Esse é um ponto TEEEEEEEEEENSO!!!!!!!!!

Falo isso porque venho participando de pesquisa em História da Psicologia, especificamente sobre História da Análise Institucional no
Brasil, e muitas evzes ficanmos mais embrenhados nas problemáticas
metodológicas e políticas da História e da História Oral do que com a
própria Análise Institucional.

Não podemos esquecer NUNCA de como a História é um saber utilizado estrategicamente para a legitimação de privilégios e conjunturas. Isto é, os diversos grupos políticos se utilizam da História, ou das histórias, para justificar suas práticas, e, pior, justificar as suas opressões, sa contradições sociais... enfim, atribuir sempre um status de naturalidade `s bizarrices sociais,
do tipo "ah, com essa História, realmente, as coisas deviam ser assim
mesmo".

Tá aqui o "ponto nevrálgico", no projeto, do que eu tô falando

"Art. 4º São atribuições dos Historiadores:

III – planejamento, organização, implantação e direção de serviços de pesquisa histórica;
IV – assessoramento, organização, implantação e direção de serviços de documentação e informação histórica;
V – assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos, para fins de preservação;
VI – elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos."


Isto é, nesses pontos, o projeto institui que só pode escrever História quem for formado em História, seja a titulação de graduação ou pós.

Isso acaba por deslegitimar diveeeeeersas iniciativas populares de escrever a própria história. Na verdade, mina qualquer possibilidade de iniciativa futura, ainda colocando aqueles que tentarem no campo da criminalidade, de exercício ilegal da profissão.

Afinal, QUEM PODE ESCREVER HISTÓRIA???

Será que escrever história deve, realmente, ficar restrito a uma política de produção do conhecimento - a acadêmica???

Afinal 2, esse projeto de lei estará produzindo e reverberando histórias, vozes... ou silêncios?? Ou silenciamentos???

Afinal 3, esse projeto deveria ser, ao invés de "regulamentar e valorizar a
profissão de historiador", deveria se justificar como "apenas algumas vozes devem ser valorizadas na construção da história: a nossa"

Bejios e abraços. Desculpem se fui muito crítico...

O link do Projeto de Lei é http://legis.senado.gov.br/mate-pdf/64881.pdf

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Respostas a este tópico

Penso que o mercado editorial já respondeu a pergunta. Aliás penso que o problema encontra-se na utilização do termo no singular. Todos podem escrever histórias.
Daniel, tuas colocações foram muito bem expostas, por isso compreendo teu ponto de vista. Porém creio que o que diz o Art.4º a respeito das atribuições do historiador apenas venha a enriquecer e não inibir projetos,pois ele esclarece que deve existir um historiador como responsável, o quê ,na minha opinião, servirá para "espantar" àqueles que querem fazer da história apenas um jogo de interesses, como os biógrafos de muitos políticos por aí...Não que essa hipótese seja excluída, isto é, que não vá haver quem se preste ao papel de falsificador...Mas pelo menos agora estes poderão ser responsabilizados, entende? E de maneira geral as pessoas poderão confiar mais nas versões de historiadores sérios.
Espero ter contribuído... E parabéns pela coragem de levantar este assunto aqui!
Um forte abraço.
Caro Daniel,
folgo em finalmente ouvir uma voz lúcida em meio ao lamaçal da reserva de mercado exclusiva para egressos da universidade. O grande ganhador de tudo isso não é o historiador, que ingenuamente crê aumentar sua empregabilidade. O grande ganhador de tudo isso é a universidade, que com isso se torna agente oficial e credenciador exclusivo. E vivam os cartórios!
Ola Damaris,
Vc informa
"Art.4º a respeito das atribuições do historiador apenas venha a enriquecer e não inibir projetos"
porem isso é muito subjetivo. Tudo pode ser afirmado dessa maneira. Vai depender de quem estiver no poder do regulador.

Se todo poder é corruptível, a dos regulamentadores também é. Quem serão eles amanha? Como eles serao eleitos? Como protege-los da mídia e do poder economico?
Ainda não tenho uma opinião fechada, mas hoje tenho concordância completa com o que diz Daniel... Além do mais isso não garante que os Historiadores farão uma Boa História, ou que serão os melhores professores de História... Basta ver o caminho seguido por Del Priore ou por Murilo de Carvalho que resolveram escrever História romanceada como se fosse História... Enfim... Além do mais não acho que isso garanta emprego e nem nada disso, apenas excluirá que se façam Histórias (plural ou singular, pra mim têm o mesmo significado, diferente da (acho que extinta) Estória)...
Por outro lado, de fato é frustrante ter como concorrentes pessoas de "áreas afins"... O que são "áreas afins"... Pra História TUDO... Critico a nossa baixa formação nas disciplinas de educação, acho que os cursos de História nos formam MAL como professores, mas se temos essas debilidades, imagina um advogado, bacharel? E ter uma pós em Educação não diz nada... Os mestrados e especializações são fábricas de 2 anos, apenas e essas duas pós e o doutorado não é voltada, independente da área, para a prática educacional...
Enfim... Como disse, estou formando minha opinião...
A história não é feudo ou prerrogativa exclusiva de uma classe profissional. A reserva de mercado até que é tentadora para nós formados na disciplina mas acredito que levar isso adiante seria contraproducente. Todos podem escrevê-la...

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Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

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