
A História na América Latina
JURANDIR MALERBA
Por Bruno Leal
Lançado recentemente pelo simpático selo editorial "FGV de Bolso", da Fundação Getúlio Vargas, o livro "A História na América Latina - Ensaio de crítica historiográfica" vem ajudar a preencher uma lacuna no mercado editorial brasileiro na área de história. O livro tem o objetivo nada fácil de discutir o desenvolvimento da disciplina histórica desde a ruptura epistemológica ocorrida na década de 1960 até os dias atuais, quando os efeitos daquela ruptura ainda são plenamente sentidos. Nas prateleiras destinadas à história, o Brasil ainda carece de obras que reflitam sobre o pensar história no continente, ao invés de vir a reboque apenas das historiografias produzidas dos grandes centros hegemônicos de poder. Assim, a FGV acerta em cheio com a publicação, que chega em ótima hora, afinal de contas nunca os cursos de História no país foram tão procurados.
“A História na América Latina” é escrito por Jurandir Malerba, escritor e ensaísta, professor e pesquisador da PUC do Rio Grande do Sul. Malerba também é membro do Café História. (Clique
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O primeiro passo de Malerba é uma introdução aprofundada. Nela, o autor discute, sobretudo, a importância do marxismo para o desenvolvimento de uma historiografia latina, ancorada em problemas e questões indissociáveis do contexto sócio-político em que se encontrava nas décadas de 1960 e 1970. “Talvez o maior dos grandes paradigmas historiográficos contemporâneos, o marxismo floresceu na América Latina na segunda metade do século XX, alterando profundamente o percurso da historiografia que então se praticava na região. Com sua difusão, populariza-se uma nova modalidade de escrita histórica de caráter estrutural, científica e objetiva que, superando a narrativa linear dos grandes indivíduos e fatos históricos, ambiciona oferecer um visão global da formação histórica dos povos latino-americanos, com ênfase em sua dimensão econômica e social”, diz Malerba.
O eixo do livro gira em torno de dois momentos históricos distintos. O primeiro cobre as décadas de 1970 e 1980 (capítulo 1) e dedica a atenção às históricas econômica e social. O segundo as décadas de 1980 e 1990 (capítulo 2) e problematiza a hegemonia da nova história política e da nova história cultural. Uma conclusão a que o leitor do livro pode chegar é que, com as diversidades de modelos e diálogos, a história na América Latina realmente conseguiu ver-se livre das antigas amarras limitadoras, de seus projetos totalizantes, disciplinares e principalmente, holísticos. Mas há problemas também nesse horizonte. O autor pondera que nossa historiografia poderia ter produzido nessas últimas quatro décadas muita coisa nova, mas devido a uma série de contingências e escolhas, optou-se por uma acomodação conservadora. O mundo se tornou mais complexo e, segundo o autor, é preciso acompanhá-lo. Ma o livro não termina com uma constatação melancólica. Pelo contrário, ele reforça a necessidade de seqüência de novos trabalhos, de novos esforços no campo da teoria social para que cada vez mais novos autores e trabalhos de fôlegos da historiografia brasileira sejam alçados no debate internacional, como nos últimos anos, já vem ocorrendo. O Café história faz coro a esse desejo e parabeniza o amigo Jurandir pelo ótimo trabalho e pela grande contribuição a nossos bolsos.
Páginas: 146
Preço encontrado: R$ 17,00
Editora: FGV Editora / FGV de Bolso (Série História)
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O lançamento está marcado para o próximo sábado, dia 24/10, das 15 às 17h30, na livraria Martins Fontes, em SP, localizada à avenida Paulista, 509, próximo à estação Brigadeiro, do Metrô). Será um prazer conhecê-los.
Mais informações sobre o livro está num post que coloquei no meu blog aqui no Café HIstória
Abraços
QUE ABRE A IMAGINAÇÃO DO LEITOR
Mais um gol marcado pelo Café História.
Um abraço.
Eis uma òtima dica para quem quer conhecer José de Alencar como homem no seu tempo: escritor, crítico literário, jornalista, político...
Lira Neto consegue revelar para o leitor detalhes que mostra facetas inusitadas da vida de José de Alencar, após consultas em vários documentos do século XIX, alguns deles ainda não considerados por pesquisadores.
Uma oportunidade do leitor (re) conhecer em Alencar como homem ousado, contraditório que compra briga até com o imperador.
Tudo isso, numa narrativa gostosa de ler dando a biografia um sabor de romance, pondo a par da vida do biografado no percurso histórico em que viveu.
Vale a pena conferir a história de Alencar sob o olhar de Lira Neto.
Legal!