Ao sair na madrugada de sábado (19/12) do plenário da Conferência de Mudança do Clima das Nações Unidas, em Copenhague (Dinamarca), após horas de intensas negociações, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que estava vivendo “um dos dias mais tristes” de sua vida. Para ele, a chamada COP-15 foi “uma frustração”, embora com “alguns poucos avanços”.

Após dias e dias de negociações com lideranças de outros governos, Minc saiu convencido de que os Estados Unidos foram os grandes responsáveis “por esse clima ruim”, já que, sem “mandato para negociar”, pois seu plano de reduções de emissões de gases-estufa sequer fora aprovado pelo Senado dos EUA, apresentaram metas muito tímidas.

Minc passou a noite de sexta-feira e a madrugada deste sábado em intensas negociações em reunião em que ministros de 30 nações acordaram um texto básico que, ao ser levado a plenário, foi rejeitado por alguns países, como Cuba, Nicarágua e Venezuela, o acabou por inviabilizar sua aprovação, já que, nos encontros da ONU, é preciso haver consenso mínimo para aprovação de documentos básicos.

Para o ministro do Meio Ambiente do Brasil, a COP-15 foi marcada por posições egoístas de países, com “cada um olhando para o seu umbigo”, e até mesmo ideológicas, como foi o caso de nações com a Venezuela e Cuba que, sem nunca terem se destacado nas lutas ambientais, teriam rejeitado o acordo final apenas para se contrapor ao Estados Unidos – um dos maiores fiadores do documento que foi levado a plenário e acabou rejeitado.

De qualquer forma, Minc acha que algumas poucas, mas importantes questões tiveram algum tipo de avanço, o que viabilizou que sejam melhor discutidas ao longo deste ano, como a questão do pagamento de ações para se manter as florestas em pé, dentro do chamado Mecanismo Redd, e a do financiamentos para ações de adaptação a efeitos do aquecimento global, nos países mais pobres, e de mitigação, nos países emergentes que são grandes emissores de gases de efeito estufa.

Minc lembrou que, apesar do clima de frustração, o Brasil vez sua parte, apresentando “metas ousadas” de emissões evitadas de CO2, entre 36% e 39%, em 2020, e “suando a camisa” para que prevalecesse um acordo legal de alto nível ao final da COP-15, o que infelizmente não ocorreu.

Mas agora, acrescentou, é hora de não se ficar parando, com o Brasil “arregaçando as mangas” para que suas metas de redução de gases-estufas sejam cumpridas, pelo bem do planeta. “Alguns passos foram dados, embora tímidos. Temos que analisar isso agora com muita profundidade, para impedir que isso volte a acontecer. É hora agora de mobilizar a sociedade, para fazermos a nossa parte.”

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