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Wladimir Gomide

Denys Arcand e o Cinema Canadense

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Denys Arcand e o Cinema Canadense

As Invasões Bárbaras e O Declínio do Império Americano, de Denys Arcand, nos oferecem o maior painel crítico de nossa época. O enorme leque de questões ali suscitadas apontam a necessidade de uma reflexão urgente: Civilização ou Barbárie?

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Última atividade: 28. Out, 2009

As Invasões Bárbaras - Metáfora da Desumanização

Percebo "As Invasões Bárbaras" (2003) e "O Declínio do Império Americano" (1986), como cara e coroa da mesma moeda. Enquanto "O Declínio" representa a razão, "As Invasões" é a emoção dimensionada com uma delicadeza rara de ser vista no cinema. Tudo isso sem esquecer que o primeiro é premonitório. Em 86, Arcand foi o primeiro a empregar o termo "Império Americano", traçando o perfil de um momento muito rico da História recente e de seus desdobramentos. Filme profético, denso, brilhantemente inteligente, diálogos deslumbrantes (para platéias cultas). Uma análise rigorosa e vigorosa que sacudiu as abordagens cinematográficas superficiais e insípidas que inspiravam a reflexão sobre os anos 60 e 70 do século XX.
Na abertura de "O Declínio", enquanto os créditos se sucedem, a câmera aproxima-se lentamente de duas mulheres sentadas no final de um espaço imenso. São duas professoras universitárias, doutoras em História. Uma entrevista a outra a propósito do lançamento de seu livro. Aquele diálogo, aliás riquíssimo e de uma profundidade impressionante, oferece todos os instrumentos necessários para a crítica e a compreensão de nosso tempo. Eis a chave de tudo que virá depois. Assisti "O Declínio" dezenas de vezes no cinema. Outras tantas em vídeo. De uma ironia ferina, beirando o cinismo, Arcand promove discussões brilhantes sobre a realidade social e histórica, permitindo-se, ainda, fazê-lo do ponto de vista feminino e da ótica masculina. Um verdadeiro achado.
"As Invasões" é um filme comovente. Resgata valores fundamentais, cultivados por aquela geração que tanto amou a Revolução. Transformar o mundo era a sua missão. Isto parecia tão real e possível quanto transitar por todos aqueles ismos: Existencialismo, Marxismo, Anti-Colonialismo, Feminismo, Revolução Sexual, Desconstrucionismo, etc.
Exceto o Cretinismo. Que, aliás, caracteriza o atual momento histórico. Estamos cercados de indigentes mentais. Tudo está à venda. Tudo se compra. Até visitas a um paciente terminal, de acordo com o mesmo filme. No almoço de despedida a Rémy, um daqueles professores universitários sublinha que a inteligência desapareceu. Talvez por muito tempo.
Mergulhamos na barbárie. A indiferença, a estupidez arrogante e boçal, a valorização do ter e do parecer, a banalização da vida, entre outras pérolas, sustentam um mundo que esqueceu os valores humanísticos construídos ao longo de séculos e que serviram de arcabouço para o advento da civilização e nortearam a luta por uma sociedade mais justa.
Não sou um nostálgico romântico. Que falta nos faz (a todos) o exercício da amizade, da solidariedade, inclusive entre os povos, da capacidade de doação afetiva inteiramente desinteressada, etc.
Ser, simplesmente. O que é isto? Ninguém sabe. Importa ter. Importa parecer.
Francamente, nosso cineasta canadense, que também é doutor em História, acertou na mosca. O abismo que separa o ser do ter talvez encontre sua redenção através do afeto. Lembram-se do único diálogo entre o intelectual Rémy e seu filho, profissional sofisticado do mercado financeiro, que nunca leu um livro e só se relaciona com o mundo através do computador e do celular? Pouco antes de praticar a eutanásia, eles se aproximam através do afeto.
Talvez esta seja a saída ou uma delas para o reencontro do homem consigo próprio. Conseqüentemente, com seu semelhante. Isso porque aquele que ontem era nosso semelhante agora é percebido como inimigo. E, como tal, precisa ser aniquilado. O horror às diferenças, a intolerância, a xenofobia e o neo-nazismo são o desdobramento lógico de um mundo sem referências que se desumanizou e marcha inexoravelmente para a Barbárie, tal como assistimos de camarote. Ainda.



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Jonathan Hirano "Japa" Comentário de Jonathan Hirano "Japa" em 27 outubro 2009 às 23:29
esses filmes dão ótimas analises e boas risadas, gosto muito e sempre quando posso, dou uma olhada, oq vcs acham sobre o filme?

uma analise que eu faço, é que o filmes mostram algumas tendencias "Mais" Modernas da Sociedade humana, não queria chegar a falar de Pos-modernidade.

a critica as grandes correntes filosoficas do século XVIII, XIX e XX. a crise do Socialismo Real, do Capitalismo e rumo a alguma coisa que é a crise ou o declinio do imperio.
Jacqueline Ventapane Comentário de Jacqueline Ventapane em 23 julho 2008 às 8:46
Meu caro amigo, o fato de vc abrir mais este tópico aqui no Café História já é a demonstração que pelo menos alguns tentam fugir à barbárie! Ainda estou devendo a mim mesma ver o filme Invasões Bárbaras e rever o Declínio do Império Americano, mas têm algumas coisas que independem que eu tenha visto a ambos para perceber. Primeiro, vou me permitir fazer uma relação entre inteligência e inimigo. Aparentemente sem nenhuma relação, o que percebo, principalmente na Academia (talvez outros possam até falar melhor que eu), é que o saber não é mais para ser compartilhado e sim ser uma arma para sobrepujar o outro. O outro sempre inimigo. Acho que não entenderam bem Carl Schimitt! Ou o entenderam demais! Não há semelhantes, mas sim os melhores e os que não são os melhores. E isto se dissemina entre aqueles que entram exatamente nos espaços do saber para aprender e pensar junto.

"Ser, simplesmente. O que é isto? Ninguém sabe. Importa ter. Importa parecer." Você resumiu o que temos hoje (novamente, "ter"). Não somos, temos. E isto vem, cada vez mais, me incomodando.
Um grande beijo e espero que as boas discussões que vc conseguiu "puxar" das pessoas na comunidade do orkut, amplie-se também aqui neste espaço. E que me perdoem aqueles que acham que falei bobagens. Não me importo mais em "parecer" inteligente.
Jac
 

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Ariel (Daniel Hendler) é um jovem de vinte e poucos anos, que largou a faculdade e ainda vive às custas da mãe (Adriana Aizemberg). Sua vida gira basicamente em torno de dois locais: a loja de lingeries de sua mãe e o cybercafe local, onde costuma encontrar sua namorada.

Ariel sempre estranhou o fato de nem sua mãe nem seu irmão falarem sobre seu pai, que nos anos 70 partiu para lutar na Guerra do Yom Kippur, em Israel, e nunca mais retornou. Com a crise econômica instalada na Argentina, que força o fechamento de várias lojas tradicionais no bairro onde está a loja de sua mãe, os amigos de Ariel sonham em conseguir a cidadania européia e partir do país em busca de emprego. Ariel também tem este sonho, mas cada vez mais alimenta o desejo de conhecer seu pai e também a verdade sobre seu afastamento da família.

"El Abrazo Partido", filme argentino de 2004 fez bastante sucesso aqui no Brasil. No fundo, sua trama gira em torno de Ariel, que não consegue aceitar o fato do pai tê-lo abandonado para ir lutar na guerra do Yom-Kippur. Essa rejeição à figura paterna também fica explícita no pouco conhecimento que Ariel tem do judaísmo. Face à crise que se abate sobre a economia de seu país, Ariel decide batalhar pelo passaporte polonês (seus avós eram poloneses) e, dessa forma, ter a possibilidade de entrar na Europa e viver com um seguro-desemprego.

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