“Na sala (da casa de Tia Ciata), o baile onde se tocavam os sambas de partido entre os mais velhos, e mesmo música instrumental quando
apareciam os músicos profissionais, muitos da primeira geração dos
filhos dos baianos, que freqüentavam a casa. No terreiro, o samba raiado
e às vezes as rodas de batuque entre os mais moços. (...) As grandes
figuras do mundo musical carioca, Pixinguinha, Donga (filho de mãe
baiana), João da Baiana (idem), Heitor dos Prazeres (também filho de mãe
baiana), surgem ainda crianças naquelas rodas onde aprendem as
tradições musicais baianas a que depois dariam uma forma nova, carioca.”
(pág. 103)
“A casa da Tia Ciata se torna a capital dessa Pequena África no Rio de Janeiro. (...) Assim, esse grupo baiano
se constituía numa elite nessa comunidade popular que se desloca do
Centro para suas imediações, forçada a se reestruturar a partir das
grandes transformações nacionais e da reforma da cidade, referências de
um grupo heterogêneo e caótico onde se preservam e se misturam essas
maiorias e minorias étnicas nacionais e estrangeiras. Principalmente
entre os negros, os africanos e os baianos da nação iorubá, garantidos
por suas tradições civilizatórias e coesos pelo culto do candomblé, eram
considerados uma gente distinta, a cujas festas não era qualquer
‘pé-rapado’ que tinha acesso, e cujas cerimônias eram vedadas aos de
fora.” (pág. 106)
Fonte: http://www.capoeira-infos.org/ressources/textes/t_tia_ciata.html
Além desta produção cultural havia o embate contra os africanos e seus descendentes nas suas práticas culturais. Tia Ciata foi uma das principais figuras históricas na luta contra a repressão ao samba.
Então, como você vê esta geração de sambistas e o processo de urbanização com a repressão aos cultos e cultura populares presentes no início do século XX no Brasil?
Tags: Brasil, Ciata, História, Samba, Tia
Permalink Responder até Bruno Leal em 2 março 2012 at 12:51
Natália, bacana o seu texto.
Mas o fórum funciona com perguntas, questões que são propostas para os leitores.
Fica a dica para que o espaço conte com colaborações dos colegas. Abraço!
Bem-vindo (a) ao
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A Memória que me contam - 2013
Entrou em cartaz o novo filme da diretora brasileira, Lúcia Murat, o drama "A Memória que me contam".
A ex-guerrilhera Ana (Simone Spoladore), ícone do movimento de esquerda, é o último elo entre um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar no Brasil. Com a iminente morte da amiga, eles se reencontram na sala de espera de um hospital. Entre eles está Irene (Irene Ravache), uma diretora de cinema que sente-se perdida diante da iminente morte da amiga e que precisa ainda lidar com a inesperada prisão de Paolo (Franco Nero), seu marido, acusado de ter matado duas pessoas em um atentado terrorista ocorrido décadas atrás na Itália.
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