O Golpe Militar de 1° de Abril de 1964

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O Golpe Militar de 1° de Abril de 1964

13.12.68. Decretado o AI-5. Eis o Boletim Metereológico do JB em letras miúdas: Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos. Máx.: 38º em Brasília. Mín.: 5º, nas Laranjeiras.

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O Golpe de Abril

A Inversão de Valores

A pretexto de “subversão da ordem e da ameaça comunista”, políticos udenistas, empresários e latifundiários articulam-se com militares identificados com as teses da Segurança Nacional. Respaldados por ajuda externa - financeira, logística e até militar, se necessário fosse - desferem um golpe militar no dia 1° de Abril, que denominaram “Revolução Democrática de 31 de Março".

1ª Aberração Sociológica: Golpe vira Revolução.

Em nome da “salvação do país e da preservação dos valores democráticos e cristãos”, os auto-proclamados “revolucionários” rasgam a Constituição à qual juraram fidelidade. Instaura-se a prepotência, o arbítrio, a censura, as cassações políticas, as prisões dos líderes sindicais, políticos e estudantis. Tentam calar a consciência da nação.

2ª Aberração Sociológica: Ditadura vira Democracia.

Muitos são os desatinos cometidos ao longo dos últimos 49 anos. Para quem gosta de cifras, em 1964 tínhamos uma inflação que ainda não atingira os 100% a-n-u-a-i-s. De lá para cá a dívida externa atingiu patamares estratosféricos.

Conseqüências

Miséria, desemprego, fome, violência, ausência total de valores éticos. De “País do Futuro”, o Brasil se transforma em país sem presente, no “País da Lei de Gerson”.
Parodiando Nietzsche, “quem virá salvar-nos de nossos salvadores”?

Contribuição para um Projeto de Nação

Assista, entre outros, “Os Anos JK” , “Jango” “Josué de Castro, Cidadão do Mundo”, “Marighella – Retrato Falado do Guerrilheiro” e “Glauber – Labirinto do Brasil”, do cineasta Silvio Tendler (disponíveis em DVD). Mergulhe nos últimos 50 anos de nossa História Política e resgate a Memória da Crise Brasileira.

Juscelino: Democracia & Desenvolvimento.

Jango: Justiça Social & Política Externa Independente.

1° de Abril de 1964:

Atrelamento do país aos interesses econômicos e ideológicos norte-americanos. “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil” (Juracy Magalhães, Ministro das Relações Exteriores, nos primeiros momentos da ditadura militar);

A repressão ao movimento estudantil;

O esmagamento das liberdades;

A humilhação da inteligência;

O terrorismo de Estado;

A luta armada;

A reação da Igreja;

O endividamento externo.


Curiosidades

Eu sou uma vaca fardada”! (Declaração do general Olímpio Mourão Filho, um dos “líderes” da “Redentora”, como também era conhecida a “Revolução de 31 de Março” - leia-se Golpe de 1° de Abril - a propósito de sua cultura política).

O famigerado DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) invade a casa de Ferreira Gullar e apreende livro sobre Cubismo como material “subversivo”, isto é, imaginavam tratar-se de propaganda comunista importada de Cuba.

O livro "Em Cima da Hora”, de autoria de uma intelectual francesa anti-comunista, tradução do ex-governador do RJ, Carlos Lacerda, a fina flor do fascismo brasileiro, também é apreendido pela polícia política nas livrarias de todo o país porque sua capa ostentava a foice e o martelo.

Enfim, para os interessados, Sergio Porto, o saudoso Stanislaw Ponte Preta, escreveu a esse respeito o FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País), registrando de forma bem-humorada um capítulo negro de nossa História.

Sugestões para Montar um Painel Amplo da História Brasileira Recente

Getúlio Vargas (1974), direção de Ana Carolina. Narração de Paulo César Pereio.
Música: Jards Macalé.


A partir de filmagens do afamado DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda, órgão do Estado Novo - e da Agência Nacional, a talentosa cineasta monta um painel sensível das imagens que cinegrafistas anônimos registraram nas ruas, nos estádios de futebol, nos comícios políticos e nas manifestações populares que sacudiram as décadas de 30 e de 50.
Documentário emocionante, resgata o fenômeno político de Vargas - uma das personalidades mais controvertidas de nossa História - limitando-se a recuperar toda a emoção de uma época.
Duração: 76 minutos.

Os Anos JK – Uma Trajetória Política (1980), direção de Silvio Tendler.

Brilhante e competente painel de nossa História Política recente - de 1945 aos anos 70 - analisada paralelamente à ascensão de Juscelino à presidência e ao ostracismo a que foi submetido depois do golpe militar de 64.
As três pedras angulares de seu projeto político,

a) A filosofia desenvolvimentista de seu mandato, resumida no slogan “50 Anos em 5”;
b) A construção de Brasília como marco e monumento à nacionalidade;
c) A estabilidade democrática de seu governo.


resumem a importância de um momento histórico em que o Brasil inicia o processo de industrialização e cria as bases para a emancipação econômica.
Dono de invejável otimismo, fruto de uma concepção histórica progressista, Juscelino dirigiu o país com extrema habilidade para integrá-lo à modernidade a partir de seus próprios recursos. Ao deflagrar um movimento de dentro para fora, ele buscava conferir autenticidade e irreversibilidade ao processo histórico.
Tendo a dimensão da grandiosidade e a ótica de um estadista, Juscelino cercou-se de cientistas, de intelectuais e de pessoas extremamente talentosas. Prestigiou a inteligência e investiu na Cultura.
O documentário mostra um Brasil com identidade e enormes perspectivas em oposição ao Brasil da boçalidade carrancuda e da truculência dos “governos” militares que gerou o Brasil de nossos dias: o Brasil da violência, da miséria absoluta, da falta de perspectivas e da ausência total de valores éticos.
Obra imprescindível para todos que desconhecem o exercício da democracia e das liberdades.
Duração: 110 minutos.


Jânio a 24 Quadros (1981), direção de Luiz Alberto Pereira. Elenco: David
Pennington, Luiz Alberto Pereira, Lana Bartman, Augusto Sevá.


O cineasta usou atores para fazer um balanço bem-humorado de trinta anos de História, cujo personagem central é Jânio Quadros.
Faz ressurgir, entre outros protagonistas da vida nacional, a UNE, João Goulart, Juscelino Kubitschek, o ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, Ademar de Barros, eterno presidenciável cujo lema de campanha -“Roubo, mas faço”! - já anunciava os germes da desfaçatez.
O título do filme faz alusão ao dia da renúncia de Jânio: 24 de agosto. Remete-nos, também, ao suicídio de Getúlio Vargas, na mesma data, só que em 1954.
Como assinalou Marx na abertura de “O 18 Brumário de Luis Bonaparte”, Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na História do Mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.
Duração: 70 minutos.

Jango (1984), de Silvio Tendler.

Mais uma formidável realização do excepcional cineasta, que também assina “Os Anos JK”.
Com excelente trilha sonora, o filme inspira-se em rigorosa coletânea de filmes caseiros, fotos, documentários e entrevistas sobre a polêmica carreira de João Goulart, único presidente brasileiro a morrer no exílio.
O percurso compreende a projeção de Jango como Ministro do Trabalho de Getúlio Vargas até o exílio no Uruguai e na Argentina, após o golpe militar de 64.
Reconstrução declaradamente simpática ao presidente deposto e aos tempos da legalidade democrática e à perspectiva de mudanças sociais num país de profundas desigualdades sociais.
Seqüências raras e bem editadas como o comício da Central do Brasil, em 13 de maio de 1964, que serviu de pretexto e de justificativa para a deflagração do golpe que mudou a face do Brasil.
De país respeitado nas assembléias internacionais pela postura progressista e independente, transforma-se em palhaço do mundo, alvo de chacotas de toda espécie. Em visita ao Brasil nos primeiros tempos da ditadura militar, o então presidente da França, Marechal Charles De Gaulle, chegou a afirmar: “O Brasil não é um país sério".
Depoimentos preciosos do general golpista Antonio Carlos Muricy, do ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, do líder estudantil Aldo Arantes, de representantes da assim denominada “Sorbonne”, grupo fascista que atuava dentro da Escola Superior de Guerra, entre outros, ajudam a compreender as motivações mais profundas do intrincado jogo do poder.
O golpe de 64 não representa a deposição de um presidente. Foi uma tentativa de destruir, pela base, todo um projeto de nação. De enquadrar um povo, suas tradições, sua economia, a um modelo alienígena: a execrável “Doutrina de Segurança Nacional”.
Em seu nome, justificaram a prática do terror; perseguiram e sufocaram a inteligência; promoveram a mediocridade e a incompetência. Legaram o “País da Lei de Gerson” às novas gerações, numa tentativa patológica de impedir mudanças sociais, de deter e/ou de alterar os rumos da História, fazendo-a caminhar para trás, adeptos de uma mentalidade de curupiras.
A trilha sonora, muito bem usada, acentua mais ainda o caráter de época das imagens.
Duração: 117 minutos.

Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho.

Eduardo Coutinho rodava, com o mesmo título, um filme no nordeste do país quando eclodiu o golpe militar de 64.
Equipe e personagens foram desagregados, mas ele retomou o projeto em 1981, retornando aos mesmos lugares, procurando as mesmas pessoas, mostrando o que havia acontecido com elas, tentando reunir novamente uma família cujo chefe - líder de uma Liga Camponesa - fora assassinado.
Vencedor do 1° FestRio e de pelo menos duas dezenas de prêmios internacionais, este é um filme sem paralelo em toda a História do Cinema mundial.
Retrato vivo, profundo e verdadeiro do Brasil.
Duração: 119 minutos.

Que Bom te Ver Viva (1989), de Lúcia Murat. Narração e Interpretação: Irene Ravache

Registro das experiências de oito ex-presas políticas brasileiras que sofreram torturas durante os assim denominados “anos de chumbo”.
Os depoimentos são entremeados a uma narrativa de Irene Ravache em excelente interpretação, alter-ego da própria cineasta, jornalista e ex-ativista política, também presa, seqüestrada e exilada durante a ditadura.
Mais do que descrever e enumerar sevícias, as imagens mostram o preço que elas pagaram, e ainda pagam, por terem sobrevivido àquela cruel experiência.
Segundo Eduardo Escorel, “o título do filme de Lúcia Murat exprime a alegria de descobrir que há sobreviventes. Trata-se, no caso, do reencontro de mulheres que passaram por uma dolorosa vivência comum. Ao final, elas nos permitem entender que não estão mortas por terem conseguido preservar um de seus bens vitais mais preciosos: a capacidade de lidar com os traumas do passado. Essa parece ser a resposta possível para a pergunta feita logo no início do filme: ´como sobrevivemos´?, pois o que atesta que estão vivas não é apenas a sobrevivência física, mas a integridade moral. Elas mantiveram os ideais, a dignidade e o espírito de luta, graças justamente à coragem de não esquecer os seus piores sofrimentos”.
Um documentário de grande impacto emocional, com depoimentos pungentes e que arrebata o público, especialmente aquele que viveu essa época triste e negra de nossa História.
Em 25.10.64, o artigo de fundo assinado por Edmundo Moniz no extinto Correio da Manhã - único jornal a combater frontalmente a ditadura - estampava o seguinte título: "Reação e Revolução".
Hegel observa que ´a História não é o teatro da felicidade´. Os períodos felizes são páginas em branco. A História, em sua auto-realização, exige o esforço, a luta e o sacrifício de gerações inteiras. Só assim, vencendo etapa por etapa, a sociedade poderia chegar ao que chegou e vir a ser aquilo que será, com a plena e livre expansão dos indivíduos e das massas.
Os vencedores do momento apenas se satisfazem com o sucesso imediato, com a força pela força, com o esmagamento brutal dos adversários. Mas esses vencedores, depois de desempenharem o seu ingrato papel, como ainda Hegel assevera `caem dos troncos como cascas vazias´. Morrem cedo como Alexandre, terminam assassinados como César, são levados a Santa Helena como Napoleão.
É necessário, entretanto, separar os heróis autênticos de suas caricaturas, quando a História se repete. A repetição é a farsa, dizia Marx, embora a farsa, sem nenhuma grandeza, seja, por vezes, mais dramática do que a própria tragédia”.

Duração: 100 minutos.

Conclusões

Em “O Homem como Possibilidade”, Ernst Bloch - arauto da Utopia e profeta da Esperança - um dos mais instigantes pensadores do século XX, acentuou:
Senhoras e Senhores, vamos começar moderadamente. Mas também com vigor e ousadia. Vamos começar com os sonhos.
Apesar do caráter sóbrio, Lênin queixou-se certa vez que o movimento comunista havia perdido a capacidade de sonhar.
A realidade é uma categoria sujeita à dúvida e destinada à transformação.
A realidade dialética é a realidade crítica. Nela acontece, de fato, algo de realmente novo. Não só o que nunca passou pela mente do homem mas também pela mente da realidade. A dialética é o método crítico do próprio mundo. Não é o solilóquio do Espírito consigo mesmo, em que ele se recorda complacentemente de suas transformações históricas.
Enquanto método crítico das transformações, a dialética deve ser posta em pé. Em primeiro lugar para que algo aconteça e não apenas na cabeça debaixo da cabeleira. Em segundo lugar, para se saber o que acontece de contraditório. Para que a utopia, em busca do que ainda não foi, ganhe fundamentos debaixo dos pés. Torne-se concreta e se concilie com o mundo numa mediação.
O homem, como fator ativo e subjetivo, precisa estar antenado com a marcha da realidade. Deve auscultar-lhe os passos quase em sentido musical, ouvindo para onde se dirige a sua melodia.
O ser presente, que se costuma chamar realidade, está cercado por um mar muito maior de possibilidades objetivamente reais. Possibilidade não é palavrório. É um conceito que se pode determinar exatamente: um condicionamento parcial. O mundo ainda não está inteiramente determinado. Ainda há possibilidades deixadas em aberto, como o tempo de amanhã. Há condições que ainda não conhecemos ou que ainda não se apresentaram, e por isso amanhã poderá chover ou fazer sol. Vivemos cercados de possibilidades, não só de realidade. Na prisão da simples realidade, não nos poderíamos tocar. Nem mesmo respirar.
O ainda-não-ser se apresenta duplamente (de vez que ainda teremos por muito tempo a separação de sujeito e objeto): como ainda-não-consciente e como ainda-não-atualizado. O ainda-não-consciente em nós, o pré-consciente criador, representa o ainda-não-atualizado no objeto, enquanto contém em si o verdadeiro futuro
".
Em "O Espírito das Épocas", Edmundo Moniz sublinha:
Cervantes percebeu que os piores sonhadores são os sonhadores reacionários, aqueles que sonham para trás, os caranguejos da utopia, que, incapazes de se projetarem para o futuro, rasgando novos horizontes, procuram restabelecer ou conservar, indefinidamente, um estado de coisas que já perdeu de todo a razão de existir.
Em discurso famoso, Anatole France proclamou: `Prolongando no porvir a curva iniciada, podemos determinar desde já o estabelecimento de mais freqüentes e perfeitas comunicações entre todos os povos e todas as raças, a organização racional do trabalho e a fundação dos Estados Unidos do Mundo. Ó não, isto não é um sonho que a luz do dia dissipa! Ao contrário. Os que sonham, os que se enganam, são os que, vivendo do militarismo e da colonização brutal, crêem que a ordem atual, ou melhor dito, a desordem atual durará para sempre´”.






Fórum de discussão

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Comentário de Wladimir Gomide em 2 novembro 2012 às 18:44

Perdoe-me a demora a sua pergunta, cara Andrea Barros da Silva Faria.

Apesar da ênfase colocada nos milicos, no primeiro parágrafo do texto de abertura deste grupo, assinalei:

A pretexto de “subversão da ordem e da ameaça comunista”, políticos udenistas, empresários e latifundiários articulam-se com militares identificados com as teses da Segurança Nacional. Respaldados por ajuda externa - financeira, logística e até militar, se necessário fosse - desferem um golpe militar no dia 1° de Abril, que denominaram “Revolução Democrática de 31 de Março".

Nos desdobramentos do texto vários atores civis foram apontados: Carlos Lacerda, Adhemar de Barros, etc. Não me pareceu necessário enfatizar a participação de políticos e empresários, da CIA, da ala reacionária da Igreja católica com suas Marchas com Deus pela Liberdade, mas a de seu braço armado.

O golpe de 64 não representa a deposição de um presidente. Foi uma tentativa de destruir, pela base, todo um projeto de nação. De enquadrar um povo, suas tradições, sua economia, a um modelo alienígena: a execrável “Doutrina de Segurança Nacional”.
Em seu nome, justificaram a prática do terror; perseguiram e sufocaram a inteligência; promoveram a mediocridade e a incompetência. Legaram o “País da Lei de Gerson” às novas gerações, numa tentativa patológica de impedir mudanças sociais, de deter e/ou de alterar os rumos da História, fazendo-a caminhar para trás, adeptos de uma mentalidade de curupiras
.


Para mim, os textos acima sustentam que a articulação do golpe veio de fora. A famigerada Doutrina de Segurança Nacional formulada pelos Estados Unidos - se não estou enganado - na tal Escola das Américas, mais os rios de dinheiro despejados aqui pelo IBAD para financiar o golpe militar, somadas à atividade conspiratória de “conselheiros norte-americanos”, isto é, agentes da CIA e do próprio embaixador dos EUA, Lincoln Gordon, caracterizam minha posição.

 

Outros detalhes, acessar a Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Brother_Sam

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lincoln_Gordon

E, last but not least, não esquecer que muitos empresários disponibilizaram viaturas de suas empresas para transportar presos políticos para os porões, a tortura e a morte.

O bando de canalhas continua impune. 

Comentário de Carlos em 31 outubro 2012 às 19:39

Se a "Justiça Social" que João Goulart pretendia fazer aqui no Brasil, era a mesma que Mao e seu bando fizeram aos chineses, então o General Mourão filho e os militares foram redentores, mesmo.

Abraços!

Comentário de luiz carlos costa de moura em 31 outubro 2012 às 18:23

Respondo a Andrea Baros da Silva Farias, que entendo essa denominação dada por alguns autores de golpe civil-militar  porque havia realmente,pelo menos no início,um certo envolvimento de parte da sociedade, talvez os mais influentes, na formatação da dita "redentora".Talvez pelo temor que tínhamos do comunismo na época, entre as pessoas mais humildes pelo menos.

Comentário de luiz carlos costa de moura em 31 outubro 2012 às 18:18

Sempre cabe aos mais jovens a luta, se for armada são eles os primeiros a caírem, se for uma luta apenas ideológica serão os primeiros a serem contestados e presos talvez, acho que por isso sempre haverá algum revolucionário de plantão.

Comentário de luiz carlos costa de moura em 30 outubro 2012 às 14:25

O Golpe foi muito forte,mas não envolveu a população em geral, caso tivesse ocorrido seria talvez uma Guerra Civil.Aqueles que não aceitaram de forma nenhuma o golpe militar, organizaram-se e passaram a lutar.Não era uma luta de toda a população, mas de parte dela contra os militares.

Comentário de Andrea Barros da Silva Faria em 19 setembro 2012 às 22:28

Alguém pode me responder por que o golpe recebe a denominação, por parte de alguns autores sobre o tema em questão, de golpe civil-militar, gostaria de uma explicação mais detalhada, por favor.

Comentário de Amanda Schmidt em 12 agosto 2012 às 5:57

Naquela época pós-guerra (Segunda Guerra Mundial), o mundo vivia a guerra fria (URSS x USA) (comunismo x capitalismo). O poder na América Latina estava nas mãos da elite capitalista e faria qualquer coisa pra não perder seu patrimônio e poder. Na Ásia e África as colônias europeias (inglesas, belgas, holandesas, francesas e portuguesas) entraram numa revolução através da influência da URSS e China comunista. Os USA não iria deixar que o mesmo acontecesse na América Latina, portanto a melhor saída era os USA colocar a elite local através de golpes um governo fantoche (pró-USA) e suprimir os partidos comunistas e também as eleições democráticas. Foi isso que acontecia entre 1945-1989. Depois da Revolução Cubana (1959) e a crise dos mísseis (1962), os USA foi mais agressivo com os países latinos. Sem a América Latina os USA iria perder a guerra fria. Lutaram pela sobrevivência: patrimônio, poder, liberdade e liberdade religiosa (pois o comunismo suprimia as religiões).

Comentário de Gil Souza em 28 março 2012 às 15:59

Amigo , tudo é questão de visão . Vc afirma que os jovens ñ haviam recebido lavagem cerebral mas a população que queria viver tranquilamente , esta estava alienada .Pelo que sei meus pais , avós , tios , etc , nunca foram alienados ,logo tudo é questão de opinião .Mas fica aqui meu contraponto , houveram excessos ,mas isto é da guerra travada . Continuo achando que seguimos o correto caminho , com visão da época .

Comentário de João Roberto Laque em 28 março 2012 às 14:26

Quanto a afirmação: "O Herzog pelo pouco que li , tinha sim contato com a esquerda revolucionária da época" o que tenho a observar é que o PCB, partido do qual o jornalista militava, era radicalmente contra a luta armada.

Em Pedro e os Lobos, descrevo isso a parir dos embates que Pedro tem com Luís Carlos Prestes e nos capítulos que conto as mortes ocorridas com os militantes do Partidão. A propósito, quando Herzog foi morto (outubro de 75) a luta armada no país já tinha sido extinta há muito tempo. Os últimos militantes da esquerda armada caíram no início de 1974.  

Portanto a "guerra em curso" do qual você fala sequer justificaria mais este e todos os outros assassinatos cometidos contra os membros do Partidão (inclusive o de Manoel Fiel Filho, morto já em janeiro de 1976).

No capítulo Sobrou Para o Partidão, em  Pedro e os Lobos, deixo isso muito claro e ainda mostro que a população (que você afirma ter apoiado em massa o golpe) rejeitou o governo dos militares nas eleições de 74: 

Veja o que diz o capítulo: "A avaliação de Geisel e de seu grupo era de que o PCB — então a organização de esquerda mais bem estruturada no país e infiltrada no MDB — estava pronto para se tornar uma legenda de massa no caso de uma abertura política. Era preciso, portanto, exterminá-lo antes da volta ao regime democrático.  Revista IstoÉ, 31/03/2004.

Comentário de João Roberto Laque em 28 março 2012 às 14:25

Gil, ter uma visão socialista nas décadas de 1960 e 1970 não significava ter sofrido uma lavagem cerebral como você afirma: "grupos jovens, embebidos por uma lavagem cerebral". Eu mesmo tinha esta visão e nunca passei por lavagem alguma em meu cérebro.

Ocorre que o mundo estava dividido em duas ideologias e tudo se ideologizava, até a Igreja. Está no prefácio de Pedro e os Lobos as palavras de Franklin Martins:

"Aqueles que pegaram em armas para lutar contra a ditadura

podem ter escolhido um caminho errado, mas não eram loucos ou
doidivanas. Certos ou errados, eram homens de seu tempo, jovens
de seu tempo, um tempo diferente do que agora vivemos. [...]

Se a Terra era azul, como dissera Gagarin, o futuro parecia vermelho.

Outra coisa:

A guerra travada entre os militares e o pessoal da esquerda armada não incluiu a população como um todo como afirma você: "de um lado tinha a grande maioria da população" e "a sociedade apoiou as medidas".

A população estava alienada e amordaçada pela rigorosa censura e pela repressão cruel da polícia política. 

Os jornais e revistas viviam sob a mais ferrenha censura e quem ousasse criticar o governo, mesmo em papos de boteco, era imediatamente preso e acusado de inimigo da pátria.

Havia leis de exceção para todos os gostos. A 477 punia os estudantes que se manifestassem de qualquer forma contra o governo com prisão, tortura, a expulsão da escola e a proibição de estudarem em qualquer instituição do país. 

Nas universidades ou nas empresas, quem fizesse crítica ao sistema era dedurado por colegas oportunistas à chefia. Quase sempre, a pessoa seria imediatamente afastada do cargo e processada, isto quando não ia pro Dops prestar esclarecimentos sobre tortura. 

Flávio Tavares, em Memórias do esquecimento, nos conta:

"Do AI-5 em diante, o Brasil mudou. O medo se incorporou ao quotidiano.
A delação e o colaboracionismo fizeram do dedo-duro um dos suportes do regime. Começava-se a falar baixinho ou a nada dizer e a tudo calar. O bom patriota era o brasileiro com medo, domesticado pelos tambores militares."
Os poucos que se atreveram a criticar, em qualquer grau, o regime, se deram mal. Milhares de pessoas amargaram meses de prisão e depois foram soltas sem qualquer acusação formal. Esse tipo de repressão apavorava o cidadão comum que evitava se envolver com qualquer coisa que envolvesse política.

 

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Somos tão jovens

Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.

Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

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