A fase da clandestinidade, a caricatura (simbolismo)

 

Achei interessante a proposta sobre a "Homossexualidade Feminina", uma vez que o costumeiro é a da "Homossexualidade Masculina".

Para tanto, reporto um dos depoimentos dentre outros poucos (concordam?), de mulheres homossexuais na tentativa de percebermos pontos comuns (com a da Masculina) em suas trajetórias no assumirem-se com tal.

Outra proposta é a da: entre homossexuais Masculinos e Femininos a diferença de gêneros é um fator discriminante entre eles mesmos?

 

Vamos ao depoimento:

 

“Namoro desde os 16 anos, meninos e meninas. Tive uns poucos namorados, queria experimentar os homens e ter certeza do que eu queria.

Tive vários problemas familiares. Sou filha única, tive educação severa, fui criada pelos avós.

Eu precisava disfarçar o tempo inteiro.

Inventava, mentia, arrumava um amigo para o jantar da firma.

Minha tia me ajudou a reconquistar meus pais.

Hoje, acho que vale mais a pena ser verdadeira e correr riscos.

As coisas estão bem diferentes.

Dia desses dei um beijo de língua na minha namorada numa lanchonete de um bairro de mauricinhos de São Paulo. Um grupo parou de comer e, chocados, vieram nos perguntar se éramos artistas.

Os homens têm fetiche por duas mulheres, mas muita gente ainda quer saber quem é o homem ou a mulher na relação, como se isso acontecesse com todas as lésbicas.

Mas eu e uma outra namorada já fomos agredidas por um homem. Fomos à delegacia e abrimos um processo. Ele nos agrediu fisica e moralmente. Acho que por isso as lésbicas não se expõem tanto.

Somos fisicamente mais frágeis numa briga.

Mais: não é porque duas mulheres estão juntas que elas não pensam em ter filhos.

Eu penso em ter.

Inseminação é muito cara e eu prefiro ter filho naturalmente, com o acordo de minha namorada.

A homossexualidade é só um pedaço da minha vida.

Ninguém precisa se preocupar com esse único aspecto da minha vida.”

(Ana Paula de Oliveira, ex-modelo e pequena empresária, de 27 anos)

Edição 222 - 19/08/02

Rev. Época

PS:  A foto postada nada tem a ver com a depoente (modelo Lolo. Meu arquivo pessoal)

Tags: Agressão, Briga, Delegacia, Femininas, Fetiche, Filhos, Fragilidade, Gêneros, Homem, Homoafetividade, Mais...Inseminação, Judicial, Lésbicas, Mulher, Processo

Exibições: 1042

Respostas a este tópico

Transexual fará a primeira cirurgia de retirada de órgãos femininos pelo SUS em SP.

http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/transexual-fara-1-cirur...

A Homosexualidade Feminina realmente nunca foi tratado na literatura historiografica, e nem tão pouco a Homosexualidade Masculina. Mais o porque dessa questão ainda ser um tabu em pleno século XXI ? Ou porque nao houve ninguém que realmente se interessasse por essa tema? Na minha concepção é que realmente  ninguém foi pesquisar, ir atraz, saber o porque que esse tema nunca foi estudado.

Vc tem razão! O que temos na História são relatos embutidos em estudos distintos ao da "homossexualidade" propriamente dita.

Porém, em tempos idos, sabemos ter sido uma prática comum ... Na Grécia, em Roma, p.ex.

E mais, nesses relatos há muito mais sobre a Homossesualidade Masculina do que a Feminina (Lesbianismo). Percebeu, não é mesmo?

"Ninguém foi pesquisar", diz vc. Fato! Vou procurar a agulha no palheiro.

Abração!

Oi,

eu também percebo uma ausência em produções historiográficas problematizando o amor entre mulheres. A literatura é pouca. Talvez pelaprópria documentação. Geralemente alguns livros fazem referências, como História do Amor no Brasil da Mary de Priore e História das Mulheres no Brasil organizado por esta mesma autora e que apresenta um belo texto de Ronaldo Vainfas . Ah, temos também um artigo de Luiz Mott que eu não lembro o nome mas deve ter fácil na internet.

É o que conheço.

Atenciosamente,

Paulo

Sim, a literatura sobre, como menciona, é escassa!

O que mais temos são episódios de vida contemporâneos, que podem nos ajudar a entender melhor tal realidade.

Elas estão por aí, certo que não em grande escala, mas estão.

Haja vista, a reportagem postada.

Desta e/ou daquela vivência reportada podemos enxergar com lupa (metaforicamente falando), experiências que vão construindo a singularidade de cada um, fazendo a história desses elementos ... Daí o meu garimpo constante!

Casal de lésbicas completa 70 anos de união!



A matéria que tomamos a liberdade de traduzir conta a vida de um casal de lésbicas, Leto e Magazzu, juntas há 70 anos. Isso mesmo! 70 anos de amor, descobertas, confidências, conflitos, brigas, ciúmes, harmonia, carinho, amizade, confiança e todos os sentimentos que integram um relacionamento de verdade.

Além de ser um marco chegar aos quase 100 anos de idade juntas, a história dessas duas mulheres tem um ingrediente a mais. Resistiu ao preconceito do passado e resiste ao do presente. Sim, porque mesmo depois de tantas décadas Leto e Magazzu ainda são vítimas daquilo que consideramos um dos maiores males da sociedade.


Fica fácil entender porque elas mantiveram sua união em segredo durante tanto tempo.
Vejam agora a história dessas duas jovens gays numa tradução adaptada:


Sim, casais formados por pessoas com 90 anos ainda discutem ocasionalmente. O exemplo pode ser visto no sofá da casa de Caroline Leto e Venera Magazzu: “Não vamos ter uma festa”, diz Magazzu, de 97 anos, argumentando que elas são muito idosas para esse tipo de coisa. “Sim, nós somos”, responde Leto, de 96, que admite que as duas podem ainda dançar polka.


Uma festa celebrando os 70 anos juntos é um marco para qualquer casal. Especialmente para essas duas senhoras, considerando que elas tiveram de silenciar sobre a história de amor delas durante décadas. “Você simplesmente não podia dizer para todo mundo que nós éramos amantes”, contou Leto. “Você diz para as pessoas que somos amigas, algumas pensam que éramos irmãs”.


Leto e Magazzu ignoram seu pioneirismo na comunidade gay e lésbica. Mas muitos dos seus amigos e parentes reforçam o seu papel, apontando para o fato de como o amor das duas foi capaz de transcender o tempo, cheio de obstáculos. Para celebrar o amor das duas, membros da Etz Chaim, uma associação de gays e lésbicas em Wilton Manors, estão planejando uma festa. Eles esperam que Leto e Magazzu atendam ao pedido e mostrem a todos como dançar a polka.


“Honestamente, eu acho que as duas estão mais apaixonadas do que no passado”, afirma um amigo pessoal do casal. “Olhe para os casais heterossexuais. Você tem sorte se ainda permanece casado após sete anos. Esta é uma história de amor incrível”.


Em 1939, Leto e Magazzu se conheceram em uma festa em Nova York. Leto achou Magazzu estilosa, que a considerou divertida. Um ano depois, Magazzu, professora, e Leto, operadora de telégrafo, mudaram-se para uma humilde casa, em Nova York. Elas passaram a maior parte da vida lá, com poucos parentes e amigos próximos sabendo sobre o relacionamento.


Magazzu conta que sempre brigou para contar para as outras pessoas, mas que temia o que elas poderiam pensar. Ela acredita que a sociedade daquela época era muito mais receptiva a duas mulheres que moram juntas do que a dois homens – e também bem menos inquisitiva.


“Eu acho que a maior parte das pessoas desconfiava, mas nunca fizeram escândalo sobre isso porque éramos apenas duas mulheres”, disse. “Eles não perguntavam, e nós simplesmente não falávamos”.


A sobrinha de Leto, Patricia Dillion, contou que cresceu acreditando que as duas fossem irmãs e sempre se referiu a elas como tias. Leto contou o “segredo” a ela durante uma festa de família. “Ela mencionou que elas tinham se casado”, disse Dillion. “Eu fiquei tão feliz, mas depois fiquei pensando em todo o tempo que elas não puderam admitir isso”.


Em 1996, as duas se registraram como parceiras em Nova York. Elas contam que fizeram isso porque sentiram que precisavam contar a todos sobre a sua vida juntas.


Anos depois, se mudaram para a Flórida, quando se tornaram mais ativas na comunidade LGBT, servindo de exemplo para os ativistas. Além disso, passaram a levar vida de qualquer jovem aposentado na Flórida: viajando em cruzeiros, jogando pôquer com os amigos. Adotaram um animal de estimação, um macaco chamado Chi-Chi.


Em 2006, com uma desacelerada normal causada pelo avanço da idade, Magazzu colocou no papel a história delas, num livro chamado An Unadulterated Story:
Young and Gay at 90 (Uma história pura: jovem e gay aos 90). Durante a entrevista que originou a matéria do Herald Tribune, o repórter presenciou um fato curioso: as duas discutindo sobre onde estava um exemplar do livro. Magazzu insistia que estava no quarto. Leto, que havia visto no bagageiro do carro.


“Ok, então se você sabe onde está tudo, vá lá e pegue”, provocou Magazzu, enquanto apelava a uma busca na cozinha. Leto apenas sorriu e disparou: “Meiga, não?”

Já que vivemos em uma democracia...todos os espaços são usados para encher a gente com mais esta, gays lesbicas, e outros transtornos, pecisam de midia para de sentirem reconhecidos? se precisam deste artificio a propria auto aceitação não existe, ainda querem que outros os aceitem.
Os fatos não são tão simples como vc os expõe e se são transtornos como vc diz, calcule só o que são para aqueles pessoas que como vc os vê, os rotula.

Olá pessoal. Sou nova por aqui e acabo de ver a discussão proposta pelo grupo. Sou historiadora e meu objeto de estudo está diretamente associado a lesbiandade. Vejo a proposta do grupo como muito interessante, e tenho alguns comentários a fazer. Penso que quando usamos o termo "homossexualidade masculina", estamos ratificando o gênero masculino como referencial MODELAR (e únco) para os mais variados sujeitos humanos, e aqui mais diretamente as mulheres. Por isso prefiro o termo lesbianismo/ lesbiandade, e seus derivados. Outra questão é que cada pessoa experimenta de forma singular a sexualidade. Então, embora haja a vivência de situações aproximadas por LGBT's, sendo o preconceito a mais forte, cada pessoa vive tais situações de forma muito particular. Sobre a dificuldade de discussões historiográficas, de fato, quando comecei minha pesquisa, isso ficou bem evidente. Mas, já tem algumas produções além das que Paulo Souto mencionou: O livro O que é Lesbianismo (2000) produzido pela historiadora Tânia Navarro Swain e vários outros artigos disponíveis on line. Outro historiador que tb tem produções sobre o tema é Ronaldo Vainfas em Historia e sexualidade no Brasil (1986). Durval Muniz de Albuquerque Jr tem vários artigos on line sobre homossexualidade. Na área da Antropologia, tem Luiz Mott com vários artigos e livros, entre eles Lesbianismo no Brasil (1987), Escravidão, Homossexualidade e Demonologia (1988)Sexo Proibido: Virgens, Gays e Escravos nas garras da Inquisição (1989); e Ligia Belinne com A coisa obscura: mulher, sodomia e Inquisição no Brasil Colonial (1989). Enfim, na área de Literatura e Sociologia tb há alguns trabalhos. Caso interesse,tb há a Revista Labrys, Cadernos Pagu, Revista Estudos Feministas, Revista Gênero, todas on line.

E para finalizar, penso que a pouca produção sobre o tema no campo da historiografia brasileira tem a ver com a força que a cultura judáico-cristã tem na nossa formação. É uma pena que acadêmicos/as da área de História se apeguem às definições ora da religião (pecado, diabólico, desvio, perversão), ora da Psicanálise em suas definições que vigoraram até 1992 (doença, transtorno, neurose, inversão). Acredito tb que a maneira como temos nos relacionado c as teorias da História favorecem a definição sobre que temas são importantes de serem estudados, ou quais são os "temas" viáveis, traçando uma hierarquia que tem colocado a sexualidade no rol dos 'temas menores'.

O que não podemos esquecer é que tudo é histórico, "tudo muda o tempo todo no mundo". E por isso temos a possibilidade de questionar esse lugar naturalizante, biologizante (apenas) e inquestionável que vem sendo dado às práticas da sexualidade.        

Oi, Kyara.

Muito bom ter você por aqui.

Suas palavras mostram a força das tuas leituras e da tua pesquisa.

Estarei formando agora na UFCG, com Keyla Queiroz, o grupo de Estudos em Teoria Queer.

Em Agosto sairá a divulgação. Sinta(m)-se convidada(s).

Bjos

gostaria de acresentar uma curiosidade (não encontrei um termo melhor): Costumo assistir progamas evangelistas ,pois estou impressionado com o poder que eles estão conquistando . Nos progamas da universal, tenho reparado em como o lesbianismo tem sido frequentemente citado nestes progamas,ao invés do genérico homosexualismo! O que isso pode querer diser?

É mesmo, Rodrigo?

Bom, não tenho o hábito de seguir tal programação, daí fica difícil expressar algo sem estar totalmente integrado em seu contexto.

Qualquer opinião sobre a sua indagação seria vaga, mas arrisco um mero palpite: "O Lesbianismo não é tratado com tanta frequência"... Veja, uma simples opinião, porém, verdadeira.

RSS

LINKS PATROCINADOS

Conteúdo da semana

Palácio submerso de Cleópatra: o palácio inteiro foi engolido pelo Mar Mediterrâneo, com o passar dos séculos, e é um importante ponto de pesquisa sobre a cultura greco-romana influenciando construções no Egito Antigo pós-Alexandre.

Links Patrocinados

Cine História

A Memória que me contam - 2013

Entrou em cartaz o novo filme da diretora brasileira, Lúcia Murat, o drama "A Memória que me contam".

A ex-guerrilhera Ana (Simone Spoladore), ícone do movimento de esquerda, é o último elo entre um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar no Brasil. Com a iminente morte da amiga, eles se reencontram na sala de espera de um hospital. Entre eles está Irene (Irene Ravache), uma diretora de cinema que sente-se perdida diante da iminente morte da amiga e que precisa ainda lidar com a inesperada prisão de Paolo (Franco Nero), seu marido, acusado de ter matado duas pessoas em um atentado terrorista ocorrido décadas atrás na Itália.

Enquete História

Você acredita que João Goulart foi assassinado por agentes da ditadura militar?

Sim
Não
Talvez


Resultado Parcial
Comentar esta Enquete
Recomendar esta Enquete

Em nossa enquete anterior, perguntamos: de 0 a 5, que nota você daria para a edição da ANPU regional (2012)? 638 pessoas votaram na enquete. O resultado foi o seguinte: 0 (27,90%), 5 (22,24%), 3 (16,14%), 4 (15,05%), 2 (7,99%) e 1 (7,68%).

Parceiros


NOSSOS OUTROS PROJETOS

Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

© 2013   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }