Bom dia!
É possível utilizar textos memorialísticos como fonte de pesquisa histórica?
Como utilizar? Análise do discurso?
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Permalink Responder até Francemberg Teixeira Reis em 15 dezembro 2011 at 19:33
Certamente. Os historiadores trabalham com uma multiplicidade de fontes e os textos produzidos por memorialistas são importantes fontes para a investigação histórica. Geralmente estes textos contribuem para preencher lacunas na pesquisa, em muitos momentos são complementares das fontes orais, onde encontramos uma estrita relação entre ambas; os textos memorialísticos podem também reforçar fatos oficialmente documentados. Obviamente, estes textos são carregados de juízos de valor e, como toda fonte histórica, não deve ser analisada pelo pesquisador com ingenuidade, porém, com criticidade, afinal, o Moderno pai da História (Marc Bloch) já nos ensinava isso. Como vc já apontou a análise do discurso pode ser um excelente caminho metodológico para trabalhar nestes textos.
Sugiro que consulte:
RICOEUR, Paul. A memória, a história e o esquecimento. São Paulo: UNICAMP, 2007.
ROSSI, Paolo. O passado, a memória e o esquecimento: seis ensaios sobre a história das ideias. São Paulo: UNESP,
2010.
Saudações
Permalink Responder até Mateus Barradas Teixeira em 6 janeiro 2012 at 9:27
É muito importante ler os memorialistas quando se trata de História Regional.
Mas seus escritos são carregados de grandes heróis, temas estritamente políticos e muito juízo de valor. É bom ler com seriedade, criticando as fontes e confrontando com outras. Eu particularmente estudo imigração e observo que a maioria dos memorialistas produzem ótimos discursos sobre a realidade histórica da época, mas sem um bom trato nas fontes.
Mesmo assim é importante respeita-los e utiliza-los na pesquisa, pois eles preservam a memória regional que é bem esquecida...
Permalink Responder até Bruno Leal em 21 janeiro 2012 at 16:47
Acredito que não tem como fugir: como um fenômeno histórico e como um objeto de estudo. Peter Burke já fez essa observação em algum texto. Abs!
Permalink Responder até ANTONIO DE MELO TORRES em 13 maio 2012 at 19:28
Como a história está cheia de lacunas, é importante veicularmos várias ferramentas de pesquisas, os textos memorialísticos devem fazer parte desse acervo do pesquisador.
Permalink Responder até Bruno Leal em 14 setembro 2012 at 12:04
Mas, Antonio, não seria um erro encarar textos memorialistas como complementares de algo que falta?
Acredito que depende do contexto, afinal qualquer evidencia só ganha valor quando analisada em contexto.
Permalink Responder até VLADYA CEZARIO SEVERIANO em 3 novembro 2012 at 14:35
textos memorialistas nos dar um norte para uma pesquisa em campo, e nos ajuda bastante, mais a pratica em minha concepção nos dar mais prazer em sempre ir em busta de algo mais
abraços!
Permalink Responder até Rafael Freitas em 30 novembro 2012 at 6:13
A resposta já foi dada na introdução do tópico. Os textos memorialistas têm sua carga de subjetividade tanto quanto qualquer outro documento. Pergunto se estes textos podem ser considerados fontes primárias?
Permalink Responder até Bruno Leal em 4 março 2013 at 10:45
Com certeza, Rafael.
Veja o campo que a história oral, por exemplo, se tornou atualmente. Super bem estabelecido e com uma metodologia muito bem definida.
Textos memorialistas, neste mesmo sentido, são fontes primárias como outras que nós, historiadores, trabalhamos. Com suas particularidades, claro, mas são fontes, sim.
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