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Diogo Nunes

Imaginação e Imaginário Social

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Imaginação e Imaginário Social

Espaço para debater as contribuições das noções de imaginação e de imaginário para a História. "Os estudos sobre o imaginário abriram uma janela para a recuperação das formas de ver, sentir e expressar o real dos tempos passados" (S. Pesavento)

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Última atividade: 22 Dez

Ficção e Realidade por Gustavo Bernardo

A distinção usual entre ficção e realidade é a de que o mundo da ficção contém muitas incertezas perigosas, enquanto o mundo da realidade contém as certezas de que precisamos para continuar vivendo. Entretanto, essa distinção talvez seja não apenas insuficiente, como inteiramente equivocada. Levanto a hipótese contrária à da distinção usual: o mundo da realidade é que conteria as incertezas mais perigosas, enquanto que o mundo da ficção conteria as certezas de que precisamos para sobreviver.

Para Umberto Eco, os textos ficcionais, à diferença do mundo e ainda quando ambíguos, explicitam uma margem muito clara de certeza, conduzindo-nos a um paradoxo interessante: a ficção desrealiza o real para criar um novo real mais seguro, portanto “mais real”, do que aquele que se encontrava no ponto de partida. Se prestarmos atenção na nossa vida cotidiana, tantas vezes a ficção se mostra mais real do que o real. Leio sobre a morte eterna de Antígona e me comovo por inteiro, como talvez não o faça quando morre uma pessoa da minha estima. Se morre alguém que existe de verdade e quero muito, demoro muito a realizar, isto é, a tornar real esta morte, quer porque preciso cuidar do velório e de outras pessoas que também estão sofrendo, quer porque ainda não suporto realizar a própria realidade. Se quem morre, todavia, é o personagem daquele livro em que embarquei suspendendo toda a descrença prévia, posso realizar a dor tão completamente que chego a fingir que é dor a dor que deveras sinto: vivo essa morte, se entendem o paradoxo, como se fosse mais real, ou seja, mais intensa, do que uma morte “real”.

Pode-se visualizar bem semelhante paradoxo no quadro de René Magritte, “A ponte de Heráclito”, pintado em 1935. Na imagem, a ponte supostamente real como que se interrompe no ar, ao tocar na névoa, não conduzindo quem a atravesse, ou quem esteja admirando o quadro, a lugar algum. O reflexo da ponte na água do rio, porém, mostra uma ponte completa, atravessando o rio. Temos certeza da imagem da ponte, mas não temos qualquer certeza da ponte ela mesma. Temos certeza do reflexo, do sintoma, da conseqüência, mas não podemos ter qualquer certeza da coisa que provoca o reflexo, da doença que gera o sintoma, da causa que produz a conseqüência. Como se trata da ponte de Heráclito, segundo o título que lhe deu o pintor, podemos ainda dizer que essa ponte incerta atravessa o rio que nos banhamos e no qual nunca somos os mesmos que fomos no primeiro banho, assim como o rio nunca é mais o mesmo, ou seja: trata-se de um rio que a rigor não existe, atravessado por uma ponte que a rigor também não existe, pintado por um pintor que a rigor não existiu e observado por espectadores que, a rigor e igualmente, não existem. Em palavras diretas: a rigor, não existimos.

BERNARDO, G. Literatura e Ceticismo. Ed. AnnaBlume, pp. 89-92.

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James Emanuel de Albuquerque Comentário de James Emanuel de Albuquerque em 18 dezembro 2009 às 13:22
“Tudo que se passa no onde vivemos é em nós que se passa”.

Oportunidade:

O Livro do Desassossego, de Bernardo Soares, está disponível na rede; clique AQUI!
James Emanuel de Albuquerque Comentário de James Emanuel de Albuquerque em 10 dezembro 2009 às 19:18
Oportunidade:


O ensaio “Os Tipos de Concepção de Mundo”, de Wilhelm Dilthey, está disponível na rede: clique AQUI!
Thamis Malena Comentário de Thamis Malena em 8 dezembro 2009 às 14:44
Olá amigos!
Estou pesquisando sobre a contrução do imaginário social de um bairro carioca e adorei este grupo de estudo pois através dele posso encontrar caminhos para a minha pesquisa.
Um forte abraço para todos..
Palmira Karlyere Andrade Comentário de Palmira Karlyere Andrade em 6 dezembro 2009 às 10:42
pretendo fazer um trabalho sobre a construção do imaginário em torno da figura do coronel nordestino, alguém pode me ajudar me dando, por exemplo, dicas de leituras???
Carla Magdenier Comentário de Carla Magdenier em 4 dezembro 2009 às 19:01
Que ótimo este grupo !!! Fico muito feliz por tê-lo encontrado.
Bruno Leal Comentário de Bruno Leal em 1 agosto 2009 às 15:12
Ótimo grupo de estudos!
James Emanuel de Albuquerque Comentário de James Emanuel de Albuquerque em 29 julho 2009 às 4:54
Oportunidade:

O ensaio Imaginação Social, de Bronislaw Baczko, está disponível na rede: clique AQUI!

Um abraço.
Diogo Nunes Comentário de Diogo Nunes em 29 julho 2009 às 1:13
A realidade social, construção da subjetividade humana, revela os símbolos, os valores, as normas, "os sistemas de representações" (BACZKO) que se produzem na vida social e constituem a imaginação e o imaginário, se manifesta, pois, na linguagem: “O social produz-se através de uma rede de sentidos, de marcos de referência simbólicos por meio dos quais os homens comunicam, se dotam de uma identidade coletiva e designam as suas relações com as instituições políticas, etc. (…) Se define, assim, um código conectivo pelo qual se exprimem as necessidades e as expectativas, as esperanças e as angústias dos agentes sociais” (Idem).
 

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ADEUS, MENINOS

França, inverno de 1944. Julien Quentin (Gaspard Manesse) é um garoto de 12 anos que freqüenta o colégio Sr. Jean-de-la-Croix, que enfrenta grandes dificuldades devido a 2ª Guerra Mundial.

Lá ele se torna o melhor amigo de Jean Bonnett (Raphael Fejto), um introvertido colega de classe que Julien posteriormente descobre ser judeu. A tragédia chega à escola quando a Gestapo invade o local, prendendo Jean, outros dois alunos e ainda o padre responsável pelo colégio.

O filme explora um situação limite sob a ótica da universo a criança, como fizeram outros ótimos filmes, como os recentes "A Culpa é do Fidel" e "Machuca". Com uma direção segura de Louis Malle, o fracês "Adeus, Meninos" (Au Revoir les Enfants, 1987) é um filme antes de tudo humanista, que mostra o drama de uma populção civil que sofreu os males de uma guerra mundial implacável, sobretudo, dentro do contexto das amizades e da família.

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