Tibério Cláudio Nero César Druso que sucedeu Calígula e antecedeu Nero, teria editado um Decreto expulsando os judeus de Roma, entre os anos de 49 e 50 da era cristã.

Segundo o relato bíblico de Lucas, em Atos, o casal amigo de Paulo de Tarso, Áqüila e Priscila, teriam deixado Roma e se fixado na cidade de Corinto:

"Encontrou ali um judeu chamado Áquila, que era da província do Ponto. Fazia pouco tempo que ele tinha chegado da Itália com Priscila, a sua esposa. Eles tinham saído de lá porque o imperador Cláudio havia mandado que todos os judeus fossem embora de Roma. Paulo foi visitá-los" (Atos 18:2)

Sabe-se que na época de Cláudio ainda não havia uma declarada perseguição do Império Romano aos cristãos embora as províncias da Palestina sempre foram motivo de encrencas para os romanos. Por sua vez, parece-me que o governo de Cláudio, a princípio, teria sido mais equilibrado do que o de Calígula e de Nero.

Gostaria de saber qual teria sido o motivo dessa expulsão dos judeus de Roma e quais as outras fontes além do livro Atos dos Apóstolos da Bíblia que possam informar sobre esse fato histórico.

Grato.

Exibições: 1665

Anexos

Respostas a este tópico

Oi, Rodrigo!

Suetônio em "A Vida dos Doze Césares", na sua biografia sobre o Imperador Cláudio, fala de uma expulsão de judeus de Roma:

"Como os judeus estavam constantemente causando distúrbios por instigação de CRESTO, ele [Claudio] os expulsou de Roma."

É comumente aceito entre os historiadores que o "Cresto" citado é na realidade Cristo (Christus), cuja pronúncia na época era igual a "Chrestus". A fonte utilizada por Suetônio possivelmente entendia que Cresto fosse Jesus, enquanto que o próprio autor o usou como um nome de um escravo/liberto judeu que estava causando tumultos nas sinagogas romanas durante o período de Cláudio.

A "Vida dos Doze Césares" foi publicada em 120 d.C., Suetônio teria nascido por volta de 69-70, não se sabe quando faleceu.

De fato, datação é um grande problema no caso das fontes antigas...
Oi, André!

Pelo que me informou, pode-se concluir que Suetônio escreveu seu relato baseando-se em outras fontes já que o mesmo teria nascido na época em que Tito já deveria estar governando e, provavelmene, havia muito mais ódio em relação aos judeus e cristãos.

Em minha superficial análise a respeito do que relatou dessa fonte, eu opinaria que Cresto seria mesmo um escravo judeu e não a pessoa de Jesus.

Sem dúvida que os judeus não aceitavam a escravidão, nem o modo de vida dos romanos, e tinham um forte sentimento nacionalista, além de inúmeras seitas naquela época. Desde os fariseus e saduceus que dirigiam o Sinédrio, disputando este poder político-religioso na província da Judéia, como também existiam os ascéticos essênios no Mar Morto e os revoltosos zelotes (acredita-se que Barrabás e Judas o fossem). Adorar o imperador ou meso entrar na casa de um romano era algo impuro para muitos judeus...

Após Jesus, surgiram os seguidores da seita "O Caminho" que, segundo o Livro de Atos, passaram a ser chamados de cristãos a partir da cidade de Antioquia. E, até Nero, os cristãos conseguiram até auxílios das autoridades romanas, de acordo com o livro de Atos.

É bem provável que Paulo de Tarso não tenha sido o primeiro pregador do cristianismo a divulgar a nova fé em Roma entre os judeus. Outros discípulos do cristianismo devem ter estado lá, inclusive nos tempos de Cláudio já que o Evangelho se espalhava por todos os limites do Império Romano ainda que sem a criação de congregações.

Sem dúvida que a questão suscitada é de certa complexidade, mas o certo é que ainda continuam obscuros os motivos que levaram Cláudio a baixar aquele decreto. Porém, o tema é intrigante sendo que, diante de poucas fontes, resta-nos o raciocínio histórico.

É uma coisa de louco, que esses judeus foram expulsos sempre, desde a antiquidade até hoje! Ninguém expulsa alguém só porque o cara é judeu! Esses judeus deveriam ter feito algo horrível e por isso foram expulsos de todos os países do mundo!

RSS

Links Patrocinados

EVENTO EM DESTAQUE

Cine História

Saint Laurent

Acaba de chegar aos cinemas o filme "Saint Laurent", de 

Sinopse: Entre os anos 1967 e 1976, o estilista Yves Saint-Laurent (Gaspard Ulliel) reinou sozinho no mundo da alta costura francesa. Esta biografia mostra o seu processo criativo, as fotografias e entrevistas polêmicas, a relação com o marido e empresário Pierre Berger (Jérémie Renier), os casos amorosos extra-conjugais e a relação com o álcool e as drogas, que quase destruíram o império da marca YSL.O avô húngaro de Alex Levy Heller, diretor e roteirista deste documentário, teria escondido um relógio Patek Philippe com seu irmão mais velho antes de ser preso no campo de concentração de Auschwitz. Na busca por esse objeto, Alex faz duas viagens: Uma até a Polônia - atual Romênia e a Israel - usando o relógio como pretexto para descobrir mais sobre a história da sobrevivência de sua família. Na outra, ele entrevista sobreviventes do Holocausto que vieram morar no Brasil, resgatando as memórias dos sobreviventes desse período negro da história

café história acadêmico

Arte: Leia, na íntegra e gratuitamente, o livro “A Era de Caravaggio.

Parceiros


Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

Atenção!

O Café História respeita a opinião de todos nos mais diversos espaços da rede. Reserva-se, no entanto, o direito de suspender textos de teor ofensivo, agressivo ou que sustente preconceitos de qualquer ordem, que promovam a violência ou que estejam em desacordo com o bom senso e as leis brasileiras. Da mesma forma, o Café História poderá suspender membros que publiquem este tipo de conteúdo. Se identificar algum conteúdo ofensivo ou comportamentos inadequados, por favor notifique-nos: cafehistoria@gmail.com

© 2014   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }