Cinara Lobo
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Sobre mim
Doutora em Sociologia pela UNB. Jornalista por profissão. Marco Teórico: Nobert Elias, Max Weber e Foucault.
Atividade profissional
Pesquisador, Jornalista
Formação
Doutor
Estado
DF
Cidade
Brasília
Site \ twitter \ blog
http://sexoamorcasamento.blogspot.com/

Do amor clandestino ao amor civilizado


“Quando uma relação de amor se encontra no seu apogeu, não há margem para qualquer interesse no mundo circundante; o par de amantes é suficiente em si e para si mesmo, não necessita sequer do filho que têm em comum para fazê-los felizes”, sentencia Freud em O Mal- Estar na Civilização. Para ele, nenhuma civilização é possível sem um mínimo de repressão dos instintos sexuais primários, mas nessa obra Freud acrescenta mais um problema a ser investigado. Não é apenas a busca ilimitada pelo prazer que é impossível na cultura civilizada, também a satisfação de Eros, a plena identidade entre os indivíduos. Levado ao seu extremo, a união dos amantes não contribui para a reprodução da sociedade, pois o casal não tem necessidade sequer do filho para completá-lo. Assim, a cultura leva inevitavelmente à repressão sexual, mas também dos laços emocionais extremos. O indivíduo se disciplina não apenas em seus impulsos sexuais, mas o desejo para amar, odiar, alegrar-se ou entristecer-se.

Freud não fundamentou empiricamente suas afirmações e categorias de análise: ego, id e superego. Podemos dizer, sem sermos injustos, que foi Nobert Elias, em O Processo Civilizador, que construiu uma fundamentação histórica para essas categorias, demonstrando de que forma a sociedade caminhou para maior controle do indivíduo sobre suas pulsões, instintos e sentimentos. No entanto, as descrições históricas de Nobert Elias concentraram-se principalmente sobre como o indivíduo moderno civilizado modificou seus hábitos alimentares e fisiológicos, refreou a expressão de suas vontades primárias, adquiriu um controle automático sobre sua conduta. Os dados empíricos que ele levanta se limitam a descrever mudanças nas normas de condutas sociais. Sua narrativa não aprofunda como o mesmo processo disciplinar aconteceu em relação aos sentimentos.

Nobert Elias diz que o amor é uma sublimação de instintos primários, que passa a existir no momento em que as vontades sexuais em relação ao outro não podem ser imediatamente satisfeitas. Na Idade Média, os cavaleiros tinham menor controle sobre suas paixões e podiam expressar abertamente seus impulsos violentos e sentimentos de alegria e dor. A interdependência na sociedade da corte européia levou o indivíduo a maior vigilância sobre sua conduta. O campo de batalha foi transportado para dentro do indivíduo:

“Parte das tensões e paixões que antes eram liberadas diretamente na luta de um homem com outro terá agora que ser elaborada no interior do ser humano. As limitações mais pacíficas a ele impostas por suas relações com outros homens espelham-se dentro dele; um padrão individualizado de hábitos semi-automáticos se estabeleceu e consolidou nele, um “superego” específico que se esforça por controlar ou suprimir-lhe as emoções de conformidade com a estrutura social” (Nobert Elias, O Processo Civilizador, vl 2, pag. 203).

Embora enunciado por Nobert Elias, o processo de repressão dos sentimentos, de autocontrole automático sobre as paixões não está historicamente descrito. É preciso narrar o processo pelo qual o amor deixa de ser clandestino e torna-se um sentimento bem comportado no seio da família nuclear burguesa.

Nos primeiros anos do cristianismo, o sentimento entre homem e mulher não era abençoado pela Igreja e até mesmo o casamento era considerado uma forma de adultério. Não constituía um caminho para a vida cristã e, por essa razão, não era um sacramento. O cristão a ser agraciado com a salvação era aquele capaz de renunciar completamente ao mundo. Como a castidade era uma qualidade de alguns poucos eleitos, a Igreja não exercia controle rigoroso sobre o comportamento de seus fiéis e sacerdotes. O celibato figurava como ideal somente para aqueles que se entregassem completamente a vida cristã e que fossem abençoados por Deus. Sozinho, por seus próprios meios, o homem não conseguia renunciar aos prazeres do mundo:

“Quem deseja ser casto, deve recorrer ao Senhor e instar-lhe fervorosamente em oração, para que se digne de conceder-lhe esta mercê; porque se ele liberalmente lha não der, de nada lhe servirão todos os arbítrios para a conseguir (A mocidade enganada, desenganada: (...), Manoel Conciencia, Officina Augustiniana, Lisboa, 1730).

A partir de Gregório VII, a Igreja passa a defender o celibato para os sacerdotes e o casamento como uma concessão para o homem comum. Todos devem buscar uma vida casta e moderada. O casamento torna-se o espaço onde a relação sexual pode se realizar desde que observada uma série de prescrições: não ser parente até o quarto grau, respeitar os dias santos... A partir do momento em que o casamento se torna um sacramento, ele se legitima por outras razões que não apenas aquelas de interesse econômico: precisa contar com o consentimento mútuo, tem por fim a criação e educação dos filhos e estar baseado no sentimento de solidariedade e ajuda mútua. São conteúdos que dão ao casamento uma santificação, que até então não possuía. Não é o amor o sentimento básico do casamento no final da Idade Média, mas sim o sentimento de caridade. Mas é o início de um processo para tornar um sentimento que tinha sido sempre clandestino, conforme descrevi em outros posts, para ser o que legitimará a união do casal.

No entanto, a extensão do celibato para todos os membros da Igreja e do casamento como um celibato de menor grau a todos os laicos é lento e sofre fortes críticas e protestos mesmo dentro dos quadros da Igreja. A sociedade da corte ainda é muito libertina e os nobres colocarão forte resistência a regulação da Igreja Católica sobre o casamento, principalmente, porque interferia nos seus interesses de transmissão de herança.

Maior controle sobre as pulsões sexuais e o casamento como devendo ser acompanhado de um sentimento e não apenas de cálculos utilitários é resultado de uma cultura protestante burguesa que irá ascender na Europa e que busca se distanciar dos nobres em seu estilo de vida. Também decorre de maior liberdade que o indivíduo moderno adquire para a construção de sua identidade. O sentimento de amor está relacionado ao processo de individuação, pois significa o aproximar-se do outro por afinidades (valores, condutas, padrões estéticos e ideais) e não em resposta aos interesses familiares.

É essa narrativa histórica, descrita aqui de forma muito fragmentada e resumida, que é preciso ser feita dando conta do processo pelo qual a formação da sociedade moderna também foi acompanhada pela repressão dos sentimentos e da sua condução para a forma bem comportada do casamento.

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Às 10:38 em 6 junho 2010, Jorge Carvalho do Nascimento disse...
Cinara:

Você tem razão. O Vermelho e o Negro é uma excelente reflexão sobre os costumes da sociedade européia do século XVIII, também observados por Nobert Elias. Nessa mesma direção me agradam muitísimo as reflexões de Erasmo de Roterdã, que foram explicitamente assumidas por Norbert Elias, referentes a um período anterior aos anos 700, presentes no livro de Erasmo CIVILITATE MORUM PUERILIUM ou DA CIVILIDADE DAS CRIANÇAS.
Às 8:46 em 25 maio 2010, JORGE LUIZ ALVES GONÇALVES disse...
É um prazer ser seu amigo, gostaria de aproveitar e convida-la para seguir o meu blog, http://aprendizalves.blogspot.com , sera uma grande honra contar com vc.

Uma boa semana
Às 22:07 em 23 maio 2010, Jorge Carvalho do Nascimento disse...
Bem vinda ao grupo Norbert Elias... Contamos com a sua colaboração....
 
 
 

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Somos tão jovens

Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.

Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

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