O PL que regulamenta a profissão de Historiador está em fase final no Congresso... e lá, aos LICENCIADOS é facultado o exercício dessa nova profissão. Isso só vai reiterar a péssima prática que existe nos cursos de graduação de continuar privilegiando a formação do bacharel e abandonando à prática a formação do PROFESSOR. O blablablá de que ensino e pesquisa são indissociáveis vai continuar camuflando a incompetência na formação de quadros docentes para a educação básica. Quem poderá nos defender?

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Pensar no profissional da História como apenas um pesquisador, longe da prática docente, é uma irrealidade e um absurdo dentro de um país como o Brasil (marcado pelo baixo investimento em pesquisas, e por uma educação básica das piores do planeta Terra). Isso é legitimar o encastelamento dos ditos "eruditos" ou "especialistas" dentro das paredes e muros universitários, portanto longe da realidade objetiva do país e do papel fundamental, do profissional da História, como sujeito de transformação, sujeito atuante, junto da sociedade e do povo - logo, a partir da sua atuação como educador.
Ao invés de lutar pela legitimidade de uma postura aristocrática, péssima em todos os sentidos, nós deveríamos tomar vergonha na cara e lutarmos por uma educação de qualidade, inclusiva, e que busque dentro de um projeto maior a valorização dos educadores. Legitimando essa conversa de "ser historiador" vamos dar vazão a ideia weberiana a respeito do especialista sem coração, burocratizando, instrumentalizando demais uma profissão que é, essencialmente, humanística.
Eu defendo os professores, sempre!
Abraços, prof. Tiago Menta (profissional de história, sim, mas educador na essência).
Faço minhas todas as tuas palavras e digo mais,o que se faz hoje na maioria dos cursos de graduação é ESTELIONATO EDUCACIONAL.
A Academina ainda não entende que o ideial é se formar um professor pesquisador. No VII Perspectivas do Ensino de História, ano passado, realizado em Uberlândia (MG), eu pude notar como a profissão de professor é desvalorizada. Houve uma participação mínima de estudantes de história na organização do evento. Os estudantes de pedagogia é que estavam ajudando. Quem tem que começar a defender a profissão são os próprios professores das universidades. Eles tem que estimular a participação de alunos em eventos e pesquisas ligadas ao ensino. Duvido que na ANPUH regional deste ano, que também seré em Uberlândia, falte um só aluno da gradução.
E mais... ela não entende também que a pesquisa do professor não pode ser essa que fica mofando em biblioteca, ela precisa auxiliá-lo a suscitar a produção de conhecimento nas escolas... mas pra isso a Academi precisaria descer das torres de marfins e ir lá... para o chão da fábrica. Tudo conspira para que nossa disciplina deixe de fazer parte das grades das escolas...
Não acho que cheguem a retirar a História, mas acho que corremos o risco de não ter mais professores de história, mas baxaréis, mestres ou doutores saídos das Universidades, sem preparo, que nunca pensaram em ir para uma sala de aula ( a não ser uma sala universitária) e que irão cair nas salas do ensino regular. Já está acontecendo isso nas escolas federais de ensino médio. Já ouvi muitas reclamações a esse respeito.
Concordo plenamente com vc Natania. Eu me formo no próximo ano, mas desejo dar aulas pro ensino fundamental ou médio, porém no meu curso são pucos os que tem o desejo de dar aulas e principalmente em escolas Estadual. No meu estado o de São Paulo nosso governo vem a décadas destruindo o sistema educacional, aqui existe a educação continuada que não repete o aluno fazendo com que o Professor o passe sem mesmo ele ter atingido a nota minima, com isso o Professor acaba sendo desvalorizado pelos alunos e pelo governo, trazendo uma desmotivação para a docencia. Enfim, ser Professor no estado de São Paulo é pra quem ama a profissão e ser Professor de História é ser desafiador, é remar contra à maré...
Infelizmente, como não conseguimos mostrar nas escolas a necessidade do conhecimento histórico para o dia-a-dia das pessoas (as pessoas que vivem no entorno das torres....), a tendência da ciraçãod e humanidades apontada para o EM vai acabar chegando ao EF. Os colegas não sabem a utilidade da História e não conseguem, por isso, "ensinar".
Tardif defente um estágio mais longo, nas salas de aula que enfatise a prática para que o futuro professor possa ter uma noção melho daquilo que o espera. Acredito que a gente aprende muito na prática, mas para isso é preciso motivação. Muitos profissionais "estão" professores e não "são" professores, então perdem a oportunidade de crescer como profissional. Eu acho que o idela é o professor/pesquisador, que deve ser estimulado nas duas partes. Não raramente eu me vejo em situaçãoes em que meu lado pesquisador é valorizado e o lado professor banalizado, com comentários do tipo " Pq vc dá aulas no ensino regular? Vc deveria estar dando aulas em faculdade". Ora, entendo que no ensino regular eu posso contribuir muito mais do que em uma universidade, estimulando meus alunos a ingressar no ensino superior.
Eu defendo uma reestruturação da Licenciatura, estabelecendo-se CURSOS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES, sempre pensei em 3 anos de formação e 3 de especialização. 3 anos de formação de professor e 3 anos para que o professor se especialize em uma área (História, geografia, matemática, etc....). A prática acompanhando o curso desde o início e a pesquisa voltada para a prática pedagógica acontecendo no ambiente de trabalho. Ou seja, desvincular a ~formação de professor do Bacharelado. O principal, contudo é que o corpo docente só poderia ser formado por profissionais com experiência de atuação na Educação Básica de pelo menos 5 anos.
Não há defesa para o professor, especcialmente, o de História ou das disciplinas relacionadas as Ciências Humanas, com exceção do Direito, que tem uma entidade forte. Hoje as publicações seobre temas históricos que que atinge o grande público são escritas por jornalistas, que querem ter exclusividade no trabalho deles.
Este projeto de lei, é uma daquelas coisas que se faz no Brasil só para dizer que não fez nada enquanto estava no congresso. É um desserviço ao conhecimento. Pior foi proposto por um Historiador. É uma pena.

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