Então...é chato até falar em "marxismo" quando tem tanta gente diferente que reivindica o velho barbudo, mas seria legal tentar ver aqui as principais influências do pessoal. Ou, se não tiver elas, falar dos autores que mais tem curiosidade de conhecer, para a gente ir trocando figurinhas...

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Respostas a este tópico

Dizem que a sociologia é uma espécie de neomarxismo.
Larissa, te informaram meio tortamente. A sociologia se apropriou de reflexões de Marx e seguidor@s. Mas a sociologia enquanto disciplina não era uma pretenção de Marx, que tinha como intenção o desenvolvimento da teoria revolucionária da classe explorada no capitalismo: o proletáriado. Ocorre que é impossível para a sociologia ignorar as contribuições marxistas para a compreensão das relações sociais.

PODEMOS AFIRMAR QUE NA SOCIOLOGIA ENQUANTO DISCIPLINA: HÁ UMA GRANDE PREDOMINÂNCIA, OU SEJA, UM GRANDE APELO PÚBLICO PRINCIPALMENTE ENTRE OS ACADÊMICOS EM RELAÇÃO AO MARXISMO.

O marxismo é uma das três matrizes das ciências sociais, ao lado do positivismo e do historicismo. Sendo assim, há sim uma grande influência do marxismo sobre a sociologia, mas dizer que as duas coisas se confundem há ir longe demais, pois há pelo menos duas outras correntes que influenciaram o pensamento sociológico. Além disso, o marxismo foi excluído do debate acadêmico durante várias décadas, durante as quais o positivismo teve um domínio quase incontestado dentro da sociologia acadêmica. Na França, p.ex., o marxismo só foi aceito no debate acadêmico a partir de meados dos anos 1950. Aqui no Brasil, p.ex., a inclusão do marxismo nas ciências sociais acadêmicas sofreu bastante com o golpe de 1964, quando vários marxistas brasileiros foram parar na cadeia ou no exílio.

olá companheiros, na verdade queria fazer uma pergunta:
Como Marx define o socialismo das sociedades agrarias da america pré-hispanica?
grato.
Marx talvez até tenha alguma passagem muito ligeira sobre essas sociedades, mas acredito que a melhor referência seja mesmo o José Carlos Mariátegui, um dos fundadores do Partido Comunista do Peru e pioneiro no marxismo latino-americano. Um livro essencial dele são os Sete ensaios de interpretação da realidade peruana, mas há também alguns textos dele em outros livros. Hoje à noite passo uma outra referência que deve ser mais fácil de encontrar nas livrarias.
Então, o livro de que falei se chama O marxismo na América Latina, foi organizado por Michael Löwy e é publicado pela Fundação Perseu Abramo, sendo que a 2ª reimpressão atualizada é de 2003. Os textos de Mariátegui reunidos nesse livro são:
- Prólogo a Tempestade nos Andes;
- O problema indígena na América Latina;
- A revolução socialista latino-americana; e
- Ponto de vista antiimperialista.
O livro é interessante para o estudo do marxismo latino-americano, especialmente por se tratar de uma coleção de fontes, mas é preciso ter consciência de que não se trata de uma coletânea suficiente. Apenas para dar alguns exemplos das omissões desse livro: não há nenhum documento das FARC-EP (certamente o mais longevo movimento guerrilheiro surgido naquele período na AL), o único contraponto ao XX Congresso do PCUS é de um dos fundadores do MIR chileno (poderia haver também, por exemplo, algum dos documentos do PCdoB ou do grupo que o reorganizou, o que representaria uma oposição leninista ao PCUS), falta a reação à Perestróika e à Glasnost (favoráveis e contrárias, tanto por leninistas, quanto por trotskistas), e não há nenhuma menção à superação dos modelos de revolução pelos partidos leninistas após a queda do socialismo no leste europeu (é de 1999 o livro de João Amazonas intitulado Os desafios do socialismo no século XXI, o programa atual do PCdoB, que já mostra essa superação, é de 1995, e já em 1991 esse Partido reconhecia que as revoluções têm sempre características nacionais).
Feito esse alerta, recomendo a compra do livro.

PS: Já que toquei no assunto, não resisti a uma propaganda... No meu blog, Marxismo Online, publiquei um artigo comparando o programa do PCdoB de 1995 e o que está em discussão esse ano:
Um novo programa socialista para o PCdoB (parte I)
Um novo programa socialista para o PCdoB (continuação)
Artur
Acho que Marx não prende muita atenção nas sociedades agrárias pré-capitalistas da América. Desconheço textos dele sobre isso pelo menos. O que ele discutiu em alguns textos foi o famoso "modo de produção asiático", mas que já foi bastante criticado diante de novas análises sobre o funcionamento das sociedades asiáticas da antigüidade.
No final, também não existem muitos comentários de Marx sobre o que ele compreendia como "comunismo primitivo". Mas se alguém souber de algo que possa lhe ajudar, melhor.
Sobre as sociedades primitivas, certamente o melhor livro é Origem da família, da propriedade privada e do Estado, de Friederich Engels. Foi escrito a partir de estudos de Marx, do próprio Engels e de um antropólogo contemporâneo a eles.

Concordo que Origem da família da propriedade privada e do estado é o livro sobre o assunto em discussão.

Nele Engels aborda três estágios culturais de desenvolvimento da humanidade: a selvageria, a barbárie e a civilização.

As sociedade agrária americanas anteriores ao domínio colonial europeu, encontravam-se no estágio cultural da barbárie. Apesar dos aspectos coletivistas dessas sociedades, oque é perfeitamente justificável pela ausencia da propriedade privada, penso que é um erro caracterizá-las como socialistas, posto que para Marx e Engels o socialismo é uma formação economico-social que só pode surgir das forças produtivas geradas pelo capitalismo.

O socialismo só pode ser entendido como avanço material e espiritual humano, a partir da substituição da propriedade privada capitalista pela propriedade social dos meios de produção de toda a riqueza social. Portanto, o socialismo significa o progesso da civilização e não retorno à barbárie.

Diante de tanta exploração e miséria, a única coisa a ser feita segundo Marx, seria os trabalhadores unirem-se e lutar por seus direitos. E para acabar com os problemas sociais, seria necessário acabar com o capitalismo e começar  a construir uma nova sociedade. Respeito a opinião de Marx, embora, considere útopia, observando o apego das pessoa  ao consumo e tecnologias.

O PROBLEMA SERIA SABER SE A PROPOSTA DA NOVA DOUTRINA SERIA DE FATO EXERCIDA FIELMENTE PELO NOVO REGIME.

TEMOS A EXEMPLO A REVOLUÇÃO FRANCESA, ONDE O BURGUESIA TOMOU O PODER DO REI, PORÉM OS PROBLEMAS CONTINUARAM, UMA VEZ QUE A GRANDE MASSA OS TRABALHADORES, CONTINUARAM SENDO EXPLORADOS.

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Somos tão jovens

Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.

Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

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