Olá companheiros historiadores, gostaria de iniciar e compartilhar opiniões a cerca de seus conhecimentos sobre o tema "Identidade indígena".
Em questão de nossos esforços à "definir" uma discussão de identidade indígena, se faz necessário questionar como atribuir a definição de identidade, uma vez que reconhecendo a forma e/ou critério para definir esse grupo social, principalmente o brasileiro, sendo por suas características singulares e modelos de organização e gestão social, utilizavam-se esses elementos reunindo-os num conceito, vago e impreciso mas válido, de CULURAL como elemento de identificação dos grupos aqui tratados. Entretanto, em nossa sociedade atual, somente é reconhecido como pertencente a nação brasileira, aqueles que por meio de documentação jurídica é registrado, a carteira de identidade nacional. Portanto ficaria a questão, qual denominação ou elementos referenciais podem ser validos para legitimar esse grupo social? se foram registrados em cartórios, perderiam os "direitos" indígenas, mas sem esses documentos, também se tornam restritos a uma série de outros direitos, e ainda de reconhecimento nacional. Afinal a identidade indígena deve ser "caracterizada" por quais elementos? será que podemos mesmo caracteriza-los, defini-los em um único grupo?

Tags: identidade, indígena, índio

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Bruno,o fato de um indígena ter um registro que o identifica como tal,indicando a comunidade em que ele nasceu,como a que você anexou no tópico,não impede que ele tire a carteira de identidade,sendo esse um direito.Uma coisa não anula a outra.Acredito que algo que precisa realmente ser discutido é o acesso dos indígenas a esse direito.
Em relação a identidade indígena, pude perceber que um de seus questionamentos é justamente o fato de se utilizar um conceito generalizante e que acaba por camuflar as grandes diferenças nele contido,como é o caso de "índios".Concordo plenamente com você; essa definição monolítica vê o grupo indígena como algo bem delimitado e definido,quando na verdade,em virtude da pluralidade,o mais apropriado seria falar de grupos indígenas.
Vale lembrar ainda que a Constituição brasileira de 1988 foi um marco no que diz respeito ao reconhecimento dos direitos indígenas,sobretudo ao em questão,que é o direito de serem índios,se identificarem como tais e o reconhecimento de sua alteridade.O artigo 231 da Constituição prevê: São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.
caro Rafael, Luiz. É de claro conhecimento, para nós historiadores, que as questões relacionadas as especificidades "indigenas" são questões que ainda possuem muitas lacunas em nossa historiografia e devem ser mais discutidas em debates abertos e devidamente divulgados.
No que diz respeito a relação constitucional, a funai e o governo federal, juntamente com o conselho de direitos humanos, ainda debatem, a passos de formiga, questões como o direito nacional do "indios" em um campo institucional. Assim como as posseções de terras e reservas indigenas que são frequentemente invadidas e não são rstituidas aos "indigenas" ... O que nos leva em outra questão... um espaço limitado de terras não pode dar conta de "abrigar" as tribos existentes em territorios, anteriormente 3 vezes maiores doque as de hoje me dia. afinal bem emtendemos que a diversidade de tribos não podem ser amalgamadas em um espaço restrito, pois suas "culturas"¹ não são homogêneas.

________________________________
1- entenda CULTURA com um sentido amplo do conseito, que representa suas condutas, organização, tradição, costumes e leis de cada grupo social.
Caro colega Bruno.
"herdamos do colonialismo uma vocação tenaz a ver o Outro como mero reservatório de força de trabalho barata". Isto foi dito por Carlos Serra, sociólogo e pesquisador do Centro de Estudos Africanos de Moçambique ou como diz Foucault, a História contém um longo e sórdido registro de prevenção, produção e terapia do Outro. (Vigiar e Punir).
Voce mexeu com diversos conceitos complexos: identidade, identificação, o Outro (alteridade) qualificação e desqualificação. Como isso dá uma "tese", somente farei um esboço do pouco que já estudei, li e entendi.
Quando Carlos Serra afirma que herdamos do Colonialismo o fator de desqualificação do Outro, ele afirma tb que nós somos responsáveis - para dar nomes aos bois - da produção e reprodução de diferenças, da exclusão do Outro da sua historicidade. A História se faz com as ações dos HOMENS (NÓS)
A base juridica dos índigenas brasileiros está na Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho); na Declaração dos Direitos dos Indígenas da ONU , aprovada em setembro de 2007 e pelos artigos da Constituição Brasileira, principalmente o 231 e 232.
O Princípio de Identidade do índio, NÃO é a carteira de Identidade (isto é identificação do cidadão brasileiro) é afirmar "EU SOU INDIO...MEU PAIS SÃO DA ALDEIA TAL...MEU AVÓS PERTENCERAM A NAÇÃO TAL....." Ou seja, o indivíduo precisa afirmar-se indio. Essa é a indentidade indigena.
recentemente fiz um estudo exatamente sobre esse tema "Identidade e identificação na memória Coletiva dos Pataxó da Coroa Vermelha". O que motivou esse estudo foi exatamente querer investigar na propria aldeia, junto com os ´Pataxó, como eles podiam querer, perceber e fixar a identidade Pataxó uma vez que estavam 'cercados' por uma sociedade branca, capitalista ,organizada e complexa. Percebi que os espaços da escola, comercio indígenas e outros... eram os principais palcos reivindicados para estabelecerem a identidade. O discurso passou a ser extremamente importante para eles. Por essa razão que não admitem professores não-indias.
Espero que tenha conttibuído um pouco para essa discussão complexa mas interessantissima.
Ariadne
Olá Ariadne.
Meu nome é Yauana, nome 'MURA' (etnia do amazonas), quando meus pais precisaram sair do local onde nasci, proxímo ao município Manacaúru, e vir morar na cidade de Manaus, tivemos que ter a ajuda de missionários (padres) que nos informaram que para morar na cidade tinhamos que ter documentos, fomos todos registrados, meus pais, meus 12 irmãos com nomes de santos católicos. isso na década de 70. agora eu me chamo Maria do Perpetuo socorro.
o que identidade para mim?.... pergunta capciosa...
sou historiadora hoje... e aqui no norte... principalmente no Amazonas, Faço parte de um grupo de pesquisa... que tem como tema... A reafirmação étnica dos "nativos"... o primeiro conceito a ser quebrado foi o "INDIOS"... não somos da India.... minha identidade etnica é MURA... isso foi massificado na mídia do amazonas... vários representantes de várias etnias apareciam falando seus nomes e suas etnias e diziam somos brasileiros, também.
o importante dessa pesquisa.... foi também mostrar os prejuizos que a funai, as ong´s as organizações em geral e a onu, não foram benéficas principalmente no se refere ao nativo da Amazônia, por causa deles muitas nações foram dizimadas. mandarei algumas pesquisas para vocês.
Olá Yauana, muito prazer em conhece-la. Sei que os povos "indígenas" daqui do Brasil nada tem em comum com a INDIA, e que cada povo tem sua identidade étnica que os identifica. No entanto é tradição já falarmos o nome "índio" e "indìgena" quando nos referirmos aos povos brasileiros. Do contrário estariam errados os documentos da OIT e da Declaração dos Direitos "Indígenas" da ONU.
Se voce fizer uma nova leitura do que escrevi verá que o que disse foi exatamente isso: para hoje alguém afirmar-se 'índio" é necessáio assumir essa condição e mais , dizer que pertence a tal Nação, da Etnia tal e da Aldeia tal...
Não conheço a realidade dai onde mora, aliás nem mesmo conheço esse Brasil imenso e não conheço a Amazonas. Um dia com certeza estarei ai pois tenho vontade de ir.
Se voce puder me enviar, por favor, também para o meu e-mail, os trabalhos e pesquisas que participou e participa, ficarei honrada e agradecida. Meu e-mail é arochanil@hotmail.com.
Aqui no extremo sul da Bahia, onde moro, existe o povo Pataxó, mas por ser muito miscigenizada é alvo de preconceitos ainda maiores por parte da população e até mesmo de alguns estudiosos e historiadores.
Agradeço também a forma simpática e delicada e profissional como tratou a questão.
Abraços
Ariadne
Querida amiga Ariadne,
Gostaria de fazer-lhe um convite.... para que venha ao Amazonas conhecer nossa terra, não minha.... e hospedar-se em minha casa....(casa de nativo (...) Indio... moro com minha mãe e minha filha) estarei honrada em lhe mandar minhas pesquisas... que falam das etnias... Mundurucu, Saterê Mawe, Dessana, Mura, Tucano, Ticuna e Cambeba entre outros....


Vale ressaltar... que com as políticas de se "ENCOSTÁ" que apareceu com a carta de 1988.. muitas pessoas aqui no Amazonas agora para possuir terras e benefícios, estão se afirmando 'indíos' para beneficiarem-se... acoisa aqui é bem complicada....

um forte abraço.... de historiadora a historiadora....
amiga Socorro Lino.... (Yauana).
Olá Bruno.... adorei a iniciativa.... pois, sou nativa do norte do país (India Mura) moro em Manaus-Amazonas.... Quanto ao seu questionamento, gostaria de observar aqui, que a maioria das nações "indígenas" existentes no Amazonas estão passando por um processo de reafirmação étnica agora, justamente por causa das políticas de beneficíos... Em algumas pesquisas que a UFAM - Universidade Federal do Amazonas fez... nota-se que nunca um "indio" deixou de ser "indio" para se rearfimar étnicamente. O problema detectado pelos pesquisadores foi que antes eles não se afirmavam índios devido a discriminação, racismo, intolerancia que sofriam por parte da sociedade que se diz não "indios"... e que gostariam que 'comecem piolhos, andassem nus e por aí vai... isso sem mencionar, o medo qaue algumas pessoas tinham pensando que eram selvagens....
A história aqui é outra agora, se afirmar "indio" agora tem benefícios vindos de Ong's, do governo, da igreja e junto com tudo isso... vem também... a transculturação.

Espero que tenha contribuido....

um forte abraço... Socorro Lino.
Olá querida amiga Socorro (Yauana)
Obrigada pela hospedagem!!!!!!! Irei sim. Estou aqui lhe esperando também de braços abertos e a minha casa também à sua disposição.
Li o que escreveu ao Bruno e devo lhe dizer que aqui, entre os Pataxó, também está existindo esse problema dos benefícios do governo. Tem homens não-índios casando com mulheres índias, (ou o contrário) somente para ter um pedaço de terra e uma casa para morar. É muito sério isso.
Um forte abraço, e beijos
Ariadne
A identidade indigena se faz necessária até para se catalogar as tribos e componentes destas até´para se ter uma noção destes grupos. Este trabalho deveria ser feito através de pesquisas como os irmãos "Villas-Boas " fizeram com contato com estas tribos da amazonia. A pesquisa através da UNB, USP e todas as Universidades locias deveriam teer este cadastro e unificá-lo em um banco de dados. Só assim teríamos uma idéia da extensão destas comunidades, seus problemas e poderíamos buscar soluções dos problemas que são muitos e dificuldades imensas. Se para nós, considerados cidadãos, já está difícil, imagino para estas criaturas abandonadas e excluídas de tudo até do mundo.

Interessantes as colocações da colega socorro Lino. Contribuiu muito.

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Sobrevivente

Chega aos cinemas o filme islandês "Sobrevivente", de Baltasar Kormákur. 

Sinopse: Durante o inverno de 1984, um barco pesqueiro naufraga no Atlântico Norte, nas proximidades da Islândia. Os tripulantes tentam sobreviver, mas as águas geladas impedem que essa tarefa seja facilmente concluída, restando apenas Gulli (Ólafur Darri Ólafsson), um homem bom, de fé, querido por todos, e com uma vontade de viver inacreditável. Após nadar por cerca de seis horas e enfrentar vários percalços, ele consegue contato com a civilização. Após a incrível experiência vivida, Gulli terá ainda que viver com a dor da perda dos amigos e, pior, a incredulidade de todos, que não entendem ele ter sobrevivido a uma situação tão extrema e insistem em fazer testes para saber como isso pode ter acontecido. Baseado em fatos reais.

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Guerra do Paraguai: Prédios paraguaios após a Guerra do Paraguai s.l., [186-]. Arquivo Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão. Fonte: Arquivo Nacional

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