Pesquisas recentes informam que de cada 10 congressistas no Brasil, 4 pertencem à Bancada Evangélica. Esses deputados e senadores formam um verdadeiro bloco , para não dizer cartel, que veta tudo que não vá de acordo com a moralidade cristã. Juntando -se a esses , temos a Bancada da Família , grupo de deputados da RCC . Por causa dessa força política , o governo se amedronta e não toca em assuntos importantes como a questão do aborto e da criminalização da homofobia. Nas escolas e instituições públicas há orações cristãs , imagens e em algumas até cultos autorizados. Diante desse quadro , cabe a nós perguntar: o Brasil é ou não um Estado laico como reza a Constituição?

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Na minha escola formamos fila com os alunos, não cantamos o Hino Nacional, mas o Pai Nosso!!!!

Luciano, evidentemente que o Brasil é um Estado Laico. 

Penso que não devemos confundir as coisas. Se a escola do Marcos não for uma escola religiosa, e sim pública, trata-se de uma aberração que vai contra a lei e que depois de denunciada certamente não vai se repetir. Esses excessos podem indicar que há uma supervalorização do religioso no espaço escolar, mas dizer que vivemos em um Estado não-Laico seria exagero. É como ter um governo de direita e perguntar se vivemos em um Estado Fascista. Ora, isso seria banalizar alguns conceitos e realidades. É a minha opinião. Mas também estou nessa: escolas públicas não podem funcionar desta forma.

Abraço!

 

Acredito ser um Estado -laico pois passando por estas experiencias, vejo que  nem todos "rezam o pai nosso" e nem todos "cantam o hino". O que ocorre é uma metodologia das escolas publicas em regiões rurais e urbanas (periféricas) que tentam  manter uma metodologia inspirada em valores "ultrapassados".

Mas não é apenas isso que faz de nosso Estado laico, não?

Engraçado pensar que as questões colacadas por Marx em A Questão Judáica ainda permanecem; por ex, na maneira como a França tentou resolver a questão: estado laico, mas como o catolicismo predomina que se faça uma concordata - permitir a maioria do ensino para os padres católicos - até, se não me engano, 1968. As cartas aos jornais brasileiros mostram isso. A própria forma como o debate é levado, mostra a ausência de clareza dos dirigentes políticos, em sua maior parte. Ex: aborto. Segundo pesquisas (a confirmar), a maior parte das mulheres que abortam são católicas, depois protestantes e evangélicas etc (seguiria  a distribuição dos adeptos); ou seja, padres, pastores e suas hierarquias não dão conta de seus adeptos. Sobra para o Estado, cerca de milhares e milhares de aborto; este é que é o foco. Que as igrejas entrem em acordo com seus fiéis e não se intrometam onde não lhe diz respeito. Além de tudo, historica e politicamente o predomínio da maioria não pode se tornar uma ditadura; há milhares que não concordam com as consignas religiosas como provam a quantidade de abortos no Brasil. Lecionei em Unversidades não religiosas com enormes crucifixos nas salas da diretoria, na entrada etc. Para não dizer que até os próprios crucifixos já mostravam que denominação era os "donos". Não se trata só de laicidade, é a concepção mesma do que é público que está em jogo.

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