Este grupo destina-se a pesquisa sobre o mais importante fenômeno cultural do sec. XX, suas, transformações consequencias e desdobramentos ao longo das ultimas cinco décadas.
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Comentário de Henrique Oliveira em 21 abril 2013 às 20:43 Galera, um convite do grupo Historiadores Rockeiros!!!
Como somos um dos grupos mais populares do Café História, nada mais normal que cedermos à pressão e partirmos também para o Facebook!!! Entrem e adicionem a página e vamos curtir e compartilhar muito mais por lá!!!! Abraços!
Comentário de Adriano Tardoque em 1 dezembro 2012 às 9:36 Outro artigo que gostaria que os colegas lessem é ROGER WATERS: O ROCK, A SOCIEDADE E A CAUSA PALESTINA, também no WHIPLASH:
http://whiplash.net/materias/biografias/168744-rogerwaters.html
Comentário de Adriano Tardoque em 1 dezembro 2012 às 9:32 Quero convidar a todos os colegas a leitura do artigo GRUNGE: UMA REFLEXÃO SOBRE O "ANTI-MOVIMENTO" que publiquei no site do WHIPLASH. Comentem!
http://whiplash.net/materias/biografias/168834-nirvana.html
História e música http://redeglobo.globo.com/sc/rbstvsc/noticia/2012/11/patrola-mostr...
Comentário de carlos pereira jr em 30 maio 2012 às 21:48 adiantando alguma coisa, estou longe de uma imagem romantica do rock em sua face "revolucionária". O que eu coloco em questão através do rock é a própria imagem de revolução. O que é uma problemática do surrealismo, segundo o W Benjamim...
Comentário de carlos pereira jr em 30 maio 2012 às 21:44 Meu caro luiz carlos,
acuso a ciência de seu preciso comentário e diálogo. Prometo responde-lo em breve. Te respeito como interlocutor e acho interessante e fecundas nossas leituras divergentes do rock and roll. As diferenças são fecundas e os bos debates são árduos. Volto em breve.
Comentário de Luiz Carlos Geremias Alves em 30 maio 2012 às 21:21
Comentário de carlos pereira jr em 17 maio 2012 às 13:37 continuação
Mas você me colocou questões interessantes. Afinal, qual é a relação entre o rock e segunda guerra? Diria que não há uma relação direta. A geração que viveu os anos dourados do rock nasceu durante a guerra e cresceu sobre suas ruinas. Entretanto, o rock surge nos USA, cujo território não foi palco de guerra, como você bem observou. Mas quem disse que o advento do rock foi uma reação cultural direta ao trauma da guerra? Só indiretamente podemos relaciona-lo com ela. É obvio que as mudanças trazidas as relações societárias pelo esforço de guerra contribuíram, mesmo que indiretamente, para o advento do rock enquanto expressão juvenil. Basta lembrar, por exemplo, que as mulheres definitivamente ingressaram no mercado de trabalho com o esforço de guerra, mesmo nos USA, o que foi um duro impacto sobre as relações familiares tradicionais.
De fato o rock é a confluência de varias vertentes da musica popular angro saxã. Só poderia ter surgido e vingado nos USA e na Inglaterra. Além disso, dependia de uma base tecnológica para sua difusão que só a indústria do entretenimento angro saxã à época possuía. Creio que concordamos inteiramente quanto ao rock ser em si mesmo um modo de “interterterimento” . Mas acho que não se deve subestimar suas implicações culturais e sua força enquanto fonte geradora de padrões comportamentais e ethos.
Bom, creio que ainda não respondi aqui todas as questões que você me colocou. Mas preferi não retardar podia retardar mais essa resposta. Posteriormente aprofundo a prosa.
Compartilhando com você um pouco da minha vivência pessoal do rock, gostaria de dizer que, apesar de curtir um bom rock clássico tipo Beatles, Who, Crean, Led , Sabbath, Iron Butterfly, Jefferson Airplane,etc. minha identidade musical passa radicalmente pelo Heavy Metal em suas variadas vertentes, incluindo o metal extremo do black e death metal.
Aliais, hoje, aos quarenta anos estou me aventurando a aprender guitarra e redefinir minha relação com a musica.
Admito que, assim como você, também não ando muito satisfeito com o plural cenário do rock contemporâneo. Mas cada época tem o rock que merece,rs. Apesar disso, não deixo de apostar nessa geração mais recente da internet e tecnologias digitais. Ela cresce em um mundo onde, como nunca antes, tudo que é sólido se desmancha no ar. Ela pode ir muito mais longe do que a minha geração jamais sonhou na invenção de um admirável mundo novo de gramaticas de vida. Mas isso é só uma aposta. Só sei que não serei parte da história deles. Estou demasiadamente preso a minha própria época.
Um detalhe interessante é que durante 10 anos da minha bem curtida juventude fui militante de esquerda no velho partidão. Hoje avalio que esta opção pela politica me afastou um pouco ou diluiu minha identidade com o rock na medida em que definiu outras prioridades. Em outros termos, pessoalmente acho que o rock me afasta de opções politicas, me leva a busca de individuação (Que não se confunde com o individualismo liberal).
Por enquanto é só. Desdobro a prosa em breve tentando dar conta dos questionamentos que vc anteriormente me colocou.
Comentário de carlos pereira jr em 17 maio 2012 às 13:36 continuação
Quanto ao livro do Jon Savage que você citou, tive o prazer de ler a alguns meses. Fiquei com a impressão de que o autor no final das contas reduz a teenage a um jogo fácil entre mercado e cultura. Mas preciso oportunamente dedicar-lhe uma segunda leitura para ver se essa primeira impressão se sustenta.
Pertinente dizer que uma pesquisa que gostaria de realizar é um estudo comparativo entre os loucos anos 20 e os psicodélicos anos 60 do último século na Europa e Estados Unidos. Em ambos os casos lidamos com breves períodos históricos marcados por uma profunda inquietação e efervescência cultural intercambiadas com a barbárie das “guerras mundiais”.
O fato é que o rock and roll renasceu nos anos 60 como o grande emblema da efervescência cultural que, de modos e formas variadas, definiria aqueles anos mais do que qualquer outra coisa. Reconheço que o rock em si mesmo é apenas musica, nada mais do que simples musica. Mas naquele contexto cultural, a vocação rebelde e transgressora o transformou no catalizador de uma cultura de juventude que, apesar de gradativamente incorporada à sociedade vigente, lhe impôs modificações profundas no plano dos costumes e valores.
Quando, portanto, falo do rock como um signo de revolução, mesmo que circunscrito como tal a sua era de ouro nos anos 60, não tenho definitivamente como referencia mudanças estruturais no plano econômico ou politico, mas essencialmente modificações significativas e “moleculares” em nosso modo de “ser no mundo”, em nossa codificação simbólica do cotidianamente vivido.
Lembrando uma máxima da contra cultura: “O que é pessoal é politico”.
Neste ponto lhe remeto a um capitulo muito interessante da autobiografia do Hobsbawm, TEMPOS INTERESSANTES, onde ele dedica um breve capitulo aos anos 60:
“ O que realmente transformou o mundo foi a revolução cultural da década de 1960. O ano de 1968 pode ter sido menos um ponto decisivo na história do século XX do que o ano de 1965, que não teve qualquer significação politica, mas foi o ano em que pela primeira vez a indústria francesa de roupas produziu mais calças femininas do que saias, e no qual o numero de seminaristas católicos romanos começou a declinar visivelmente. Sempre ensinei a meus alunos do curso de história do trabalhismo que a grande greve dos estivadores de 1889, que aparece em destaque em todos os livros, pode ter sido menos importante que a silenciosa adoção pelas massas de trabalhadores industriais britânicos, em algum momento entre 1880 e 1905, de uma forma de cobrir a cabeça reconhecível como distintivo de sua classe, um casquete de bico. Pode-se argumentar que a marca indicativa realmente importante da história da segunda metade do século XX não é a ideologia nem as ocupações estudantis, e sim o avanço do jeans.
Porem, infelizmente, eu não sou parte desta história. Levis triunfou, assim como o rock, como distintivo da juventude, mas eu já não era mais jovem. Não tenho grande simpatia pelo equivalente contemporâneo de Peter Pan, o adulto que quer permanecer sempre adolescente, nem posso me ver desempenhar com credibilidade o papel de mais idoso entre os adolescentes. Por isso resolvi, quase como questão de principio, jamais usar essa vestimenta, e nunca a usei. Isso me traz uma desvantagem como historiador dos anos 60: não participei deles. O que escrevi sobre a década de 1960 é o que pode escrever um autobiografo que jamais usou jeans. ”
Eric Hobsbawm. TEMPOS INTERESSANTES: UMA VIDA NO SÉCULO XX/ tradução de S. Duarte,SP: Companhia das Letras ,2002,p.290-91.
Inspirando-me na passagem acima, ouso afirmar que o rock and roll foi tão revolucionário quanto a calça jeans, o que dá uma boa ideia do que penso sobre revolução,rs.
Comentário de carlos pereira jr em 17 maio 2012 às 13:35 Meu Caro Luiz Carlos Geremias Alves,
Obrigado pela oportuna e profícua troca de ideias. Tentarei aqui, apesar do curto tempo que tenho, tentar responder as questões que você colocou com louvável competência. Fique a vontade para me criticar.
Bom, em um dos já clássicos ensaios sobre Cultura reunidos na coletânea NO CASTELO DO BARBA Azul, George Stainer nos propõe uma leitura do rock and roll como uma desafiadora “meta cultura” com uma semântica e gramatica próprias que desafiam a autoridade da velha ordem verbal da sociedade convencional.
Em suas próprias palavras:
“As mudanças de linguajar entre as gerações constituem parte normal da história social. Antigamente, contudo, tais mudanças e as provocações verbais lançadas pelos jovens contra os velhos eram variantes de uma continuidade evolucionária. O que está acontecendo hoje é novo: trata-se de uma tentativa de ruptura total. Os resmungos de quem abandonou a escola, o “foda-se” do beatnik, o silêncio do adolescente na hostil casa de seus pais tem a intenção de destruir. O asceticismo de Cordélia, sua recusa das mendacidades da fala, demonstra-se mortífero. Também o da criança autista, quando esta pisoteia a linguagem, reduzindo-a a uma algaravia ou a um silêncio maníaco. Esvaziamos de sua própria humanidade aqueles a querm negamos a fala. Fazemos que fiquem nus e ridículos . Há uma imagem terrível, literal, em “surdo como uma porta”{stone-deafness”}, no balbucio opaco ou ausência de fala dos “chapados” { stoned}. Rompa-se o dialogo com os outros, e a Medusa se voltará para dentro. Disso vem algo da magoa e do desespero do presente conflito de gerações. Uma violência deliberada está sendo usada contra aqueles laços primários de identidade e coesão social produzidos por uma linguagem comum.” P.126
O autor aponta aqui para um dos muitos aspectos da reorientação das sensibilidades coletivas que impulsionou as transformações comportamentais ocasionadas pelo profundo “abismo de gerações” que em fins dos anos 50 e durante os anos 60 definiram acentuadamente a paisagem cultural dos Estados Unidos. Ele fala mais propriamente da nova estética ou sensibilidade musical que mudaria a forma de se ouvir musica no século XX como o coroamento de um processo que teve inicio bem antes. Talvez nas primeiras décadas do século XX. Stainer parece sugerir que a musica substituiu a literatura no século XX e,creio eu, se for o caso, que ele não está errado ao afirma-lo.
Não é exagero dizer que durante os anos 60 a sociedade norte- americana esteve fraturada, não só pelos já correntes conflitos raciais, mas também pela então novidade do antagonismo radical entre jovens e adultos, fenômeno cuja gênese e dinâmica ainda estão por ser devidamente pesquisados, talvez, como desdobramento do bipartidarismo ideológico introduzido pela guerra fria que em fins dos anos 50 ganharia uma personificação bastante concreta com a guerra da Coreia e posteriormente a guerra do Vietnã.
Sobre o tema do conflito de gerações conheço uma pesquisa realmente pertinente no campo da antropologia social de S. N. Eisenstadt, DE GERAÇÃO A GERAÇÃO. O autor se ocupa nessa obra do complexo problema da relação entre grupos etários e estruturas sociais, propondo um estudo comparativo das culturas juvenis em diferentes sociedades arcaicas e modernas.
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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