A compreensão dos fatos históricos exige que se perceba a mudança das maneiras pelas quais as pessoas se ligam umas às outras, do comportamento, da consistência e da economia das paixões, da própria estrutura social. O que muda são as relações entre as pessoas, posto que a malha produtora de mudanças modela a natureza física e estética do homem. A modelação física mantém uma interrelação com a modelagem psíquica e varia ao longo da história. As mudanças na expressão facial, a posição da coluna vertebral, a preocupação com a forma física estabelecem relações estreitas com os modos de encarar a si próprio, a natureza, os hábitos de leitura e escrita. São também formações sociais e históricas as coisas que denominamos de raciocínio, razão e compreensão. Todas essas mudanças dizem da modelação da personalidade e dependem dela a automatização da compreensão desses campos, o que leva os estudiosos a falarem sobre uma psicologia social histórica e discursarem sobre a necessidade das mudanças. Mas, muitas vezes, eles continuam tratando a história da sociedade, a história da mente, a sociedade e o mundo das idéias como se fossem formações distintas. É como se fosse possível uma sociedade sem idéias ou idéias fora do contexto social. Os estudiosos consomem muito tempo discutindo qual das duas áreas tem maior importância, quem determina quem. Contudo, a investigação histórica não pode ser apenas a descoberta de processos individuais. Mas, não pode existir se excluí-los. A vitalidade da teoria da história concebida por Norbert Elias impressiona pela maneira como procura pensar as diversas cadeias de relacionamento, de processos históricos no discurso positivista. Não há como separar a história política da história social, a história econômica da história cultural, as relações entre os diversos campos da atividade humana da história. Todos esses campos constituem o tema central das preocupações de Norbert Elias. Para ele, a história é uma totalidade indissociável.

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Acredito-me livre de toda superstição de modernidade, de qualquer

ilusão de que ontem difere intimamente de hoje ou diferirá do amanhã.

Jorge Luís Borges

Sadações, Grande Mestre

 

Após período de reclusão, abro um tantinho as persianas. Discussão sobremaneira importante. O "conceito" de "pós-modernidade", diante do qual, como diria Freud, me sinto muito pouco à vontade é, paradoxalmente, uma "referência", digamos, à qual podemos emprestar certa funcionalidade para, justamente, buscarmos a negação desse banal termo de efeito. Em tudo o que se pode acessar do pensamento norbertiano, a concepção (por assim dizer) de pós-modernidade cai por terra. Agradeço a atenção e oportunidade. Em breve voltaei ao tema.

Abraços

 

Jorge,

Creio que este (entre outros) pensamento de Elias represente, de maneira emblemática, a dificuldade de inserir na teoria nobertiana, o conceito de pós-modernidade: "Os homens têm memória curta. Nos países mais desenvolvidos já quase se desconhece como foi difícil e cheia de perigos a vida dos nossos antepassados no meio das estepes selvagens, dos rios indomáveis — que, com freqüência, inundavam de repente as terras — e das florestas gigantescas, onde todos os seres vivos, plantas, animais e homens, se encontravam permanentemente em guerra entre si".

Abraços


 

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Somos tão jovens

Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.

Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

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