Página de Admario da Rosa Machado

Informações do Perfil

Sobre mim
Fui professor e hoje estou aposentado.
Estamos pesquisando sobre a genealogia de todos meus ramos familiares e descobri coisas lindas como ser primo do compositor Noel Rosa (O Poeta da Vila), descendente do Imperador Carlos Magno, do general romano Marco Antonio, de S Jose de Arimatéia, etc.
Moro em duas vilas fluminenses: Praia de Provetá (Ilha Grande, Angra dos Reis) e Rio das Flores (onde foi batizado Santos Dumont, o Pai da Aviação).
Adoro fazer pps mas ainda estou engatinhando nessa arte e aceito ajuda de todos (que tiverem paciência!).
Um grande abraço e minha amizade.
Admário
Atividade profissional
Historiador, Professor, Pesquisador
Formação
Pós-Graduado (L.Sensu)
Cidade
Rio das Flores

A Saga de meus 13º avós JOÃO GARCIA PEREIRA e IZABEL PEREIRA ROXO

Donde eu vim.
João Garcia Pereira. Teve um começo de vida bastante agitado, por virtude do qual, mais de que por ânsia de fortuna, veio parar aos Açores. Merece contar-se essa história. Foi um romance.
Achava-se João Garcia Pereira na corte, encetando carreira. Na casa de El-Rei desempenhava as obrigações adstritas à elevada hierarquia que o honorificava, com a mesma solicitude e fidelidade que sempre usaram seus avós. Mas, verdadeiramente, o que o trazia preso na capital eram os belos olhos de sua prima Izabel Pereira, filha de Gaspar Pereira Roxo, cuja morada, centro de fidalgo ajuntamento, ele freqüentava amiúde.
Muito arrebatado de gênio. Certo dia, o sangue referveu-Ihe inopinadamente, ao surpreender os galanteios de outro moço perante lzabel Pereira, a sua amada. Acercou-se. O olhar fuzilou-lhe com a ironia dum remoque. Esfuziaram as frases agressivas, aguçadas e breves, despedidas meio ocultamente; arremessaram-se ameaças.
Momentos depois, no pátio, batiam-se os dois, cegos de fúria, silenciosos, em apressado duelo. João Garcia, mais feliz ou mais destro, venceu num instante o adversário, que caiu por terra, quase sem soltar um gemido, com uma estocada de morte.
Embora em justo duelo, era ação criminosa, acrescentada pela agravante de ser na pessoa de um fidalgo, fulano de tal Coutinho, muito próximo parente do conde de Marialva. O rei não perdoava. Homiziou-se, que não linha outro remédio, tomando o caminho de Tanger, em África, onde era governador um seu parente, D. João Menezes, conde de Tarouca, e onde se pelejava a valer na defesa do pendão das quinas, contra os mouros. Ofereceu-se à pátria. Dela se divorciara, mas a ela pertencia. Denodado como poucos, nada o afrouxava, nem os caminhos ásperos, nem o risco das empresas, nem a braveza ou ousadia do inimigo. Praticou loucuras que foram celebrados heroísmos. O leitor que sabe um pouco da nossa genealogia vai ver como esta qualidade guerreira predominou em vários dos seus descendentes.
No entanto não era apenas pela glória que a sua espada flamejava: arremetendo como alucinado de encontro aos perigos, rompendo escudos, derrubando ginetes, estilhaçando lanças e cimitarras, buscava não somente redimir o seu delito, mas, sobretudo aquietar no fundo do peito aquela saudade de cada instante, pelo ente adorado, que tanto o torturava.
Nas horas de descanso, sempre que podia esquivar-se ao convívio estouvado dos companheiros, procurava lugares ermos, algum palmeiral silencioso, algum rochedo alto à beira do oceano - para meditar lia sua desventura. Via todo o passado, o alvorecer tão atraente da sorte, e a sua ruína dum minuto; via os lábios frescos daquela que fora todo o seu sonho de esperança, a sorrirem... O murmúrio do mar acalentava. De vez em quando corria perto uma gaivota, asas espalmadas, num vôo ondeante e longo.
Mas o seu infortúnio parecia não querer findar. Não bastava o peso da Sua culpa, a sua vida desmantelada e sem rumo; mesmo ali, como num propósito diabólico do destino, um novo arrepelão veio esfacelar-lhe ainda mais a alma exilada. Por uma caravela chegada de Lisboa, teve notícia de que sua prima, aquela por quem se perdera, e para quem somente vivia - fora dado pelo pai, em casamento, a um Gabriel de Bruges, filho do capitão donatário da Ilha Terceira!
Por um simples galanteio, aliás, tão vulgar, matara com mão rancorosa um amigo; agora, que outro lhe roubava, então de vez, a que desejou para si sempre para, que outro a possuía lhe bebia os olhares, lhe mordia as carnes em ímpetos soezes de luxúria, estava ele ali, em semelhante abandono, longe, humilhado - e à cinta um ferro de bem rijo gume, pendente e inútil...
Os anos decorreram.
Certo dia, nas horas do seu divagar, topou com um mouro que também buscava a solidão, e como ele também se esquecia a cismar longamente, os olhos perdidos na imensidade. Trocaram confidências. Eram duas existências iguais: o mesmo fado, o mesmo sofrer de amor. Companheiros do acaso, dentro em breve uma simpatia mútua os uniram nos laços duma amizade leal e franca.
Os demais portugueses, percebendo as relações dos dois, deram-se a claras murmurações pelos ângulos da fortaleza, nas ruas, às portas dos bazares, cada qual cogitando maneira de desmanchar tamanha indignidade. Um cristão ligado com um mouro!
João Garcia fingia não os entender. Resolveram então lhe falar abertamente, convidando-o a quebrar de vez aquela amizade, por todas as razões condenáveis - pelas lições severas e doutas da Igreja, pela distinção de sangue, pelas leis do reino - e que, dum momento para o outro, poderia tornar-se suspeita perante as latentes hostilidades guerreiras.
João Garcia escutava-os tranqüilo, sem estranheza nem ódio. A desfortuna superara-lhe o gênio.
Compreendendo os fidalgos que não era fácil demovê-lo de semelhante ligação - ligação desonrosa para o orgulho português - tomaram então outro conselho, por certo menos nobre, mas de efeito seguro, isto é, radical - matar o mouro.
Uma noite que o desditoso torcia caminho, ao desembocar duma esquina, viu de repente diante de si, saído da sombra, um magote de homens, de espadas nuas, ameaçadoras. Ele mal teve tempo de enrolar no braço a ponta do albernós, e de arrancar do cinto o alfanje. Faiscavam os primeiros golpes - quando surgiu entre os contendores, como do alçapão duma mágica, uma criatura diabólica, de braço potente e vertiginoso, que desbaratou em curto momento os assaltantes, meio atônitos e perdidos de ânimo.
Fora João Garcia Pereira que, adivinhando o plano dos seus companheiros de armas, sempre vigilante, nas pegadas do mouro seu amigo, lhe salvou a vida, com a destreza do seu braço, sobretudo com a lealdade e nobreza do seu coração. Mas no campo do combate, entre golfadas de sangue, um dos fidalgos, numa reviravolta, dava o último estremeção da agonia...
Maldita sina a sua. Parece que no mundo, por onde quer que passe, nada mais tinha a fazer a senão espalhar malefícios ou desgraça!
Teve que se homiziar de novo. Para fugir, aproveitou um navio, que estava a levantar ferro, escondendo-se a bordo, como qualquer astucioso malfeitor, num recôndito esconso do porão, por detrás de grandes atados e de caixotes com especiarias.
Não sei se por mero caso, se por traçado da derrota, a meio de arrastada viagem, livre de inimigos e dos desassossegos das borrascas, aproaram à Ilha Terceira, onde lançaram ferro para se recompor de algum refresco, e ao mesmo tempo também para um pouco de descanso.
Acaso, disse? Sim, verdadeiro acaso, ou como quiseram supor foi para ele esse que o levou ali. Bem sabia que naquela paragem longínqua, existia a escolhida da sua alma - irremediavelmente, porém, sujeita a outros deveres, outra obediência, outra ventura talvez. Mas se assim, imprevistamente, chegava tão perto dela, é porque alguma força misteriosa e benévola o favorecia.
O pensamento em tumulto, num batalhar infinito de idéias, cravava os olhos na terra verdejante, debruçado sobre a amurada, alheio às manobras da marinhagem. Que fazer? Procurá-la, e pedir-lhe relação de quanto sucedera após a sua fuga - contar-lhe a sua existência errante, por entre perigos e lutas temerárias, num penar constante e mudo do coração. Fugir-lhe? Submeter-se a mais esse suplício de partir sem pelo menos, num único instante, a escusas mesmo, saciar os olhos na que fora toda a luz divina dos seus olhos? Não. Vê-la ainda uma vez. Quebrar cortesias e conveniências, arrostar recriminações, desprezos talvez, senão alguma ameaça de ferro homicida - mas vê-la!
Informou-se. Então é que a sua surpresa subiu de ponto. Todo o horizonte denso do seu futuro se rasgou num súbito alvorecer de esperanças e de alegrias. Izabel Pereira, sua prima, estava viúva! Viúva e só, sem filhos, sem família, antes entre criaturas hostis, que se demandavam por conta da capitania, vexando-a, espoliando-a de regalias e fazenda, sua pertença, por morte do marido, com quem vivera casada apenas quatro a cinco anos.
Num alvoroço do coração, saltou em terra; correu à casa dela; anunciou-se. O que se passou não cabe, nem carece dizê-lo aqui. Devia ter sido alguma coisa de muito venturoso e terno, que melhor se adivinha do que se escreve.
Os laços de outrora se reataram mais seguros e íntimos, sem obstáculo algum insuperável. Pouco tempo depois estavam casados, e de seguida, pressurosos, abandonavam a Ilha Terceira, à busca de lugar onde pudessem usufruir, em segredo, enfim, vida próspera e remansosa.
Tomaram caminho do Faial. Não fizeram, porém, seu assento entre o mercantil reboliço das gentes, na vila nascente da Horta: foi no sítio mais extremo da ilha, na freguesia dos Cedros, que João Garcia, avaro de felicidade, dessa felicidade que lhe custara largos anos de trabalho, tão negros sobressaltos de tragédia, desesperos; foi nesse sítio humilde - e para mais longe pudesse esconder o tesouro da sua alma - que João Garcia passou desconhecidamente e sem dúvida venturosamente, o resto da existência.
A razão porque ele se obstinou em ocultar a sua qualidade e extirpe só se baseia, quanto a mim, no interesse, que por ventura julgava preciso, de Ihe ignorarem o paradeiro, talvez ainda receoso da ação da justiça, de perseguições ou vinganças. Até isso também explica o motivo porque a consorte (o que tem sido ponto de vacilantes conjecturas por parte de alguns historiadores) para fugir a qualquer destaque inconveniente, vulgarizou o nome, abolindo de todo a distinção honorifica do Dom.
Só muitos anos depois, já em avançada idade, é que João Garcia Pereira deixou, sem rebuço, correr nota da sua origem. Por volta de 1519, Lopo Soares de Albergaria, Governador da Índia, regressando ao reino, entrou na baia da Horta, a refazer um pouco a armada das canseiras Sabendo por acaso da existência de João Garcia, logo o mandou chamar a bordo da sua nau, e o tratou ante todos, por parente, e com grandes obséquios e afabilidade. Lamentou vê-lo sumido naquela insignificante ilha, onde acabariam seus filhos por viver pobremente, sem que lhes valesse sua nobreza, nem os serviços de seus avós. Se houvesse ido para a Índia, tê-lo-ia beneficiado como a tantos outros, mormente a ele, que era seu sobrinho... Respondeu João Garcia Pereira que, no tempo dos seus trabalhos e enfadamentos, todos o tinham desamparado, e que agora, já no derradeiro quartel da vida, naquele remanso e quietação, não tendo filha a amparasse lhe faltava fazenda, seus filhos que a fossem buscar, ainda a servir os Reis, como ele servira.
Foram testemunhas deste fato Jorge d'Utra, capitão-donatário do Faial, o seu escudeiro Pedro Afonso, Nuno Afonso da Costa, e muitos outros fidalgos, que assim o depusera numa justificação da nobreza de seu neto Álvaro Pereira Sarmento.
Consta desta justificação ser João Garcia Pereira filho legítimo de Garcia Álvares Pereira e de sua mulher D. Inês de Magalhães; neto de Gonçalo Pereira, de Riba de Vizcla, casado com Dona Filipa Henriques de Albergaria, do conselho de guerra de D. Afonso V, e irmão do conde da Fl'ira: bisneto de Fernão Pereira, casado com D. Maria de Berrêdo.
A consorte, Izabel Pereira Roxo, era, outrossim, dos Pereira, da casa dos senhores de Basto por ser filha legítima de Gonçalo Pereira Roxo e de sua mulher D. Maria Sarmento, filha legítima de Garcia Sarmento, senhor de Vigo, Salvaterra e Sobroso, e de sua mulher D. Francisca Sotomaior, filha da condessa de Caminha, sendo Gonçalo Pereira Roxo irmão inteiro de Afonso Pereira de Lacerda, de Paio Gomes Pereira e de João Rodrigues Pereira, de Guimarães, filhos de João Rodrigues Pereira, valido de D. João II, e quarto senhor de Celorico de Basto, casado com D. Leonor de Tovar, e todos eles netos de Rimão Pereira de Lacerda.

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Às 20:03 em 16 fevereiro 2012, SERGIO ROBERTO disse...

Admario, eu sou seu colega no grupo

"História do Brasil/Colonial/Império/República"

é o seguinte, eu postei um topico la

"camponeses "livres" dos "coronéis"

você poderia ir la e responde-lo ?

Abraco

Às 16:50 em 6 junho 2010, maria do carmo olimpio fonseca disse...
Olá Admario,
Vc é da família Serpa? Acho que o Zito, a quem vc se refere é o meu tio avô Julio. A minha avó Adalgisa também falava muito em um irmão de nome Custódio. Infelizmente, não tenho muita ligação com a família de minha avó. A minha avó é filha do José Cupertino e Astrogilda Guilhermina. Foram três os filhos do 1º matrimonio, Adalgisa, Irene e Júlio. Após a morte de Astrogilda, José Cupertino casou-se novamente com Marfisa Barros, com quem teve vários outros filhos.
Somos primos?
Vamos manter contato.
Um abraço,
Maria
Às 19:52 em 28 novembro 2009, Flávio Moraes disse...
Olá Admario, seja bem-vindo ao grupo Noel Rosa, é um prazer ter como membro do grupo um primo de um artista tão ilustre e importante para musica brasileira.
Abraços Flávio Moraes
 
 
 

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