Educação excluídos de programas de pós-graduação Stricto Sensu são muito bem vindos, pois vão favorecer melhoria na qualidade do ensino e da pesquisa. O fomento das novas metodologias na educação precisam ser popularizadas de modo a proporcionar acesso a democratização de uma atualização e aperfeiçoamento profissional dos educadores envolvidos.
Algumas iniciativas surgidas na primeira década deste século, no campo da Educação a Distancia nos têm revelado uma procura considerável, sobretudo, de docentes da Rede Pública de Ensino, que por diversos motivos são impedidos de deixarem seus domicílios de origem para freqüentarem um mestrado noutra região. O que leva um aumento de uma demanda reprimida que aguarda uma oportunidade de também virem fazer seu mestrado.
O próprio sistema de comunicações online, tão comumente utilizados por usuários no mundo inteiro em diferentes redes sociais da internet, se tornam um instrumento eficaz para que novas bases, não deixam de constituir uma retomada das propostas produzidas ainda no final do século passado. Aqui conserva sua característica fundamental: análise da educação dissociada dos determinantes histórico-sociais. Portanto, marcadamente neotecnicista, do gerenciamento da educação a partir de competências, passando pela aposta nos materiais ditos "auto-instrucionais", até as alternativas de uma sociedade sem escolas.
A novidade consiste nos discursos mais elaborados, sob os diversos pontos de vista, assim como ágeis na conquista de materialidade. Assim, nas relações entre discurso e mudança social, a comodificação do discurso educacional ultrapassa os limes da dimensão simbólica e instaura, a sobremercantilização da educação: os cursos como pacotes e a prestação de serviços educacionais. Ou, de outro lado, o campo da ideologia teria sido reconfigurado para promover as condições favoráveis às mudanças pretendidas.
De qualquer forma, as relações entre discurso e a mudança social precisam ser objeto de análise política, de modo a dar conta de novos clichês que, circulando, contribuem para a produção de um imaginário coletivo o qual faz com que uma interpretação particular surja como necessária, ao sustentar a legitimação e a fixação de sentidos hegemônicos. Vale ressaltar que, do ponto de vista discursivo, ideologia corresponde a hegemonia de sentido. Nessa direção, o hegemônico aponta para o primado da dimensão técnica, apagando as questões de fundo, pois em se tratando da sua incorporação educacional, parece não haver espaço para a análise dos seus modos e sentidos.
Numa perspectiva maniqueísta de "plugados ou perdidos", as discussões podem ser realizadas a partir de questões como as diferenças entre aprendizagem cooperativa e colaborativa, ou entre construtivismo e construcionismo, dentro dos limites da esfera pedagógica, sem remeter às suas dimensões econômicas, políticas e sociais.
Neste sentido, é relevante verificar a afirmação de um "novo paradigma", recorrente no site do MEC, ou paradigma emergente, em geral associado ao afastamento das objetivações supostamente marcadas segundo Morin pela simplicidade, em direção à complexidade (1998). É inegável a hegemonia do movimento de virtualização do ensino, na perspectiva de learning, cuja tradução mais comum tem sido "educação a distância via Internet" forma de aprendizagem pela qual a mediação tecnológica é destacada, nos mais diversos "ambientes de aprendizagem".
Sem querer entrar no mérito da polissemia desta expressão, é importante destacar que ela deixa de contemplar o ensino, concentrando-se no segundo elemento do par: a aprendizagem. É rompida a unidade ensino-aprendizagem, que tem dado sustentação aos mais diversos estudos acerca das práticas educativas, supondo a aprendizagem sem ensino. Em qualquer da hipótese, essa quebra não pode ser desvinculada do "novo lugar" do professor, na condição de profissional do ensino.
Sobre esses clichês em circulação, cabe dizer que é possível verificar um deslocamento significativo de "não se aprende apenas na escola" para "não se aprende na escola", na medida em que remete à tendência de desterritorialização da escola. Não apenas toda a ênfase está sendo colocada nos ambientes de aprendizagem, mas os textos atuais já contemplam profissionais da educação, materializadas nas expressões "educação acadêmica" e/ou "corporativa".
Retomando a analise do discurso deste conjunto de reflexões, é possível afirmar que a dita "desterritorialização" proposta não pode ser pensada fora dos parâmetros mercadológicos e do pressuposto de que a escola deva romper com a sua forma histórica presente de modo a fazer frente aos desafios da globalização. Descartando esta lógica, o desafio maior é o enfrentamento da tentativa de ocultamento dos determinantes históricos e sociais da escola.
Por fim o que está em debate não é só o discurso competente: Mas como diria a filosofa Marilena Chaui é "Aquele que pode ser proferido, ouvido e aceito como verdadeiro ou autorizado porque perdeu os laços com o lugar e o tempo de sua origem" (1989). Essas e entre outras questões, nos conduz a reflexão quanto a redução das EADs, como forma material da comodificação. São esses embates contemporâneos entre a proposta de educação como mercadoria e a sua defesa como direito e prática emancipatórias, que acreditamos que necessitam maiores atenções.
*Francielle Rodrigues, natural do Paraná, responde pela Coordenação do Mestrado, FATEFFIR - Faculdade de Teologia e Filosofia Fides Reformata - Pólo Regional de Rondonópolis-MT. Email: francielle.rodrigues65@yahoo.com
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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