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Alexandre Santos

História Nova do Brasil

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História Nova do Brasil

[...] na historiografia brasileira, daqui por diante, há duas fases: antes da História Nova e depois dela.(...)

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História Nova do Brasil (1963-1993)

[...] na historiografia brasileira, daqui por diante, há duas fases: antes da História Nova e depois dela. A história da História Nova será contada aos
nossos filhos e netos [...]

Nelson Werneck Sodré, História da História Nova 1

Em 1963, Nelson Werneck Sodré dirigiu um grupo de historiadores na elaboração de um relato da história do Brasil fiel aos fatos e que servisse à luta do povo. Enfrentaram a inquisição! Escrita em conjunto por Joel Rufino dos Santos, Mauricio Martins de Mello, Pedro de Alcântara Figueira, Pedro Celso Uchoa Cavalcanti Neto, Rubem César Fernandes, todos vinculados ao Departamento de História do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb) — do qual Sodré era o diretor —, a coleção previa dez títulos, dos quais foram publicados cinco até 1964, quando a edição foi suspensa pela ditadura militar recém-instaurada. No ano seguinte, a editora Brasiliense republicaria alguns deles, agrupados em dois volumes, o de número um e o de número quatro, em um plano, não concretizado, que pretendia totalizar seis.
A Coleção História Nova, inicialmente, previa dez títulos, assim pensados:

1. "O descobrimento do Brasil";
2. "A sociedade do açúcar";
3. "As invasões holandesas";
4. "A expansão territorial";
5. "A decadência do regime colonial";
6. "A independência de 1822";
7. "Da Independência à República";
8. "O sentido da Abolição";
9. "O advento da República"; e
10. "O significado do Florianismo".

Com relação às suas intenções, elas eram assim anunciadas na contracapa dos volumes, assinada por Roberto Pontual. A repressão à História Nova foi uma ignominia. Os exemplares apreendidos foram destruídos e seus autores presos, torturados, exilados. Seu objetivo era fazer a História Nova libertar o país da “[...] história factual e mitificada”. 2
Apesar de derrotado pela ditadura, o projeto da História Nova Brasil, como assinala Lúcia M. Paschoal Guimarães 3, “[...] representou um avanço na historiografia do livro didático. Um momento de ruptura, mesmo. A partir dali, as determinantes econômicas dos processos históricos seriam definitivamente incorporadas aos conteúdos dos compêndios escolares”.

Dessa forma, sintetizou SANTOS (1993; p17-18):


“A História Nova é, portanto, produto de um momento histórico — o início dos anos 60, sinalizado pelo governo Goulart — e de um novo conteúdo de idéias — assinalado pela emergência no Brasil do materialismo histórico. Muito da importância e prestígio que teve se deve a que serviu de emblema àquelas circunstâncias. Ela foi para a berlinda desde o dia em que saiu da gráfica e ainda hoje, nos lugares mais distantes, sou apresentado como "um dos autores da História Nova, lembra?". Fico orgulhoso ... A História Nova mereceu ser um emblema. Era inteligente.” 4


A História Nova, foi no dizer de seus idealizadores, uma tentativa de interpretação popular e libertária. Buscava explicar as contradições da História do Brasil com o uso do método marxista.


1- SODRÉ,Nelson Werneck. História da História Nova (Petrópolis: Vozes, 1986), p. 146.
2- FERNANDES,Rubens César et al., História Nova do Brasil (1963-1993) (São Paulo: Giordano, 1993), p. 16.
3- GUIMARÃES,Lúcia Maria Paschoal. O parecer do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro sobre a História Nova (Rio de Janeiro,s/d., mimeo).
4- SANTOS, Joel Rufino dos. História Nova: Depoimento. In: SANTOS et al., 1993, p.17-18.

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Prof. Adinalzir Comentário de Prof. Adinalzir em 17 dezembro 2009 às 15:05
Ai está uma sintese do livro: "A História Nova", de Jacques Le Goff (org),
Editora Martins Fontes.

"No século XII um monge saxão chamado Hugo de Saint Victor escreveu: "Portanto, é uma fonte de grande virtude para o espírito experiente aprender, pouco a pouco, primeiro a mudar nas coisas visíveis e transitórias, para que depois possa deixá-las todas para trás. Quem acha doce a terra natal ainda é um tenro principiante; aquele para quem toda terra é natal já é forte; mas é perfeito aquele para quem o mundo inteiro é um lugar estrangeiro. A alma tenra fixou seu amor num único ponto do mundo; a pessoa forte estendeu seu amor a todos os lugares; o homem perfeito extinguiu o seu."

No contexto do século XX, da crise da cultura ocidental, da escarificação da auto-estima da "civilização" promovida pelas convulsões da Primeira e Segunda Guerras Mundiais, da falência da ciência positivista, talvez pouco seja tão significativo - no campo das humanidades - quanto o que o historiador inglês Peter Burke chamou de "revolução francesa na historiografia".

Como em uma verdadeira revolução, não se tratou, ou se trata, de estabelecer simplesmente algo diverso que negue ou contraponha-se ao anterior, mas principalmente de estabelecer um "processo revolucionário", uma revolução contínua.

Alguns dos procedimentos, dos novos olhares da história, permitiram inclusive que pudéssemos identificarmo-nos com a idéia de um monge saxão lançado no tempo, tão distante e tão perto. Arrancar a capa de poeira, espanar a erudição pela erudição, o acúmulo de dados que jamais poderiam falar por si mesmos, olhar Hugo de Saint Vitor, e tantos outros e tantas outras coisas, como ele próprio propôs que se olhasse o mundo, com todo o estranhamento e fascínio do diverso.

A revolução desencadeada nos anos 20 por Marc Bloch e Lucien Fèbvre, continuada por Fernand Braudel, encontrou na geração da "nouvelle histoire" seu grupo mais amplo, criativo, diverso e ao mesmo tempo coeso.

As diretrizes - que nunca significaram fronteiras ou barreiras - já haviam sido expostas em três livros seminais: "História: novos problemas", "História: novos objetos" e "História: novas abordagens", todos de meados dos anos 70. Mas foi em 1978 que, sob a coordenação de Jacques Le Goff, apareceu "A História Nova" o livro que cabe-nos hoje festejar ao permanecer como porto seguro, local de partida para viagens pela diversidade humana.

A lista dos que escreveram a "História Nova" é fascinante: o próprio Le Goff, falando sobre o que era, e ainda é em grande medida, a nova história; Michel Vovelle, explicando o que é a longa duração, os tempos da história e sua dialética; Philippe Arriès e a história das mentalidades; André Burguière, trabalhando sobre as relações de história e antropologia; Evelyne Patlagean e as entradas pelo campo pantanoso do imaginário; Guy Bois e as relações entre o marxismo e a nova história, relações ainda mal compreendidas e em geral banalizadas por comentários superficiais.

E ainda: Jean Lacouture e os problemas da história imediata; Jean-Marie Pesez e o emprego, o universo gigantesco e tão mal explorado da cultura material; Jean Claude Schmitt, falando sobre a necessidade premente de estudar aqueles que chamamos de "marginalizados" na história, com desdobramentos tão pouco enxergados, e Krzysztof Pomian, com as estruturas na história.

Sobre a importância e a potência destes textos é inútil tentar transmitir, há que se ler. Há tanto ainda que se entender, há muito de bom, há um tanto de equívoco; o mais positivo de tudo são as fendas, as brechas.

Ainda resistem barreiras: muitos chamaram e chamam a Nova História de "história da perfumaria"; entre os próprios franceses, François Dosse chamou-a de "história em migalhas". As críticas foram sem dúvida fundamentais para que o novo se fortalecesse, aparasse as arestas e não se efetivasse o projeto da "história da perfumaria".

Talvez nossa impagável dívida para com a Nova História seja por ela ter estourado as barreiras da história, permitindo que nos impregnássemos de antropologias, linguísticas, psicologias e, mais do que isso, por ela ter promovido o reencontro com o humano: indivíduos que vivenciam suas experiências cotidianas, os eventos limiares, uma história do homem "sem qualidades".

Há que se festejar que volte às livrarias algo tão raro como um livro que, mesmo sendo obra coletiva, seja tão uno, que seja tão polifônico e ao mesmo tempo harmonioso e que colabore na busca desta imensa matéria escura que preenche os gigantescos buracos da história, buracos nos quais residimos.

O que os brasileiros fizeram entre o Dia do Fico e a Independência? O que você fez entre a campanha das diretas e a morte de Tancredo Neves? E depois da última manifestação, quando chegou em casa? Ou não chegou? Buracos, matéria escura. "Nada que é humano me é estranho". Viva a Nova História!"
Claudio Estevam Comentário de Claudio Estevam em 4 novembro 2009 às 15:33
CICLO DE PALESTRAS.
MARIGHELLA VIVE
UMA HOMENAGEM A ESTE GRANDE BRASILEIRO.
DEBATES E LANÇAMENTO DE LIVROS.
DIAS 11, 12 E 13 DE NOVEMBRO.
LOCAL: ASSOCIAÇÃO SHOLEM ALEICHEM (ASA) RUA São Clemente, 155 – BOTAFOGO -(próximo à estação do metrô BOTAFOGO) - RIO DE JANEIRO.
HORÁRIO: DAS 19h00min até 21h00min h.
INSCRIÇÕES GRATUITAS PELO EMAIL: cemobafluminense@terra.com.br
Ou na ASA, duas horas antes da abertura (dia 11/11 das 17h00min até 18h45minh). VAGAS LIMITADAS.

PROGRAMAÇÃO
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13/11/09 – Sexta-feira – “CARLOS, A FACE OCULTA DE MARIGHELLA” - EDSON TEIXEIRA – PROFESSOR E ESCRITOR e “MARIGHELLA E A ALN”
CARLOS EUGÊNIO PAZ – ESCRITOR, MILITANTE E DIRIGENTE DA ALN.

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Acir da Cruz Camargo Comentário de Acir da Cruz Camargo em 21 outubro 2009 às 10:17
A historia nova não teve prosseguimento em sua reedição. Infelizmente.
Mas estão nos sebos e boas bibliotecas os exemplares editados pelo MEC.
Os da Brasiliense são mais raros.
Mario França Junior Comentário de Mario França Junior em 27 junho 2009 às 18:05
Oi Neide,
Historia Nova ja existe hoje para ser adquirida ou copiada? Gostaria de co-
nhecer essa obra.
Mário.
João Marques da Silva Neto Comentário de João Marques da Silva Neto em 21 maio 2009 às 23:12
Olá para todos desse grupo!

Meu interesse por NWS, surgiu qdo fiz uma monografia sobre o historiador na pós(latu sensu).Atualmente o meu interesse na vasta bibliografia do historiador esta voltado para o estudo específico sobre a História da História Nova, razão também do meu ingresso nesse grupo.
Sugiro a leitura de NWS na historiografia brasileira.Marcos Silva(org.).EDUSC/FAPESP ,2001.
Abraços a todos e em especial para Alexandre Santos idealizador desse grupo.
João Marques.
Neide Pessoa Comentário de Neide Pessoa em 2 março 2009 às 10:31
Depois da histórianova,
já está sendo escrita,gravada,enfim, não precisamos mais esperar 50 anos para ter acesso aos arquivos e poder contar a História ou contá-la para os mais jobens.
Neide Pessoa
 

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ABRAÇO PARTIDO

Ariel (Daniel Hendler) é um jovem de vinte e poucos anos, que largou a faculdade e ainda vive às custas da mãe (Adriana Aizemberg). Sua vida gira basicamente em torno de dois locais: a loja de lingeries de sua mãe e o cybercafe local, onde costuma encontrar sua namorada.

Ariel sempre estranhou o fato de nem sua mãe nem seu irmão falarem sobre seu pai, que nos anos 70 partiu para lutar na Guerra do Yom Kippur, em Israel, e nunca mais retornou. Com a crise econômica instalada na Argentina, que força o fechamento de várias lojas tradicionais no bairro onde está a loja de sua mãe, os amigos de Ariel sonham em conseguir a cidadania européia e partir do país em busca de emprego. Ariel também tem este sonho, mas cada vez mais alimenta o desejo de conhecer seu pai e também a verdade sobre seu afastamento da família.

"El Abrazo Partido", filme argentino de 2004 fez bastante sucesso aqui no Brasil. No fundo, sua trama gira em torno de Ariel, que não consegue aceitar o fato do pai tê-lo abandonado para ir lutar na guerra do Yom-Kippur. Essa rejeição à figura paterna também fica explícita no pouco conhecimento que Ariel tem do judaísmo. Face à crise que se abate sobre a economia de seu país, Ariel decide batalhar pelo passaporte polonês (seus avós eram poloneses) e, dessa forma, ter a possibilidade de entrar na Europa e viver com um seguro-desemprego.

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