História Francesa - dos Gauleses à Revolução

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História Francesa -  dos Gauleses à Revolução

HISTÓRIA DA FRANÇA No século IX antes de Cristo, tribos celtas instalam-se na Gália... Em 1851, o presidente dá um golpe de Estado e no ano seguinte torna-se imperador sob o título de Napoleão III.

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Última atividade: 29 Nov, 2012

Um pouco sobre os franceses...

HISTÓRIA DA FRANÇA

No século IX antes de Cristo, tribos celtas instalam-se na Gália, que corresponde aproximadamente ao atual território francês. O imperador romano Júlio César derrota os gauleses e conquista a região entre 58 e 51 a.C. Os romanos dominam a Gália até o final do século V, quando a região é invadida por tribos bárbaras.

Nessa época, sob o comando de Clóvis I, os francos conquistam todo o país, que se converte ao catolicismo. No século IX, o rei Carlos Magno torna-se imperador do Sacro Império Romano-Germânico, que abrange as atuais França e Alemanha. O Império divide-se em domínios feudais após o reinado de Carlos Magno.

Entre 1337 e 1453, a França e a Inglaterra veem-se envolvidas em uma disputa territorial que ficaria conhecida como Guerra dos Cem Anos. Sob inspiração de Joana D'Arc, os franceses derrotam os ingleses em Orleans, em 1429. Em 1431, porém, Joana D'Arc é queimada como herege em Rouen...

Curiosidade: A numeração das casas para o propósito postal começou em Paris, durante 1463 e 1464. O distrito da ponte de Notre Dame foi o primeiro a ser numerado...

A França sai vitoriosa do conflito e conquista possessões inglesas. Em 1572, a rainha Catarina de Medicis ordena o assassinato dos huguenotes (protestantes), episódio que recebeu o nome de Noite de São Bartolomeu.

Em 1598, o rei Henrique IV, fundador da dinastia dos Bourbon, restabelece a paz religiosa com o Édito de Nantes e enfraquece o poder dos senhores feudais.

O prestígio da França cresce no período de influência do cardeal Richelieu, primeiro-ministro do rei Luís XIII entre 1624 e 1642, que consolida o absolutismo e leva a França à guerra contra a dinastia austríaca dos Habsburgo.

No reinado de Luís XIV, o Rei Sol (1638-1715), o absolutismo chega ao auge, mas as sucessivas guerras expansionistas minam a supremacia francesa na Europa.

Sob o reinado de Luís XV (1710-1774) desenvolvem-se as idéias do iluminismo (Voltaire, Diderot, Rousseau), que combatem a intolerância religiosa e o absolutismo.

Guerras desastrosas e a incapacidade do rei Luís XVI de enfrentar a crise financeira do Estado desencadeiam a Revolução Francesa em 1789. É formada uma Assembléia Nacional, que vota a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão e extingue os privilégios feudais.

A França revolucionária entra em guerra contra as Monarquias européias. A posição ambígua do rei - agora monarca constitucional - e a reação da nobreza européia radicalizam a revolução.

Em 1792, nasce a I República. O rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta, condenados por traição depois de tentar fugir do país, são executados em 1793. O líder político Maximilien de Robespierre e os jacobinos impõem o terror, primeiro sobre os contra-revolucionários, depois sobre jacobinos dissidentes. Robespierre é guilhotinado em 1794.

Um golpe militar do general Napoleão Bonaparte recompõe a estabilidade política em 1799. Bonaparte se faz coroar imperador da França em 1804, sob o título de Napoleão I. Seu governo é autoritário, centralizador e expansionista.

As guerras napoleônicas levam a aristocracia européia ao pânico, até a derrota de Napoleão por tropas inglesas e austríacas na Batalha de Waterloo (1815). É restaurada a dinastia dos Bourbon entre 1815 e 1830. Uma revolução popular, em 1830, derruba o último Bourbon, Carlos X, e leva ao trono um Orleans, Luís Felipe I.

Em 1848, uma nova revolução, que traz o advento do movimento operário na história européia, instaura a II República. Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão, é eleito presidente. Em 1851, o presidente dá um golpe de Estado e no ano seguinte torna-se imperador sob o título de Napoleão III.

texto disponivel em:http://www.girafamania.com.br/europeu/franca1.htm

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Comentário de Mary Menin em 8 novembro 2011 às 21:17

                                        

Comentário de Mary Menin em 8 novembro 2011 às 20:55

Em todos os países celtas, o druida desempenhava um papel primordial na sociedade: aconselhava o rei, ensinava ciências, sobressaía-se na medicina e na astronomia. Era também o padre, o juiz e a memória do povo. Sabiamente, não deixou escritos para testemunhar sua generalidade.

 

Uma comunidade de sábios deixa poucos traços materiais de sua existência. Para fazer a reconstituição da história dos druidas e encontrar suas mensagens, dispomos apenas, infelizmente, do testemunho de autores a serviço do Império Romano e de lendas compiladas por monges irlandeses, gauleses e bretões da Idade Média. Documentos por vezes muito suspeitos, mas numerosos e de procedências bastante diferenciadas, eles permitiram que fossem feitas verificações, e algumas de suas informações foram confirmadas por descobertas arqueológicas. Assim, historiadores, lingüistas e arqueólogos restabelecem, pouco a pouco, a herança perdida.

 

O prestígio dos druidas era imenso. Júlio César relatou que eles recebiam grandes honras, a ponto de serem dispensados do serviço militar e isentos de qualquer encargo, inclusive do pagamento de impostos. Os druidas certamente se ocupavam das tarefas da religião e presidiam os rituais públicos mas, magistrados respeitados, faziam igualmente com que fosse cumprida a justiça, regulamentando as diferenças entre particularidades ou entre povos. Não havia apelação contra as suas sentenças, e os imprudentes que não as respeitassem sofriam os rigores da interdição, eram banidos da sociedade  e totalmente excluídos de qualquer vida social.

 

No país dos carnutos

 

Um historiador do século 4, Ammien Marcellin, acreditava que os druidas  estavam ligados em confrarias que obedeciam aos preceitos de Pitágoras. Júlio César, por sua vez, relatou que eles obedeciam um chefe único, possuidor de uma grande autoridade. Com sua morte, seu sucessor era escolhido em função de seu mérito, ou ainda eleito por seus pares. A cada ano, numa data fixa, uma grande assembléia  reunia os druidas da Gália em um lugar consagrado, no país dos carnutos. Diferentes descobertas arqueológicas permitiram supor que esse lugar estaria próximo de Saint-Benoît-sur-Loire, na França. Apesar das lutas e das rivalidades que colocavam constantemente em choque as inúmeras tribos gaulesas, essa assembléia de sábios, que pairava acima dos diferentes grupos, sabia manter uma certa forma de coesão social e criar um sentimento de união céltica. Foi por isso que os imperadores romanos, pretextando os supostos sacrifícios humanos, perseguiram os druidas até conseguir seu desaparecimento total.

 

Os brâmanes do Ocidente

 

Devido à sua sabedoria e à sua ciência, os druidas gauleses foram muitas vezes associados aos brâmanes da Índia pelos autores da Antigüidade. Após o fim do século 18, os lingüistas demonstraram o parentesco indo-europeu unindo, além das distâncias e das fronteiras, a civilização céltica à da Índia védica. Os druidas foram oficialmente reconhecidos como os brâmanes do Ocidente. No entanto, a confraria dos druidas nunca se tornou uma casta; a função sempre foi conquistada pelo mérito, depois de muitos estudos, e não por herança.

 

Os celtas, profundamente religiosos, iam em grande número buscar instrução junto a seus druidas. Estes, filósofos e idealistas, não admitiam a representação antropomórfica dos deuses, nem a construção de templos, verdadeiras blasfêmias, insultos às divindades. Por essa razão não havia uma estatuária religiosa celta antes da conquista romana.

 

A exemplo dos antigos brâmanes, os druidas se recusavam a confiar à escrita seus conhecimentos e suas tradições: "Parece-me que eles estabeleceram esse uso por dois motivos", explicou Júlio César, "porque não queriam que sua doutrina fosse divulgada, nem que, por outro lado, seus alunos confiassem na escrita, negligenciando sua memória". Tradição escrita significava tradição morta e definitivamente fixada. Quando se pensa nas querelas relativas às interpretações dos textos sagrados que ensangüentaram as religiões da bíblia, só se pode admirar a prudente sabedoria dos druidas; ainda que, devido ao seu silêncio, sua doutrina poderia ter desaparecido para sempre, junto com eles.

 

Todavia, apesar do segredo de seus ensinamentos, a doutrina dos druidas tornou-se conhecida de todos: ela diz respeito à imortalidade da alma e à existência de uma outra vida após a morte, ou mais exatamente, à continuidade da vida após a morte, com a vida mudando de invólucro e passando para o Outro Mundo: "Há um ponto de seu ensinamento que se difundiu entre as pessoas comuns, aparentemente para incutir nelas a bravura para o combate, e é o de que as almas são imortais e que entre os mortos se alcança uma outra vida", escreveu Pompônio Mela, que acrescentou um detalhe curioso: "Outrora, até os registros comerciais e a cobrança dos créditos eram levados para o além."

 

Na mesma época, o poeta Lucano, um jovem dândi romano, materialista e ateu, declarou: " A morte, se o que cantais é real, é metade de uma longa vida. Feliz ilusão dos povos que contemplam a Ursa: pois não aprendem o mais forte dos medos, o terror do óbito."

 

A sabedoria dos druidas soube tornar os celtas despreocupados, livres e felizes. Eles eram indiferentes ao seu próprio destino na batalha. Nada se perfilava no horizonte de sua passagem pela Terra. Uma outra vida feliz, sem inferno nem purgatório, esperava por eles no Outro Mundo. Ficamos sabendo, através das narrativas dos celtas insulares, que esse Outro Mundo, espécie de universo paralelo, o "sidhe", poderia estar situado, simbolicamente, em uma ilha do oceano, no extremo ocidente, ali onde todos os dias o sol se punha, ou seja, a ilha da Felicidade; ou ainda imaginá-lo no norte do mundo como a ilha de Avalon. A cada ano, por volta de 1º de Novembro, durante a festa de Samhain, que marcava o início do ano celta, o tempo e o espaço deixavam de existir e os dois mundos se comunicavam. As elevações neolíticas, as aléias cobertas, os túmulos e os dólmens formando corredores serviam de pontos de contato privilegiados com o mundo dos desaparecidos; prova de que os celtas e seus druidas não tinham qualquer dúvida quanto à antigüidade e à função funerária desses monumentos.

 

A morte das florestas conduz à dos druidas

 

Muito sábios, os druidas também foram, sem dúvida alguma, homens da madeira, da árvore e do carvalho. Todos os testemunhos foram unânimes nesse ponto: poetas, geógrafos e historiadores associam os druidas às florestas. Foi por isso que a conquista da Gália teve o caráter de guerra contra as árvores; e César "foi o primeiro a ousar tomar um machado, brandi-lo e cortar com o ferro um carvalho perdido nas nuvens", escreveu Lucano.

 

O desflorestamento intensivo da Gália perpetrado pelos romanos contribuiu de forma tão eficaz para o desaparecimentos dos druidas quanto os éditos dos imperadores Tibiro e Cláudio (que proibiram a prática do druidismo nos territórios romanos). Quando São Patrício, em meados do século 5, foi especialmente a Glastonbury com o objetivo de cristianizar definitivamente o local sagrado dos celtas, começou por fazer com que fossem derrubada, com machados e picaretas, todas as árvores que cobriam a célebre colina do Tor. Lutar contra as árvores era, ainda nessa época, uma maneira de lutar contra o druidismo.

 

Nas clareiras, no coração de florestas densas, protegidas pela penumbra de criptas vegetais, os druidas transmitiam pacientemente a seus discípulos sua sabedoria imemorial: "Eles declararam conhecer a grandeza e a forma da Terra e do Mundo, os movimentos do céu e dos astros, assim como a vontade dos deuses. Eles ensinavam à elite de seu povo uma grande quantidade de coisas, em segredo e durante muito tempo (20 anos), fosse numa caverna ou em pequenos vales (arborizados) afastados."

 

Guias espirituais e cientistas

 

Os druidas não ensinavam apenas uma religião, mas uma metafísica da Natureza. Sua confraria reunia a aristocracia do saber e da filosofia. Guias espirituais, eles eram também cientistas, físicos e astrônomos. Para lutar contra sua influência sobre a juventude, os romanos criaram escolas públicas na Gália. Infelizmente, o ensinamento oferecido pelos professores latinos foi desastroso porque unicamente literário: gramática, versificação, retórica, a arte de escrever, de discorrer com ênfase sem dizer nada, mas segundo regras escritas, determinadas; em suma, um ensinamento fútil destinado a fornecer um verniz cultural e asfixiar qualquer gênio. Ao contrário da escola dos druidas, a dos colonizadores desprezava a filosofia, ignorava as ciências naturais, a geografia, a matemática, rejeitava a medicina. Mas para obter cargos e honras do novo regime, os jovens gauleses abandonavam o estudo do saber ancestral. Optavam por não mais sacrificar 20 anos de suas vidas para adquirir a sabedoria. Em agradecimento, os imperadores romanos ofereciam aos colonizadores  seus circos e suas arenas, teatros de jogos sangrentos, combates de gladiadores até a morte, execuções de condenados, enquanto reprovavam os druidas por (supostamente) praticarem sacrifícios humanos.

 

Tibério havia decidido pela erradicação do druidismo. O imperador Cláudio desejava concluir sua obra: "Ele aboliu completamente na Gália a religião atroz e bárbara dos druidas", relatou Suetônio. Plínio, o Velho, contou como ele condenou à morte um gaulês unicamente porque o infeliz levava nas dobras de sua toga, no curso de um processo, um ovo de serpente, suposto talismã, provando suas estreitas relações com os druidas. Estes, então, escolheram o exílio na Grã-Bretanha, terra-mãe do druidismo (nota: afirma-se que o druidismo surgiu na Grã-Bretanha quando os celtas lá chegaram vindos do continente. Sua espiritualidade teria se fundido à espiritualidade dos povos neolíticos das ilhas britânicas e assim, surgido o druidismo que em seguida foi levado à Gália) . Os druidas atravessaram a Mancha para não ver mais os romanos. Mas isso seria pedir demais.

 

Seu último refúgio: a Irlanda

 

Para muitos deles, reagrupados em comunidades, o exílio britânico terminou no ano de 61, na terrível matança da ilha de Mona (na época, um grande  colégio druídico, hoje é a atual Anglesey), onde homens, mulheres e crianças foram assassinados, e da qual o historiador Tácito nos deixou uma terrível descrição, antes de concluir: "Colocou-se então uma guarnição nas casas dos vencidos e foram destruídas suas madeiras consagradas a cruéis superstições". Só restou aos druidas um único refúgio, aquele que permaneceria inviolado e inviolável enquanto seus habitantes respeitassem seus deuses: a Irlanda. Foi então que a lenda se misturou estranhamente à história.

 

Eles aterrizaram na Irlanda numa segunda-feira, quando da festa de Beltane. Chegaram sem navios ou barcos, sobre sombrias nuvens somente com a força de seu druidismo. Trouxeram com eles a Pedra Lia Fail, a Pedra do Destino, para o Ônfalo (umbigo) do Mundo que ficava em Tara, centro sagrado da Irlanda; trouxeram também a Lança de Lug, a espada de Nuada e o Caldeirão do Dagda: objetos fabulosos que se encontram sob diversas formas em todas as lendas da tradição celta. "Os Tuatha Dé Dánann estavam nas Ilhas do Norte do Mundo, aprendendo a ciência e a magia, o druidismo, a sabedoria e a arte. E ultrapassaram todos os sábios das artes do paganismo." (A Segunda Batalha de Mag Tured" - ou Moy Tura, traduzido para o francês por C. J. Guyonvarc'h).

 

Essas três palavras, Túatha Dé Dánann, significam Tribo da Deusa Dana. Mas o historiador irlandês Geoffrey Keating forneceu, no século 17, outra explicação, coincidente com a teoria das três funções, fundamento da sociedade indo-européia e, conseqüentemente, da sociedade celta (nobres/sacerdotes/artesãos), segundo Georges Dumézil: "Outros dizem que eles se chamam Túatha Dé Dannan devido aos três grupos que formavam quando vieram para a Irlanda nessa expedição. O primeiro bando, que se chamava Túath, tinha a posição de nobreza e comando das tribos. (...) O segundo bando era o que se chamava de Dé (deuses) assim com eram seus druidas. O terceiro bando, que se chamavam Dánnan, era o das artes ou das técnicas ." (...)

 

As lendas são verdadeiras, tão verdadeiras quanto a história.

 

Júlio César, informado por seus espiões, afirmou: "Acredita-se que sua doutrina nasceu na Grã-Bretanha e dessa ilha foi para a Gália".

 

Raimonde Reznikov *

Tradução de Enviar Serapicos

(publicado na revista "História Viva" - Duetto Editorial - www.duettoeditorial.com.br/)

 

* Raimonde Reznikov é especialista em tradições indo-européias

 
druidas, os sábios da floresta
 
 
Comentário de Mary Menin em 8 novembro 2011 às 20:24

Allan Kardec, o chefe druída

Mauro Quintella

Influenciados pela moda que varria a França, os Baudin (Émile-Charles, Clémentine e as filhas Caroline e Julie) começaram a conversar com uma mesa girante em 1853, quando ainda moravam na colônia francesa da Ilha da Reunião, na costa oriental da África.

Como em outros lugares, logo constatou-se que a mesa era movida pelas almas dos mortos.

Depois de algum tempo, as reuniões passaram a ser dirigidas por um espírito, que se apresentou como o guia espiritual da família. Interrogado a respeito do seu nome, o ser invisível respondeu:

- Chamem-me pelo que sou, o zéfiro da verdade.

Zéfiro era o nome de um vento típico da região. O apelido pegou.

Certa noite, o guia previu que seus protegidos mudariam brevemente para Paris:

- Émile arrumará seus negócios e entrará na Escola Naval. Caroline e Julie tomarão professoras mais competentes e encontrarão seus noivos. E eu procurarei contato com um velho amigo e chefe, desde o nosso tempo de druidas.

Nessa época, os Baudin não tinham a menor intenção de morar na França. No entanto, uma crise no comércio do café e do açúcar, principais produtos das atividades agrícolas e comerciais de Émile-Charles, obrigou-os a mudar para a Corte em 1855. Zéfiro os acompanhou. Ou foi o contrário?

As reuniões continuaram em Paris. Numa noite, Zéfiro escreveu:

- Nosso dia de glória já chegou.

O Sr. Baudin pediu mais explicações. O espírito amigo respondeu:

- Vamos ter, afinal, o convívio de nosso velho chefe druida!

- Aquele que você esperava encontrar em Paris?

- Sim, ele mesmo, em pessoa. Você vai trazê-lo aqui. Caroline vai atraí-lo.

- Você pode me dizer o nome dele?

- Allan Kardec!

Émile achou o nome estranhíssimo e deu o diálogo por encerrado.

As sessões dos Baudin davam-se num clima de total descontração e sem qualquer formalismo.

Na hora combinada, a casa enchia-se de curiosos, convidados pela família ou recomendados pelos amigos do clã.

Nessa época, os espíritos já tinham abandonado as mesas girantes e se comunicavam através da psicografia indireta, escrevendo num quadro de ardósia (uma lâmina de pedra, portátil). Caroline, Julie e Clémentine funcionavam como médiuns, segurando uma cestinha de vime (corbelha, do francês corbeille), em cujo bico amarravam um lápis de pedra.

Os participantes faziam perguntas, que eram respondidas na ardósia e lidas em voz alta. Após a leitura das respostas, seguiam-se comentários nos mais diversos tons, revelando o espanto de uns e o contentamento de outros.

Zéfiro, o dirigente espiritual da casa, gostava de pilheriar e alfinetar os consulentes antes de dirigir-lhes a palavra.

Certa noite, o Sr. Denizard Rivail, educador lionense radicado em Paris, compareceu à reunião, acompanhado de sua esposa, Amelie Boudet, a convite do próprio Émile-Charles. O pai Baudin os havia conhecido numa sessão de mesa girante na casa da Sra. Planemaison, na qual Rivail aprofundava seu recente interesse pelos fenômenos espíritas.

O espírito guia dos Baudin os recebeu efusivamente, saudando o professor com as seguintes palavras:

- Salve, caro pontífice, três vezes salve!

Lida em voz alta, a saudação arrancou risadas da platéia.

O Sr. Baudin, meio envergonhado, explicou a Rivail que Zéfiro era muito espirituoso e tinha o costume de brincar com os visitantes. O professor não se agastou e respondeu sorrindo:

- Minha bênção apostólica, prezado filho!

Nova risada geral. Zéfiro, porém, redargüiu que tinha feito uma saudação respeitosa, a um verdadeiro pontífice, pois Rivail havia sido um grande chefe druida, no tempo da invasão da Gália pelo Imperador Júlio César.

Os druidas eram os sacerdotes do povo celta, uma etnia que habitava várias extensões da antiga Europa.

Essa área compreendia Portugal e Espanha (a oeste), a Cordilheira dos Cárpatos (a leste), a Bélgica (ao norte) e a Itália (ao sul), passando pela Irlanda, Inglaterra, País de Gales, Escócia, França, Dinamarca, Suíça, Áustria e Alemanha.

Júlio César invadiu a Gália (atual França) no Século 58 a.C. e denominou os celtas locais de gauleses. Segundo Zéfiro, ele e Rivail estavam reencarnados nessa época e local.

O termo druida quer dizer consciência do carvalho, a árvore sagrada dos celtas. Os futuros sacerdotes, escolhidos na classe aristocrática, submetiam-se, desde crianças, a intenso aprendizado junto aos druidas mais velhos.

Os druidas não limitavam sua ação à religião, acumulando a função de juízes, professores, médicos, conselheiros militares e guardiões da cultura céltica. O cargo não era exclusivo dos homens, pois também existiam druidesas.

Viviam integrados na comunidade e podiam se casar. Estimulavam os homens a combater o mal e a praticar bravuras e as mulheres a serem o ponto de união entre o céu e a terra. Júlio César os perseguiu duramente porque insuflavam a resistência ao domínio romano. Segundo o próprio Imperador, foi na Gália que ele viveu a mais árdua de suas campanhas.

Os celtas dominavam diversas áreas do conhecimento humano, como a fitoterapia, a agricultura, a tecelagem, a mineração, a cerâmica, a pecuária, a metalurgia e a astronomia. Inventaram a roda de madeira, o barril e a carroça. No campo artístico, cultivavam a música, a poesia, a escultura, a ourivesaria e a joalheria

O que unia os povoados, vencendo as grandes distâncias que os separavam, não era a obediência a um único rei, mas a língua, a arte e a religião.

A filosofia religiosa dos celtas era muito avançada.

Acreditavam numa Divindade única, que podia ser cultuada como homem (Deus ou o céu) ou mulher (Deusa ou a terra). Como não admitiam templos, seus cerimoniais eram realizados ao ar livre, nos campos e florestas, debaixo de grandes carvalhos.

Além disso, criam na imortalidade da alma, na reencarnação, no livre-arbítrio, na lei de causa e efeito, na evolução espiritual, na inexistência de penas eternas, nas esferas espirituais, na existência de elementais (duendes, fadas, gnomos, etc.) e na proteção dos Espíritos superiores.

Um celta não morria, pois a morte era apenas um ponto no meio da estrada.

Só houve uma coisa negativa: os druidas proibiram a palavra escrita como instrumento de preservação da história céltica, por temerem que textos escritos caíssem em mãos escusas.

Por isso, todo o conhecimento desse povo era transmitido oralmente e se perdeu muito no decorrer dos séculos.

Com a queda do grande chefe Vercingetórix, no ano de 52 a.C., toda a Gália acabou rendendo-se, pouco a pouco, aos exércitos romanos, mais treinados e portadores de armas mais leves e manejáveis. No final do Século I a.C., todos os domínios celtas, exceto a Irlanda e a Escócia, estavam submetidos a Roma. A falta de unificação política, geográfica e militar das tribos também colaborou para o sucesso de Júlio César.

Com a forte repressão política aos druidas, movida pelo Imperador, a cultura céltica foi perdendo sua força e, no final do Século I d.C., a quase totalidade dos celtas estava "romanizada" ou misturada à multidão de povos que invadiu o continente europeu.

O druidismo passou então a ser uma prática fechada e esotérica. Isso, porém, não impediu que muitos druidas aceitassem as idéias de Jesus de Nazaré, quando o Cristianismo primitivo chegou à Europa. No entanto, o nascente Catolicismo romano não gostou desse sincretismo e ajudou a perseguir os sacerdotes celtas. Pode-se dizer que o desaparecimento dos druidas é diretamente proporcional ao crescimento e fortalecimento da Igreja Católica.

Como os grandes druidas eram conhecidos como as serpentes da sabedoria, São Patrício regozijava-se de ter acabado com as "serpentes" da Bretanha.

A vitória final teria sido de Roma se não existisse a reencarnação. Utilizando-se desse mecanismo natural, o druida Allan Kardec renasceu no Século XIX para dar continuidade ao seu trabalho no campo científico, filosófico e religioso.

O local escolhido foi a cidade de Lyon, na atual França, antiga Gália, no ano de 1804. Seu novo nome seria Hippolyte Léon Denizard Rivail. Educado na Suíça, mudou-se, depois, para Paris, capital cultural do mundo.

Durante muitos anos, o ex-druida dedicou-se ao estudo e prática da Educação. Todavia, aos 50 anos, atraído pelos fantasmagóricos fenômenos que invadiram o globo, sua atenção voltou-se integralmente para as questões transcendentais da vida.

Convencido que os estranhos acontecimentos eram produzidos por espíritos, Rivail começou a fazer-lhes várias perguntas sobre as causas e características das coisas. Desse material saiu sua primeira obra sobre o assunto, O Livro dos Espíritos. Estava inaugurada a nova filosofia espiritualista, que ele chamou de Espiritismo.

Já sabendo que era um druida reencarnado, através da revelação do Espírito Zéfiro, Rivail preferiu assinar O Livro com seu antigo nome celta, a fim de separar seu trabalho de educador do de autor espírita. Fechava-se, assim, um ciclo palingenético, pessoal e histórico.

O espírito Kardec/Rivail completava sua tarefa de condutor de almas e as grandes teses druídicas ressurgiam no bojo da novel Doutrina Espírita. Tudo sobre o mesmo solo gaulês.

Esses fatos, porém, não aconteceram sem a resistência de uma velha inimiga dos druidas. A Igreja Católica tentou denegrir o Espiritismo de várias maneiras. Mas essa já é outra história...

Bibliografia:

  • O Livro dos Espíritos e sua tradição Histórica e Lendária - Silvino Canuto de Abreu, Edições LFU, São Paulo, 1992.
  • Os Celtas - Venceslas Kruta, Editora Martins Fontes, São Paulo, 1979.
  • Internet - (diversas páginas sobre celtas).

(Publicado no Jornal A Voz do Espírito - Edição 89: Janeiro - Fevereiro de 1998)

Comentário de Mary Menin em 4 setembro 2011 às 18:36

François Vatel: O suicida da cozinha

O obsessivo Vatel, o maior cozinheiro da história, matou-se porque faltou peixe num banquete

01/12/2007 00h00

François Vatel era famoso na França do século 17. Insuperável na criação de receitas (reza a lenda que criou o creme chantili), tinha também o dom de transformar banquetes em verdadeiros espetáculos. Imagine um Cirque du Soleil gastronômico e você terá uma idéia da sua grandiosidade. Porém, não foi pela faca de cozinha que ele entrou para a história – mas sim por um punhal, com o qual se matou.

Para entender a atitude do desafortunado Vatel, é preciso entrar no espírito da época. Na França de 1600, a mesa dos banquetes era o lugar em que se tomavam decisões políticas, rolavam as intrigas na corte, lançava-se moda ou fofocava-se sobre a vida alheia. Por trás desse circo de vaidades, o cozinheiro reinava absoluto. Numa comparação com o Brasil, um bom chef seria tão popular quanto hoje é um escritor de novelas de televisão.

Quando o patrão do cozinheiro, o príncipe Condé, convidou o rei e sua comitiva (de mil pessoas) para um fim de semana no castelo de Chantilly, Vatel se esmerou. O menu do banquete principal seria filé de linguado, anchovas, melão com presunto de Parma, lagosta com molho de camarão, pernil de carneiro, pato ao molho de vinho Madeira e, de sobremesa, bombas de morango. Vatel encomendou frutos do mar dos principais portos franceses. No entanto, justo naquela ocasião houve um grande atraso dos peixeiros. No dia do banquete, 23 de abril de 1671, Vatel surtou ao ver que o peixe não chegava. Soluçando, trancou-se no seu quarto, pegou o fatídico punhal e enterrou-o no coração. Quarenta e cinco minutos depois, os peixeiros bateram à porta do castelo com as encomendas.

O banquete correu às mil maravilhas e, claro, o suicídio de Vatel foi o assunto da noite. Como, no Brasil de hoje, um escritor de novelas viraria notícia caso se suicidasse por não entregar o último capítulo da novela.

disponível em: http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/historia/francois-vatel...
Comentário de Mary Menin em 27 agosto 2011 às 20:18

As Guerras Intercoloniais

No decorrer da Época Moderna, a expansão marítima, comercial e colonial da Inglaterra fizera-se sobretudo às custas da Espanha e da Holanda, vencidas pelos ingleses, que se aproveitaram para tomar colônias das potências derrotadas e, com isso, ampliar o Império inglês. As crises internas da Inglaterra durante a Revolução Puritana (1642-1649) e a Restauração dos Stuart (1660-1688), no entanto, facilitaram a hegemonia da França na segunda metade do século XVII. Após a Revolução Gloriosa (1688-1689), que implantou o Parlamentarismo na Inglaterra, as transformações econômicas foram aceleradas, preparando a Revolução Industrial, iniciada na segunda metade do século XVIII. Em pleno processo de desenvolvimento capitalista, a burguesia inglesa via na França, onde o Antigo Regime entrava em crise, um obstáculo a sua maior expansão comercial, colonial e marítima.
O antagonismo franco-inglês, dominante nas relações internacionais no século XVIII, refletiu-se na América, onde a colonização inglesa na América do Norte se fez paralelamente à colonização francesa em terras do Canadá e da Luisiana.



Territórios ingleses e franceses na América do Norte


A medida que a colonização inglesa avançava para o interior, via sua expansão dificultada a oeste e ao norte pelas áreas de colonização francesa na América do Norte. Entre os próprios colonos ingleses e franceses dedicados ao comércio de peles raras, as hostilidades foram uma constante, mesmo quando não havia guerra na Europa entre Inglaterra e França.
"Por outro lado, a confederação dos iroqueses, cuja esfera de influência compreendia a parte superior do Estado de Nova Iorque, a maior parte da Pensilvânia e o velho Noroeste, permaneceu fiel a sua aliança com os ingleses (...) que podiam provê-los de cobertas e de bebidas mais baratas que as dos franceses; e os iroqueses não só continuavam impermeáveis aos esforços dos missionários franceses, mas em certas ocasiões irrompiam pelo território das nações índias da Bacia do São Lourenço, aliadas dos franceses."
Muitos colonos ingleses viam imensas riquezas nas terras banhadas pelas bacias hidrográficas do Ohio, Missouri e Mississipi serem usufiødas pelos franco-americanos que dominavam aquelas regiões de grande importância econômica.
Essas razões explicam as cinco guerras intercoloniais que correspondem a guerras travadas na Europa e em outras regiões entre a Inglaterra e a França, que teve a Espanha como aliada a partir do início do século XVIII, quando um Bourbon passou a reinar em Madri.
O primeiro desses conflitos foi a Guerra da Liga de Augsburgo, conhecida na América como Guerra do Rei William (1688-1697), que implicou incursões dos colonos franco-americanos aos territórios da Nova Inglaterra, onde a devastação ocorrida provocou represálias dos anglo-americanos. Port Royal foi conquistada, mas o Tratado de Ryswick estabeleceu a devolução daquela cidade e não trouxe nenhuma alteração para as fronteiras coloniais.
De 1701 até 1713, ocorreu a Guerra da Sucessão de Espanha, na América chamada de Guerra da Rainha Ana e envolvendo operações militares na Carolina do Sul, cujos habitantes tiveram de lutar contra os franceses da Luisiana e seus aliados espanhóis da Flórida. Nesta área meridional, a luta decorreu também das ambições dos colonos da Carolina do Sul em dominar a Bacia do Mississipi onde abundavam as peles de búfalo e de gamo, de amplo consumo no mercado europeu.
Na Nova Inglaterra, onde os colonos de Massachusetts chegaram a solicitar ajuda da metrópole para conquistar o Canadá, os anglo-americanos, mais uma vez, se apoderaram de Port Royal, rebatizada com o nome de Anápolis. Com o Tratado de Utrecht (1713) a França cedeu à Inglaterra a Acádia, desde então conhecida como Nova Escócia, a Ilha de Terra Nova, cujos bancos pesqueiros atraíam colonos da Nova Inglaterra para a pesca do bacalhau, além de outras concessões.
Em 1739 rebentou nova guerra entre a Inglaterra e a Espanha, na América denominada Guerra da Orelha de Jenkins, comerciante inglês que teve sua orelha decepada por piratas espanhóis. Durante as hostilidades a Geórgia foi atacada, sem sucesso, por frota espanhola, e numerosos colonos anglo-americanos pereceram em fracassada incursão inglesa a Cartagena, no Vice-Reino de Nova Granada.
De 1745 até 1748 houve a Guerra de Sucessão Austríaca, conhecida na América como Guerra do Rei George. Novamente sucederam-se combates nas áreas setentrionais das Treze Colônias, tendo uma expedição partido de Boston (Massachusetts) e se apoderado de Louisbourg na Ilha do Cabo Bretão, cujo controle favoreceria a ação de barcos pesqueiros na foz do Rio São Lourenço e Terra Nova. A assinatura do Tratado de Aix-la-Chapelle estabeleceu a restituição de Louisbourg à França, o que não agradou aos anglo-americanos.
Esse tratado não foi senão uma trégua entre anglo-americanos e franco-americanos, cujos antagonismos haviam atingido seu ponto culminante. Nas Treze Colônias organizaram-se diversas empresas - como a Companhia de Ohio, a Companhia Greebier e a Companhia Loyal - que especulavam sobre as terras do Oeste, onde os franceses haviam estabelecido recentemente uma série de fortes na Bacia do Ohio.
Ora, acontece que essa região era de alto valor para o comércio de peles com os índios. Autoridades coloniais enviaram o Coronel George Washington, à frente de milicianos, ao Vale do Ohio, onde, sem declaração de guerra, atacou os franceses, mas foi vencido (1754).
Começava então a mais longa das guerras intercoloniais: a Guerra Franco-Índia. Este conflito antecedeu em dois anos a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), em que novamente se defrontaram França e Inglaterra, com resultados decisivos para a posterior evolução da História Colonial. Ao término das hostilidades, a França perdeu suas colônias na América: o Canadá e ilhas antilhanas. A Guerra Franco-India, "ao remover o inimigo francês, fez com que os colonos se sentissem menos dependentes do poder militar da Inglaterra. Ao elevar a níveis até então sem precedentes a dívida nacional da Inglaterra (...) ajudou a provocar uma política de lançamento de impostos e de comércio cada vez mais onerosa para as colônias, de parte da Grã-Bretanha, exatamente quando essas colônias haviam-se tomado mais numerosas, mais altamente comercializadas e mais independentes, no sentido militar, econômico e psicológico, do que jamais haviam sido em relação à Inglaterra.



Texto retirado do Livro "História das Sociedades Americanas"
Aquino, Jesus e Oscar
Editora Ao Livro Técnico

Comentário de Mary Menin em 3 abril 2011 às 15:58

DELACROIX

Comentário de Mary Menin em 3 abril 2011 às 15:52

Eugène Delacroix

" Trabalharei até a agonia: que fazer no mundo, além de embebedar-se, quando chega o momento em que a realidade não está mais à altura do sonho?"


"Uma vida inteira não me basta para produzir tudo o que tenho em mente. "

"Tenho assunto para ocupar o espírito e as mãos por mais de quatrocentos anos. "

Num casarão da praça Fürstenberg, em Saint-Germain-des-Prés, na margem esquerda do Sena, um homem franzino, doente e inquieto, vestido em peliças e grossas mantas de lã, está mergulhado no trabalho. Jenny, sua fiel e velha governanta, recebeu ordens severas para não deixar entrar visitas importunas. O trabalho - pintar e escrever - deve ser perturbado o menos possível. É um rito, um ato de magia. Por meio desse trabalho, pelo que significa em criação e expansão de sentimentos, é que a realidade pode ser subjetivamente transfigurada para amoldar-se às exigências da fantasia. Pela arte, pensa o homem, é que o cotidiano pode ser afugentado. Por meio da arte é que podem ganhar forma os devaneios de glória e aventura, de paixões e sacrifícios. E esse ideal romântico, pensa também, é o único a dar sentido à existência.

Não é de admirar que Ferdinand Victor Eugène Delacroix acreditasse em tais idéias. Afinal, eram as idéias de seu meio e de seu tempo. Eram compartilhadas - ou melhor, sentidas - por muita gente ilustre, por escritores, como Stendhal, Victor Hugo, Alexandre Dumas; poetas, como Baudelaire; compositores, como Paganini e Chopin. Afinal, eram as idéias de Paris de meados do século XIX. Haviam dado alento à luta pela liberdade e pelos direitos do indivíduo, na Revolução Republicana; nutriram-se nos delírios de grandeza de Napoleão; e depois da humilhação de Waterloo ressurgiram nos salões sofisticados, assim como ressurgira o nome dos Bourbon no trono da França.
Nas artes, os românticos foram os primeiros a pôr em questão os ideais clássicos, herdados da Grécia e de Roma pela via do Renascimento. Defenderam a concepção de que o valor de uma obra não devia ser medido pelo respeito a regras cristalizadas e substancialmente acadêmicas, mas em vista da emoção que pode provocar. Um artista - diziam - não se avalia por sua afinidade aos padrões antigos ou por seu grau de aproximação a modelos clássicos, mas sim de acordo com sua originalidade. Nesse sentido, o Romantismo foi um movimento renovador, que multiplicou as possibilidades de expressão nas artes em geral, principalmente na literatura e na música.
Na pintura, nem tanto. Exceção feita a Delacroix, Géricault e alguns outros nomes, a linguagem da pintura francesa permaneceu quase inalterada. Só com a
revolução realista a partir da segunda metade do século XIX é que os cânones tradicionais receberiam o golpe fatal. O Romantismo na pintura traduziu-se principalmente numa troca de roupas: as túnicas greco-romanas que vestiam os personagens focalizados foram substituídas pelas armaduras dos guerreiros medievais. Os heróis míticos cederam lugar aos cavaleiros cristãos, defensores das nacionalidades européias.
E na virada do século XVIII é justamente o nacionalismo - despertado pela Revolução Francesa e fortalecido pelos projetos de Bonaparte - que dá o tom nas idéias políticas.
Mesmo Delacroix, pensasse o que pensasse, não chegou a ser um pintor romântico no pleno sentido da palavra. Apesar de seu amor pela aventura, seu fascínio pelo Oriente fantástico, seu interesse desmedido por tudo o que fosse exótico, não voltou as costas aos antigos mestres. Como qualquer artista acadêmico, freqüentou os museus para copiar os grandes do passado. Nem se furtou em suas obras às sugestões mitológicas da Antigüidade. Ficou a meio caminho entre a lealdade cultural ao mundo clássico e a necessidade de exprimir o mundo interior, rico de sensibilidade e imaginação. Quando a subjetividade prevalecia, conseguia desprezar as regras ortodoxas. E o resultado era uma
pintura original e profundamente renovadora.
Renovação era a palavra que corria de boca em boca na França dos últimos anos do século XVIII, tirando seu alento dos feitos do novo comandante do exército, o pequeno general corso que se chamava Napoleão. Em 1798, um ano antes do golpe de Estado que o levaria ao poder, Napoleão chefiava as tropas da República na campanha do Egito; naquele ano, a 26 de abril, na localidade de Charenton-Saint-Maurice, perto de Paris, nascia Delacroix.
O menino foi registrado com o nome de Ferdinand Victor Eugène, filho de Charles Delacroix e Victoire Delacroix. Ele, importante figura política, ex-deputado, ex-
ministro das Relações Exteriores, então embaixador da França junto ao Governo holandês. Ela, jovem e bonita dama da alta sociedade, filha do decorador alemão Oeben, desenhista de móveis na corte de Luís XV e Luís XVI.
Entretanto, os historiadores menos discretos têm outra versão quanto à paternidade de Eugène. O futuro pintor, afirmam, era filho ilegítimo de Talleyrand, que se tomaria célebre como chanceler de Napoleão e que, graças à sua extraordinária habilidade política, manteria o lugar mesmo depois da queda do imperador e passaria à história com o apelido de "Diabo Coxo".

Charles Delacroix era um homem doente e viria a falecer em 1805. No ano seguinte, a viúva mudou-se para Paris e matriculou o filho no Liceu Imperial, como fora rebatizado o velho e aristocrático Liceu Louis le Grand, do Quartier Latin. Personalidades de destaque na política, nas finanças e na arte haviam passado por esse colégio. Poucos anos antes de Delacroix, ali estudara Géricault, cujas futuras obras apressariam a transformação da pintura francesa e que seria um dos amigos mais chegados de Eugène. O forte do liceu eram as letras clássicas. Mas o forte do aluno Delacroix revelou-se outro: o desenho. Um seu tio, H. F. Riesener, também pintor, percebe - e estimula - a extraordinária vocação do rapaz. Leva-o ao estúdio de outro colega, o neoclássico Guérin, de quem Eugène aprenderá
as técnicas e os truques da arte de pintar, mas não o estilo ou a concepção de pintura. Mais por uma questão de temperamento do que por uma avaliação intelectual dos trabalhos, Delacroix sente-se atraído por Veronese, Tintoretto,
Goya e Rubens, cujas obras pode ver nos museus de Paris, e os prefere a um Rafael ou a outros mestres consagrados e em evidência na época.
O temperamento é um dado fundamental na história do pintor. Como escreveria seu amigo e crítico, o poeta Baudelaire, "a biografia de Eugène Delacroix é pouco movimentada. Para um homem como ele, pleno de tal coragem e de tal paixão, as lutas mais interessantes são as que deve sustentar contra si próprio". São os sentimentos, não tanto os fatos, que determinam as atitudes do artista. Se isso vale para Delacroix adulto, não vale para Delacroix mocinho. Pelo menos, a ser verdade o que narra o escritor romântico Alexandre Dumas: que, até os treze anos, escapou de morrer por estrangulamento, incêndio, afogamento, envenenamento e sufocamento: o responsável involuntário pelo estrangulamento foi seu próprio irmão mais velho, oficial de cavalaria, que por brincadeira o suspendeu amarrando-lhe as rédeas do cavalo ao pescoço e depois soltou-o de chofre. Eugène ficou preso sem que os pés atingissem o chão, como um enforcado.
O incêndio ocorreu quando Eugène dormia: o mosquiteiro da cama pegou fogo; mas as queimaduras foram leves. O afogamento deu-se no mar. O garoto escapou dos braços da ama e uma onda mais forte quase o levou de vez. Ele também não sabia que tinta é substância altamente tóxica; tanto assim que um belo dia resolveu ingerir o conteúdo de um tubo de tinta de pintura. Escapou por pouco.
Finalmente, ao engolir gulosa e apressadamente um cacho de uvas, ficou com algumas entaladas na garganta; não fosse alguém acudir imediatamente e as conseqüências poderiam ser menos anedóticas.
Em todo o caso, superadas bravamente tais peripécias, Delacroix desenvolve seu aprendizado cada vez mais na direção de um afastamento dos padrões clássicos, guiado por artistas inovadores como Gros, Gérard e - sobretudo - Géricault, que sentiram no jovem o talento e a inquietação. Com o tempo, Delacroix viu-se cada vez mais ligado a Géricault: o jovem - então com 21 anos - aceitou posar para
um quadro de seu mestre, A Balsa da Medusa, que daria muito o que falar, abrindo formalmente as hostilidades entre os seguidores da linha neoclássica e os adeptos da nova escola - os românticos. Enviado ao Salão Oficial, a Balsa da Medusa sofreu cerrados ataques dos críticos ortodoxos; os adjetivos dirigidos a Gericault não foram dos mais brandos. Nessa querela, o ainda desconhecido Eugéne Delacroix interveio a favor do artista e acusou seus acusadores: foi a única vez que Delacroix participou ativamente das polêmicas estéticas. Nos anos vindouros, outros artistas brigarão por ele.

Em 1822, após ter realizado algumas obras de temas sacros, resolveu enviar sua primeira tela ao Salão. É Dante e Virgílio no Inferno (prancha 1), onde se vêem as influências do discutido trabalho de Géricault. imediatamente, o pintor de 24 anos polariza sobre si a atenção geral e afirma-se como o expoente de uma nova tendência, a resposta mais brilhante ao consagrado Ingres, mestre do Neoclassicismo. Não que o estilo tradicional tenha deixado de existir nessa obra de estréia, mas as cores vivas, o movimento dos personagens, as luzes do horizonte indicam já uma orientação diferente.
Essa orientação fica ainda mais explícita com Dois. Indianos, pintado em 1823. Este quadro revela gosto de Deslacrais pelo exótico - na própria escolha do tema - e, mais que isso, sua habilidade como pintor, seu espírito independente, a espontaneidade com que é capaz de cercar as figuras da pequena tela. Fugindo às descrições de moradas - e cerebrais - prefere captar as emoções dos retratados com toques rápidos e sugestivos, conseguindo ainda um efeito de primeira ordem ao contrastar o branco da vestimentas com o fundo sombrio.

No ano seguinte, Delacroix produz Os Massacres de Quios, quadro de inspiração literária, e enviado ao Salão. Reabre-se a polêmica: os críticos acadêmicos, o
mestres oficiais, decididamente torcem o nariz ante a obra Afinal, aceito o quadro, Delacroix ainda introduz nele algumas modificações, provocadas pela descoberta do inglês Constable: naqueles dias, o pintor fazia uma exposição em Paris e Delacroix, ao vê-la, é tomado pelo maior dos entusiasmos, a ponto de aproveitar as lições do pintor estrangeiro mesmo numa obra já realizada.

Tomando como tema as perseguições sofridas pelo povo grego sob o jugo turco - assunto sobre o qual Delacroix fizera algumas leituras -, Os Massacres de Quios mostra claramente o que os contemporâneos do artista não souberam ver: que a arte de Delacroix, conquanto fosse inovador estava longe de assumir um caráter revolucionário ou significar um rompimento radical com a pintura clássica. São teatrais as atitudes dos personagens. Sua disposição segue o figurino tradicional. Mesmo as cores - exageradamente violentas aos olhos rigorosos da sobriedade acadêmica - não conflitam com a estética vigente. A novidade localiza-se mais no tratamento realista dos detalhes - e este se de principalmente às alterações motivadas pelo contato com os trabalhos de Constable.
Delacroix sente-se de tal modo atraído pela pintura do inglês que se decide a atravessar a Mancha. Em 1825 embarca para a Inglaterra, onde passa alguns meses, admirando as paisagens, lendo o clássico Shakespeare e o romântico Byron. De volta à França, freqüenta os ambientes mais requintados da época. Elegante e simpático, torna-se amigo de celebridades do mundo artístico, entre as quais Frédéric Chopin e sua companheira George Sand. Delacroix os retratou juntos, embora mais tarde a tela viesse a ser cortada, restando apenas a cabeça do compositor.
O êxito de Delacroix não se limitava aos salões. Como bom romântico, não lhe faltaram ligações afetivas - arrebatadas todas, duradoura nenhuma: os modelos Émile e Laure, a loira e delgada Mademoiselle Mars, a misteriosa Madame Dalton, Madame de Forgette (sua prima) e, por fim, Madame de Boulanger, com quem até fugiria - na melhor tradição dos mitos românticos - para o exterior, chegando à Bélgica e Holanda.
Em 1827, Delacroix apresenta o que seria um de seus melhores quadros, um dos raros que não se ressentem de inspirações literárias ou retóricas. É a Natureza-Morta com Lagostas. Cor, desenho e composição inteiram-se numa unidade total - e poética. Paisagem, personagens, peças de caça conjugam-se como instrumentos numa orquestra afinada. Poucas vezes terá o artista consegui-lo explicar-se tão bem com uma pintura, exprimindo plenamente seus princípios reformistas. Aqui, ele abandona a literatura e cria uma mensagem baseada em recursos exclusivamente visuais. Aqui, Delacroix é absolutamente fiel à sua própria crença de que "o primeiro mérito de um quadro é ter sido feito para o olho".
Bem diverso, embora acabado naquele mesmo ano, é A forte de Sardanapalo, obra imensa, teatralizada, grandiloqüente, decadentista como uma dança dos sete véus. Inspirada na poesia de Byron, descreve o assassínio do velho rei assírio durante uma orgia. Entretanto, os corpos nus e retorcidos, o emaranhado de membros humanos, o tumulto da cena pelo exagero de elementos, acabam redimidos pelo hábil uso das cores, revelando a maturidade do pintor - então com 29 anos.

Em 1828, dá-se o acontecimento talvez mais importante na vida de Delacroix: sua visita ao Marrocos, como membro da delegação que acompanha o Conde de Momay, embaixador da França junto ao sultão daquele país. A missão do artista é documentar gente, terra e costumes, mas a importância do fato está menos nas vantagens que trará ao pintor nos círculos políticos e diplomáticos e mais em termos da expansão de seus sentimentos: o Marrocos, na visão de Delacroix, é o sonho feito existência, o mistério, o exótico, o diferente da cultura e da civilização a que está habituado e que, no fundo, o entediam. O Marrocos é a grande oportunidade que se oferece ao artista: permite que pinte não só sob inspiração de experiências literárias, intelectuais, formalizantes, mas com base em experiências pessoais, sentidas, vividas. Espontâneas.
As Mulheres de Argel é seu primeiro trabalho que reflete essa vivência. Embora os críticos façam reparos ao aproveitamento das cores - dizendo que as soluções encontradas aqui por Delacroix poderiam ser mais felizes -, é inegável a espontaneidade da obra. A maneira natural com que a cena é descrita, atingindo dimensões realistas, transmite o sentido direto da relação entre o pintor e seu tema. A literatura e o esforço de reconstrução histórica estão diluídos.
O mesmo acontece com A Agitação em Tânger , pintado por volta de 1837/38, ou seja, cerca de quatro anos depois de As Mulheres de Argel. Agora, apura-se ainda mais a expressão do artista, sua percepção apaixonada das coisas: a massa das pessoas, o céu transparente, as casas intensamente iluminadas, o jogo de luzes e sombras transmitem uma vibração sentida, que algumas décadas mais tarde explodiria no Impressionismo.
Nem sempre, porém, Delacroix poderá manter-se nesse rumo, devido às encomendas oficiais que receberá para a execução de grandes pinturas decorativas sobre motivos históricos. Até o fim da vida, sua arte consistirá numa intercalação de trabalhos poéticos, de inspiração subjetiva, e de pinturas grandiosas, narração de episódios militares, lendas medievais e mitologia pagã.
As encomendas oficiais vieram provavelmente em conseqüência dos desenhos e esboços que Delacroix enviou do Marrocos e que chamaram a atenção das personalidades públicas ligadas ao Governo. Entre elas estava o primeiro-ministro de Luís Filipe, o historiador Thiers, que já conhecia o artista havia muitos anos e o defendera, escrevendo entusiasmado artigo, contra os que criticavam em 1822
Dante e Virgílio no Inferno. Quando o pintor volta do Marrocos, os convites não tardam. Em 1833 recebe de Thiers a incumbência de pintar o Salão do Rei; em 1838, novo pedido, desta vez para decorar a biblioteca do Palácio Bourbon, sede da Câmara dos Deputados. Passam-se dois anos, outra encomenda: pintura da cúpula e de um hemiciclo no Palácio do Luxemburgo, então sede da Câmara Alta. Mas Delacroix não ficara esperando solicitações oficiais para dedicar-se a temas cívicos e políticos. Numa ocasião, voltara-se a eles espontaneamente. É julho de 1830, eclode a revolução que derruba Carlos X do trono e o substitui por Luís Filipe, filho do Duque de Orléans, chamado "Philippe Égalité" por haver participado da Revolução de 1789. O aristocrático Delacroix não participa das escaramuças. Entretanto, entusiasma-se com os acontecimentos e, tomado de súbitos amores pela democracia, pinta A Liberdade Guiando o Povo, um verdadeiro manifesto de propaganda, cujo valor - enquanto pintura - reside não na retórica mas na habilidade que o artista revela no manejo das cores. Detalhe curioso da obra é que o próprio pintor nela se fez retratar: o jovem de cartola e fuzil na mão é Delacroix.
Contudo, bem diversos serão seus sentimentos políticos na Revolução de 1848. Quando o povo invade as Tulherias e o Palais-Royal, incendiando, entre outros, o Richelieu Dizendo a Missa, do próprio Delacroix, este escreve: "O homem nasceu livre? Por mais filósofo que seja Rousseau, ninguém jamais disse maior asneira. E, no entanto, tal é a base filosófica desses senhores (os revolucionários)".

De qualquer forma, A Liberdade Guiando o Povo fecha o ciclo das quatro grandes telas de juventude (as outras são Dante e Virgílio no Inferno, Os Massacres de Quios e A Morte de Sardanapalo), que, apesar de todas as polêmicas que possam ter suscitado entre os críticos, ou talvez por causa delas mesmo, fizeram Delacroix famoso aos trinta anos de idade. Passado e futuro encontram-se nesses quatro enormes trabalhos de inspiração patriótica ou literária: a execução e os detalhes são tradicionais; a composição e o desenho, renovadores.
Em 1842, entre as encomendas reais e as saudosas lembranças da África (à qual Delacroix chamava "Oriente"), um inesperado interlúdio surge em sua obra. Talvez por fadiga, talvez por querer distanciar-se um pouco do grandioso ou do exótico, pinta A Educação da Virgem (prancha IX), em que o tema sacro - tão raro em Delacroix - é tratado de forma a sugerir meditação concentrada e atenta, calma e harmonia. Como se um momento de paz e serenidade ocupasse o espírito inquieto do artista. Mas é uma pausa breve. Mesmo quando o pintor retoma o universo religioso, com o Cristo no Lago Genesaré (prancha XIII), a agitação novamente aparece: as luzes percorrendo os corpos movimentados, as ondas altas, o barco perigosamente inclinado exprimem uma turbulência que só é quebrada pelo sono tranqüilo de Jesus, como a indicar que a fé é mais poderosa que a angústia da morte.

Delacroix é agora um homem de cinqüenta anos. A fama e o reconhecimento oficial (em 1849 passa a fazer parte do júri do Salão) não lhe atenuam os sonhos e os conflitos íntimos, da mesma forma como a doença (a então incurável laringite tuberculosa) não lhe afeta a espantosa capacidade de trabalho, da mesma forma como a necessidade que experimenta de recolher-se mais e mais não sufoca o antigo desejo de viajar: em 1850 volta à Bélgica, onde revê seus tão queridos quadros de Rubens. Aproveita a ocasião e estendi seu roteiro até a Alemanha. Quando regressa - infatigável -, começa a decoração do Museu do Louvre. Quando termina, lança-se à decoração do Salão da Paz, no Hotel di Ville. E escreve: cartas, artigos, um diário começado na juventude e interrompido de 1824 a 1847, apreciações críticas etc. E pinta seus delírios, suas lutas interiores, suas ansiedades. Em 1855, eles rebentam com A Caça aos Leões. Os tradicionalistas ficam chocados: "É um caos de tons!", exclamam. "Um absurdo tantos vermelhos, verdes, amarelos, violetas..." Baudelaire, o "poeta maldito", lhes responderá: "Jamais cores tão intensas penetraram até a alma pelo canal dos olhos". Três anos mais tarde, outro quadro, o mesmo título, as mesmas emoções, o mesmo conflito.
O "Rubens doente", "o homem do colete verde" - assim seus contemporâneos o chamavam - quase não abandona o estúdio na praça Fürstenberg. Trabalha o dia inteiro: "Que fazer no mundo, além de embebedar-se, quando chega o momento em que a realidade não está à altura do sonho?" Um dos raros amigos a quem Delacroix permite visitá-lo nota que o pintor vive ultra-agasalhado, embora o ambiente esteja tão aquecido "que até cobras poderiam ali viver felizes".

Nessa fornalha calafetada, trocada de tempos em tempo por uma estada na casa de campo em Champrosay, perto de Paris, tendo por companhia apenas sua governanta, o artista produz seus últimos trabalhos. Da lembrança do Oriente surgem Cavalos Saindo do Mar . Não é a pintura de um sexagenário. É uma alvorada de vigorosa juventude, a mesma juventude de espírito que o artista manteria até o fim. E o fim se deu a 13 de agosto de 1863. Delacroix tinha 65 anos.

Biografia retirada de Gênios da Pintura

http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=400
Comentário de Mary Menin em 29 março 2011 às 12:15
Político e revolucionário francês

Jean-Paul Marat

24/05/1743, Boudry, Suíça
13/06/1793, Paris, França

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

Reprodução

Reprodução

Marat, o amigo do povo, foi militante de destaque na Revolução Francesa

Filho do italiano Giovani Marra, Jean-Paul Marat estudou medicina em Paris e Bordéus, terminando o curso na Inglaterra e doutorando-se em 1775, ano em que publicou o "Ensaio Filosófico sobre o Homem".

Neste ensaio, atacou as ideias de Claude-Adrien Helvetius (1715-1771) contrárias à necessidade do conhecimento científico para quem fosse filósofo.

De volta à França, foi nomeado médico da guarda pessoal do conde d'Artois, irmão mais novo do rei Luís 16.

Em 1783, abandonou a profissão para se dedicar à carreira de cientista - já havia publicado artigos sobre experiências com fogo, luz e eletricidade.

Em 1780 lançou seu Plan de Législation Criminelle (Plano de Legislação Criminal), que foi considerado subversivo pelo governo. Um ano depois teve seu ingresso vetado na Academia de Ciências, por Lavoisier. Esses dois fatos deram início a seu desencanto com a aristocracia que governava a França.

No ano da eclosão da Revolução Francesa, 1789, fundou o jornal L'Ami du Peuple (O Amigo do Povo), em que se revelava defensor das causas populares. Condenado várias vezes, era visto como o porta-voz do partido jacobino, a ala mais radical da revolução. Considerado fora da lei, refugiou-se na Inglaterra em 1790 e no verão de 1791, retornando então a Paris.

Quando os sans-cullote (massas populares), orientados pelos jacobinos, proclamaram a República e instituíram a Comuna de Paris como órgão executivo do governo, Marat foi eleito um de seus dirigentes. Seus adversários políticos, os girondinos, o acusavam de querer estabelecer uma ditadura com Robespierre e Danton.

No ano seguinte, Charlotte Corday, militante girondina, entrou em sua casa e o assassinou na banheira, a punhaladas. Nos últimos dias, Marat passava várias horas na banheira, que aliviava suas dores provenientes de uma doença inflamatória.
http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u731.jhtm
Comentário de Mary Menin em 26 março 2011 às 0:18

    Les émeutiers parisiens de juin 1793

                                       Charretier

                                           Savetier


Fort des Halles

Sans culotte
Comentário de Mary Menin em 26 março 2011 às 0:09

 

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Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

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