O que vocês denominam Micro História?

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Respostas a este tópico

Vejo a micro-história como uma prática metodológica que possibilita, por meio do jogo de escalas de análise, a apreensão de aspectos que passariam despercebidos em escalas macroanalíticas, em análises estruturais, quantitativas e seriais. Permite a complexificação do social em que, nas palavras de Revel, o individual não é contraditório ao social por aquele possibilitar a apreensão de aspectos diferentes do último. Utilizar o nome como fio condutor, nesse sentido, é uma interessante estratégia narrativa por situar o sujeito e suas relações como protagonistas do processo histórico, sem perder de vista as outras escalas que se inter-relacionam e compõem uma complexa trama histórica, para além de uma simples história local ou estudo de caso. Enfim, há várias outras características que configuram a micro-história muito mais como uma prática metodológica, construída no diálogo intenso entre teoria(s) e empiria, do que como uma Teoria da História.
Oi!
Desde que tive contato com as obras de micro-história do Carlo Ginzburg, do Giovanni Levi,Vainfas e outros, mais do que procurar entender o que é a Micro-História, comecei a especular o porque do seu surgimento.
Como mostrou o próprio Vainfas em "Os protagonistas anônimos da história", a micro-história, foi e é, muitas vezes confundida com a história das mentalidades, dado ao fato de ambas serem fruto de um novo
pensar historiografico a nouvelle histoire.Porem a micro-história vai surgi como parte integrante do movimento da nova história cultura, que entra em cena depois dos desgates e duras criticas sofridas pela então história das mentalidades.A micro-história vai conseguir fugir das generalizações, dos apegos a contextualizações e explicações, buscando uma análise microscópia investigativa e criteriosa capaz de revelar fatos e personagens que outrora passariam desapercebidos.
Porem, como disse o próprio Febvre que "a história é filha de seu tempo", acredito que o interesse pela micro-história, é um reflexo do novo agir e pensar pós-moderno.Tanto a Física quanto a Quimica, tem descoberto e mostrado um novo universo, que por sinal é o universo do micro.O átomo há muito, já deixou de ser o indivisivel de Demócrito, pra se tornar um gigantesco universo permeado por protóns,elétrons e newtrons.
O nosso cotidiano tambem tornou-se micro.Apesar do movimento globalizante, a tecnologia, os meios de comunicação tem possibilitado as pessoas de viverem uma vida numa escala reduzida.Posso fazer inumeras coisas,pagamentos,transações,trabalhos, diversão, sem precisar esta em grupo, a religião hoje é comumente vsita nesse prisma, posso não esta vinculado a um grupo religioso, pois meu contato com deus,passa a ser íntimo e pessoal,da mesma forma querem acreditar que se dar no ambito político.De uma pequena estrutura (minha casa,meu grupo familiar,etc) posso ter contato com o mundo, que tambem se apresenta em pequenas escalas, já que eu seleciono aquilo a ser conhecido.
Assim acredito, que a pós-modernidade, é o mundo do muito pequeno, e esse pensar e agir em relação ao mundo, abrange e afeta todas as áreas do saber e do agir humano.

Tive meu primeiro contato com a micro-história ao ler o tão famoso e mundialmente conhecido “O queijo e os vermes” do historiador Carlo Ginzburg. Onde primorosamente este historiador consegue trazer à luz da historiografia um anônimo, que poderia passar como muitos à margem da História. Ora, o que tem de extraordinário na micro-história é que esse “instrumento historiográfico” consegue fazer o que os primeiros historiadores da Escola dos Annales já idealizavam, uma história vista de baixo, onde muitos agentes históricos ficavam de fora. E mais do que isso, onde geralmente a falta de fontes e documentos impossibilitaria um trabalho, a micro-análise feita através de indícios e rastros deixados por esse “anônimo” serve para reconstruir a visão que se pretende ter de sua época, pois a micro-história busca relacionar o individuo e sua época, como é o caso de “O queijo e os vermes” onde através da vida de Menochio Scandella pode-se alcançar sua relação com o contexto da época.
Esta iniciação é clássica mesmo, como poderia esquecer do moleiro Menocchio trazido a luz pelo historiador italiano Carlo Ginzburg.
A Micro-História nos remete a questões metodológicas, de como escrever ou mesmo enxergar a história. É um olhar, meio que numa busca diferenciada até então, enxergando as sombras da história e da compreensão histórica através de algo, algum elemento ou evento, que numa visão tradicionalista seria deixada de lado, pelo seu caráter singular, discreto ou mesmo escondido por muitas razões.
É um importante passo dado pelos historiadores, visto que a partir dai todos nós que lidamos com a história temos que ter um olhar mais amplo, apurado, sobre aquilo que nos cerca, seja mesmo um documento, um objeto, um evento ou uma pessoa - como Menocchio, moleiro do século 13, que a partir de seu processo e condenação pela Inquisição o historiador Ginzburg pode nos dar uma visão de como culturas díspares (uma culta e outra popular) podem ser encontradas em consonância, o que ele conceitua como "circularidade cultural".
Me deram uma ideia bacana, e em breve deixarei no meu canal um vídeo sobre Micro-História.

Bem observado, Edielson.

A micro-história se assemelha muito a história regional. Quais seriam as diferenças?
O objetivo da micro-história tem sido a busca de uma descrição mais próxima do comportamento humano, empregando um modelo de ação que possa fazer emergir personagens anônimos que, de outra maneira, ficariam esquecidos.
A história não deve se limitar a grandes esquemas e modelos teóricos. A história estuda as pessoas, as relações estabelecidas entre elas, suas aspirações, seus medos, sonhos, idéias e convicções. A micro só enriquece a macro.
Diferentemente da historia regional ,a micro historia a partir do método de redução de escala ,vai penetrar as camadas mais profundas do cotidiano a partir de personagens que marcaram épocas.
Queria que vocês me tirassem uma dúvida. Qual a diferença da história quantitativa da qualitativa?
No prefácio de O queijo e os vermes, Ginzburg indica que a sua “investigação capilar” ali apresentada parece estar na contramão das pesquisas em voga na época, o que poderia ser “quase como o retorno ao tear mecânico numa era de teares automáticos.” Mas, mantendo a metáfora de Ginzburg, qual seria o “tear automático” que se apresentava como método maior nas pesquisas historiográficas da década de 1970?
A resposta é imediata. Os “teares automáticos” são as pesquisas quantitativas e seriais, que entre as décadas de 1950 e 1970 foram largamente aplicadas por historiadores pertencentes ou tributários da escola dos Annales.
3 pontos básicos diferencias a pesquisa quantitativa da pesquisa qualitativa. São eles:
a pesquisa quantitativa, modelada acima, se baseia no paradigma científico galileano, e a pesquisa qualitativa no paradigma indiciário (ler Sinais, raízes de um paradigma indiciário);
a pesquisa quantitativa se baseava numa negação da narrativa, na busca de uma história-problema, enquanto a pesquisa qualitativa da micro-história retorna à narrativa (leia artigos dos História: novos objetos, novas abordagens e novos problemas)
a pesquisa quantitativa se baseia em estudar multidões sem nomes, massas. a pesquisa qualitativa se baseia no estudo de trajetórias individuais (leia O nome e o como: troca desigual e mercado historiográfico, no livro A micro-história e outros ensaios, de ginzburg).
Micro história é uma capacidade de elaborar um olhar gigantesco para algo paradoxalmente pequeno. Perceber nos relatos anôminos, nas relações dos acontecimentos de atos sociais de excluídos pelos grandes processos de análise de produção, trabalho e classe social. Mas elaborar um ensaio de possibilidades de resgate das informações e valores que há visão de longo alcance perde. Sempre podemos entender pelas pequenas veredas com os grandes caminhos históricos foram construídos. Nada é pequeno demais que não mereça atenção. Só é micro para delimitar uma metodologia.
Parabéns pela iniciativa, agora mesmo, li uma produção textual, intitulado "Aconteceu e não vi, mas me contaram assim..." Escrito por Suênia Marla de Gênesis, que trata exatamente deste tema. A autora transcreve a vida cotidiana de uma comunidade localizada na zona rural da minha cidade, por npome "Fumal". A micro História existe e precisa ser apenas ser vista por aqueles que "acreditam "no outro lado da História"

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