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Uma reflexão a ser considerada acerca do fato de aceitarmos a Mitologia Greco-romana e rejeitarmos a Mitologia Africana.
O que diferencia uma/um Sacerdotisa/Oráculo grego de uma/um Ialorixá/Babalorixá a não ser a língua, a cor da pele e a localização geográfica? Ambas/ambos são as/os medianeiras/o, as/os orientadoras/os, as/os guardiãs/ões dos mistérios de seus credos.
O que diferencia um greco-romano de um Nagô/Banto quando em vias de um naufrágio clama aos céus? Enquanto aquele clamava por Zeus/Netuno esse clama por Iemanjá.

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Respostas a este tópico

Também gostaria de saber o porquê desta diferenciação...na escola que trabalho com o 8° ano, os professores de História do Projeto sobre Afrobrasileiros disse para eu trabalhar com as lendas africanas, sendo que eu havia pedido para trabalhar com a mitologia africana, os mitos africanos.
Fiquei aborrecida pois me disseram que mito é o que diziam aos escravos sobre a manga e o leite, não misturar ambos.
Estou fazendo um levantamento sobre os dois termos junto com os alunos.
Se alguém aqui souber de algo, pfv me ajude.

Obrigada.

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LENDA

As lendas possuem certo sentido didático, pois visam explicar ou historiar fatos ou vidas, como a origem das coisas, os fenômenos naturais e as personagens sobrenaturais, os feitos de heróis populares, particularidades anatômicas de certos animais (porque a girafa tem o pescoço comprido, porque a tartaruga tem o casco “rachado”, etc) ou tipos especiais de população, etc. Na maioria das vezes, têm localização determinada e personagens individualizados. Contrariamente aos contos, a lenda é sempre considerada como tendo um fundo de verdade: aconteceu ou poderia ter acontecido.

MITO

Embora transmitidos pela tradição oral, os mitos, sob a aparência de lendas, implicam sempre em um significado simbólico, ou, mais precisamente, cosmogônico. Desenvolvendo-se no plano do sagrado ou sobrenatural, os mitos têm deuses como personagens e se reportam à criação do mundo e dos homens, transcendendo a existência humana ainda que se refiram a ela. Em outras palavras, a finalidade do mito seria a expressão da existência humana em sua dependência do plano divino.

LENDA X MITO

Durante muito tempo se confundiu o mito com a lenda, uma vez que a ele se conferia o caráter de coisa oposta à realidade, em consonância com o sentido expresso pela palavra grega mythos, equivalente a fábula, conto, ficção, em contraste com as noções de historíia (resultado de informações) e alethéia (a verdade ou realidade). Entretanto, nas culturas onde o mito desempenha funções ativas no conjunto da organização social, distinguem-se as histórias “falsas” (lendas ou fábulas) das “verdadeiras” (com conteúdo religioso). O princípio básico que diferencia a lenda do mito é a própria natureza das duas categorias de relato, embora ambas se refiram a acontecimentos de um passado distante e fabuloso. O valor social atribuído a cada uma dessas categorias se reflete na atitude com que são tratadas: se a lenda pode ser contada por qualquer um e a qualquer momento, o mito, na maioria dos casos, toma o caráter de revelação sagrada, de verdadeira iniciação.

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Olódúmarè
Na Mitologia Yoruba, e no Culto de Ifá é chamado Olódùmarè ou Olorun, nas religiões afro-brasileiras é chamado de Olorum, é o Dono do Orun céu e Criador do Orun e do Aiye, o céu e a terra. É associado fortemente com a cor branca, e controla tudo. É o Deus Pai Criador de tudo e de todos. Embora reconhecido e louvado como Único e Soberano, não existe templo individual para Ele. De acordo com um dos mitos da criação yoruba, ele delegou os poderes de criação do Aiye para seu primeiro e mais velho filho Orisanla ou Obatalá.
Urano (gr. — Ουρανός) era uma deus grego que personificava o céu. Seu equivalente em mitologia romana foi Caelus, também a partir de caelum a palavra latina para "céu".

Tricia, lute pela sua idéia.

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Creio que tal indagação necessite de uma resposta complexa, abrangente. Arrisco-me a relacionar a preferência pela mitologia greco-romana (e até pela nórdica) em detrimento da africana, ao fato de termos mais acesso às fontes escritas helênicas e latinas. Embora alguns historiadores ponham as fontes orais em pé de igualdade com as escritas, a metodologia utilizada no trato com aquelas ainda está em desenvolvimento e causa certa desconfiança em grande parte dos estudiosos. Daí porque, creio eu, haja maior conhecimento e consequentemente, interesse, pela mitologia greco-romana.

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Olá José!! O certo seria Mitologia Yorubá, pois que os Orixás ( Mitos da cultura Yorubá) são divindades deste povo apenas.
E normal generalizarmos Africa, mas Africa são diversos países, culturas, tradições e linguas.
Acostumamos a ouvir qualquer batuque e taxá-lo como macumba e acreditar que todos os países africanos cultuam os Orixás. A grande maioria dos africanos não conhecem os Orixás, a tradição mais comum e presente nas diversas etnias é o Culto aos Antepassados.
A Mitologia Yorubá não deve nada à Mitologia Greco Romana, é tão bela e instigante quanto a história de Zeus, Netuno, tendo até como relacionar muitas de suas representações.
O que a faz ser rejeitada? o velho e conhecido racismo e o eurocentrismo (que se julga o modelo mor do que chamamos evolução) considerando tudo que não descende da escrita, sinônimo de atraso, inculturação e não dignos de ser estudado e o pior...ainda faz adeptos... como o exemplo que a Tricia nos apresenta.
A lei 10.639 ainda não praticada como deveria e o que poderá nos salvar de tamanho descaso com a história da África, suas epopéias, sagas e mitos .

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Há um divergência funcional relativa ao estatuto do mito, que possivelmente dificulta a aplicação do termo a todas as culturas. Acho difícil comparar os mitos gregos aos africanos, e a Baby ainda assinalou que a África não é homogênea como às vezes tratamos.
Em relação à Grécia, o mito assume historicamete sentidos variados dentro da Antiguidade. Mesmo no sentido ligado à iniciação religiosa, mais arcaico (no sentido grego, de fundação, do primordial), o mito imbricava-se com o enfeitiçamento que a oratória era capaz de produzir nos ouvintes. Encantamento transposto para as narrativas dramáticas, apropriadas tanto em obras que ressaltavam o aspecto cosmogônico (religioso, tanto nos cultos públicos como nos familiares), como a importância da ação dos homens, não mais os heróis das epopéias, nem os deuses, a exemplo da tragédia. A tensão da condição humana é inscrita como problema, teatralizada.
O legado da mitologia grega decorre do corte operado pela escrita, especialmente nas transposições literárias. Nesse sentido os gregos "fundam " o que será construído depois como Ocidente ou a europeização do "mundo", sob a primazia de uma língua magnífica, carregando um modo de pensar. Escravizados impuseram-na aos seus senhores romanos
Os africanos trouxeram para a América portuguesa não somente os conteúdos simbólicos religosos, mas um grande conhecimento tecnológico, da ferraria ao comércio, participando da intrincada operação do funcionamento do engenho , da tecelagem, da "indústria" naval, do refinamento da culinária, da arte e nos modos variados de sociabilidade aqui construídos.
A riqueza das Minas gerais, produtora não apenas da mineração, não pode prescindir da "mão-de-obra" dos escravos para realizar o inédito e audacioso comércio interno, sob a forma de incipiente campesinato.
Concordo com Luiz Felipe Alencastro sobre a dupla colonização da América lusa: colonização portuguesa e africana. Acho que é esse sentido que podemos resgatar, e recusar o exclusivo e reiterado papel de vítima e oprimido, de "boçais".
A mitologia africana sofreu transformações no Brasil, que são desconhecidas por africanos contemporâneos. Modificou até mesmo as práticas religiosas católicas. Provavelmente a reliosidade africana teve um papel superior como estratégia de sobrevivência. Não apenas pela força dos orixás ou inkisses mas também pela vitoriosa expressão da vitalidade de uma cultura plástica, rica de recursos para sustentar a "vida material".
O preconceito e a inclusão ( não a exclusão) dos pretos num lugar de rebaixamento, servindo como antípoda do mecanismo da nossa nefasta e permanente hierarquização social, produziu esse ocultamento; uma gagueira que a complexidade das línguas africanas não exibe.
Penso num aspecto especial ligado à mitologia nagô e outras: qual o estatuto da sexualidade na África? O confronto com a pudicícia recalcada na hipocrisia de ignorantes rebaixa a questão até hoje- provavelmente na África era ligada ao sagrado -, reafirmando a "vulgaridade" do rebolado (quase um transe) das mulatas. Esquecem das amas-de-leite, da organização de uma família mais alargada, da valorização do corpo, da alegria e do afeto; no horizonte a luta dolorosa, mas animada por um fogo sagrado, por um ventre livre, a liberdade dos filhos.
Meus avós são filhos dessa circunstância.
Adoro o Ataíde de Ouro Preto, sua Nossa Senhora e São Francisco mulatos, seus anjinhos retratando o rosto dos seus meninos, desafiando aquelas fauces pálidas,cobertas por panos roxos. O Ataíde genial, que mesmo lhe sendo negada a fundação de uma escola de artistas, deixou na nossa história pinturas comoventes e radiosas. O "europeu" que lhe desconheceu o pedido, não sabemos o nome.

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Concordo plenamente!!! Ambos são sacerdotes ! Sou Sacerdotisa de uma Tradição Wiccana e vejo que os Sacerdotes das religiões afro, são por uma grande parte desvalorizados fora do seu meio. Mas nas faculdades hoje em dia, já estão colocando no currículo, História da África. Acredito que com isso, a Mitologia Africana será tão valorizada e prestigiada como a Egipcia, Grega e Romana, e termo Mitologia Africana, tambem reconhecido e valorizado.

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Alana, você acha que vai haver valorização da cultura africana apenas com a inserção de história da África no currículo? Na minha opinião, acho que não necessariamente, pois depende muito da visão de história dos professores, assim como da abordagem curricular.

E vai demorar até incutirmos, em nossos alunos, o interesse e a compreensão sobre outros aspectos relacionados à África, que não seja o processo evolutivo humano, o Apartheid e a escravidão negra. (nem falo do Egito por que esta civilização foi europocentralizada).

Um abraço.

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Realmente....nem tinha pensado por este lado....
A mitologia grega, a egípcia e a romana são vistas com fascínio pelas pessoas enquanto a africana é vista com olhares até preconceituosos. Mas desde cedo aprendemos, quando estudamos a grecia por exemplo, a sua mitologia, com todas aquelas historia legais. Estudamos a civilização romana e a egípcia também. Mas nunca se pega a Africa para estudar. Então não vemos sua mitologia em comparação com as outras. Vemos como sendo somente uma religião diferente da nossa....o que alimenta o preconceito....
...é realmente uma pena que isso aconteça!

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Pois é Tereza, a questão do preconceito se alimenta na religiosidade praticada pelos africanos, pois muitas vezes não temos uma base histórica ou mitológica para a sua compreensão. Um abraço

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Perfeito !!!

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ABRAÇO PARTIDO

Ariel (Daniel Hendler) é um jovem de vinte e poucos anos, que largou a faculdade e ainda vive às custas da mãe (Adriana Aizemberg). Sua vida gira basicamente em torno de dois locais: a loja de lingeries de sua mãe e o cybercafe local, onde costuma encontrar sua namorada.

Ariel sempre estranhou o fato de nem sua mãe nem seu irmão falarem sobre seu pai, que nos anos 70 partiu para lutar na Guerra do Yom Kippur, em Israel, e nunca mais retornou. Com a crise econômica instalada na Argentina, que força o fechamento de várias lojas tradicionais no bairro onde está a loja de sua mãe, os amigos de Ariel sonham em conseguir a cidadania européia e partir do país em busca de emprego. Ariel também tem este sonho, mas cada vez mais alimenta o desejo de conhecer seu pai e também a verdade sobre seu afastamento da família.

"El Abrazo Partido", filme argentino de 2004 fez bastante sucesso aqui no Brasil. No fundo, sua trama gira em torno de Ariel, que não consegue aceitar o fato do pai tê-lo abandonado para ir lutar na guerra do Yom-Kippur. Essa rejeição à figura paterna também fica explícita no pouco conhecimento que Ariel tem do judaísmo. Face à crise que se abate sobre a economia de seu país, Ariel decide batalhar pelo passaporte polonês (seus avós eram poloneses) e, dessa forma, ter a possibilidade de entrar na Europa e viver com um seguro-desemprego.

Membros

  • Bruno Leal
  • Marcos Davi Duarte da Cunha
  • Jorge Carvalho do Nascimento
  • Rodrigo Martins
  • Marcos Aurélio da Rocha
  • Rosane Scandolara Zeferino
  • gustavo leffa lumertz
  • Julio eIsaCosta
  • Denise Oliveira
  • Tathiana Cristina
  • Viviane Almeida
  • Dayane Chagas
  • Jorge Luiz A Carreiro
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