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Os Anos 60

Um vendaval sacode o planeta. O Homem como protagonista da História, a diversidade de movimentos cujo leit motiv é a transformação do mundo e dos costumes, ocupa o centro de convergência do ver e do fazer. Destino: Ser. Estamos nos Anos 60.

Foto:  Angela Davis. Professora Doutora de Filosofia da Universidade da Califórnia e militante comunista. A imagem foi usada no mundo inteiro durante a campanha "Free Angela Davis" em prol de sua libertação e da acusação que o então governador Ronald Reagan impingiu-lhe numa tentativa de levá-la aos Tribunais e à condenação à morte. John Lennon  - no álbum "New York Times" -  dedicou-lhe uma composição.

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Última atividade: 13 Maio

Os Anos 60 - Uma Década Experimental

Assim foi. Década de excessos, de ânsia de liberdade. Sobretudo, a certeza de que era possível transformar o mundo. No Brasil, marca o final do governo Kubitschek, um país otimista e jovem (a maioria da população em torno dos 20 anos). A face do mundo, inconformada e revolucionária, investia na solidariedade e nas mudanças. Na promoção do Homem enquanto possibilidade. Guerras de libertação nacional sacudiam os países coloniais. O Movimento pelos Direitos Civis clamava pela dignidade do negro norte-americano. No caldeirão da Guerra Fria, uma nova mentalidade social se desenhava. Governos progressistas instalavam-se em todos os continentes. Até a Igreja Católica elegeu um Papa - João XXIII - afinado com o momento histórico. O soviético Yúri Gagárin, o primeiro cosmonauta, sentenciou: "A Terra é azul". Ao conquistar o espaço, o Homem aboliu a linha do horizonte. E fez poesia. O infinito coloca-se como possibilidade.

A reação é inevitável. Os Estados Unidos patrocinam a derrubada de todos os ícones da transformação social: Lumumba e N´Kruma, na África; Sukarno, na Indonésia; João Goulart e Salvador Allende, na América Latina. Fracassa a invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, para depor Fidel Castro. No plano interno, assassinato do presidente John Kennedy. Como conseqüência, a intensificação da Guerra do Viet-nam, a criação da Doutrina de Segurança Nacional e da Escola das Américas (centro de treinamento para militares identificados com esta postura) e o fomento das ditaduras militares que, a exemplo do Brasil, faziam coro com a máxima de Juracy Magalhães, Ministro das Relações Exteriores: "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil".

O Poder Jovem apresenta-se como alternativa em dois níveis: no engajamento político-revolucionário que apostava no coletivo, e o da Contracultura, centrada na promoção do indivíduo. Acróstico exibido por um morador de High Ashbury, San Francisco, Califórnia, dá o tom: HIPPIE.

 

H ELP

I N

P RODUCING

P EACEFUL

I NDIVIDUAL

E XISTENCE.

 

 

O protesto estudantil e a luta armada; os Festivais de Música, a radicalização e o desbunde são o contraponto à escalada da violência e ao terrorismo de Estado. A Intelligenzia produz uma reflexão que ajuda a compreender e a nortear os acontecimentos. As letras das canções abordam todos os temas e servem de veículo de conscientização. No RJ de 68, Geraldo Vandré incendeia o Maracanãzinho no Festival da Canção com "Pra não Dizer que não Falei das Flores". John Lennon, na despedida dos Beatles, compõe "Imagine". Já em carreira solo, em NY, promove um mega-concerto com a banda Elephant´s Memory contra a guerra no sudeste asiático.

As Artes Plásticas, a Literatura, registram momentos de excepcional criatividade marcados pela experimentação. Experimentação que irá permear toda a vida social do planeta. "É proibido proibir".

A irrupção de uma nova consciência é explicitada por Thimothy Leary, Doutor em Psicologia, Professor da Universidade da Califórnia e Sumo Sacerdote do LSD: "Uma revolução está acontecendo neste momento dentro da cabeça das pessoas. Não importa quantas batidas a polícia faça. Ela não pode aprisionar as consciências. Esta é a geração mais santa da História. Os jovens de agora não serão iguais a papai e a mamãe" ("The Politics of Ecstasy").

A questão dos vínculos familiares e afetivos, o sexo grupal, a redescoberta do corpo, a importância do prazer, o respeito às diferenças, entre tantas outras, aí estão à espera de quem se manifeste para desenvolver a reflexão sobre uma época cuja característica mais fundamental foi a Esperança.

Alguém se habilita?

Fórum de discussão

Qual o principal impacto tecnológico nos meios de comunicação durante os anos 1960?

Iniciado por Bruno Leal. Última resposta de Fernando Pinto da Silva 21 Nov, 2012. 2 Respostas

Anos 1960: uma época de transformações em múltiplas áreas.Continuar

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Comentário de João Roberto Laque em 18 abril 2013 às 23:05

UM LIVRO DE HISTÓRIA IMPRESCINDÍVEL PARA VOCÊ,

AMIGO DO CAFÉ HISTÓRIA.

MAS É SÓ ATÉ AMANHÃ

PARA CONHECER MELHOR A OBRA ACESSE

www.osanosdechumbo.blogspot.com.br

ABRAÇÃO.

Comentário de umbelina rosa em 20 novembro 2012 às 13:22

Fue una época de  excesos del paz y  amor ,de las drogas psicodelicas,del paz y amor ,de las grandes manifestaciones y luchas del mayo francés de los jóvenes que alrededor de américa latina quisieron con sus armas cambiar la historia en fin una época compleja en la historia de la humanidad.

Comentário de Filipe Avelar em 19 agosto 2012 às 23:18

O advento da TV no Brasil

Comentário de Ivy Gomide em 25 março 2012 às 21:55

SOBRE  A  JUVENTUDE...

 

Os anos 60 foram  sobretudo os criadores de uma nova filosofia de vida, uma nova juventude,  mais livre, menos preconceituosa e mais saudável.  Havia a tentativa de encontrar uma saída de  muitas angustias. Foi uma época onde se experimentou de tudo. Os anos sessenta marcam uma nova trajetória na vida das sociedades.

Questionavam a sociedade, o capitalismo e a sociedade industrial. Recriaram um mundo novo e original e a paz era seu objetivo. PAZ E AMOR, este era o lema.

Estes  jovens   receberam  o nome de Hippie  que  é  um termo que significa zombar  e melancolia.

Comentário de Thiers Rimbaud em 25 março 2012 às 18:18

...

 Vou  comentar a principio  a época  da ditadura  que   chamamos de

Anos sombrios

 

 

Dia   31/03   estes anos tão sombrios  farão 48 anos e eu   tenho apenas  28.......>  Se abrimos um livro de História, com certeza leremos sobre  este momento tão trágico. Muitos jovens  são totalmente  desmemoriados, e eu me espanto!

Wladimir, esses caras defecaram no Brasil!

Diante da perfeição de seu texto é difícil  se atrever a comentar.

 

1º....

 

País da Lei de Gerson”.
Parodiando Nietzsche, “quem virá salvar-nos de nossos salvadores”?

 

2º...

 

Eu sou uma vaca fardada”! (Declaração do general Olímpio Mourão Filho, um dos “líderes” da “Redentora”, como também era conhecida a “Revolução de 31 de Março” - leia-se Golpe de 1° de Abril - a propósito de sua cultura política)

 

Sem dúvida alguma: Não era uma eram milhares.. milhares da vacas fardadas!

Eles promoveram a....  mediocridade e a incompetência.

 

3º ...

Hegel observa que ´a História não é o teatro da felicidade´. Os períodos felizes são páginas em branco. A História, em sua auto-realização, exige o esforço, a luta e o sacrifício de gerações inteiras. Só assim, vencendo etapa por etapa, a sociedade poderia chegar ao que chegou e vir a ser aquilo que será, com a plena e livre expansão dos indivíduos e das massas”.

 

 

beleza poética....  que guardei do companheiro Wladimir

 

Há condições que ainda não conhecemos ou que ainda não se apresentaram, e por isso amanhã poderá chover ou fazer sol. Vivemos cercados de possibilidades, não só de realidade. Na prisão da simples realidade, não nos poderíamos tocar. Nem mesmo respirar”.
O ainda-não-ser se apresenta duplamente (de vez que ainda teremos por muito tempo a separação de sujeito e objeto): como ainda-não-consciente e como ainda-não-atualizado. O ainda-não-consciente em nós, o pré-consciente criador, representa o ainda-não-atualizado no objeto, enquanto contém em si o verdadeiro futuro”.

 

 

Já li muito a História do Brasil,  sabes   do que  já  falamos  anos atrás  e lembro-me  de sua  lucidez  e coerência   qdo   comentou ainda no Orkut  estes anos tão sombrios.  Uma  mazela pela qual o país passou,  devemos  fazer   como  os   poloneses, nunca esquecer  esta  fase   tóxica  que vivemos, nunca esquecer  para que não se repita.Gostaria que  todos  os jovens  tivessem abertura e conhecimento  do que foi  a doença   desta   época.

Comentário de Rúbia Carla Martins Rodrigues em 25 março 2012 às 16:27

Tive que fazê-la em partes, pois o espaço aqui, não permite muitas palavras de uma única vez.

Comentário de Rúbia Carla Martins Rodrigues em 25 março 2012 às 16:25

Vou deixar minha contribuição aqui através das "Vozes que não se calaram".

Brasil anos sessenta do século XX: um turbilhão de acontecimentos e imagens atravessa a trajetória do tempo em busca de interpretações e registros. Trata-se de um desafio sempre presente: solicitar aos historiadores e cientistas sociais que tragam sua contribuição para o entendimento de diferentes aspectos e características de uma conjuntura complexa e ainda não suficientemente analisada.

Nuvens espessas da polarização política transformaram-se em tempestade e, em 1964, um golpe de estado preventivo, articulado por grupos políticos e setores da sociedade civil que apostavam na modernização conservadora, levou ao rompimento da ordem constitucional e à implantação de um regime militar autoritário, que se aprofundou nos dez primeiros anos de sua vigência. Esse período da História brasileira foi marcado pela imposição do silêncio, por forte repressão, mas também pela resistência e por tentativas de reversão de um processo que desrespeitava direitos civis, políticos e sociais da população (DELGADO, 2006, p. 100).

Dirigia o país uma nova classe de tecnocratas civis e militares, que comandavam não apenas o aparelho de Estado, mas também as gigantescas empresas estatais, cada vez mais numerosas:

A ditadura se sustentava numa aliança de três grupos de interesses bem definidos, chamada de tripé econômico: os empresários nacionais, que conheciam os corredores do poder e se encarregavam da negociação política dos grandes projetos de investimento; as empresas estrangeiras, em geral multinacionais que dominavam as tecnologias de produção; e o Estado, que fornecia a infra-estrutura, matérias-primas básicas, como o aço, a energia, além de garantir, é claro, a segurança para os investimentos. O regime militar, na ótica dessa aliança dominante, havia alcançado nível supremo de qualidade ao excluir o povo, em especial os trabalhadores, da condição de participantes ativos do processo de decisão (KUCINSKI, 2001, p. 9).

Nos subterrâneos do regime, em Goiânia, ainda se empregavam formas bárbaras de repressão contra diversas camadas da população, inclusive contra as mulheres; elas, mesmo vivendo sob o regime ditatorial e patriarcal, foram grandes narradoras de seus feitos e conquistas. O grande desafio nesse período, sem dúvida, foi conquistar sua própria fala.  Colasanti lembra que,

(...) o poder gerador da palavra: o excesso de força que as mulheres, já geradoras da vida, teriam se possuíssem seu livre uso; a negação, às mulheres, das palavras sagradas; o abuso verbal comprovado a que somos submetidas no cotidiano, através da interrupção e encobrimento das nossas frases. Se nos negam a palavra oral, volátil e efêmera, como crer que reconheceriam nosso direito à palavra escrita, tão mais comprometedora? (1997, p. 40).

Mas as mulheres não queriam o poder para perpetuar o que aí estava: o autoritarismo, o machismo, a violência, o desrespeito e as injustiças econômicas e sociais. Reivindicar sua própria voz foi o que o movimento organizado de mulheres (chamado assim inicialmente) fez em todo o país; em Goiânia não foi diferente.

O movimento de mulheres registrou uma forte articulação com as lutas nacionais e internacionais, contribuindo para a ruptura com a perspectiva do sujeito único da história. Por outro lado, colocou em questão a ordem dominante ao expor, criticamente, a dominação e a exploração das mulheres no sistema capitalista.

Dessa maneira, as lutas e resistências das mulheres goianas, segundo Rocha e Bicalho (1999, p. 70): “tomaram a forma de estratégias de lutas, as quais se traduziram em vozes que romperam o silêncio da palavra, da escrita, da arte, da educação e da religião, ainda quando não estavam organizadas”.

Comentário de Rúbia Carla Martins Rodrigues em 25 março 2012 às 16:25

Através da ditadura militar, o governo impôs um autoritarismo que cassou os direitos políticos e civis de inúmeros cidadãos. Em resposta, deparamo-nos com o surgimento de um forte movimento de mulheres pela restauração da plena cidadania.  Esse grupo se consolidou em movimento feminista em um momento em que outras manifestações de libertação, tais como o movimento estudantil e de bairro, denunciavam a existência de formas de opressão.

O movimento feminista em Goiânia saiu de seu isolamento e rompeu o silêncio naquele momento de autoritarismo extremo. Portanto, não se pode deixar de aludir o fato de que o feminismo militante em nosso país surgiu como conseqüência da resistência das mulheres à ditadura, depois da derrota da luta armada.

Inicialmente, ser feminista tinha uma conotação pejorativa. Vivia-se sob fogo cruzado: para a direita, era um movimento imoral, portanto, perigoso; para a esquerda, tratava-se de um reformismo burguês e, para muitos homens e mulheres, independentemente de sua ideologia, feminismo tinha uma conotação anti-feminina. O feminismo versus feminino repercutiu inclusive internamente ao movimento, dividindo seus grupos com denominações excludentes (SARTI, 1998, p. 6).

Comentário de Rúbia Carla Martins Rodrigues em 25 março 2012 às 16:25

Para Nilva Maria Gomes Coêlho[1], a sociedade em Goiânia via as feministas da seguinte maneira:

Olha eu pra te dizer a verdade como feminista mesmo eu assumo a partir da década de 70 pós-prisão assumi publicamente, porque foi um gancho que agente descobriu né, dessa subjetividade e tudo que deveria começar a discutir essas questões que eu acho muito importante, mas como feminista mesmo de tentar engajar era a minha discussão séria, é que os partidos políticos não discutiam a questão da mulher e normalmente os candidatos eram os homens, as mulheres não tinham espaço e quando eu entrei no metropolitano PMDB, ai eu comecei essa discussão um pouco mais séria. Cheguei a fazer parte da frente feminina do PMDB no primeiro momento em 82 e 83 e ai ganhei minha menina em 83 e ai foi que eu hoje eu admiro muito porque as pessoas que continuaram estão na frente até hoje. Então foi um momento assim foi outro trabalho feito na retaguarda porque é muito pesado em termos de projeto.

Comentário de Rúbia Carla Martins Rodrigues em 25 março 2012 às 16:24

E as dificuldades que agente tinha é porque a mulher não é aceita, ela é chamada de doida, maluca e naquele momento ela deveria ser tipo cinderela, quer dizer, aquela menina comportada, aquela menina criada ao estilo de colégio né dominicano, interno, então, esses valores é incucado muito no projeto. Mas eu era avaliada mais porque eu gostava de vôlei, pingue-pongue, queimada, então eu gostava de algumas atividades que a mulher não deveria gostar, mas como eu fui criada multiculturalmente e isso me ajudou muito porque como multicultural eu nasci logo depois de dois homens e as duas mulheres ficavam pra lá, então minha convivência foi masculina mais dentro do projeto social, mais era uma luta que eu travava desde pequena e eu não percebia.

Quando eu percebi que era difícil pra todo mundo, era fundamental uma luta, eu comecei a questionar os valores da mulher e dos homens e em casa nós conseguimos fazer a divisão do trabalho, quer dizer, não tinha essa diferença, era uma briga constante né, porque homem ajudar em casa era um problema sério os pais colocarem. Então a ditadura ela não aceita também essa discussão, quer dizer, as mulheres que fazem parte do movimento são putas e isso é uma coisa assim que eu acho em termos de movimento feminista, eram mal amadas ou eram putas, ou não queriam nada ou malucas. 

 

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Somos tão jovens

Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.

Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

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