"É uma Pátria estendida a todos os homens, aquilo que Fernando Pessoa julgou ser a sua Pátria: a língua portuguesa. Agora, é essa a Pátria de todos nós.” (Agostinho da Silva)
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“O sol brilha para todos e desconheço a cláusula do testamento de Adão que dividiu o mundo entre portugueses e espanhóis “, assim reagiu o Rei da França Francisco I ao Tratado de Tordesilhas de 7 de Junho 1494, que garantia a posse das terras do então chamado ‘Novo Mundo ́, a Portugal e Espanha. O Tratado de Tordesilhas traçava uma linha imáginária e concedia a Portugal a posse das terras a 370 léguas a poente das Ilhas de Cabo Verde.
Na prática o Tratado não era mais respeitado, sobretudo depois da expansão dos portugueses no território sul americano por meio das expedições dos paulistas e a ocupação da Amazônia no século XVII, o que levantou problemas na definição fronteiriça com a área de influência espanhola no continente sul americano, “se alegava que, havendo de imaginar-se a linha de norte a sul a 370 léguas ao poente das ilhas de Cabo Verde, . . . e ainda que por não estar declarado de qual das ilhas de Cabo Verde se hão de começar a contar as 370 léguas, . . . “
Esta situação, potencialmente perigosa e geradora de conflitos entre as potências ibéricas conduziu à necessidade de negociações com Espanha, por forma a alterar esse limite. O resultado dessas negociações viria a dar origem ao denominado Tratado de Madrid assinado a 13 de Janeiro de 1750, há 261 anos atrás, “Trato de limites das conquistas entre os muito altos e poderosos senhores d. João V, Rei de Portugal, e d. Fernando VI, rei de Espanha.”
Portugal cedeu a Colónia do Sacramento e as suas pretensões ao estuário do Prata e, em contrapartida, recebeu os actuais estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Amazonas, Mato Grosso… Portugal pagou aos Holandeses para aceitarem a saída do Brasil, cedeu o arquipélago das Filipinas aos Espanhóis e em caso de guerra entre as Coroas de Portugal e da Espanha na Europa, os seus vassalos na América do Sul permaneceriam em paz (art. XXI).

Do lado português as negociações foram conduzidas pelo Secretário Particular de D. João V, Alexandre de Gusmão, hoje apelidado de “avô dos diplomatas brasileiros”.
Alexandre de Gusmão (1695-1753), geógrafo e diplomata brasileiro, era irmão do padre Bartolomeu de Gusmão, inventor do “primeiro engenho mais leve que o ar”: a passarola (balão), em 1709. Devido ao sucesso obtido por Alexandre de Gusmão no Tratado de Madrid, mais tarde o historiador paraguaio padre Bernardo Capdeville se referiria a este como “a vergonha da diplomacia espanhola “.
Da sua análise, percebe-se a existência de um projeto português que pretendia definir os limites do seu território americano pelo controle dos seus dois grandes cursos fluviais: o rio Amazonas ao norte e o rio da Prata, ao sul. Essa visão foi sustentada pelo historiador e diplomataJaime Cortesão, que demonstrou que a cartografia portuguesa do Brasil refletiu a lenda de uma unidade territorial como uma grande e imaginária ilha, envolvida pelas águas dos dois grandes rios, cujas fontes se situariam em um lago central, unificador.
canta Chico Buarque,
“Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!”
Sê imenso Brasil. Sê maior, sê melhor.
Dança Brasil.
Dança.
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Comentário de 10pt - Criação Lusófona em 22 março 2011 às 7:56 É isso mesmo Marcos, falar em língua portuguesa.
Apaixonante é também revelar as 'estórias' que saíram dessa mistura de gente se expressando na mesma língua, na Europa, África, América e Ásia.
É isso que este grupo aqui se propõe a fazer, divulgar a língua portuguesa e as pessoas que a falam.
Forte abraço.
Comentário de Marcos Dupim em 18 março 2011 às 7:22
Comentário de 10pt - Criação Lusófona em 17 março 2011 às 19:24 Bom, Caro Luís,
parece claro que observamos o mundo de duas perspectivas bem bem diferentes, o que é um aspecto positivo pois promove a riqueza da diversidade humana.
Acrescento no entanto, em prol da pacífica discussão, que o Luso-Tropicalismo, assim como qualquer outra teoria social fundamentada, não é mais do que um olhar apurado sobre a sociedade humana. Não é uma ciência natural ou exacta, por isso mesmo impossível de se provar certa ou errada. É um olhar cuidado, bem analisado, cabe às pessoas servirem-se dele para olharem o mundo à sua maneira. E Salazar não o adoptou, serviu-se dele para defender uma teoria bem nacionalista, justificando assim a conduta fechada com que governou este país e as colónias a ele associadas. O Luso-Tropicalismo, para quem goste ou não, vai muito mais além da figura de Salazar. A leitura de uma ou duas obras de Gilberto Freyre bastaria para isso se tornar claro. E quanto ao cometer o erro duas vezes, hmmm, essa solução do nacionalismo cheira-me a dejá-vú do discurso do orgulhosamente sós...
Desde 1580 até ao início do séc. XIX Portugal 'fez' o Brasil, com portugueses. Eis a relação óbvia entre um povo e outro, são o mesmo, só que diferentemente misturado no Brasil. Por alturas da Conferência de Berlim, 1885, Portugal trabalhou muitíssimo para ter os territórios em África para além das suas costas e evidentes rotas de comércio no interior de África. Foram séculos, centenas de anos de convivência e mistura. De relações humanas. Parafraseando Fernando Pessoa, o colonizador português foi diferente de todos os outros pois levou o nativo para a sua mesa e para a sua cama. Nenhum outro povo o fez como os portugueses. Eis a ligação óbvia, facilmente compreendida para quem é português, a mesa e a cama, e como a vida roda à volta delas. Tenha a curiosidade de perguntar isto mesmo a um francês e a um inglês, e talvez se espante com a resposta.
Caro Luís, se até Deus que simbolicamente precisou de 7 dias para fazer o mundo, imagine que são precisos mais de 5 dias para se entender as semelhanças com homens de culturas diferentes. A Lusofonia só facilita este processo de olhar o outro, entendemo-nos em português. E por muito diferentes que sejamos, temos muito em comum que tão bem se harmoniza.
E no fim das contas, todos os homens são irmãos, o nacionalismo é artificial. A língua pelo menos: é comunicação, de um para o outro.
Comentário de 10pt - Criação Lusófona em 17 março 2011 às 9:03 Caro Luís,
conhece bem os ingleses e a Inglaterra?
eu conheço, vivi lá.
conhece bem os franceses e a França?
eu conheço, vivi lá.
Não os achei nada parecidos com os portugueses, no temperamento, na forma de se pensarem e pensarem a vida, nas distância entre as pessoas.
Agora se me falar dos espanhóis, ou dos italianos do sul, ou dos gregos, aí digo-lhe que sim: o carácter é marcadamente mediterrâneo, como também o é o português. Somos parecidos sim, confesso com alegria.
Mas um dia viajei pra Cabo Verde... então aí é que eu achei parecenças. Lá encontrei-me com angolanos, brasileiros, guineenses... xiiiii, a parecença era ainda maior. Acreditas que falávamos a mesma língua, com expressões semelhantes, e ditados e provérbios que se sobrepunham?
utopia?
Basta olhar e escutar. Sentir.
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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