A vitória da URSS na batalha de Stalingrado é considerada como o marco de virada da Segunda Guerra Mundial. Início do fim da Alemanha. A URSS teria ganhado a guerra sem a ajuda dos Aliados?


Stalingrado não era um ponto estratégico. A conquista desta cidade era puramente birra de Hitler. Ele achava que se tomasse esta cidade, por ela ter o nome de Stalin, o moral das tropas russas iria cair... Para Stalin, manter a cidade que levava seu nome, era questão de honra. "Nenhum passo para tras" era a ordem de Stalin. Após destruir a cidade, Hitler obteve uma amarga derrota, e perdeu seu valioso  6º exército. A partir deste ponto a história da Segunda Guerra tem uma virada. Os russos teriam ganhado a guerra sem a ajuda direta dos aliados?

Tags: Stalingrado, WWII

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O meu objetivo é de enriquecer a discussão do tema. Não é uma questão de concordar ou não. Acrescento que, no final de dezembro de 1941, muitos dos generais em chefe das Forças Armadas alemãs renunciaram a seus postos. Hitler nomeou a si mesmo comandante supremo da Wehrmarcht, passando a contribuir para a derrocada alemã, com decisões erradas de estratégica da guerra, que inclusive levou ao cerco do 6º exército alemão, em stalingrado. A derrota de Stalingrado não significava que a Alemanha estava condenada a perder a guerra. O Exército Vermelho não conseguir aniquilar, junto ao 6º Exército, o Grupo de Exércitos A, que tinha avançado sobre o Cáucaso. Além disso, o Exército Alemão deteve as gigantescas ofensivas soviéticas, as operações Marte e Estrela Polar, contra os Grupos de Exército Alemães Central e Nortel, respectivamente.
Ok Jorge,
"Não é uma questão de concordar ou não." Então já que você está ceertissimo da verdade não há nem o que comentar...rsrsrs.

Aqui, pelo que percebi, estamos confrontando fatos históricos com a sua opnião pessoal, mas tudo bem, sem problemas. Vou deixar o pessoal seguir com o debate e não vou me dar mais o trabalho de questionar sua opnião. Mas não precisa ficar "bravo" por isso rs.

Abraço.
Os mesmos fatos históricos podem ser analisados e utilizados para diferentes conclusões. Quando mencionei "não é uma questão de concordar ou não", foi com a intenção de que nenhuma afirmação com base em fatos históricos pode ser considerada uma verdade absoluta.Assim, a "virada" para alguns pode a "batalha de Moscou" ou a de "Stalingrado", ou talvez a de "Kursk", que marca o colapso do nazismo.

Isto posto, acho bastante proveitoso para o grupo que você continue a questionar as minhas opiniões. afinal, como dizia Nélson rodrigues, "toda unanimidade é burra".
Gostei do debate... Como expectador, e não só, a partir da idéia de História como processo as considerações de Paiva são muito pertinente... Não se trata de tentarmos estabelecer um ponto da virada, mas sim analisar o processo. Talvez a batalha de Stalingrado seja ápice dessa reviravolta, mas com as informações trazidas por Paiva, acho que a diretiva n.º 39 e seu conteúdo são sintomáticos sobre os caminhos que já seguiam a guerra... Enfim...
Olá Jorge (eu outra vez hehhe), nosso debate me levou a procurar novamente meus livros, olha q coisa interessante que eu achei:
"Stalingrado foi, de fato, uma batalha decisiva. Mas não foi a única. A primeira das batalhas da segunda guerra mundial que pode ser considerada decisiva foi a de Moscou.(interferencia minha: discordo, a Alemanha ja tinha perdido algumas batahlas antes, mas...:)) A derrota dos nazistas as portas de Moscou representa o fim da blitzkrieg, a guerra relampago...." "A derrota de Stalingrado deixou claro que a Alemanha não poderia vencer uma guerra de longa duração..."
Fonte: Coleção 70° Aniversário da Segunda guerra mundial, livro 17, capítulo 06, primeiras linhas do capítulo

Acho que ambos estavamos certos em algum sentido. Moscou foi a primeira reviravolta na "guerra da Alemanha", mas a Alemanha, mesmo fraca continuou seu ataque, e Stalingrado acabou de vez com os sonhos dos alemães.

Legal mesmo, nada melhor que um livro nas mãos hehehe. Valeu!
Abraço.
Também recorri aos livros para buscar explicações sobre o que ocorreu na Batalha de Moscou e de Stalingrado. Encontrei valiosas informações no livro “Hitler, Comandante Militar”, de Matthwews, Rupert, São Paulo, Madras, 2010.
Hitler fez-se comandante supremo em 1938, assumindo o controle da estratégia da Wehrmacht. Nesse nível, há registros de acertos. Porém, o grau de interferência foi se acentuando, levando-o a tomar decisões operacionais, interferindo nos comandos operacionais dos seus generais.
A maioria dos generais queria atacar Moscou, porque destruiria o centro industrial e de comunicabilidade da Rússia. Hitler discordava, querendo concentrar-se na Ucrânia e Criméia, para aproveitar as reservas de carvão, petróleo e alimentos.
Hitler, em vez de concentrar todas as suas forças no ataque a Moscou, dividiu os panzers de reposição e reservas entre os três grupos do Exército. Bock foi encarregado de capturar Moscou sem que tivesse forças suficientes para a tarefa. Chegou aos arredores da cidade e teve recuar diante do contra-ataque das forças soviéticas.
Hitler se envolveu no planejamento detalhado da ofensiva de verão de 1942, mas os detalhes, ou seja, a parte operacional, não lhe interessava. O general Friedrich Paulus recebeu a incumbência de capturar o Vale Don e Stalingrado, com o não motorizado VI Exército, sem dispor de unidades panzers, fazendo lentos progressos, de tal maneira que a cidade não seria capturada antes de a neve chegar.
Os russos atacaram em 19 de novembro de 1942, cercando a maioria do VI Exército. Hitler não permitiu que VI Exército furasse o cerco, designando Manstein, a frente de do IV Exército Panzer e do III e IV Exércitos Romenos, para chegar a Stalingrado e reforçar as defesas. Chegou a 56 quilômetros da cidade e teve de recuar para responder a um ataque russo.
O ataque soviético ao VI Exército começou em 10 de janeiro de 1943, resultando na sua rendição em 31 de janeiro daquele ano.
Mais uma vez, ignorou-se os detalhes operacionais, destacando-se forças insuficientes para capturar Stalingrado, bem como impedindo a General Paulus de efetuar retirada.
Vê-se, pois, que o Exército Alemão teria colhido melhores resultados se tivesse ficado sob o efetivo comando dos seus Generais.
Sim, exatamente! Os generais de inicio não queriam a Barbarossa, mas sem poder impedir, ainda tentaram fazer "boas escolhas", mas Hitler, se achando o rei da cocada preta fez m*, ai a história mudou de rumo. Como você disse bem, ele ignorava os detalhes operacionais, um pecado sem tamanho.
Sobre a questão - Os russos teriam ganhado a guerra sem a ajuda direta dos aliados?

O Exército Vermelho efetivamente derrotou Hitler, suportando a quase totalidade da luta contra a Alemanha, de 1941 a 1945.
A contribuição dos aliados ocorreu, inicialmente, no Norte da África, em 1941, contra o afrikakorps de Rommel e seus aliados italianos. Após derrotá-los, em 1943, invadiram a Itália.
A ausência de uma segunda frente de luta foi uma reclamação constante dos Soviéticos, que os Aliados, por falta de preparo, só puderam atender com o desembarque em 6 de junho de 1944, cujo sucesso dependeu, em parte, dos erros dos alemães.
Além disso, os Aliados efetuaram uma campanha de bombardeios estratégicos contra a Alemanha, prejudicando seriamente o esforço de guerra alemão e o seu poderio aéreo.
Outra contribuição dos Aliados foi o envio de suprimentos, através do Programa de Empréstimos e Arrendamentos, compreendendo alimentos, roupas, matérias-primas estratégicas, caminhões, locomotivas, vagões e armamentos em geral. Apesar de depreciada pelos Soviéticos, a importância dessa ajuda foi significativa.
David M Glantz & Jonathan House, no seu livro “Confronto de Titãs – Como o Exército Vermelho deteve Hitler”, 1ª edição, C&R Editorial, 2009, São Paulo, afirmam que:
“Se deixados com seus próprios aparelhos, Stalin e seus comandantes teriam levado de 12 a 18 meses mais para acabar com a Wehrmacht. O resultado final provavelmente teria sido o mesmo, exceto que os soldados soviéticos poderiam ter atravessado as praias até o litoral atlântico francês. Assim, se por um lado o Exército Vermelho sangrou pelos aliados, teria derramado muito mais sangue, por mais tempo, sem sua ajuda.”

A guerra custou pelos menos 29 milhões de baixas militares à União Soviética, enquanto quase 11 milhões de militares alemães caíram ou foram feitos prisioneiros no leste.
Durante muito tempo a informação predominante era a de que os aliados tinham ganhado a Segunda Mundial, ignorando a atuação relevante da União soviética. Tal fato era reforçado pelas histórias divulgadas pelos filmes e pela ausência de literatura sobre a guerra travada na União Soviética.
Na minha opinião a URSS não teria ganhado a guerra sozinha contra os alemães. Primeiro, por causa dos expurgos que Stalin efetuou na cúpula das forças armadas soviéticas. Segundo, por causa dos problemas econômicos que afetavam diretamente a indústria bélica. A contribuição aliada foi essencial para os russos. Porém, como afirma Hobsbawm em sua História do Breve Século XX, a participação soviética foi capital para a vitória aliada. Os soviéticos tiveram dez milhões de mortos na II Guerra e não podemos desprezar a contribuição de todo esse sangue derramado.
Para obter uma rápida vitória com a “Operação Barbarossa”, os alemães planejavam destruir o Exército Soviético em uma série de cercos próximos a fronteira soviético-polonesa.
A intenção de Hitler recaía sobre o Exército Vermelho, conforme a Diretiva nº 21:
“A massa do exército (vermelho) posicionada na Rússia Ocidental deve ser destruída em operações ousadas que envolvam penetrações em profundidade por frentes de ataque blindado, devendo-se evitar a retirada de elementos capazes em amplas extensões russas.”
Pretendia-se repetir as vitórias alcançadas nos Países Baixos e na França, em 1940, com a “guerra relâmpago” amparada pelas forças blindadas e infantaria motorizada.
Na realidade, a Alemanha somente dispunha de veículos motorizados para equipar um pequeno número de tropas. A maior parte do seu Exército, em toda a 2ª Guerra Mundial, utilizou infantaria a pé e artilharia puxada a cavalo.
A frente de batalha era bastante ampla, estendendo-se do Mar Báltico ao Mar Negro. A Alemanha não teve forças blindadas e motorizadas em quantidade suficiente para cercar e destruir o Exército Vermelho nas vastas planícies da região. Apesar das sucessivas derrotas, parte das tropas soviéticas conseguiu fugir ao cerco e continuar lutando contra os alemães.
Os primeiros obstáculos foram a vastidão da frente de batalha e a falta de motorização do Exército Alemão.
Mas as principais fraquezas da Alemanha estavam situadas no campo da logística, que foram:
- Dificuldades no transporte de suprimentos, tendo em vista a diferença de bitola da rede ferroviária soviética (principal meio de transporte), que impossibilitava a utilização de equipamento ferroviário alemão:
- A economia alemã não tinha sido mobilizada para a guerra. Sofreu a falta de petróleo e matérias-primas durante toda a guerra.
Podemos concluir que Hitler não se preparou para um longo conflito com os soviéticos, pois contava com uma rápida vitória. Eis a razão principal de sua derrota.
Bem lembrado, José.
Quando falamos de ajuda aliada, pensamos em apoio apenas militar mas os EUA ajudaram a URSS com material e equipamentos também. Provavelmente sem essa ajuda os soviéticos não segurariam o ataque alemão.
O planejamento militar Soviético, desenvolvido a partir de 1935, concentrava-se na ameaça representada pela Alemanha Nazista e o Japão.
Por ocasião do ataque nazista, em 1941, o Exército Vermelho estava desestruturado pela falta de comandantes e oficiais experimentados e treinados, expurgados por Stalin. Por este motivo, a estratégia defensiva nunca foi posta em operação.
Por outro lado, os oficiais soviéticos sempre foram desestimulados a tomarem iniciativas, ficando na dependência de ordens originadas dos níveis superiores de comando, que sofriam interferência direta de Stalin na formulação das estratégias e sua operacionalização.
A reação soviética foi caracterizada pelos seguintes fatos:
- Reorganização do exército – Circular do Stavka nº 1, de 15 de julho de 1941;
- Convocação de 5,3 milhões de reservistas até o final de junho de 1941. Houve sucessivas mobilizações posteriores. Estima-se que, por ocasião da invasão alemã, havia 14 milhões de soviéticos com preparação militar básica;
- Remoção, com sucesso, de grande parte das instalações industriais para o leste. Antes da guerra, a maior parte da indústria soviética estava localizada a oeste do país;
- Autodestruição dos recursos e instalações das áreas ocupadas pelos alemães, notadamente na área de transporte e eletricidade.
Outros fatores agiram em favor dos soviéticos, tais como:
- Encurtamento das linhas de suprimentos, com o avanço do Exército Alemão;
- O soldado soviético estava acostumado às condições do terreno e clima, e conseguia sobreviver com menos recursos do que o soldado alemão;
- As vestimentas e armas soviéticas estavam adaptadas às intempéries do inverno de baixos níveis de temperatura.
Os soviéticos ganharam a guerra contra os alemães porque demonstraram grande capacidade de reação diante das adversidades da guerra, reorganizando e mobilizando novos exércitos e deslocando e reinstalando o seu parque industrial, em curto espaço de tempo e com bons resultados.
Mas, nada melhor do que transcrever as palavras de um general adversário, o alemão Franz Halder, em 11 de agosto de 1941, 50 dias após o início da operação “Barbarossa”;
“a situação toda deixa cada vez mais claro que subestimamos o gigantismo da Rússia ... as divisões (soviéticas) não estão tão armadas e equipadas como nós e, de modo geral, sua liderança tática é pobre. Mas lá estão eles... e se esmagamos uma dúzia deles, a Rússia simplesmente coloca outros doze ..... eles estão perto de seus próprios recursos, enquanto nós nos afastamos cada vez mais dos nossos. E então nossas tropas espalhadas por uma imensa linha de frente, sem qualquer profundidade, ficam expostas aos incessantes ataques do inimigo.”
fonte: Confronto de Titãs -Como o Exército Vermelho deteve Hitler - de David M Glantz & Jonathan House, C&R Editorial, 1ª edição, 2009 - pág. 95/96;

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