Ser Historiador no Brasil do Século XXI
Em artigo exclusivo para o Café História, o historiador Jurandir Malerba, professor da PUCRS e professor visitante da Cátedra Sérgio Buarque de Holanda, em Berlim, discute os desafios e as perspectivas do historiador brasileiro na atualidade.
Jurandir Malerba
Talvez um dos grandes diferenciais de nossa formação seja essa sensibilidade para perceber a historicidade (segundo Heidegger, Geschichtlichkeit - “a historicidade imanente à própria vida”), desde as ferramentas do ofício, o conhecimento dele resultante até nossa própria profissão. Se a isso se acusa uma “perspectiva historicista”, assim sou um historicista conformado. Mas trata-se de assunto que merece atenção. A historicidade da profissão, seu tempo presente e suas (e nossas, dos historiadores) perspectivas de futuro.
Tomemos o tempo de sua profissionalização, a começar pela fundação da cátedra por Ranke em Berlim. Este luminar da historiografia do século XIX, ele mesmo, se não era lá um “aristocrata” avant la lettre, foi bem nascido numa família de luteranos, tendo se iniciado no aprendizado do grego e do latim desde tenra idade. Ainda na velha Germânia, os mais proeminentes destiladores do método crítico eram homens de berço: von Humboldt, Niebuhr, Droysen, Gervinus. Marx era de família remediada, mas Engels de industrial. Na França talvez a exceção a confirmar a regra seja Michelet. Chateaubriand morreu visconde, de família da antiga nobreza da Bretanha. Do outro lado da Mancha, os Macaulay estão associados àquela minoria distinta servida por homens, armas e cavalos, egressos de Oxford e Cambridge e ocupantes de altos escalões em Westminster. Assim como Lord Acton, cujo título honorífico que precede seu nome já o situa . No Brasil, não carece estender, a historiografia nasceu nas sessões dominicais do IHGB, Auspice Petro Secundo, Pacifica Scientiæ Occupatio.
No século XX uma burguesia bem formada, autodidata, fez a história. Bourdieu e Boaventura Santos estudaram o assunto. No Brasil, Oliveira Lima, Caio Prado, Sérgio Buarque, Faoro são nomes ligados a atividades urbanas, às artes e ofícios liberais. Mas tudo mudou drasticamente desde a década de 1970, quando a história começou a se profissionalizar a partir dos PPG’s nas universidades. Quando eu me formei no final dos 80’s, havia lá uma dúzia de PPG’s, se tanto. A vocação natural de cada departamento criado era capacitar seu quadro docente para formar programa próprio. Assim se fez nas últimas três décadas e hoje (avaliação trienal de 2010) somos 54 PPG’s, 81 cursos, 54 mestrados acadêmicos, 26 doutorados e apenas dois mestrados profissionais (o da FGV em Bens Culturais e projetos sociais e o recém-criado mestrado profissional em História da FURG com área de concentração em História, pesquisa e vivências de ensino-aprendizagem). E aqui eu chego ao ponto.
Nos últimos oito anos criaram-se dezenas de novas universidades públicas (nos três âmbitos) e privadas. É de se pensar seriamente se a vocação – ou a única opção - de cada novo departamento seja a constituição de um novo programa acadêmico. Competirão com aqueles consolidados, com décadas de experiência, infra-estrutura estabelecida, milhares de teses defendidas. Uma competição desleal e, a meu ver, desnecessária. O Brasil de hoje não é o mesmo do final dos anos 1980 (aleluia!). Mas passa por uma “crise de crescimento”, cujo ponto maior de estrangulamento é a Educação. O caminho é o da revolução coreana – e desejo crer que o mestrado da FURG aponte para uma tendência. Compete-nos suprir uma gigantesca demanda reprimida por qualificação. Carecem de capacitação os jovens historiadores abertos às novas faces do mercado, nas instituições públicas e privadas ligadas à preservação da memória e patrimônio, ao lazer e tempo livre, à mídia e novas tecnologias e linguagens de comunicação e mesmo ao business. Sobretudo, precisamos qualificar os historiadores que estão lá na ponta, na sala de aula, na nobre e difícil missão de educar jovens cidadãos brasileiros. Foi-se tempo de Ranke, Braudel, Sérgio Buarque, de teses como O Mediterrâneo e Visões do Paraíso. É hora e vez de repensarmos nossa missão no cenário brasileiro. O mestrado profissional poderá ser o caminho para o fortalecimento da área e do país.
Jurandir Malerba: Bacharel em História pela Universidade Federal de Ouro Preto, mestre em história pela Universidade Federal Fluminense e doutor pela Universidade de São Paulo. É atualmente professor de história na PUCRS. Em 2012, inaugurou a Cátedra Sérgio Buarque de Holanda de Estudos Brasileiros na Freie Universität, Berlim. Sua produção científica se concentra principalmente nas seguintes áreas: história moderna e contemporânea; história das idéias no Brasil; formação do estado e da nação no Brasil; teoria e história da historiografia. É lider do grupo de pesquisa Teoria e História da Historiografia, do CNPq desde 2002.
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Comentário de Antônio Netto Júnior em 17 julho 2012 às 16:21 Belo texto do Prof. Jurandir, meu conterrâneo. É preciso se pensar a História e o Historiador nestes novos tempos de sociedade da informação. Prof. Jurandir como podemos pensar o ofício de historiador agora com a oficialização da profissão? Será que os serviços que o historiador prestará como profissional estarão a altura do que é necessário na sociedade atual?
Obrigado.
Um abraço.
Comentário de marcos gomes em 9 julho 2012 às 23:31 Egnaldo ferreira gostei muito do seu posicionamento quanto ao historiador que desfruta de seus privilegios tendo acesso a pesquisas e formações importantes mas que não tem consciencia de sua importancia ao posicionar-se diante da sociedade sem obviamente deixar de lado sua ética de historiador. Se existe algo de problematico nessa questão é a transmissão do conecimento que se adquire e a reflexão do que essa transmissão pode fazer pela sociedade. Isso me parece algo que não é levado muito a sério devido à grande enfase e foco na necessidade de mercado e sobrevivencia que temos hoje onde infelizmente nos deixa um pouco de banda para questões importantes colocadas anteriormente.Temo que o historiador queira virar um mercadista ou um politico em favor de conveniencias ficaria feliz se ele pudesse permanecer em sua etica e com ela poder transformar. Repito que esse perigo nos ronda devido a grande emergencia de mercado que temos hoje. Gostaria de ver historiadores mais do que preocupados a subir de grau para se reconhecido pudesse se convencer que sua melhor e mais eficiente atitude seria seu posicionamento etico perante a sociedade.
Comentário de marcos gomes em 9 julho 2012 às 21:48 É tem po sim , concordo com jurandir, de repensar ou quem sabe começar a pensar numa nova pespectiva da história para que ela possa surtir efeito ou um singular efeito em nossa sociedade que tão pouco conhece de história e carrega em si a falta de uma conscencia mais ampla a respeito da história e porque não dizer da propria vida e realidade. Temos que pensar sim em como estamos transmitindo a história já que a meu ver parece a´te hoje que sofrmos de uma simplificação d nossa vião estreita daquilo que nos cerca.
Obrigado Bruno e Jurandir por continuarem o debate. Um historiador alemão do XIX (não recordo qual...) escreveu uma vez que o bom historiador não pode ser educado: ele mesmo precisa se educar. Cito de memória. O sentido do trecho é este, mas não lembro se a frase está escrita assim. Lembrei agora: foi Theodor Mommsen. Theodor discursava para uma platéia de graduandos em história. Todos jovens, ainda. Dizia que a universidade tem apenas um papel propedêutico na vida deles. Eles, graduandos, precisavam dar continuidade à sua formação longe dos muros universitários. Assim, uma das maiores virtudes do historiador seria certa aptidão para o diletantismo, não no sentido de ser o historiador um amador. Não. Busca-se, isto sim, estudantes diletantes que não se acomodem com os hábitos impostos pelo ofício do historiador. É preciso romper (e também preservar) as fronteiras desse ofício. Tudo que existe entre o céu e a terra desde que o primeiro homem registrou o primeiro fato: é mais ou menos esse o objeto de estudo do historiador. Penso que a ausência dessa "cultura diletante" é um problema da maioria dos universitários brasileiros. E não tenho medo de ir além dos graduandos em história. Em outras palavras: a falta de erudição é quase total. Embora Theodor Mommsen tenha transmitido essas ideias na Alemanha, não sei se elas de fato encontraram terreno fértil nas cabeças dos jovens universitários germânicos. Jurandir, se quiser, pode nos esclarecer. (Lembrei do conceito "bildung". Tem a ver?) O fato é: no Brasil, esta cultura está pouco disseminada pelas Universidades, ou melhor, entre os universitários. O que vocês acham disso? Há prejuízos para a formação dos nossos historiadores? Uma reforma profunda na educação conseguirá alterar este quadro? Lembrando o que disse Mommsen: o historiador não pode apenas ser educado: precisa, também, educar ele mesmo a si próprio.
Comentário de Bruno F L Fagundes em 7 julho 2012 às 8:40 Prezado Jurandir ... Obrigado você também pelo rico debate e pelas considerações. É muito importante - do ponto de vista da mobilização interna, da construção de discursos e vontades afins - que historiadores "do alto" de sua posição também se posicionem nesse debate, e - gostaria eu - que houvesse maior convergência programática para começarmos um encaminhamento mais concreto. Se dura e difícil a transformação, mais dura e difícil ela ficará se historiadores a esperarem sentados, digamos. E - e isso não é segredo nem sigilo - sabemos que há muitos colegas que não se posicionam por causa de interesses particularistas. O tema é melindroso ... É importante que todos, de alto a baixo da escala social dos historiadores, tomem posição, mesmo que seja contrária. Só assim começaremos a construir um programa de reforma a propor e, com isso, emular o debate, e forçar - ante "forças terríveis" e "ocultas" - mudanças. Quando eu falo - e imagino que Rafael também pense assim: "- com sua licença, Rafael!"- sobre esse tanto de áreas de atuação e formação, é apenas para frisar que as oportunidades - e os contextos de cada curso - são muitas (os), mas a verdade é que não seria capaz de haver tudo ao mesmo tempo... com certeza. É apenas para dizer: olha o tanto de coisa que está passando e nós olhando ... As mudanças a serem feitas são gigantescas mesmo e o debate está ficando mais incandescente por agora, embora o anseio por essas mudanças já sejam latentes há bastante tempo. Agora ele está ficando manifesto... ficando público, indicando que - por vários motivos - não podemos deixar de fazê-lo. Nós, historiadores, somos imprescindíveis, permito-me dizer! Mas podemos ser mais, muito mais. Há muita gente demandando história. Se sim, não há sentido permanecermos de fora dessa grande vaga... Continuemos a conversa! Abs. a todos os colegas e obrigado pelo debate....
Comentário de Jurandir Malerba em 7 julho 2012 às 6:11 Caros Bruno e Rafael, obrigado pelo comentários, absolutamente pertinentes. Sim, todos estão certos. O problema é tão estrutural que não pode se pensado de maneira maniqueísta - ou pesquisa ou ensino; ou pesquisa ou novos campos -, mas ao contrário, de maneira convergente, inclusiva. Isso passa pela percepção da vastidão do país, das realidades e necessidade locais, da vocação e da cultura institucional de cada IES, culminando na absoluta necessidade de FLEXIBILIZAÇÃO dos curricula que uma eventual reforma universitária deveria trazer por princípio. Agora, não dá para voltar ao pecado original e imaginar que cada curso de história possa ou deva ofecer capacitação em todas essas áreas tão diversas. Não dá para abrir o campo sem quebrar os curricula. O que é impossível quando se tem um regime centralizado e homogeneizador como o que vigora há alguns anos (eu não estou falando só da pós-gradução, mas do ensino em geral). Quando o MEC, cedendo aos lobbys dos setores mais organizados da sociedade, solta uma lei dizendo que a partir de agora todos os cursos de graduação tem que ter um mínimo de 500 ou sei lá quantas horas de disciplinas pedagógicas, ou todos tem que ter o curso de LIBRAS, e todos tem que ter "x" horas de história da África, os projetos pedagógicos vão virando uma colcha de retalhos que, para atender essas imposições verticais (e autoritárias!), acaba com a possibilidade de se desenvolverem as potencialidades próprias de cada curso. (Fica claro que não sou contra pensar na educação de pessoas com necessidades especiais nem contra história da África. São importantes em si.) O que quero ressaltar é que a descentralização e a liberdade de construção dos curricula abrirão para a a potencialização das vocações de cada grupo, de cada curso. Assim, aqueles que têm recursos humanos e materiais para se fazer pesquisa e produção de conhecimento "convencional", que siga seu caminho. Outo grupo, em outro lugar, vocacionado para formação de profissionais voltados a novas midias, siga em frente. E assim sucessivamente. Isso me parece tão óbvio. Agora, o que eu reitero, do meu texto que dá ensejo a este rico debate - obrigado pelas contribuições valiosas a cada um! - é que, num país como o nosso, onde ainda existe um abismo entre letrados e não-letrads (ou semi-letrados), onde o descaso de todos os governos (sob todas as bandeiras partidárias) para com a educação nos conduziu a uma situação limite, o mestrado profissional pode ser uma ferramenta importante para atender um público imenso e silencioso, cuja capacitação terá efeitos multiplicadores geométricos nas sociedade, por meio da melhoria do ensino. Além, é claro, de abrir para outras habilitações que não a do scholarship, da produção de teses baseada em pesquisa empírica etc. Abraços
Comentário de Bruno F L Fagundes em 6 julho 2012 às 10:59 Prezado Rafael ... Concordo quase integralmente com você! O quase é porque, penso, o importante talvez seja o de que esses setores, essas habilidades talvez tenham de se combinar, sem privilégio de nenhuma delas. É importante, sim, que haja historiadores que queiram seguir só a especialização, só a discussão sofisiticada, continuar seguindo a atualidade das renovações historiográficas, atuarem só na práticas da troca de idéias e do intercâmbio do pensamento, que vivam só na escrita.... Concordo com você sim: por que não sermos habilidosos em fotografia, cinema, rádio, documentários etc??? Pensar até que ponto a universidade, como é, FACILITA isso, tão fechada cada departamento em seus temas (só seus?), em seus próprios problemas e agendas investigativas. Ms concordo Rafael: se há algum tempo ANALISAMOS tantas fontes históricas que não se restringem a escrita, não podemos utilizá-la como próprias ao nosso FAZER? Por que, ao final de uma graduação, o aluno não pode fazer um video-documentário, propor um dossiê fotográfico de protecão patrimonial, elaborar um programa de difusão de conhecimento em rádio, propor um roteiro de teatro com alunos de ensino médio sobre ... por exemplo, o Brasil República???? Concordo sim com vc Rafael ... o gargalo do magistério poderia ser quebrado aí. O que penso é que, assim, não abandonamos um certo ideal didático de formador, de ensinante .. tudo bem. O importante é que, assim, podemos descobrir novos poros e, provavelmente, sermos conhecidos e reconhecidos.
Comentário de Bruno F L Fagundes em 6 julho 2012 às 9:31 FINALIZANDO... Temo muito também a idéia que fazemos de nós mesmos, historiadores, como portadores de uma consciência a ser transmitida ... Não sei se esse não foi um paradigma forte num tempo em que o público era um universo restrito de pessoas. A universidade e o conhecimento é demanda de públicos bastante variados, que questionam nossas verdades ... Isso é muito bom!!! Seria, digamos, o “lado bom” da massificação!!! Se nos limitamos a participar da vida pública da universidade, não vamos perceber que somos importantes e podemos PARTICIPAR de outras esferas da vida pública, com a condição de sabermos que nossa consciência é uma entre outras – para lembrar o que dizia o professor Manoel Salgado Guimarães. Precisamos de nos desidealizar também!!... Como diz Jurandir: os CRITÉRIOS não devem ser os mesmos para uma realidade tão diversificada, e se os critérios se diversificarem, acredito que muitos cursos que HOJE JÁ TÊM DIVERSAS INICIATIVAS e atuam de modo diverso aos cursos que conhecemos aparecerão se avaliados POR OUTROS CRITÉRIOS A SEREM DISCUTIDOS e CRIADOS.... Nós, historiadores, podemos ser muito importantes para além de nossas trocas intelectuais, ou se partirmos com nosso capital intelectual para – digamos – “colocá-lo na roda”, ou em outras tantas rodas que estão por aí e que não conseguimos ver – ou que não conseguimos ver porque, pretensiosamente, achamos essas outras rodas NÃO IRÃO NOS ENTENDER??? A História, quando se tornou ciência, teve de desprezar os historiadores antiquários de província ... Precisamos de repensar isso!!! Temos de desprezá-los ou – se achamos que não fazem boa história – devemos CONVENCER de que não fazem uma boa história?? Hoje – falo mais uma vez de pesquisa não publicada – há vários cursos de GRADUAÇÃO de História no Brasil atuando de modo diferente do que estamos acostumados a pensar, e eles PRECISAM SER VISITADOS/AVALIADOS com outros critérios ... Vejam esses cursos na Internet!!! Cursos que estão olhando para seu entorno, que fazem pesquisa acadêmica e não-acadêmica para demandas mais imediatas, que se dedicam à PESQUISA de ensino, e ao ensino, que vão a escola, que atuam em espaços não-formais educativos, que recebem na universidade professores, que fazem Extensão educativa/formativa junto a comunidades carentes, que fazem parcerias com museus, centros de memória, que recebem a sociedade para ajudá-las a construir sua memória/história etc. Cursos atentos a demandas sociais diversas, identificadas com a História e o HISTORIADOR. Outro paradigma que devemos repensar é o de que não formamos pessoas para “atividades profissionais” porque elas são ciências práticas e a ciência histórica forma homens reflexivos, a cuja reflexão o FAZER é deletério e atrapalha a autonomia do pensamento. Isso é verdade??? Acho que SIM e que NÃO!!! A idéia do Mestrado Profissional, como defende Jurandir, é tendência forte dentro das agências de fomento – não é professor? – e, a meu ver, devemos aproveitar dela bem, e com uma ressalva: temos de batalhar para que ela não se REDUZA a formar professor, e professor LIMITADO à instituição escolar. Até porque esses mestrados profissionais podem FORMAR para as áreas de memória/patrimônio, treinar para a interface com a cultura, com meios de comunicação, com difusão de conhecimento, para a PARTICIPAÇÃO. Se soubermos nos apropriar desse Mestrado Profissional assim, ele é uma excelente oportunidade para a mudanças ....que sabe, assim, não seremos mais aqueles profissionais que, para grande parte da consciência pública, são pessoas que amam as velharias de arquivos e museus!!
O magistério é um dos poros pelo qual o conhecimento histórico transborda na sociedade. Não é o único. Acabou se tornando um gargalo, como disse o Jurandir, sobretudo o de nível superior. Porque tem muita gente qualificada lutando pelo mesmo espaço. Penso que deveríamos lutar por duas mudanças. Além da profunda reforma educacional já alentada, também é preciso preparar o graduando para atuar em novos espaços. Ou então, se esses espaços ("poros...") não existirem, que sejam inventados. O mestrado profissional é um bom caminho. Já falei sobre o campo da História Pública em outra comentário. Por que não formar historiadores profissionais especialistas em mesclar história e arte para conseguir levar o resultado a um grande público? A televisão ou a internet podem ser bons meios para isso. Por que não formar historiadores craques nestes meios? Por que a maioria dos estudantes deixam a graduação sem nem sequer perceber que outros terrenos podem lhes receber, que seus trabalhos podem ser úteis também fora de uma sala de aula? Por que não temos aula, por exemplo, de tipos de comunicação? Além da escrita, que já não costuma ser uma beldade entre historiadores, poderíamos aprender a transmitir conhecimento histórico através de imagens, do cinema, das novelas televisivas, de instalações artísticas, de exposições museológicas, de uma preservação/ativação do patrimônio histórico. Enfim, acho que o historiador, para além de um bom professor, também precisava ter uma boa formação artística. Isso ajudaria a descobrir novos poros e a desafogar o gargalo do magistério.
Comentário de Bruno F L Fagundes em 6 julho 2012 às 8:57 CONTINUO MEU COMENTÁRIO ... Existem vários pontos estruturais que se não forem tocados nada vai sair do lugar - a Reforma Universitária é capital - mas creio também que a Reforma Universitária de 68 também foi capital (ela efetivou um sistema universitário com paradigmas que até então não havia no Brasil!), e aí entra seu desdobramento: ela se tornou, com o passar do tempo, um problema, e hoje eles aparecem, porque, acredito, ela FOI SENDO APROPRIADA pelos alunos/professores (e eu diria até funcionários) a partir de velhos hábitos que mantiveram o velho padrão de desde o século XIX de escola de ensino superior no Brasil: virou um estamento! Creio que a reforma de 68, departamentalista etc, tornou-se um problema quando num dado momento foi solução! Assim como acho que não haja muito problema em usar googles, internet, tevês etc em si mesmos, mas SABER COMO USÁ-LOS! Vide esse nosso debate aqui .... Então, como toda instituição/organização, a universidade - por causa da Reforma de 68, do hábito corporativo, da presunção de superioridade do cientista etc - se tornou cheia de maus hábitos e quero frisar uma coisa: uma reforma universitária, uma reforma/transformação dos cursos de História precisam, sim, estar atentas às questões estruturais, mas também atentas - e tentar solucionar – a antigos hábitos, a um ethos acadêmico pernicioso, a meu ver. Ele também é bastante responsável. Sei - muitos de nós sabemos - o quanto há de favorecimentos, privilégios, corporativismo, facilitações, improbidades etc. dentro da universidade, convivendo com probidade, honestidade e dedicação. Alunos que são "apadrinhados", professores que estão em projetos "alheios" a seus departamentos e a universidade etc. O TCU investiga isso, mas é tão impedido de atuar a ponto de, na câmara federal, ouvir parlamentar dizer que o Tribunal está querendo "impedir a evolução da ciência no Brasil"... Por isso, sou a favor que haja discussão em torno de critérios a serem adotados, de avaliação docente e discente, de fiscalização do uso do dinheiro público etc. Se assim é feito – ou se deveria fazer - em toda instituição pública, por que não na universidade??? Aspectos de outra ordem são tocados pelo professor Jurandir: CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO não podem ser os mesmos para cursos tão diferentes e em realidades diversas ... Mas, creio eu, um dos motivos disso é que a baliza que avalia é – repete-se o problema – a baliza dos cursos master, da pós-graduação e, desdobramento natural, a baliza da PESQUISA. A conseqüência é natural: DESDÉM do setor de Ensino e da Extensão – reduzida a cursos muitas vezes caça-níqueis, quando não são fakes – só para o Departamento dizer que faz ... e aí não falte fomento! Misturamos a GRADUAÇÃO com a PÓS-GRADUAÇÃO! E superestimamos A PESQUISA ... E pior: superestimamos a pesquisa que nos insere no grande mercado do debate nacional/internacional – O QUE É IMPORTANTE - mas voltamos as costas para o país!! A velha baliza euclidiana ... Porque somos, nós, pós-graduados em cursos 5/6/7 CAPES muito bons, muito bem preparados, mas precisamos ter a coragem de dizer: preparados para quê???? Precisamos pensar em para que estamos sendo preparados. E perguntarmo-nos se não podemos ser preparados para outras atividades, tarefas, iniciativas que nem sempre exigem formação pós-graduada imediata, mas só a BOA GRADUAÇÃO. Mas também creio que lidamos com um conceito de educação/ensino questionável!
Comentário de Egnaldo Ferreira em 6 julho 2012 às 8:44 Para Jurandir Malerba. Parabéns pelos comentários, concordo com você
Comentário de Bruno F L Fagundes em 6 julho 2012 às 8:27 Prezado professor Jurandir e colegas, bom dia! Também quero continuar comentando nesse debate on line, e a primeira coisa que aponto é o quanto anseios de transformação na área de História estão por toda parte, até porque - segunda consideração - há muitos outros públicos não-acadêmicos requerendo história/memória (não ouso separá-las!) e, ao procurarem historiadores, não os encontram. Ficamos (muitos de nós!) nos perguntando: por que não sou formado para isso? por que nunca sou lembrado para esse serviço? por que eu só "sei" ser professor? E mais: hoje só sabemos ser professor de ensino superior, ou, como diz Jurandir, professor de um colégio de terceiro grau! Além do desdém histórico que já há algum tempo tem os cursos de graduação com PPGs-HIS "master" (os de nota CAPES 5/6/7). Há pesquisas - ainda não publicadas (mimeo) em andamento que "denunciam": os cursos de graduação com cursos de pós-graduação são PREPARADORES para a pós-graduação!!! Preparam para a pós-formação e a participação no mercado do debate nacional/internacional de idéias e de pensamento que fomentam nossa vida acadêmica intelectual, que é absolutamente válida e precisa viver, mas que é LIMITADORA de nosso campo de formação e de atuação. O professor compara a Alemanha com o Brasil, e por aqui é gigantesco o número de formados em História que largam o curso no meio, ou, uma vez completado o curso, rapidamente o abandonam!!! Hoje, nós, os alunos que fazemos nossos mestrados e doutorados praticamente temos como perspectiva de trabalho sermos professores universitários, o que limita demais nossa atuação! Essa realidade, a meu ver, diminui demais a importância da GRADUAÇÃO, que, como dizem aí pesquisas em andamento, só preparam para a pós-graduação. Por quê? Há motivos vários que estão sendo apontados aqui, mas dos motivos estruturais é fundamental o da CRISE DAS LICENCIATURAS que vivemos há algum tempo, com salários irrisórios, com os tar quais não há cristão que suporte - e possa viver. Aí, vão embora!
Comentário de Jurandir Malerba em 6 julho 2012 às 6:02 3)
Quando valorizo o mestrado profissional, penso também na diversidade de públicos potenciais no Brasil. Um jovem mestre egresso de uma universidade de excelência (segundo os parâmetos da CAPES), como Unicamp, UFMG, PUCRS ou UFF e UFRJ, em geral, fez ali sua graduação com bolsa de IC, e tem seu mestrado nas mãos aos 23, 24 anos. O doutorado está ali à mão e ele sabe que terá boas chances de inserção no mercado acadêmico. E o jovem mestre (acadêmico) formado por programas distantes desses centros, ditos “pequenos” (que travam uma luta insana para se manterem abertos), vão ter que lutar muito para conseguir passar numa seleção num outro programa, no qual ele não está inserido nas relações de poder ali estabelecidas.
Então, eu penso naquela imensa massa de gente que se formou e, sem chance de pleitear de imediato uma pós-graduação strito-sensu , foi ser professor no ensino básico. Muita gente boa ali que não teve chance (e talvez não tenha nunca mais!), que não tem a pretensão de virar doutor de anel, mas que gostaria de se qualificar, inclusive para realizar melhor seu trabalho na sala de aula. Esses profissionais que, muitas vezes, por falta de opção, acabam caindo nas malhas de um sistema caça-níqueis de cursos de especialização lato sensu (há muitos cursos bons, mas outros questionáveis). É esse o público que um bom curso de mestrado profissional poderia suprir.
E eu penso mesmo que não é justo nem necessário que tenhamos uma só modalidade de pós-graduação num país tão grande e tão diverso. Que as funções (sociais inclusive) que cumpre e o público que atende uma pequena universidade no interior do Nordeste, do Centro Oeste ou mesmo do Sul (pois há sub-regiões carentes ali também) são diferentes de uma universidade provida de todo tipo de recurso de um grande certo como Rio e São Paulo. E elas não podem ser avaliadas pelos mesmo critérios. Por outro lado, a rede de ensino básico (fundamental e médio), e por extensão sua clientela, as crianças e jovens do país, só teriam a ganhar com profissionais qualificados em sala de aula. Mas é claro que isto tudo exige mudança de orientação política. Que a Educação seja projeto de ESTADO, e não plano de governo, e muito menos retórica vazia de campanhas eleitorais. Abraços
Comentário de Jurandir Malerba em 6 julho 2012 às 6:01 2)
O campo está longe de ter começado a se profissionalizar. Mas falar disso remete a questões de fundo que muitas vezes escapam das nossas forças críticas imediatas. A transformação passa, a meu ver, pela reforma estrutural da Educação no Brasil, de cabo a rabo, do ensino fundamental à universidade. Quanto a esta, seria preciso superar a estrutura herdada da ditadura militar, adaptação canhestra do sistema departamental americano, que aqui engendrou um pernicioso sistema feudo-clientelístico, o sistema de créditos e disciplinas obrigatórias (que dá sustentação àquele sistema, onde há professores que são os "donos" das disciplinas), a implicação disso nos curricula, estruturados para atender as necessidades dos professores e não dos alunos, que termina dando origem a verdadeiros colégios de 3o. grau. E isso mesmo nas mais conceituadas instituições
Vejo como tudo isso é retrógrado observando o sistema aqui de Berlim, onde há três grandes universidades (Humboldt, Potsdam e Freie) e várias faculdades técnicas de excelência. O aluno de qualquer uma delas pode fazer os créditos que bem lhe aprouver, desde que compondo os créditos exigidos nos módulos em que seu currículo está estruturado. Um aluno de engenharia da Freie pode fazer um curso de história na Humboldt e assim por diante... Penso em vários centros metropolitanos do Brasil, onde existem vários departamentos e cursos de história, mas em vez de cooperação só existe competição. Uns se fecham aos outros.
A reforma universitária deve ser pensada em conjunto com a reforma da educação como um todo, ensino fundamental e médio. Minha ênfase, no texto acima, dada ao mestrado profissional vai nesse sentido. São 60 e tantos PPGs, uns 40 doutorado, desovando centenas de mestre e doutores por ano. Sem a reforma da universidade - e que inclui uma mudança de mentalidade da própria comunidade acadêmica - daqui a pouco viramos uma Alemanha - no que ela tem de pior, que é a produção de titulados sem chance de enquadramento profissional. Não se trata em absoluto de uma perspectiva elitista, ao contrário disso. Mas eu acho que uma reforma estrutural no ensino fundamental e médio, que valorizasse a carreira (no ensino básico), que oferecesse um plano de carreira interessante, recompensando os profissionais titulados e que mantêm uma educação continuada, resultaria numa revolução no Brasil - o que foi o que a Coréia fez há 40 anos. Lá o professor de ensino médio ganha o mesmo que o professor universitário e tem condições de trabalho (ferramentas, licenças sabáticas etc) tão boas como aquele. De modo que o profissional de história que quer se qualificar não tem um único caminho a seguir. Aqui na Alemanha, igualmente, a diferença salarial de um professor universitário e um de ensino fundamental não passa de 20%.
Comentário de Jurandir Malerba em 6 julho 2012 às 6:01 (vejo que tem um redutor de tamanho nas réplicas. Escrevi uma mensagem longa, então vou soltá-la aos pedacinhos).
1)
Caríssimos. O debate está alentado e de alto nível. Provocou-me uma série de reflexões, que gostaria de compartilhar com vocês. Um ponto inevitável da questão da profissionalização do campo surge quando é possível perspectivar o assunto comparativamente. A experiência aqui na Alemanha é iluminadora. Aqui as potencialidades de se viver de história, de vender história muito além da vida acadêmica são grandes; o problema é exatamente outro. 96 %, leiam-me bem, 96% dos doutores na área de história simplesmente se perdem na vida. O mercado acadêmico é muito mais restrito. Aliás, é mesmo difícil de entender. O Estado investe bilhões na formação dos melhores profissionais e depois, simplesmente, os descarta. Pois o camarada que foi fazer doutorado, subentende-se, só tem como primeira e única intenção a vida a acadêmica. Depois do doutorado, ele tem que fazer um segundo livro, a Habilitation, para então esperar uma vaga na cátedra. O problema é que esse profissional hiper qualificado precisa viver e então trabalha como professor assistente - tipo de contrato de trabalho perverso, pois o camarada é obrigado a mudar de emprego depois de cinco anos (se encontrar outro) e só pode ficar DOZE anos nessa vida. Se, ao estourar os 12, ele não conseguiu uma cátedra, ele está expulso da vida acadêmica. Não pode nem ser assistente. E não pode, o que é mais esdrúxulo, ser professor em qualquer nível. Então, desses 95% de frustrados, muitos terminam literalmente na sarjeta, frustrados, bancados por uma pensão de 400 EUR pelo Estado (que é o mínimo índice da dignidade humana, segundo um regulamento daqui).
O Brasil é o oposto. Muitos de nossos profissionais estão num posto tipo "cátedra", com garantia de seguridade no emprego etc, muito jovens, sem qualificação, pelo menos sem experiência. Muitos aí se dedicam à essa militância política dentro da academia. A profissionalização, aqui, nem começou. Mesmo na academia, funcionamos num sistema meio feudo-vassálico onde determinados centros ditam as diretrizes de política acadêmica, em que os que estão alijados desses centros decisórios vão correndo atrás, para se adaptar ao enquadramento, como é exemplo o sistema de avaliação da CAPES, que avalia com a mesma régua programas com bases financeiras, inserções sociais e regionais e propostas completamente diversas.
Comentário de luiz carlos silva em 5 julho 2012 às 21:57 Me posicionando ao Glauber. Sabe Glauber, jamais poderia, como pessoa, me contrapor socialmente com efeito, a Google (mercado aberto das ideias (...)), ou tevê isso ou aquilo e grandes mídias, contudo, estes aparatos filosóficos respondem a alguma coisa (...), a um processo histórico verdadeiro, porém do ponto de vista deles, do ponto de vista filosófico deles; essa coisa é a circunstância social, os movimentos sociais, que acontecem basicamente em função do modo de se ganhar a vida, ou não, como o caso dos indigentes, miseráveis, estados inteiros dependentes da água etc. E também dos graves efeitos colaterais como a corrupção (inclusive moral, das leis), o crime organizado etc. Acredito que este movimento real (a forma de ganhar a vida) é o motor da história, neste sentido as classes se unem em defesa de seus interesses, cabe ao historiador identificar os lados desta luta e registrá-los para a lógica dos movimentos apareça. Esta lógica é a força de convencimento combatida pela mídia e a lógica que a mídia oferece em troca é a teoria do caos, do desalento, da passividade etc. Obrigado.
Incentivar os jovens a pensar, de uma maneira geral, é bastante complicado. Estamos num momento em que se é posto em cheque se se contradizer o que aparece nas buscas do Google ou dito nos jornais de televisão. Manter uma discussão num bom nível ou desenvolver uma mente à leitura e conhecimento é algo penoso, moroso, enfadonho muitas vezes. Isso afasta da escola pública em muitos casos.
Comentário de Bruno Duarte Guimarães Silva em 4 julho 2012 às 21:48 Egnaldo Ferreira,
Seus apontamentos também são muito pertinentes, mas referem-se às questões gerais que envolvem a formação e a profissão de professor. Sobretudo na educação pública, setor onde a baixa remuneração e as péssimas condições de trabalho (salas lotadas, estrutura precária entre outros...) são uma realidade explicita. Concordo muito quando você diz que esses são problemas que afastam os professores com maior qualificação (que se empenham nos cursos de especialização e pós) do setor público e do nível básico de educação. No entanto, são problemas estruturais, cuja solução só será implementada quando a sociedade e a opinião pública acordarem e pressionarem os governos. O que parece muito difícil de acontecer, pois movimentos de professores cobrando melhores condições e um reajuste salarial digno costumam ser ignorados ou desclassificados pela mídia e a sociedade geralmente embarca no discurso dos jornais e revistas. Vide as coberturas jornalísticas sobre a atual greve dos professores e servidores público universitários, ou sobre a greve dos professores estaduais daqui de Minas Gerais que durou mais de 130 dias no ano passado.
Mas a questão levantada pelo professor Jurandir é outra, diz respeito à preparação dos cursos de graduação e pós em história para o mercado de trabalho atual. Mercado que se apresenta mais diversificado do que nas últimas décadas do século XX e que, até nas profissões mais tradicionais do ramo como a de professor, cobra domínios e habilidades que os cursos de história ainda não estão tratando em suas disciplinas, como o uso da tecnologia. Nesse sentido, os cursos de história (graduação ou pós), precisam se atualizar e acompanhar as transformações ocorridas na sociedade e no mercado de trabalho. Mas, claro, sem esquecer que o ambiente acadêmico também deve ser o espaço de construção de novas ideias políticas e sociais que pretendam corrigir aqueles problemas estruturais que citei acima.
Comentário de Egnaldo Ferreira em 4 julho 2012 às 20:57 Primeiramente parabéns pelo artigo. Uma pergunta é interessante, Os cursos de licenciatura em historia são formadores de professores em história, pelo menos isso é a tarefa. O grande dilema já começa quando o esse professor recém formado enfrenta a sala de aula. Nas escolas públicas, na sua grande maioria, as turmas tem mais de 40 alunos, e na maioria dos estados, são apenas 02 aulas de história por semana. E sem esquecer falta de estruturas, baixos salários entre outras coisas. Então esse profissional irá se qualificar nos inumeros cursos de pós graduação para: aumentar salário, qualificação entre outros motivos. Esse profissional voltará para a escola pública com o dilema de como utilizar aquilo que foi aprendido na pós graduação na sala de aula. De que forma aquela especialização servirá como alavancador da aprendizagem em sua sala de aula. É claro que uma questão de respostas subjetivas, mas porque será que há tantos historiadores enverendando pelo campo da pesquisa e deixando o ensino básico??. Porque será que os "ditos bons" depois de se especializarem não ficam no ensino público??. É claro que várias respostas virão, mas não há como não pensar em nossa missão de historiador, sem fazer parametros com a escola pública. Se queremos ver seres pensantes e criticos isso tem que passar pela educação pública. Caso não, ficará como hoje. Infelizmente o que vemos hoje, são historiadores indo pela caminho da pesquisa, para receber o titulo e ter seu orgulho elevado. Tanta especialização para apenas debater entre pares, entre pensantes, entre algumas faculdades que mais parecem feudos mediavais, não contribuirá de fato para a melhoria do ensino de história na educação básica. A pesquisa é de fundamental importância, mas pesquisa apenas para servir de titulos para uns e debates para outros, sem que essa pesquisa chegue lá naquele aluno que estar naquela sala que tem mais de 40 alunos. Precisamos despertar nossos jovens, e esse despertar para pelo papel cada um, e na minha humilde opinião os professores tem sua missão aumentada, já que são eles que tem o "papel" de desenvolver a criticidade.
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A Memória que me contam - 2013
Entrou em cartaz o novo filme da diretora brasileira, Lúcia Murat, o drama "A Memória que me contam".
A ex-guerrilhera Ana (Simone Spoladore), ícone do movimento de esquerda, é o último elo entre um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar no Brasil. Com a iminente morte da amiga, eles se reencontram na sala de espera de um hospital. Entre eles está Irene (Irene Ravache), uma diretora de cinema que sente-se perdida diante da iminente morte da amiga e que precisa ainda lidar com a inesperada prisão de Paolo (Franco Nero), seu marido, acusado de ter matado duas pessoas em um atentado terrorista ocorrido décadas atrás na Itália.
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