A questão da historicidade da história e a noção de tempo na perspectiva de uma nova história.

Estou lendo um texto do livro Quanto tempo tem o tempo organizado por Ernesta Zamboni; O historiador e o tempo de Margareth Rago. Estou com dúvidas sobre a historicidade da história e a noção de tempo na perspectiva da nova história. Se conseguirem me ajudar agradeço.

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Respostas a este tópico

Hildebrando, penso que essa concepção de tempo é um dos pontos básicos da discussão do historiador (ao lado dos de lugar, sujeito e objeto). A noção de tempo histórico é variável, de acordo com a concepção historiográfica que se esteja observando. A Nova História, vista como um resultado da 3ª geração do movimento dos Annales, relativiza o tempo cronológico do positivismo e a noção de "modos de produção" marxista, trabalha com a longa duração, através da história das mentalidades. Esse conceito vai ser relativizado e ressignificado por concepções diferentes, havendo um retorno da narrativa e da concepção de política, modificando a visão dos historiadores sobre o tempo.

 

Espero não ter respondido à sua pergunta, e sim sucitado novas reflexões. rs

Abraços!

Fábio, como a historicidade da história exerce influência sobre a noção de tempo dentro dessa perspectiva ?

 

Hildelbrando, acho que sua resposta pode ser bem respondida ao ler textos como "A Nova História, seu passado, seu futuro", do Burke, que aponta diversos questionamentos acerca dessa concepção de tempo da nova história, bem como o primeiro capítulo do "A Escola dos Annales", do José Carlos Reis. Você não vai encontrar uma definição pronta, sobre a influência que essa historicidade tem, mas um despertar de reflexões mais amplas.
Como Foucault se encaixa nessa discussão ? (Perdão pelas perguntas que podem parecer sem embasamento, mas é que estou apenas no segundo semestre e tenho que ler esses textos por causa da minha orientação de iniciação cientifica).

Paulo, não precisa se preocupar. Tenho o maior prazer em dialogar, até porque isso é um exercício pra mim, por conta das leituras do Mestrado. rs

 

Bom, Foucault traz uma leitura inovadora para a História, porque propõe uma discussão da historicidade a partir dos discursos. Ele incomodava muitos historiadores, por propor uma concepção que chamou de "genealógica" em sua obra, estabelecendo uma análise das práticas discursivas em diversos campos de análise: a sexualidade, a loucura, os presídios e demais aparelhos repressivos. Isso acarreta uma nova concepção de temporalidade, visto que esses discursos perspassam momentos e acontecimentos históricos.

 

Quando à falta de embasamento, não acho que seja o seu caso. Só um estudante que busca crescer na discussão teórica faz essas proposições. Abraços e prossiga assim!

Interessante, pois agora começo a compreender como a autora utiliza  a figura e o ideal "foucaltiano" para expressar a busca por uma nova visão historiográfica e historicista acerca da produção de conhecimento histórico, pois como é transcrito no texto, se tem a necessidade de reaver os métodos da produção historiográfica tendo em vista as novas conjunturas sociais, políticas e econômicas. Foucalt tenta quebrar a ligação da história com a teleologia? gostaria de entender esse ponto que relaciona a História com o estudo dos objetivos, dos fins.

Hildebrando, eu lhe dou duas indicações de leitura: o livro "O Homem do Castelo Alto", de Philip K. Dick (uma ficção científica) e qualquer artigo sobre regimes de historicidade do historiador francês François Hartog. Abraço!

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